As autoridades espanholas definem ‘taxa de criminalidade’ como a cifra de ‘delitos’ e ‘faltas’ cometidos por cada 100.000 habitantes num tempo determinado. Segundo a Delegaçom do Governo espanhol, a citada taxa situou-se na CAG em 2005 entre as mais baixas da UE e mantém umha tendência interanual à reduçom. Contodo, a realidade nom é excusa para que o nosso País fique isento dos planos de aumento do controlo e a vigiláncia social, o incrementos dos quadros policiais e as campanhas alarmistas de 'Segurança Cidadá’. O informe apresentado ontem pola Delegaçom do Governo evidencia que o número de ‘delitos’ cometidos em 2005 na Galiza administrativa descendeu 1.58 pontos percentuais a respeito de 2004. A CAG (27.7) situa-se assim numha das ‘taxas de criminalidade’ mais baixas da UE (70) e do Estado (49.5). Os ‘delitos’ contra a propriedade privada representam, aliás, 80% das infracçons penais consideradas ‘mais graves’ e reduzírom-se em 5.66%. Igual tendência descendente experimentárom os furtos (13.56% menos), as substracçons de viaturas (11.60%) e os roubos com força nas cousas (6.97%). As ‘faltas’, consideradas infracçons menores, descendérom também 0.36%. Mais de dez mil galeg@s detid@s em 2005 Resumidamente, o total de ‘delitos’ e ‘faltas’ cometidos na CAG descendiam 0.90 pontos percentuais em 2005, estabilizando-se a citada taxa em 27.7 infracçons legais por cada 100.000 galeg@s e muito longe das cifras de Estados como o Reino Unido (105.4), a Bélgica (94.4), a Dinamarca (90), a Holanda (85.5), a Alemanha (80.4) ou a França (63.9). As cifras oficiais asseguram aliás que a eficácia policial –percentagem de casos esclarecidos- acrescentou-se notavelmente em todos os âmbitos. O número de pessoas detidas na Galiza administrativa durante 2005 foi de 11.030 segundo as cifras apresentadas por Manuel Ameijeiras Vales. O tráfico de drogas ilegalizadas e os roubos com violência e intimidaçom som os tipos delitivos em que o incremento de pessoas detidas é maior, sendo de 22.40% e 17.59% respectivamente. O informe apresentado ontem assegura que a percentagem de galeg@s detid@s por comissom de ‘delitos’ acrescentou-se ligeiramente (0.57%). Quanto à comissom de ‘faltas’ a quantidade de detençons diminuiu em 13.92%, embora este tipo de infracçons formalmente nom podem originar umha detençom. Idênticas políticas para realidades diferentes despiriam objectivos reais de Interior na CAG Os dados apresentados ontem como mostra do “sucesso policial” na CAG revelariam que a nossa realidade sócio-económica, embora estar marcada por umha extensom crescente da precarizaçom e a exclusom social, com estatísticas institucionais que situam mais de 20% da cidadania vivendo na pobreza, nom reflite estas mecanicamente na maior comissom de infracçons contra a propriedade e o ordenamento legal espanhol, como seria de esperar, mas aparentemente ao contrário. Contodo, os planos de Interior relativos a incremento dos quadros de funcionários policiais, investimento em infraestrutura repressiva, alargamento do controlo e a vigiláncia social, endurecimento da legislaçom penal, dramatizaçom mediática de sucessos e problemáticas destinada a produzir “insegurança cidadá” e demanda de controlo social, inflaçom programada das empresas de segurança privada, etc., som aplicados na Galiza seguindo um patrom estatal idêntico. Além de demonstrar-se, mais umha vez, a constante histórica de que o Estado espanhol impom políticas idênticas a realidades divergentes, o desenvolvimento dos planos de Interior no nosso território indicaria que a agitaçom do argumento da ‘insegurança cidadá’ é, na Galiza, umha coarctada necessária para aplicar medidas que nada tenhem a ver com a “protecçom da cidadania”, mas sim com a construçom estratégica dum Estado fortemente policial e punitivo num País que vê deteriorar-se progressivamente as condiçons materiais de vida da sua populaçom.