Madrid apresenta um editorial de Gara como “indício” de que Iniciativa Internacionalista “responde aos desígnios de ETA”

O processo de criminalizaçom pública e ilegalizaçom que neste momento afecta a candidatura Iniciativa Internacionalista–A Solidariedade entre os Povos segue o seu curso. Últimas notícias anunciam que onte pola manhá o Governo espanhol apresentou no ‘Tribunal Supremo’, como mais um “indício” para ilegalizar a lista na que participam seis independentistas galeg@s, um editorial do diário ‘Gara’ que, segundo a ‘Abogacía del Estado’, demonstraria que a candidatura “responde aos desígnios da armaçom ETA-Batasuna”. Os magistrados do TS que decidem a ilegalizaçom deverám tomar postura antes da meia-noite de amanhá. O editorial da ediçom de onte do diário independentista basco ‘Gara’ é a última “prova” achegada polo Executivo que preside Rodríguez Zapatero para promover a ilegalizaçom de Iniciativa Internacionalista. O texto, ao que se pode aceder em espanhol através da ligaçom situada ao pé desta informaçom, denuncia este processo de ilegalizaçom que sovarda as fronteiras de Euskal Herria para converter em “parte de ETA-Batasuna” dezenas de sindicalistas, dirigentes políticos e activistas sociais de diversos territórios sob jurisdiçom espanhola. Assim, a ‘Abogacía del Estado’, que age como representaçom directa do ‘Consejo de Ministros’ neste processo, nom tivo reparos em afirmar onte que os argumentos expostos no editorial –que som muito similares aos manejados por Colégios de Advogados progressistas, partidos com representaçom institucional, etc.- seriam mais um “indício” a engadir a outros “indícios” como o estenso currículum político de Alfonso Sastre ou a ficha policial de actividades políticas de tod@s @s candidat@s. Reuniom entre ‘Justicia’ e o ‘Ministerio de Interior’ ‘O medo à liberdade estende a sem-razom’ é o título do citado texto. Nele, o diário basco recorda que o processo actual evidencia “umha estratégia de Estado que acha que a cada necessita dar menos explicaçons sobre o seu proceder” e assegura que as autoridades de Madrid “temem que no Estado espanhol cristalice umha opçom de esquerdas, progressista, que questione um sistema depredador de pessoas e povos”. Recordamos, neste sentido, que o partido político espanhol ‘Izquierda Unida’ deu a razom por adiantado ao que decida o ‘Tribunal Supremo’, ao tempo que pedia a concelheiros de CUT de Marinaleda (Andaluzia) que retirem os avais dados à candidatura. Madrid afirma, por outra parte, que com a apresentaçom desta lista estatal a organizaçom armada basca trata de “elevar a moral das suas bases”. Chama a atençom o facto de que, para além de nom se apresentar provas reais que vinculem a lista com ETA, o Executivo espanhol se erga em interpretador das intençons desta organizaçom. Neste sentido, como mais um dado que informa da absoluta fraqueza do processo, o ‘Abogado General del Estado’, Joaquín de Fuentes Bardají, assegurava onte aos meios que tanto a ‘Abogacía’ como a ‘Fiscalía’ duvidaram de que existesse fundamento para a ilegalizaçom, mas, após a reuniom entre ‘Interior’ e ‘Justiça’, afirmou que “finalmente entendeu-se (sic) que havia prova suficiente” para abrir este processo. Qualquer organizaçom pode “ser ETA” sem sequer sabe-lo Nesta altura, apesar da absoluta falta de rigor jurídico que envolve todo o sumário e da confirmaçom do impulso político que dirige o processo, a possibilidade de que milhares de nacionalistas galeg@s vejam suspendido o seu direito ao sufrágio universal por avalizarem sem sabe-lo o “entramado ETA-Batasuna” aparece como o cenário mais provável. De materializar-se finalmente esta expectativa, o Executivo espanhol teria dado um grave salto qualitativo ao estender a aplicaçom da fascista ‘Lei de Partidos’ a todo o território sob jurisdiçom espanhola e a centos de milhares de eleitor@s. Umha elementar lógica repressiva, que provavelmente nom se produzirá por motivos políticos evidentes, exigiria que, a continuaçom, fossem também ilegalizadas as organizaçons FPG, Corriente Roja, CGT, IzCa, Comuner@s, CUT, etc. por colaborarem com as iniciativas do “Entramado”. A gravidade política do salto que se está a ponto de acometer por parte de Madrid é evidente. É de destacar aliás que, enquanto o ‘Consejo de Ministros’ ousa atribuir militáncias ou colaboraçons com ETA a dezenas de activistas sindicais, políticos, culturais, juvenis, feministas de todo o território estatal, partidos auto-denominados “democráticos” como IU colaborem activamente na ilegalizaçom dumha posiçom política e outros, como o BNG, guardem um respeituoso silêncio ante este novo passo na involuiçom autoritária do Estado espanhol. Declaraçons de Méndez Ferrín O independentista galego Méndez Ferrín, nº 6 da lista que Madrid trata de ilegalizar sob a máxima de “Todo es ETA” riscou de “inqualificável” onte a impugnaçom de II porque “constitui um atentado contra os princípios mais elementares de liberdade”. Ferrín acusou o Governo espanhol de agir como a “Santa Inquisiçom” e atentar “contra um direito civil fundamental”. O escritor galego apontou aliás que a eventual ilegalizaçom da lista e a suspensom do direito ao sufrágio universal para centos de milhares de cidadáns e cidadás do Estado gerará “umha campanha internacional de protestos”.