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À espera de configurar umha secçom própria dentro do portal para a publicaçom de blogues e artigos de opiniom d@s independentistas retaliad@s nos centros penitenciários, damos continuidade ao blogue da feminista e patriota galega Giana Rodrigues. Domingo, 11 de Setembro de 2005 As conduçons som um pesadelo. Recolhes rápido, montas os vultos num carrinho e face o módulo de ingressom com umha moreia de presas mais. Umha vez lá encerram-nos numha espécie de sala ampla e a aguardar. Ao cabo dum rato, surpresa!!!, chegam Ikerne e Regina, duas bascas que levavam três semanas em Soto e volviam para Ávila. Abraços, beijos, umha outra vez com umha voz amiga ao meu lado, umha outra vez deixo de estar só. Sobem-nos à cela e eu fico essa noite com Alda, umha brasileira encantadora com a que compartilhei muitas tardes no módulo 12 e essa tarde em Ingressos. Figemo-nos amigas, o certo é que as unions que se fam no cárcere som muito intensas apesar de ser curtas. Ao dia seguinte, cedo, temo-nos que erguer e baixam-nos da cela de novo. Depois do almoço um rato longo aguardando e o cacheio, mandam-nos subir ao furgom policial. Polo menos nom nos ponhem algemas com o qual podemos ir medianamente cómodas nessa espécie de cárcere com rodas. Dentro há cabinas bi-vaga, absolutamente claustrofóbicas com umha janela de 20 centímetros de cumprimento por dez de longo com um vidro e umha reixa por se acaso. À parte de Ikerne e Regina estavam a Nagore e a Arantxa que também andavam de conduçom em Soto (chegavam as quatro juntas), e as fôrom procurar ao módulo à noite para trazé-las a Ávila de novo. Também nos atopamos à Maider, e à Saioa, duas moças que conhecim no txopano que estám com um artigo 10 (primeiro grau preventivo). Todas de aventura nesses minicalabouços para Ávila, agás a Maider que ia para Teixeiro. Umha hora e vinte de conduçom e chegamos à nova prisom. Nada mais chegar impresionou-me a relaçom diferente com que nos tratavam as carcereiras e o pessoal da prisom em geral. A Ikerne e mais a mim metérom-nos juntas numha cela de ingressos e à tarde para o módulo. Dou-me pena despedir-me delas já que iam para o módulo vermelho e eu para o azul, a atopar-me de novo com a Amaia que já conhecera em Madrid V. Mas de certo que nos atoparemos por aqui com todas, é o bom que tem umha prisom tam pequena como esta. Quero fazer umha resenha histórica e recordar com emoçom a todas as pessoas assassinadas, que sofrírom e que sofrem ainda a ditadura de Pinochet no Chile, hoje é um dia especialmente gris para todas e todos eles. Ánimo, chilenas, algum dia faremos justiça! Terça-feira, 13 de Setembro de 2005 Já levo três dias cá e tenho umha moreia de impressons sobre a mudança. Em primeiro lugar tivem que trocar o chip agressivo que trazia de Madrid V para o trato com as carcereiras. Estas som bastante mais amáveis, bom, amáveis já que as de Soto som umhas déspotas mal-educadas, tes que andar aos gritos todo o dia com elas porque te tratam como se fosses um cam sarnoso. Cá há de todo, polo que me comentárom as companheiras, mas a imensa maioria som agradáveis. Nada mais chegar tivem umha pequena tangana com um chefe de serviço porque pretendia que me dobrara na cela. Mas finalmente lhe ganhei a batalha e nom me dobrou. Umha das compas, Carol, marchou para Soto o mesmo dia que cheguei eu, entom fiquei com a sua cela. Está no segundo andar com o qual olhas para o exterior da prisom, é umha passada, as do primeiro andar só vem muros, eu vejo umha entrada, luzes, algum mato, … algo de paisagem, se se lhe pode chamar assim… Quinta-feira, 15 de Setembro de 2005 Tenho umha moreia de companheiras de diferentes colectivos. Estám Amaia, Aritz e Itsaso do colectivo de presas bascas; Iolanda, Maria José e Maria Jesus, do Grapo-PCE(r); Carol, que é anarquista, e mais eu. Esta casualidade, que haja presas de todos os colectivos que existem, nom se dá em qualquer outra prisom. Temos umha sorte imensa já que assim podemos conhecer bastante de primeira mao todas as luitas que se dam no Estado espanhol. De facto decidimos dedicar um dia à semana a falar cada umha do seu movimento. Há que aproveitar as circunstáncias. Sábado, 17 de Setembro de 2005 Ontem tivemos a charla sobre o Grapo e dérom-na a Maria José e a Maria Jesus. Foi muito interessante, mas agradou-me descubrir que sabia mais desta organizaçom do que pensava, nom tanto da sua situaçom actual quanto do seu agir no passado. Nesta prisom –bom, mais bem no nosso módulo porque nos outros nom sucede-, deixam-nos ocupar umha salinha que está num recinto do módulo ao que chamam “área social” na que estamos a maior parte do dia metidas. Nom se usa para outra cousa e okupamo-la nós. Lá dentro fazemos manualidades, lemos, estudamos e é onde damos as charlas. É umha sorte imensa ter esse espaço que nos permete livrar-nos do ruído e dos fumos do módulo todo o dia. Segunda-feira, 19 de Setembro de 2005 Esta semana passada umha companheira basca saiu em liberdade (provisória baixo fiança, mas saiu à rua). Estas cousas dam muito ánimo, já que ver que a gente vai saindo te fai sentir a cada mais perto da rua. Da Galiza, da minha gente, do calor do meu país. É o mais duro da prisom: a incomunicaçom com quem te quere e a quem ti queres. Se nom for por isso quase nom percebia estar num cárcere. Muxus, Nagore, algum dia volveremo-nos atopar. Quarta-feira, 21 de Setembro de 2005 Esta semana estamos de celebraçom talegueira já que o 24 é a festa da Mercé que é a “santa” das presas e dos presos (Minha mae! Há santas para todo!). Há umha série de actos programados para toda a semana. Hoje, por exemplo, houvo um concerto de rock no salom de actos onde vinhérom quatro cinquentons que nos tocárom todas as cançons do verao desde que minha avó era nova até hoje, ou seja, Julio Iglesias, Mocedades, Juanes a a sua maldita “Camisa Negra”, passando por Pasión de Gavilanes (“Quién es ese hombre”) e polas Suprems de Móstoles. Um horror, finalmente parece que quigérom fazer honra ao seu suposto estilo rock e tocárom um par delas de Siniestro Total e algumha que outra mais “canheira”. Polo menos pudemos ver as companheiras do módulo vermelho. Sexta-feira, 23 de Setembro de 2005 Mais actuaçons. A de hoje foi terrível. Fôrom as sociais as que actuárom esta tarde, foi como ter umha regressom infantil aos festivais do colégio onde as moças faziam danças coordenadas entre elas, horríveis, cantavam... Bom, polo menos daquelas também havia algo de teatro e a nengumha se lhe ocorria fazer um play-back ou um streep tease... A volta à infáncia que produz a prisom em mulheres adultas e, inclusivamente, com experiências vitais muito intensas, é algo digno de comentar. Imagino que ao perderem o controlo sobre sim próprias, ao deixarem de lado as suas responsabilidades de mulheres adultas e ao dependerem tam explicitamente de outras pessoas, volves como a um estado de nenez, mas agora com altas doses de submissom. Nom é algo que se perceba constantemente, mas sim em ocasions pontuais como esta. Há que salientar mais cousas desta volta à infáncia: de que forma tam exagerada as mulheres estám educadas para serem objectos sexuais dos homens. Igual de crias nom se nota tanto, mas elas apesar de parecer crianças seguem a ser mulheres, pois podo assegurar que 90% das actuaçons tinham um conteúdo sexual implícito ou explícito, todas as danças, cançons,…. Todo. Salvo as marroquinas e as equatorianas que figérom umha dança típica do seu país (fermosíssimas, por certo), o resto dava mágoa. O tema da submissom também dá para muito, mas já me explaiarei um outro dia, que tem tema o assuntinho. Por certo, hoje há dous meses da minha detençom. Um beijo, Ugio, aguardo que estejas bem, hoje, de “aniversário”. Domingo, 25 de Setembro de 2005 Ontem foi a festividade da Mercé. Dérom-nos de jantar muito bem, langostino, cordeiro, presunto e até um copinho de sidra. Mas estou indignadíssima. O que vos parecer que o dia das presas nos encham o cárcere de fascistas? Pois sim, como escuitades. Pola manhá duas compas bascas fôrom comunicar e nom as deixárom saír da comunicaçom até que o grupo de polícias, políticos e toda a calanha que vos podedes imaginar estivérom a bom recaudo dentro do salom de actos. Eles, as mulheres e descendência, por suposto. A todo isto. que os petiscos que “jovialmente” se tragárom mentres estivérom cá cozinhárom-os as presas. Menuda festividade da Mercé, ou seja, os actores, cúmplices e mercenários que fam real o nosso sequestro venhem festejar “o noss dia”… Vivam as contradiçons! Nom vam festejar…: se nom houver presas nom teriam de que viver. Reciprocamente, que se inteirem, que se nom existisse gentalha assim, também nom estariamos nós cá. O sistema autodestruiria-se e nom precisariamos umha guerra para fazer justiça. Terça-feira, 27 de Setembro de 2005 Ontem fizérom dous meses do meu ingressom em prisom. Lembro esse dia com certa ledícia e certo alívio porque significava a fim dos interrogatórios e da nossa estáncia nos calabouços, tanto da polícia, quanto da Audiência Nazi. A prisom é como liberar umha tonelada de tensom e agóbio. Porfim nos deixavam tranqüilas, em paz. O nosso passo polos calabouços nom foi muito duro, há testemunhas terríveis da gente que se lhe para o coraçom e morre, ou inclusivamente casos de violaçons de um grupo de madeiros a umha detida. Podemos dizer que fomos afortunadas porque nom empregaram a violência física contra nós. Mas sicologicamente sim ficas tocada. Ameaças e interrogatórios durante três dias é impossível que nom te afectem. No meu caso o pior momento foi o registo da casa da minha família. Mas bom, já se passou todo. Quinta-feira, 29 de Setembro de 2005 Ontem tivemos umha das últimas festividades da Mercé. Partido de futbito do módulo vermelho contra o azul. Por suposto ganhárom as nossas, mas o certo é que foi muito divertido. Umha forma marabilhosa de liberar tensom e adrenalina, animando e cantando goles como se estivessemos vendo umha final da Champions League. Som bem boas estas mulheres, o que se perdem os homens nom deixando-as participar no fútebol oficial, mas já sabemos como é o machismo de estúpido….
 
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