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Recevemos casualmente hoje, Dia Internacional contra a Violência de Género, os primeiros “posts” do blogue da presa independentista galega Giana Rodrigues. O diário narra o trecho temporal que vai de 26 de Agosto deste ano até a transferência da feminista galega à prisom de Brieva (Ávila) em 9 de Setembro. A lógica irracional com que todo se desenvolve nas instituiçons penitenciárias do Estado espanhol tem feito com que, até a data, nom tivessemos possibilidade de dar saída à voz e a palavra da patriota galega encarcerada em Espanha. Reproduzimos agora o diário electrónico de Giana Rodrigues a partir de 26 de quando cumpre os primeiros 30 dias de reclusom forçosa a centos de quilómetros da Galiza, e exigimos ao Executivo espanhol que preside Rodriguez Zapatero, mais umha vez e em aplicaçom das próprias leis espanholas e das convençons internacionais de Direito Penitenciário e de Direitos Humanos, a sua imediata repatriaçom e transferência para umha prisom localizada no nosso País. Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005 Começo escrever hoje, polo único motivo de que se cumpre um mês exacto do meu sequestro espanhol. Há umha frase que tenho escuitado por aqui que resume muito concretamente o que som as prisons: a razom termina exactamente onde começa Instituiçons Penitenciárias. É exactamente assim, a burocracia nom tam só é absurda, senom que aqui, muito mais do que fora, é um meio para interromper, incordiar e impedir as nossas possibilidades de agir em liberdade. Horários de Hospital, recontos e mais recontos, comida para cans e as ultrameganecessárias instáncias –coraçom da burocracia- que nunca há. Domingo, 28 de Agosto de 2005 Ontem fomos à piscina de 11:15 da manhá até as 12:45 h. Um dos pouquininhos momentos de distensom da semana –apenas vamos as quartas e sábados-. Saimos do módulo e nos libramos assim do ruido da televisom e das rádios alternando as diferentes cançons do verao. Mas no polidesportivo, que é onde está a piscina, nos temos que enfrentar à visom de dous tremendos nazis que se passeiam com todos os seus privilégios carcerários polo único sítio onde há mulheres ligeiras de roupa de todo o centro. Som o fascista do Atlético de Madrid que matou Aitor Zabaleta num partido desta 62 contra o Atléti de Bilbo e mais um outro skinete com simbologia tatuada, que nom sabemos de certeza porque está “preso”. Os seus méritos pola defesa da Ultraespanha tenhem a sua recompensa traduzida em penas irrisórias e em ser os amos do cárcere. Até o ponto de poder estar no polidesportivo os escassos dias que vamos as mulheres. Há um outro que me pom os pelos de ponta. Está cá por assassinar e desquartizar à “sua” mulher. O seu prémio é para nós um castigo, pior inclusivamente do que a possibilidade de isolamento, ou pensar em ficar presa a metade da nossa vida. Terça-feira, 30 de Agosto de 2005 A semana passada tivemos bastante dança. Ao Ugio, pola contra que a mim, juntárom-no na cela com presos sociais desde que entramos cá. Agüentou quase um mês até que decidimos que se plantava. Justo estava recém chegado ao seu módulo um preso político do IRA e os dous combinárom em que se dobravam juntos na cela. O carcereiro de turno negou-se, com o qual o Ugio se viu obrigado a plantar-se –negar-se a entrar na cela pola noite, prévia instáncia avisando, por suposto…- e acabou com os seus ósos no txopano –nome talegueiro que lhe damos ao módulo de isolamento-. Lá, e depois dum cacheio integral, receveu umha malheira por parte do funcionário de turno, e depois dum dia com a sua noite sem fumar, sem passeios e sem poder fazer mais nada que mirar para as paredes dos escassos dous metros quadrados de chavolo, voltou para o módulo e dobrou-se com o do IRA. Amanhá vamos fazer um protesto conjunto pola devandita malheira que vai consistir num chapeio de 24 horas, isto é, vamo-nos negar a saír da cela em todo o dia, prévia instáncia avisatória, por suposto. A ver como é que remata o conto… Quinta-feira, 1 de Setembro de 2005 Ontem, após o chapeio, levárom-me a mim também para o txopano. Nom é usual umha medida tam repressiva perante um protesto que sendo bastante mediocre ao cárcere nom lhe supom qualquer problema mais do que o exemplo que lhes damos às sociais. Vinhérom procurar por mim à cela um chefe de serviço, umha chefa de segurança e umha moreia de carcereiros. Chantárom-se-me diante tentando que saísse enganando-me como às crianças. “Sal para fuera que tenemos que hablar contigo”. Eu a dous passos deles e dela, mas eu dentro e eles fora. Nego-me e já venhem tod@s adentro a por mim. Quando já estou fora, explico-lhes o motivo do meu protesto entre os seus gritos e impertinências e dizem-me “¡Pues te vas a comer um 74 por lista!”. O setenta e quatro é um artigo de isolamento de castigo. Até três dias podes estar sem qualquer tipo de direito. Ao baixar os dous andares chego à porta do módulo e atopo-me com Ikerne, Nagore, Ixone, Ana, Goizeder, Marta, Josune, Sue, Regina, Arantxa, Aurora, Carmela e Mónica dando-me ánimos e com o punho em alto para que saiba que nom estou só. Muitas presas sociais vitoreárom-me e dérom-me palmadas de ánimo junto com as minhas queridas companheiras políticas. Isso a prisom nom o pode suportar nem consentir. No txopano atopei-me com mais bascas: Maider, Saioa e Ana. Falei com elas pola janela e passárom-me um Gara, papel e caneta para que tivesse que fazer. No pouco tempo que levo presa já tenho umha dívida pendente com o povo basco de por vida. Acolhérom-me sempre com o carinho mais grande e quase como se for umha delas. Também tivem sorte com Mónica e Aurora que, além de ser galegas e militantes do Grapo e o PCE(r), respectivamente, com elas nunca me faltou o meu querido galego nem sobrou umha palavra agarimosa de qualquer. Hoje, após levar dous dias em isolamento, inteiro-me ao saír que me mudam de módulo. Ao 11, onde nom há nengumha presa política. Agora sim que estou sozinha… Sábado, 3 de Setembro de 2005 Hoje voltamos ir à piscina. Foi genial volver atopar-me com todas. Beijos, abraços e como colofom um baptismo evangélico. Umha moreia de ciganas que submergírom nas águas para ficar limpas do pecado original –essa visom tam ultramachista da história da evoluiçom dos textos sagrados. Liberárom-se da Eva que levavam dentro… Mas eu som mais de Lilith, a mulher que se negou à discriminaçom primigénia e foi desterrada. No módulo 11 recebérom-me bem. Achegárom-se-me muitas sociais e oferecérom-me a sua companha, mas boto muito de menos as compas políticas. Sorte que nos podemos ver nas saídas gerais (piscina, ou seja polidesportivo, teatro, etc.). Sempre as terei no meu coraçom… Segunda-feira, 5 de Setembro de 2005 Tenho muitas impressons da minha nova convivência com presas sociais. Há de todo como em toda a parte, mas este módulo é “especialmente especial”. Cá estám as moças que trabalham para a prisom, as que cumprem destinos –trabalham gratuitamente-, as que estudam e as que som boas mozinhas… Ou seja que é muito mais tranquilo, mas também há muitas chivatas. Sobre todo as espanholas que, pola contaminaçom mediática que há contra nós, pretendem mover seus fios para que nos fagam o vazio. Nom lhes funciona porque nos levamos muito bem com as sociais, sobretodo com as de fora do Estado que som a maioria. Mas, em quanto se achegam, começam a chantageiá-las. Por umha parte, chantageia-as a prisom –“Se me diz algo, damos-te permissons e benefícios”, “Se te faz amiga delas, ficas sem trabalho”-. Também as chantageiam as próprias presas –“Já lhes estades dando cancha, já as estades acolhendo”-. As presas alucinam com que mulheres que estám sufrindo o Estado em última instáncia atacam a quem lhes dá resposta ao seu assovalhamento. Nom se entende essa atitude… Quarta-feira, 7 de Setembro de 2005 Já me vou notando mais a gosto. Aproveito que estou mais sozinha para ler e escrever. Rematárom-se-me as intermináveis charlas com as companheiras, mas ganhei em tempo. Hoje a prisom volveu-ma jogar. Nom funcionavam os altofalantes e nom avisárom para saír à piscina. Fiquei sem ver as companheiras com umha xenreira indescriptível, mas há que saber levar a frustraçom já que a paciência cá é imprescindível para levar com humor todas as que nos fam estas mercenárias. É incrível que assumam o seu papel de repressoras até tal ponto, já que umha cousa é ser carcereira –com todo o que isso implica-, mas ser torturadora ou fascista vai muito adentro e é passar umha fronteira desnecessária porque nom vam ganhar menos ou perder o seu “trabalho”. Algum dia será-lhes devolto todo isto… Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005 Hoje cheguei à prisom de Brieva em Ávila. Ontem, após o jantar, enquanto estava na duche, escuito umha voz polo interfone da minha cela que diz “Recoja sus cosas que se va de conducción”. Em quinze minutos e sem quase tempo para dar-me conta tivem que recolher todo como pudem e baixar com os petates sem saber aonde ia. Umha vez abaixo, tangana com as carcereiras. Resulta que tinha um vis familiar pedido para 9 de Setembro às 10:30 horas da manhá, isto é, hoje. Estas fascistas pretendiam que nom avisara a minha família de que nom me iam deixar fazer o vis, que botaram seis horas conduzindo de noite para chegar e voltar por onde vinhérom sem mais explicaçons que “esta ya no está aqui” e sem recever desculpa nengumha. As fascistas das funcionárias nom me deixavam chamar para avisar de que nom vinhessem, que nom podiam fazer o vis… Entom, podedes-vos imaginar: a gritos com elas, tensom para ficar como estava. Por sorte, umha das presas sociais que estava comigo viu tal agóbio que tinha acima que se ofereceu a chamar por mim. Dim-lhe o meu NIS –número de identificaçom na prisom- e o número telefónico de meu pai e avisou ela… Umha outra pequena vitória sobre a prisom. Deveu-lhes foder ver como minha família nom acodia hoje; descubrir que umha outra vez lha jogamos; que, apesar de nom ter mais companheiras presas que as sociais, a nossa situaçom de sequestradas une-nos, seja qual for o motivo desse sequestro. Obrigada, companheiras.
 
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