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Iniciamos a publicaçom de blogues d@s pres@s independentistas galeg@s com o texto remitido polo ex militante da AMI Ugio Caamanho, preso actualmente no centro penitenciário de Navalcarnero. O texto remete para a estáncia do independentista na prisom de Soto del Real de 26 de Agosto a 9 de Setembro de 2005, data na que é dispersado ao seu destino actual Segunda-feira, 22 de Agosto de 2005 Entre todos os presos políticos de Soto a Direcçom do cárcere escolheu-me unicamente a mim para gozar da companhia dum preso comum na minha cela. Nom creio que seja por umha aversom pessoal, nem por ser eu umha pessoa sobresaliente. Mais bem, ao sermos Xiana e eu os dous primeiros presos políticos galegos desta jeira, suponho que querem provar-nos, calibrar bem a nossa fogosidade intramuros. Ela tivo a fortuna de que o módulo de mulheres nom está massificado, de forma que nom só nom a “dobram” (acabarei por empregar com naturalidade a gíria carcerária, mas ainda me resisto) com comuns mas mesmo está só na sua cela. Eu, a contrário, caim já de começo na cela de Fernando, um gajo boliviano muito amável e simpático. Tardei em aterrar, e no intervalo houvo tempo para que o boliviano mudasse de cela e me metessem um alemao, Mijail, pendente de extradiçom. À sua vez, o home mais cortês e generoso que cá achei, dito seja de passagem, acaso porque nem se lhe passara pola cabeça dar com os ossos em prisom, e menos em Espanha, quando nom tem mais falta que algum assunto económico (impostos, penso). Pronto, eu já aterrei e ele foi-se embora hoje mesmo, com que agora estou só na cela e assim passarei a noite. Mas desde já vou iniciar a peleja polo direito a nom compartilhar cela com comuns, e imagino que amanhá tratarám de meter-me outro (cá entra gente diariamente). Apenas existe umha possibilidade para adiar um mês o lio, e é que esta fim-de-semana trouxérom um irlandês do IRA, ao que dobrárom com um comum. Como nom fala umha palavra de espanhol nem sequera se achegou os políticos, e até hoje mesmo nós nom soubemos dele. Amanhá proporei-lhe que venha à minha cela e assim, mentres aguarda pola extradiçom, evito o conflito com a prisom. Quarta-feira, 24 de Agosto de 2005 O principal obstáculo para afazer-se à vida carcerária deve ser a total falta de lógica que rege as cousas. Em geral as normas, escritas ou tácitas, nom tenhem valor nenhum, e o determinante acaba sendo o carácter do carcereiro de turno. Ontem, por exemplo, estavam de turno dous cabrons cheios de ódio polos presos, e mais polos políticos. Fomos Leonard Hardy (o do IRA) e eu falar com eles para a mudança de cela, e com maus modos respondêrom que nom, quando todos os presos o fam habitualmente. Nom argumentárom nada: nom é nom, sem motivo nem lógica. O qual é incompreensível, porque aos políticos classificam-nos como FIES-3, e está escrito que os FIES apenas podem compartilhar cela com pessoas da mesma classificaçom. Mas isso é umha lógica e cá dentro está desterrada. Quando subimos às celas depois de jantar comprovei que me meteram um comum, um marroquino de nome Ismail, de modo que apanhei as minhas cousas com ajuda dos bascos, que levárom a maioria dos vultos às suas celas, e saim ao corredor. Fechárom as portas e neguei-me a entrar. Em resumo: “plantei-me”. Seguindo o curso normal das cousas, os dous tipos conduzírom-me a isolamento, um módulo onde se juntam presos “problemáticos” a que se aplica o artigo 75 com outros que se acabam de meter em lios, como eu, sob o artigo 72. Os primeiros vivem lá, com três horas de pátio e todas as suas pertenças. Os segundos nunca botam mais de dous ou três dias, sem pátio nem cousas, nem que seja umha caneta e um fólio. Antes de entrar, os carcereiros já somavam quatro ou cinco contando os de isolamento, e rodeando-me figérom-me um cacheio integral. Duvidei em permiti-lo, mas parece que todos os políticos acedem quando de isolamento se tratar, assim que tirei toda a roupa. Depois, já vestido, um dos carcereiros do módulo, sem meia palabra, arreou-me um ostiom na face, eu fiquei de pedra mais pola surpresa do que por outra cousa, começou a insultar-me –“Ya no eres tan valiente, en el fondo eres un cobarde”-, apanhou-me polo pescoço e entom deveu-se recriar umha cena quase engraçada dalguns filmes, porque me empurrou contra a parede e, mentres apertava a garganta, obrigava-me a por-me de pontas em pés. Eu nom reagim e afinal duns segundos soltou-me; agora acho que deveria ter-lhe devolto o golpe embora me custasse umha paliça das boas, ao menos teria um parte médico para a denúncia (se acaso o médico da prisom…). As vinte e quatro horas de isolamento passei-nas como todas as vezes que me detivérom e me levárom aos calabouços: dormindo dum tirom onze ou doze horas, e depois durmindo mais ainda. Ao saír, conduzírom-me outra vez ao módulo 2, contra toda expectativa, com a intençom de meter-me novamente com Ismail. Mas as cousas nom seguem lógica nenhuma, também nom para os carcereiros, e resultou que mudara o turno e agora estavam uns mais estritos com os regulamentos. Total, que trouxérom Leonard à minha cela; cá está ao meu carom. Sei bem que isto nom passa de um adiamento de trinta ou quarenta dias, porque em quanto o extraditem vai recomeçar a festa, mas alegro-me de atingir algo de estabilidade. Sexta-feira, 26 de Agosto Agora os políticos completamos já as duas mesas: seis bascos, o irlandês e eu. Os bascos parecem-se com a sua imagem tópica: extrovertidos, festeiros, tenazes. Principalmente Igor, alcumado “Enfermo”, e Karmelo, “Elkiza”, que aliás som os dous únicos membros de comandos, os únicos propriamente militares. Sabem que os condenarám a quarenta anos (efectivos), e nom lhe dam muitas voltas à cabeça. Depois está Ibon Arbulu, que nom milita em ETA mas em Ekin: um político, mas isso nom faz diferença para os juízes espanhóis. Txapi tem o juízo em Setembro e talvez saia já de prisom, absolto (mas os três anos que leva preventivo já estám pagados). De Arkaitz recordava ter ouvido algo, porque o detivérom por colaboraçom quando trabalhava como polícia municipal: um escándalo. O mais novo é Beñat, também por colaboraçom. A vida com eles passa entre risos, vaciles, jogos de pelota basca e partidas de mus. E conversas políticas, naturalmente. Leonard tem o duplo problema de nom falar espanhol e nom falamos nós inglês. Apenas o Txapi se defende um bocado, e eu o justo para perceber dificultosamente que o procuram por acçons contra bases militares británicas na Alemanha no 1979, que tem quatro filhos, um de só cinco semanas, e que confia no processo de paz, embora “we never said war is over”. Em qualquer caso conviver com ele ajuda-me a refrescar o inglês, olvidado desde há quase dez anos. Quando o levem já deveria falar com algo de soltura. Domingo, 28 de Agosto de 2005 Começárom chegar as primeiras cartas, um mês depois de serem enviadas. Por suposto a demora deve-se a que me intervenhem o correio (igual que gravam as chamadas e as comunicaçons de loqutório), já me avisárom por escrito. Mas chegar, chegam igual, e entom é umha festa. Por agora dérom-me sete, quatro delas de pessoas que nom conheço mas que me dam ánimos e abraços. A solidariedade com os presos políticos quase se dá por suposta, mas comprová-la em primeira pessoa levanta a moral de qualquer um, agradecem-se sinceiramente. Apressurei-me a contestá-las, pensando na demora que os carcereiros e polícias acrescentarám à minha.
 
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