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arantxiFonte Galizalivre.com// Arantza Maíz é a companheira do preso político basco Agustín Almaraz Larrañaga, dispersado a 1050km da sua morada, na cadeia de Puerto de Santa María (Cádiz). Todos os meses, Arantxi e Oier (o filho de ambos os dous), emprendem umha viagem até Andalucia para passarem duas horas e 40 minutos com seu companheiro e aita. Esta é a realidade de centos de familias de Euskal Herria, fim de semana tras fim de semana. Agustin leva 22 anos na cadeia, em todo este tempo Arantxi acompanhou-no de prisom em prisom.

Depois de tantos anos a viajares, que significa para ti a dispersom?

Para mim, dende o minuto zero de começar as viagens para ver o meu companheiro no ano 95, foi um castigo engadido. Castigo engadido para mim que viajo cada 15 dias, para o nosso filho umha vez ao mês e para @s familiares e amig@s que vam vê-los semanalmente. É umha vingança do Estado Espanhol e Francês cara as presas e presos políticos, e que repercute a todos os níveis na vida das suas pessoas. Non só economicamente, porque supom muitíssimo dinheiro ao ano, senom que emocionalmente é umha situaçom muito dura, condiciona-nos a vida. É umha vulneraçom dos direitos d@ pres@ a cumprirem a sua condena numha prisom o mais cercana à sua familia, mas nom a cumprem. Nom cumprem as suas próprias leis. É umha barbaridade o que estám a fazer. Dessa maneira os pais e mais vam-se fazendo maiores e nom podem viajar, ou quando algum/a de nós enferma nom podemos viajar, ou as criança que passam a sua nenez, logo a adolescência a percorrerem milheiros de kilómetros para verem os seus pais ou maes. Para mim a dispersom depois de 22 anos segue a ser o monstro que nos persegue e obceca fim de semana trás fim de semana contra nós. Que nos quere fazer dano tenha o custo que tiver. Houvo centos de acidentes, temos mortos nas estradas…

Eu e Oier tivemos um sinistro total em 2004. É duro ano tras ano seguir com estas viagens e nom ver ningum gesto dos governos. Ainda que temos a toda umha sociedade apoiando-nos, de momento nom é abondo.

E umha vez que nasce Oier, vives as viagens de maneira diferente?

As viagens som diferentes quando nasce Oier, si. Por aquel entom o meu companheiro achava-se na cadeia de Ocaña 2, Toledo. Ele fixo a sua primeira viagem da dispersom com menos de um mês. Aqui começou já a puniçom engadida de Oier, e a razom é ter ao pai como preso político numha cadeia espanhola. Assim passou-se os 16 anos que vai cumprir, coa sua mochila às costas, mês tras mês. Para mim dupla responsabilidade, quando era pequeno porque era pequeno, e agora como adolescente outros problemas. Os últimos 11 anos as viagens som a Puerto de Santa María. É dizer que Oier sai da casa na sexta-feira pola tarde e volve no domingo de manhá. A dispersom condiciona a sua vida social, amizades, estudos, afiçons, aniversários, natais…

A viagem de ida e a viagem de volta som distintas. Nom só polo cansaço acumulado, senom polo tempo compartilhado com a pessoa à que vas ver, qual é mais complicado? Como se afronta a viagem de volta a casa?

A viagem de ida comeza a principios dessa semana normalmente. Começaa “a ansiedade” dos preparativos: chamar à cadeia, colher sitio no autocarro, preparar o pacote mensal do meu companheiro, o desejo tam grande de ir vê-lo.

Emocionalmente é muito duro. @s que levamos tantos anos fazendo-o nom nos acostumamos, isso significa que seguimos viv#s, que temos forçaas para seguir aínda que os dispersem a miles de kilómetros, alí chegaremos. Nunca @s deixaremos soas porque @s queremos. Essa é a nossa grande razom.

Estamo-nos deixando economicamente muito dinheiro, estamo-nos deixando a saúde mas seguiremos alô onde os levarem.

A volta, para mim pessoalmente cada vez fai-se-me mais dura e ao meu filho tambem. Depois de passar um momento tam intenso coa pessoa que queres… deixa-lo alô, pois é duro e triste, e sobretodo porque a tantos kilómetros de casa, nom lhe podes dizer “até o fim e semana que vém”. O cansaço emocional da volta supera com muito ao físico entom. E já estás a pensar na seguinte data de ir vê-lo. Para nós @s três, como familia, som muito importantes esses momentos. Só compartilhamos ao mês 2 horas e 40 minutos num muito pequeno quarto e aínda por riba sabendo que nom há intimidade, que todas as nossas comunicaçons estám intervidas.

Normalmente quando se fala de prisom/dispersom/famílias… tendemos a pensar nos aspectos negativos: a distância, a intervençom de correio e comunicaçons, o pouco tempo… mas como em qualquer situaçom difícil há também cousas maravilhosas, ti que salientarias como bo de umha relaçom nestas circunstâncias?

É verdade que de primeiras é difícil tirar algo bo de todo isto. A cadeia de bo nom tem nada, absolutamente nada. Por tirar algo bo de todo isto, eu destacaría as relaçons entre as amizades e familiares que viajamos. Normalmente da-se conexom e umha gram complicidade entre nós. As penas levam-se milhor acompanhadas quiçá. Eu, no meu caso pessoal, conhecim e fixem muito bos amigos durante todos estes anos. Som vivências intensas e duras que partilhas e sentes dentro para sempre. Normalmente a dispersom move-nos dum lado a outro detrás dos nossos familiares e isto dá pé a sentir o calor, empatia e solidariedade de muitíssima gente. Somos umha grande família. E a nível pessoal, como relaçom de parelha e familia que somos, nom é doado levá-lo. Som momentos duros mas também bonitos, especiais e intensos quase sempre. Aproveitas o momento e entre essas quatro paredes conseguimos esquecer-nos do que temos e com grande ilusom, somos felizes mentres dura.

O día 10 de Dezembro celebrou-se umha manifestaçom em Paris convocada por “os artesáns da paz”; o 13 de Janeiro celebra-se, como todos os anos, umha manifestaçom em Bilbo para exigir o traslado a Euskal Herria de todas as presas e presos, como valorizas este tipo de iniciativas?

Eu como cidadá de Euskal Herria e como companheira de um familiar preso, este tipo de iniciativas valoro-as positivamente. A manifestaçom de Bilbo leva-se fazendo muito anos já, mas sempre pensando em que sejaa a última. Como familiar creio que este tipo de iniciativas suponhem-nos um “chute” de agarimo e solidariedade para saber que nom estamos sós.

É um ponto de encontro de familiares e amigas/os e vivimo-lo muito intensamente. Que agora mais que nunca umha grande parte da sociedade basca nom entende que a dispersom siga existindo e que os familiares e amigos sigamos sufrindo esse castigo engadido. O Estado como tal, nom o reconhece como político e mentras sigam assím, está muito longe da cidadanía basca.

Parece que no Estado Francês estam a dar-se pasos muito importantes e positivos, e pode abrir caminho que sirva para todos. De aí que os “artesáns da paz” convocaram a mobilizaçom de París.

Consideras que a sociedade basca está concienciada do que realmente supom a dispersom para vós como familiares?

Si, eu creio que umha gram parte da sociedade basca sabe perfeitamente o que significa a dispersom. Todos tenhem a alguem ao lado que o vive. Somos muitos os castigados por ela. Independentemente do que digam os partidos políticos, a cidadania empatiza muito com esta situaçom. É muito importante seguir trasladando à nossa sociedade a nossa problemática. O tema dos presos e presas doentes, fixo-se umha curta e um dossier sobre as consequências da dispersom nos 114 nenos e nenas da mochila, que som as nossas filhas e filhos…

Etxerat, a associaçom de familiares dos presos e presas políticas; Sare, iniciativa cidadá; Harrera… cada um deles, e em conjunto com todos os diferentes setores da sociedade vasca, hai que seguir denunciando-o.

A dispersom fai pouquinho que cumpriu 30 anos e seguimos igual ou pior. A última palavra tem-na o governo espanhol e de momento seguimos a ver que nom tem ningum interesse em achegá-los a Euskal Herria, nim dar passos na resoluçom do conflito. Aínda assim, sigo pensando que chegará esse momento. Como familiar aguardo que algum día o governo espanhol veja o conflito em chave de soluçom. O primeiro paso sería a excarceraçom dos presos e presas doentes e a repatriaçom das demais.

Crês que hai umha aposta real por parte dos partidos nacionalistas ou da esquerda estatal para rematar coa dispersom?

Creio que os nacionalistas bascos, como o PNV, utilizam um discurso muito ambíguo e isso tenhem que mudá-lo. Segundo onde se atopem, se varia o cenário, varia também o discurso político, creio eu. Precisamos umha resposta, já é urgente!

Está na moblizaçom de Paris umha representaçom deles. Tem que responder e unir-se à petiçom da cidadania basca, polo si ou polo nom. E como eles, há presença de persoeiros políticos de ideologias muito distintas. É muito importante para nós essa presença.

Por outro lado nom vejo muito movimento por parte dos partidos estatais, denominados de esquerdas. O governo espanhol sempre tem excusa para manter este bloqueio e esta situaçom de exceiçom. O coletivo de presas e presos foi dando passos nos últimos anos, mas para o governo nom é suficiente.

Na França, achegárom-se dous parlamentários galos falar com dous dos interlocutores do Coletivo (de presos e presas) nesse país. A conclusom deles é também que o que estám pedindo som direitos básicos e que os apoiam. Como dizia antes, isto abre umha luz de esperança quanto ao governo francês. E que pode servir para o resto, nom perdemos a esperança.

Que papel jogades ou crês que devedes jogar os familiares com respeito ao problema da dispersom e demás vulneraçons de direitos das e dos presos?

A nós, aos familiares, corresponde-nos seguir denunciando a dispersom e em geral as condiçons das e dos nossos familiares presos.

Aos familiares, junto com a sociedade basca, cos partidos políticos, com a Europa e com todos os meios que tivermos ao alcance. Nom sobra nada nem ninguém nisto.

 
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