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Colocamos hoje as postagens do preso independentista galego Ugio Caamanho correspondentes aos dias 29 e 31 de Dezembro passado. 29/12/2005, Quinta-feira. Acabo de enteirar-me de que a “Operaçom Castinheiras”, ao baixar da Audiência Nacional, foi parar às maos de Míguez Poça, juiz decano de Santiago e velho conhecido de muitos independentistas e activistas sociais. Soubem-no ao tempo que me informárom da detençom do Iago Vilar, imagino que por ordem desse juiz. Como dizem os espanhóis, “de la sartén al fuego”: com um juiz como esse igual era melhor ficar com a Audiência Nacional. Quem é Míguez Poça? Eu escuitei o seu nome por primeira vez há cousa de seis ou sete anos, quando quis enviar ao caldeiro dous independentistas, acusados de umha triste pintada contra a guerra de Jugoslávia. Quis envia-los e por certo que os enviou, um fim de semana na cadeia da Corunha, mas em contrapartida organizamos umha boa em Santiago, com manifestaçons duras e algum episódio que poucos esperavam. Desde aquela familiarizamo-nos com o seu nome polas liortas da liberdade de expressom, conflito que sostivo o independentismo contra a Cámara Municipal de Santiago e contra os juízes, que custou e ainda custa umha data de euros, arrestos domiciliários e embargos por murais, cartazes ou pintadas. Quando te tocava Míguez Poça de juiz escusavas ir ao juízo a defender-te porque ias condenado de antemao e a penas disparatadas. Coincidiu-nos num julgamento por um mural da AMI que proclamava “As paredes calarám quando Galiza seja livre”, e afinal acabamos no penal de Teixeiro Miguel Garcia e eu, quatro dias que soubêrom a aperitivo. Um tipo ao que há que dar-lhe de comer à parte, vaia. O mau é que talvez acrescente, às ganhas que nos tem desde sempre, certa ilusom por virar “juiz estrela”, ganhar titulares e monopolizar controvérsias, certo ponto megalômano que acaso seja mais temível ainda que o facto de ser meio nazi. Vê-se que como Juiz Decano de Santiago nom enche o seu ego, e tem que demonstrar-se a si e ao mundo o seu poder enviando jovens activistas a prisom. Com um fulano assim dirigindo o sumário sim vai fazer falta pressom cidadá na rua para evitar que se passe de rosca e meta entre gradas cinqüenta ou cem garotos cujos nomes figurem mumha revista ou numha acta. Como nom se enfrente a umha oposiçom séria dos movimentos sociais, capaz é de fazer-se o Garzón à nossa custa. A ver. A ver o que se passa com o Iago, e a ver como reage a gente, se mantém e incrementa a mobilizaçom das últimas semanas. 31.12.05, Sábado. Último dia deste ano 2005, que o demo o leve. O mais duro que tivemos desde que eu faço parte do movimento; demasiados polícias e juízes polo meio. Detençons, ameaças, golpes, prisons, ataques a organizaçons juvenis, a meios de comunicaçom, umha campanha intensíssima de desprestígio e assédio... E com o cainismo como música de fundo, como sempre mas acaso um pouco mais ainda, até o limite. Também no pessoal, naturalmente, comigo cá num buraco de Madrid a escrever estas linhas, com Giana num buraco parecido em Ávila, e com golpes mais duros e definitivos que esses que carrego nas minhas alforjes privadas. Um ano difícil, com certeza. Que o leve, o demo. Ó, mas a gente é estupenda. Quero dizer, que poucos fôrom os filhos da puta, poucos os covardes, poucos os miseráveis; muito poucos, quase nenhum. Quero dizer que a inteireza dos de sempre foi espantosa, e o apoio de outros mais maciço que nunca. Certo que nos batêrom, mas nom conseguírom nem umha só vitória porque todo segue em pé, e mais potente que nunca. Que raios, este 2005 foi quando mais avançamos nos meios de comunicaçom populares, nos centros sociais, no lazer autogerido, e noutras cousas que melhor nom escrevo. E botamos o PP! Nom está tam mal como balanço dum ano. Só que ninguém nos prometeu que vá ser fácil, mais bem ao revés. Nunca o foi, de resto. Nunca, desde que os dominados nos empenhamos em conspirar para destronar os poderosos: nom há de que queixar-se neste caso, bem mirado. Num ano do século XVI, quase cem depois dos nossos levantamentos irmandinhos, os camponeses alemaos erguêrom-se contra os nobres, os comerciantes e os curas para fundar umha sociedade sem propriedade privada, comunistas como nós e como tantos outros em toda época. Morrêrom todos atrozmente, mas aquele nom foi um mau ano, a contrário, foi um ano grandioso e digníssimo que ainda alimenta as nossas esperanças e ilumina o nosso caminho com a divisa que os uniu e sublevou, e que nos segue unindo e sublevando hoje contra os novos aristocratas, mercaderes e bispos. Umha divisa com a que podemos despedir o ano, irmá Giana, contentes e satisfeitos desde estas sórdidas cadeias: Omnia sunt communia, cabrons! E este ano, que se vaiam preparando.
 
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