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Referidas à segunda quinzena do mês de Dezembro de 2005, as últimas postagens do preso galego no centro penitenciário de Navalcarnero (Madrid) vincam nalguns aspectos irracionais da vida carcerária e a pressom a que estám submetidas todas as formas de comunicaçom das presas e presos com o mundo exterior. Apontamos também que o endereço web http://www.com-os-pes-na-terra.blogspot.com/ recolhe todas as postagens de Giana Rodrigues e Ugio Caamanho publicadas até ao momento. Trata-se ainda dum sítio web em provas com o que em breves estabeleceremos umha ligaçom directa desde a página de início do nosso portal. 19.12.05 Segunda-feira Estava visto que nom podia durar. Por um descuido ou por preguiça, os carcereiros nom me limitaram as cartas que podo enviar. Giana e todas as políticas de Brieva nom tenhem autorizada mais que duas semanais; os bascos daqui nom podem ultrapassar as quatro. Desde que cheguei, estava enviando umha meia de dez semanais, os carcereiros nom diziam nada e as cartas chegavam, mas estava claro que a cousa nom se sostinha. Acaba de vir um porco (nom sei quem era, o SS talvez) para notificar-mo: desde já, o limite é de quatro, assine aqui por favor, Eu nom assino nada, Você verá, E com os postais de Nadal nom vam fazer excepçom?, Você nom assina e nós nom fazemos excepçom. Ou seja que se assina sim permitiriam enviar mais postais? Sorri e confessa Pois nom. Umha faena, a verdade. Dos postais podo esquecer-me porque enviar um a cada pessoa a que me escrevo deixaria-me meses sem correio de verdade, e as últimas chegariam já em primavera. Enfim, desculpas a todos, por isso e pola demora acrescentada que desde agora terá a minha correspondência. Ah, os motivos! Igual a alguém lhe interessa conhecer a causa desta restriçom, alguém que ainda nom saiba que aqui dentro abolírom o principio de causalidade. Pois bem, o que dim os porcos é que se vem obrigados a privar-nos mais ainda da nossa comunicaçom com os familiares e amigos (mais que com a gravaçom e fotocopiado, mais que com o afastamento a seis centos quilómetros, mais que com a limitaçom a dez amigos para as visitas...) nom por motivos de segurança como costumam replicar. Nom: porque o trabalho de enviar por fax à polícia as nossas cartas é demasiado fatigoso para o porco que se ocupa desses mesteres, nom sei se por gosto ou por sorteio. E como cumpre velar pola saúde laboral, o resultado é que nos proíbem as cartas número 5,6,7... E ainda querem que assinemos. Acabo de decidir que sobram argumentos para imitar aos Panteras Negras e começar a denominar “porcos” aos energúmenos estes. 21.12.05 Quarta-feira Estes dias que ando muito zangado com os porcos chegou-me às maos umha citaçom que leva percorridos muitos quilômetros, e os que restam. “Todo preso político debe agradecer a sus carceleros que le confirmen, en los hechos y sobre su persona, la validez de sus convicciones, la razón de sus pasos”. Escreveu-no Mario Benedetti, nom sei quando nem onde. Tampouco sei quando nem porque meio chegou ao conhecimento de Rafa, um preso anarquista (nom sei onde o tenhem, nunca o conhecim) ao que puteárom imenso nos últimos meses e que se mantivo firme e digno. Das suas maos chegou às de Joaquín, um outro anarquista preso cá em Navalcarnero, que à sua vez conhece bem a que se refire Benedetti; e de Joaquín véu dar às minhas, numha carta que me enviou há pouco. O percurso dessas palavras continua depois de mim, de preso em preso, de mao em mao, como o bastom dumha corrida de relevos demoradíssima que nom há de concluir mentres existam presos políticos. Muitos quilómetros tem ainda por diante, muitas cadeias por visitar e muitos revolucionários por animar, vai tu saber por quantas décadas mais ainda. 23.12.05, Sexta-feira Hoje, cinqüenta dias, dezaoito euros com cinqüenta cêntimos e sei lá quantas dioptrias depois, conseguim o meu flexo. E agora que encerro esse capítulo, inaugurei um novo sobre a recém-iniciada batalha, por exemplo, à procura dos “clips”? Nom: dou por explicada a maneira como as cousas acontecem cá dentro, e desde aí que cadaquém imagine todas estensons possíveis, sem medo de chegar ao absurdo.
 
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