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Continuamos com a ediçom do blogue que nos envia desde Ávila a presa independentista galega Giana Rodrigues, dispersada ao centro penitenciário de Brieva a mais de 400 quilómetros do seu local de residência e o seu País. Terça-feira, 25 de Outubro de 2005 Esta semana está a ser bastante rara. Por umha parte, levárom-se a Soto as três bascas que compartilham vivências com nós; por outra, à Iolanda acabam de dar-lhe a data do seu juízo (já leva mais de três anos preventiva e se aos quatro nom a julgam, à rua; por suposto essa possibilidade nom existe). Além de todo isto, a umha compa do Grapo, Marijo, acabam de meter-lhe um primeiro grau e levárom-na para Gasteiz. Foi umha surpresa bem desagradável já que a levárom há um mês para Soto de conduçom e já nom voltou mais. Ainda por cima, está lá sozinha já que por culpa da dispersom nom há mais presas políticas nesse cárcere. Nom descansam no seu intento de fazer dano. Quinta-feira, 27 de Outubro de 2005 Hoje recebim correio. Duas cartas que me fizérom muitíssima ilusom (bom, como sempre). Umha dumha compa de Ceivar e umha outra, a que mais me surpreendeu, dum home de Zaragoza, reformado já, que se escreve com presas políticas e presos políticos desde já há bastantes anos. Começou ao receber da sua filha um panfleto com os endereços dalgumhas pres@s do Grapo e PCE(r) numha marcha contra a base militar de Rota. A partir daí já estivo num juízo no Estado francês contra pres@s deste colectivo, visita um preso político galego do mesmo e escreve-se habitualmente com muitos outros. Sabe de mim por um anarquista que está com o Ugio em Navalcarnero e, olha, já se pujo em contacto. É o primeiro espanhol que me escreve solidarizando-se com a minha situaçom, e o certo é que me deu que pensar. Sábado, 29 de Outubro de 2005 Hoje chegou Itsaso, umha das compas que estava em Soto. Tremenda surpresa já que nom a aguardavamos. Umha semaninha só em Soto nom está nada mal. O certo é que cada vez que algumha tem que voltar para esse “cárcere de extermínio” é como um baixom terrível, as condiçons lá som muito más para nós, tenhem-nos em quarentena e nom nos permetem fazer nada do que oferta a prisom. De facto esta semana chegárom-me dous presentes de Soto para que nom me esqueza que segue estando aí: dous partes, um polo chape que figemos o Ugio e mais eu pola sua paliça e outro por mandar umha carta ao director denunciando que às mulheres de Madrid V nom se nos abriam as duches do pátio, com o que tinhamos que fazer desporto e ficar sujas até voltar à cela. A carta estava pragada de retranca de princípio a final, e entendérom com ela que nom lhes tenho respeito nem às carcereiras nem à instituiçom. Nom é muito complicado deduzir algo assim, nom é preciso baseiar-se em carta nengumha: é evidente que estar cá nom é umha decisom minha, isto é umha imposiçom e cada quem elege a que, ou a quem, deve respeito. Eu respeito o meu povo e quem luita por ele; era o que me faltava sentir respeito pola repressom em última instáncia do Estado espanhol e das suas instituiçons. Segunda-feira, 31 de Outubro de 2005 Hoje é um dia triste. Inteiramo-nos ontem de que se suicidou numha prisom espanhola um companheiro basco. Em si a história é bastante truculenta, mas cada quem vive esta situaçom da forma em que melhor pode. Quero render-lhe a minha homenagem pessoal a José Ángel Alzuguren Perurena, ‘Kotto’, e a todas as pessoas que estám a sofrer a sua perda. Em toda guerra há baixas nos dous bandos enfrentados, mas quem decide caír por própria decisom é evidente que tem que estar ao limite. Nom se pode descrever com palavras o valeiro que sentimos perante umha nova assim, mais umha vez o Estado espanhol acaba dalgumha forma com umha pessoa que entrega a sua vida a defender o que é justo. Objectivamente, existe a justiça, e nom emana nem de Instituiçons nem do poder, emana do povo e é o povo o único sujeito capaz de administrá-la. Nom há “interesses económicos” na justiça popular, e quem o ponha em dúvida nom merece formar parte desse colectivo. O POVO É QUEM MAIS ORDENA. Hoje mais do que nunca quero gritar, quero alçar o meu dedo acusador contra quem extorciona e mata as inocentes. ESTADO ESPANHOL ASSASSINO. Até sempre, GUDARI. Quarta-feira, 2 de Novembro de 2005 Dentro destes quatro muros sempre há momentos de alegria. Um deles constituem-no as cartas que recevemos. É como voltar à Galiza durante uns minutos que é o tempo que tardas em le-la, em embobar-te com as suas palavras e rele-la, por se ficou algo no tinteiro. Como diz o Teto (comentou-me um colega numha destas cartas), “a correspondência no cárcere é umha forma de roubar tempo à prisom”. É isso e muito mais, é umha charla eterna com as pessoas que queres ou que botas em falta, é umha forma de exprimir-te que em muitos casos nom consegues com as palavras, bom, é umha ilusom nova cada dia. Também o som as visitas, e eu tivem a primeira com umha colega esta fim-de-semana passada. Tivo que viajar toda a noite desde Lisboa para poder falar comigo detrás dum vidro durante quarenta minutos, mas foi algo mágico, indescriptível emocionalmente e terrível ter a umha pessoa que queres diante tua sem poder abraçá-la e sentir seu calor, mas em pouco tempo poderemo-nos dar a tam ansiada aperta. A dispersom é algo cruel e quase inumano e esse é o único motivo da sua existência: queimar e fazer dano tanto às presas quanto às suas famílias e amizades, que se joguem a vida cada fim-de-semana por visitas curtíssimas, com a responsabilidade acima nossa do perigo e dos riscos que significa que quem te quere te venha ver. O Estado espanhol é o que causa terror real na vida de tanta gente, som uns terroristas porque quem tem o valor de enfrentar-se a ele nom só expom a sua vida, mas também a da gente que lhe rodeia, e essa responsabilidade é demasiado pesada. É terrorista porque usa o nosso trabalho e a nossa produçom como povo trabalhador para pisar-nos, porque nos mata e nos vende ao melhor postor sem sentir a mais mínima dor. Sodes uns terroristas e utilizades todos os meios para convencer o mundo de que as terroristas somos nós, e isso converte-vos em mais terroristas se é possível. Mas algum dia faremos que virem as tornas, e cada quem deverá assumir as suas responsabilidades. Só aguardo poder viver para vé-lo. Sexta-feira, 4 de Novembro de 2005 ‘En Madrid no hay playa, vaya, vaya’. Esta semana andivérom de debates no parlamento espanhol sobre o Estatut e a frase de começo escuitei-lha a um poente de ERC. O certo é que me fijo pensar. Maldita desgraça a das colónias do Império espanhol que vivemos baixo o jugo dum país historicamente acomplexado. Geograficamente atopa-se num deserto, sem quase saída ao mar e historicamente nunca fôrom nada até que começárom a expandir-se polo Atlântico e a e a enredar com a cruzada do catolicismo. Sempre envejosos de Portugal e do resto dos estados europeus. Catalunha polo Mediterráneo, controlando a rota comercial até Turquia. Galiza e Portugal polo Atlântico, e estes últimos com a que ia bordeando toda África até as Índias. Muçulmanos no sul peninsular em muito estreita relaçom com o norte de África, e no norte, astures, bascons e “gente bárbara”. Bem sei que é um resumo demasiado simples, e que abrange diferentes épocas históricas quase chegando ao Antigo Regime, mas é o resumo do que para mim foi sempre o seu complexo, rodeiados de povos em pleno esplendor e Castilla convertida num deserto polas suas próprias maos. Em que se traduz todo isto agora? No seu desprezo polo resto. Nom eram ninguém e apoderárom-se de quase todo e nos tempos que correm, que Madrid nom tenha praia, segue-lhes resultando insuportável. Como pode ser a capital de Espanha sem praia? Ou lhe construem umha, ou a traem a Madrid como de facto fizérom. Autovia Madrid-València, numhas duas horas estám na praia. Ou inclusivamente Madrid-Galiza, se nos apuramos em quatro horas achegam-se às nossas praias. Mas depois ti atreve-te a viajar de Ponte Vedra à Marinha, a ver quanto tardas, seguro que menos do que tardam os madrilenos em chegarem a Ponte Vedra. E eu pergunto-me, será “Madrid sem praia” o motivo das nossas infraestruturas coloniais? Quiçá em parte, mas som muitos mais, igual nos saía melhor fazer umha colecta. Que se fagam umha praia e igual assim nos deixam viver tranquilas. De todas formas nom há problema, porque embora nom nos deixem, antes ou depois, viveremos tranquilas, já seremos quem de conseguí-lo. Domingo, 6 de Novembro de 2005 Ontem vimos a lua pendurada de Vénus. Foi realmente fermoso, inclusivamente a umha das presas lhe fijo recordar o seu país (tinha saudade do Brasil) e rendeu-lhe homenagem com olhos humedecidos. Acho que foi umha maneira de dar o Ongi etorri a Anitz, que chegou de Soto, da cunda que a levara há duas semanas. Nom é algo usual ver algo assim, nom porque nom esteja, mas é porque nos fecham o pátio em quanto obscurece porque senom as câmaras nom gravam. Ontem ficou aberto e pudemos desfrutar do prazer de caminhar baixo as estrelas com este frio seco que há cá, que nom te cala os ósos e que é tam saudável. É o pior que levamos no inverno, que nos fechem o pátio tam cedo, já que quando mais se desfruta dele é polas noites, nom há quase ninguém (porque as sociais apenas resistem o frio), e há umha calma indescriptível. Ontem Vénus estava radiante acima dumha lua pequeninha que recém começava a crescer, semelhava tal qual que estava pendurada por um fio invisível, foi realmente magico ver algo assim, inclusivamente mais do que o famoso eclipse. Já vedes que a natureza e o cosmos mostram-se fermosos para toda a Humanidade, independentemente donde sejas ou onde estejas. As presas também podemos desfrutá-lo e é algo que nunca nos vam poder roubar.
 
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