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Segundo informa hoje um diário corunhês, efectivos da Polícia municipal impediam ontem a um nutrido grupo de jovens encarapuçad@s a “retirada ou queima” da bandeira espanhola chantada no passeio marítimo herculino. A citada fonte assegura que 20 moços e moças se teriam deslocado até o mastro de que pende a ensenha estrangeira com bandeiras da Pátria –“bandeiras galegas com umha estrela vermelha no seu centro”, segundo o diário- na que seria a primeira tentativa efectiva para eliminar o símbolo espanhol. A dotaçom da Polícia municipal que vela pola segurança da bandeira de Espanha durante as 24 horas do dia desde o 12 de Outubro, teria-se visto rebordada pola situaçom, chamando um outro carro patrulha e umha furgoneta na que se deslocárom um novo grupo de agentes. Segundo a mesma fonte, o efeito dissuassivo da maior presença policial teria impedido a execuçom do “tarde ou cedo vamo-la queimar!” que coerárom há agora um mês dezenas de manifestantes. O fracasso desta primeira tentativa nom deixa de por de relevo umha outra questom: o conflito permanente que traz a presença do símbolo imperialista e o compromisso que a Polícia local corunhesa adopta com a protecçom dum ícone que representa por excelência a opressom e a negaçom da Galiza. O corpo policial municipal adquire assim, somando-o à tradicional funçom de cam de presa contra o exercício da liberdade de expressom que pratica na Corunha, umha posiçom política clara perante um conflito social como o que vive a cidade herculina após a imposiçom da bandeira de Espanha no Orçám. Da nossa óptica, quem apresentando-se como “serviço público” perseguem o exercício de liberdades fundamentais e contribuem manu militari, pola força da violência, a perpetuar a presença dum símbolo rechaçado por milhares de corunheses e corunhesas, devem assumir politicamente a sua condiçom e o facto de serem tratados e assinalados socialmente como o que som: parte dum aparelho repressivo estatal destinado a acoutar e afogar os nossos anceios de liberdade como povo. A Polícia Local corunhesa tem-se posicionado e a cidadania deverá fazer o próprio perante os que, desde os uniformes e o emprego institucionalizado da violência, garantem a permanência da actual situaçom. O debate social nom deveria situar-se agora, na nossa opiniom, apenas sobre o maior ou menor custo económico da protecçom do símbolo re-habilitado por Francisco Franco, as "melhores medidas" para protege-lo, ou a acomplexada patologia espanholista que padece o regedor corunhês, mas, particularmente, sobre o facto de que instituiçons públicas imponham contra a vontade cidadá umha simbologia alheia e opressora e mantenham esta situaçom de imposiçom, unicamente, através da coacçom, a força e a violência, dado que a ensenha espanhola carece, na Corunha e na Galiza, do respeito e a legitimidade social de que goçam os nossos símbolos nacionais, e que som os únicos elementos que podem garantir umha permanência normalizada.
 
A vaga de protesto social dos bairros de várias cidades francesas extende-se a outros Estados da UE e produz as primeiras reacçons no Estado espanhol. O presidente do Executivo espanhol José Luis Rodriguez Zapatero declarava ontem o seu “total apoio” à política de Toleráncia Zero aplicada polo governo francês ao protesto dos sectores mais explorados da sociedade gala. “Quero exprimir a minha condenaçom às violências”, afirmou Zapatero, aprovando a renglom seguido o exercício da violência policial nos bairros marginados porque “a obriga primordial do Executivo francês é manter a ordem e a lei”. Zapatero reunia-se ontem com o presidente francês Jacques Chirac na XVII cimeira franco-espanhola e mostrava a sua “solidariedade” com as medidas repressivas e leis de excepçom aplicadas na França. O presidente espanhol declarou, aliás, que perante a possibilidade de sucessos similares no Estado “confio na profissionalidade das forças de segurança para previr qualquer tipo de acto violento”. O dirigente neofascista do PP Ángel Acebes foi além nas suas afirmaçons, exprimindo a sua “máxima confiança” no ministro francês de Interior Nicolas Sarkozy, assegurando que “sei que se tomarám as melhores decisons que convenham aos interesses gerais da França” e partilhando de modo incondicional as vulneraçons da legislaçom internacional sobre asilo e refúgio, as normativas europeias sobre imigraçom e a própria Convençom Europeia de Direitos Humanos. Polícia espanhola demanda mais “margem de manobra” Segundo fontes oficiais, Madrid tem extremado as medidas de vigiláncia nas áreas da capital espanhola onde residem mais imigrantes. Umha circular interna remitida ontem polo Corpo Nacional de Polícia espanhol ordenava a todas as chefaturas que informem a diário dos incêndios provocados. A ocasiom e o “alarme social” que se cria desde os media também fôrom aproveitados pola Uniom Federal de Polícia espanhola para exigir reformas na normativa sobre “segurança cidadá” que alarguem as margens de manobra dos corpos repressivos e a Justiça e permitam “responder com maior eficácia e rapidez”. Por sua parte, Sarkozy qualificou de “gentalha” e “ínfima minoria” os milhares de pessoas que participam nas jornadas de lulta social dos últimos 15 dias. 2234 cidadáns e cidadás fôrom detidos durante este período, suspendendo-se o exercício das liberdades fundamentais e iniciando-se a deportaçom de centos de detidos e detidas. O entusiasmo do Executivo de Madrid face as medidas de Paris pom de relevo qual o talante real da socialdemocracia espanhola e o que se pode esperar de Madrid no caso hipotético de a protesta social se extender ao Estado espanhol.
 
Segundo vimos comprovando de modo reiterativo, os funcionários do centro penitenciário de Navalcarnero, onde se encontra preso Ugio Caamanho, descolgam sistematicamente o telefone do centro em horário de petiçom de visitas aos presos e presas. Tal prática soma-se à de nom responder durante horas -embora se encontrem em horário administrativo-, ou descolgar o auricular colocando-o imediatamente no seu sítio para evitar que o telefone siga a soar. A prática irregular dos carcereiros madrilenos está a dificultar gravemente a concertaçom das visitas semanais e os vis-a-vis a que tem direito o preso independentista, dado que ambos devem ser solicitados telefonicamente cada semana durante um horário determinado. Tal modo de actuaçom soma-se à contínua mudança de trámites que cada semana se imponhem com o intuito aparente de fazer impossível que o preso desfrute do regime de visitas a que tem direito por lei. Desde Ceivar queremos denunciar esta actividade ilegal e o incumprimento das suas funçons “profissionais” por parte dos carcereiros de Madrid-IV. O regime de visitas de Ugio Caamanho é um direito jurídico que corresponde ao preso independentista, nom qualquer “concessom” que os funcionários deste centro penitenciário podam tolerar ou negar arbitrariamente. Exigimos de aqui, portanto, o respeito por parte dos funcionários do Estado espanhol em Navalcarnero dos direitos de que é sujeito o nosso companheiro Ugio Caamanho e o cumprimento das suas funçons de mediaçom para fazer possíveis as visitas ao patriota galego. O telefone de Navalcarnero é o 918116042.
 
Setenta guardas civis de baixa “por depressom” e um responsável do quartel do instituto armado em Bezerreá ex interno dum centro siquiátrico. Este é o quadro que pinta o secretário geral da “Asociación de Guardias Civiles de Galicia”, Manuel Mato, quando se refire à presença da principal força de ocupaçom espanhola na “provincia” de Lugo. Mato admitiu que estas som as cifras que “mais oculta” a organizaçom armada e que som “de muito difícil acesso”. Segundo o responsável policial, a maioria dos casos correspondem a “gente que se sinte acossada e humilhada, polo que nom agüentam a pressom e aparecem transtornos sicológicos”. Mato apresentou como paradigma desta situaçom o caso de Bezerreá, onde o responsável do quartel que supostamente vela pola “segurança” d@s vizinh@s vem de abandonar um centro siquiátrico e é investigado por acossa a outros números do instituto armado. De umha óptica corporativa, Manuel Mato vindica “soluçons a esta sangria” (sic) de baixas sicológicas e siquiátricas e afirma que o mando de Bezerreá se limita a cumprir “umha ordem” da cúpula da GC no nosso País, com o que a gravidade da questom adquire umha dimensom qualitativamente muito superior. O instituto armado espanhol nutre-se principalmente na Galiza de jovens ligad@s a comarcas deprimidas socioeconomicamente, privad@s polo regime colonial do direito a um posto de trabalho digno e na Terra, e carentes, em multidom de casos, quando menos na fase inicial de incorporaçom, de consciência a respeito de qual é a história e que papéis desempenha a Guardia Civl no nosso território, quando nom se tratar directamente de indivíduos carentes da mais mínima dignidade pessoal e política. Nom seremos nós quem se posicione a respeito do futuro “civil” ou militar da organizaçom repressiva espanhola. Muito menos temos interesse em tomar postura a respeito dos conflitos e dinámicas internas inerentes a umha organizaçom coactiva e historicamente destinada a repremer o povo galego. O nosso chamado neste sentido unicamente pode ser o eco da reivindicaçom das organizaçons juvenis nacionalistas: trabalho digno e na Terra, retirada das forças de ocupaçom espanholas e nengum moço nem moça a servir no aparelho repressivo do Estado espanhol.
 
A partir do dia de hoje, www.ceivar.org publicará sem periodicidade pré-fixada e sempre em funçom das eventualidades derivadas da instituiçom carcerária, um blogue político-pessoal realizado por pres@s independentistas galegos recluidos nas prisons do Estado. O objectivo da iniciativa é favorecer a socializaçom dumha realidade pouco conhecida, ou abertamente desconhecida, qual é a da vida diária nos centros penitenciários espanhóis, assim como difundir análises e posicionamentos pontuais que @s patriotas pres@s quigessem fazer públicos em cada momento. A nossa intençom nom desbotada ainda é instalar os blogues numha página específica ligada ao nosso sítio web, de modo que nom “interfira” na secçom específica Noticiário da Repressom, mas dificuldades de carácter técnico aconselham-nos em aras da agilidade esta soluçom transitória: publicar os diários electrónicos na apartado de informaçom do web enquanto nom disponhamos da citada página. Iniciamos a andadura com o texto de Ugio Caamanho que vimos de receber a princípio de semana. A crónica corresponde às semanas passadas polo militante galego em Soto del Real (Madrid) antes da sua dispersom ao centro penitenciário de Navalcarnero. Facilitaremos proximamente o novo endereço electrónico no que colocar este e outros textos elaborados pol@s patriotas galeg@s recluidos nos cárceres do Estado.
 
Iniciamos a publicaçom de blogues d@s pres@s independentistas galeg@s com o texto remitido polo ex militante da AMI Ugio Caamanho, preso actualmente no centro penitenciário de Navalcarnero. O texto remete para a estáncia do independentista na prisom de Soto del Real de 26 de Agosto a 9 de Setembro de 2005, data na que é dispersado ao seu destino actual Segunda-feira, 22 de Agosto de 2005 Entre todos os presos políticos de Soto a Direcçom do cárcere escolheu-me unicamente a mim para gozar da companhia dum preso comum na minha cela. Nom creio que seja por umha aversom pessoal, nem por ser eu umha pessoa sobresaliente. Mais bem, ao sermos Xiana e eu os dous primeiros presos políticos galegos desta jeira, suponho que querem provar-nos, calibrar bem a nossa fogosidade intramuros. Ela tivo a fortuna de que o módulo de mulheres nom está massificado, de forma que nom só nom a “dobram” (acabarei por empregar com naturalidade a gíria carcerária, mas ainda me resisto) com comuns mas mesmo está só na sua cela. Eu, a contrário, caim já de começo na cela de Fernando, um gajo boliviano muito amável e simpático. Tardei em aterrar, e no intervalo houvo tempo para que o boliviano mudasse de cela e me metessem um alemao, Mijail, pendente de extradiçom. À sua vez, o home mais cortês e generoso que cá achei, dito seja de passagem, acaso porque nem se lhe passara pola cabeça dar com os ossos em prisom, e menos em Espanha, quando nom tem mais falta que algum assunto económico (impostos, penso). Pronto, eu já aterrei e ele foi-se embora hoje mesmo, com que agora estou só na cela e assim passarei a noite. Mas desde já vou iniciar a peleja polo direito a nom compartilhar cela com comuns, e imagino que amanhá tratarám de meter-me outro (cá entra gente diariamente). Apenas existe umha possibilidade para adiar um mês o lio, e é que esta fim-de-semana trouxérom um irlandês do IRA, ao que dobrárom com um comum. Como nom fala umha palavra de espanhol nem sequera se achegou os políticos, e até hoje mesmo nós nom soubemos dele. Amanhá proporei-lhe que venha à minha cela e assim, mentres aguarda pola extradiçom, evito o conflito com a prisom. Quarta-feira, 24 de Agosto de 2005 O principal obstáculo para afazer-se à vida carcerária deve ser a total falta de lógica que rege as cousas. Em geral as normas, escritas ou tácitas, nom tenhem valor nenhum, e o determinante acaba sendo o carácter do carcereiro de turno. Ontem, por exemplo, estavam de turno dous cabrons cheios de ódio polos presos, e mais polos políticos. Fomos Leonard Hardy (o do IRA) e eu falar com eles para a mudança de cela, e com maus modos respondêrom que nom, quando todos os presos o fam habitualmente. Nom argumentárom nada: nom é nom, sem motivo nem lógica. O qual é incompreensível, porque aos políticos classificam-nos como FIES-3, e está escrito que os FIES apenas podem compartilhar cela com pessoas da mesma classificaçom. Mas isso é umha lógica e cá dentro está desterrada. Quando subimos às celas depois de jantar comprovei que me meteram um comum, um marroquino de nome Ismail, de modo que apanhei as minhas cousas com ajuda dos bascos, que levárom a maioria dos vultos às suas celas, e saim ao corredor. Fechárom as portas e neguei-me a entrar. Em resumo: “plantei-me”. Seguindo o curso normal das cousas, os dous tipos conduzírom-me a isolamento, um módulo onde se juntam presos “problemáticos” a que se aplica o artigo 75 com outros que se acabam de meter em lios, como eu, sob o artigo 72. Os primeiros vivem lá, com três horas de pátio e todas as suas pertenças. Os segundos nunca botam mais de dous ou três dias, sem pátio nem cousas, nem que seja umha caneta e um fólio. Antes de entrar, os carcereiros já somavam quatro ou cinco contando os de isolamento, e rodeando-me figérom-me um cacheio integral. Duvidei em permiti-lo, mas parece que todos os políticos acedem quando de isolamento se tratar, assim que tirei toda a roupa. Depois, já vestido, um dos carcereiros do módulo, sem meia palabra, arreou-me um ostiom na face, eu fiquei de pedra mais pola surpresa do que por outra cousa, começou a insultar-me –“Ya no eres tan valiente, en el fondo eres un cobarde”-, apanhou-me polo pescoço e entom deveu-se recriar umha cena quase engraçada dalguns filmes, porque me empurrou contra a parede e, mentres apertava a garganta, obrigava-me a por-me de pontas em pés. Eu nom reagim e afinal duns segundos soltou-me; agora acho que deveria ter-lhe devolto o golpe embora me custasse umha paliça das boas, ao menos teria um parte médico para a denúncia (se acaso o médico da prisom…). As vinte e quatro horas de isolamento passei-nas como todas as vezes que me detivérom e me levárom aos calabouços: dormindo dum tirom onze ou doze horas, e depois durmindo mais ainda. Ao saír, conduzírom-me outra vez ao módulo 2, contra toda expectativa, com a intençom de meter-me novamente com Ismail. Mas as cousas nom seguem lógica nenhuma, também nom para os carcereiros, e resultou que mudara o turno e agora estavam uns mais estritos com os regulamentos. Total, que trouxérom Leonard à minha cela; cá está ao meu carom. Sei bem que isto nom passa de um adiamento de trinta ou quarenta dias, porque em quanto o extraditem vai recomeçar a festa, mas alegro-me de atingir algo de estabilidade. Sexta-feira, 26 de Agosto Agora os políticos completamos já as duas mesas: seis bascos, o irlandês e eu. Os bascos parecem-se com a sua imagem tópica: extrovertidos, festeiros, tenazes. Principalmente Igor, alcumado “Enfermo”, e Karmelo, “Elkiza”, que aliás som os dous únicos membros de comandos, os únicos propriamente militares. Sabem que os condenarám a quarenta anos (efectivos), e nom lhe dam muitas voltas à cabeça. Depois está Ibon Arbulu, que nom milita em ETA mas em Ekin: um político, mas isso nom faz diferença para os juízes espanhóis. Txapi tem o juízo em Setembro e talvez saia já de prisom, absolto (mas os três anos que leva preventivo já estám pagados). De Arkaitz recordava ter ouvido algo, porque o detivérom por colaboraçom quando trabalhava como polícia municipal: um escándalo. O mais novo é Beñat, também por colaboraçom. A vida com eles passa entre risos, vaciles, jogos de pelota basca e partidas de mus. E conversas políticas, naturalmente. Leonard tem o duplo problema de nom falar espanhol e nom falamos nós inglês. Apenas o Txapi se defende um bocado, e eu o justo para perceber dificultosamente que o procuram por acçons contra bases militares británicas na Alemanha no 1979, que tem quatro filhos, um de só cinco semanas, e que confia no processo de paz, embora “we never said war is over”. Em qualquer caso conviver com ele ajuda-me a refrescar o inglês, olvidado desde há quase dez anos. Quando o levem já deveria falar com algo de soltura. Domingo, 28 de Agosto de 2005 Começárom chegar as primeiras cartas, um mês depois de serem enviadas. Por suposto a demora deve-se a que me intervenhem o correio (igual que gravam as chamadas e as comunicaçons de loqutório), já me avisárom por escrito. Mas chegar, chegam igual, e entom é umha festa. Por agora dérom-me sete, quatro delas de pessoas que nom conheço mas que me dam ánimos e abraços. A solidariedade com os presos políticos quase se dá por suposta, mas comprová-la em primeira pessoa levanta a moral de qualquer um, agradecem-se sinceiramente. Apressurei-me a contestá-las, pensando na demora que os carcereiros e polícias acrescentarám à minha.
 
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