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O bipartido PSOE-BNG tem demonstrado em mais de umha ocasiom o seu interesse na configuraçom dum corpo policial próprio para o âmbito da CAG. Segundo informaçom de agências publicada hoje, a unidade da Polícia espanhola adscrita à administraçom autonómica passaria de ter 350 e 500 agentes para primeiros de 2006. O dado foi anunciado polo vazquista e titular de Presidência Méndez Romeu (PSOE) que assegurou que este é um passo relavante face a criaçom da Polícia Autonómica. “Com este incremento já estariamos em condiçons óptimas para abordar o novo marco legal”, afirmou Méndez. O alto funcionário apontou aliás que “a segurança pública na Galiza está magnificamente garantida pola Guardia Civil e a Polícia” espanhola, mas seria necessário o novo corpo para “aqueles serviços que a experiência destes anos demonstrou que funcionariam melhor sob dependência autonómica”. Sobre a posiçom da futura Polícia Autonómica no desenho policial da CAG, Méndez Romeu assinalou que desempenhará as suas funçons “dentro da estrita coordenaçom com as forças e corpos de segurança do Estado”. O titular de Presidência assistia ontem na capital galega à entrega de seis turismos, quatro todo-terrenos e quatro monovolumes à unidade da Polícia espanhola adscrita às instituiçons da CAG através dum investimento de 340.000 euros.
 
Damos hoje saída a um artigo de opiniom redigido e enviado polo preso independentista galego Ugio Caamanho, recluido na prisom de Navalcarnero (Madrid) a centos de quilómetros da Galiza. O breve texto aborda a capacidade da mídia para gerar estados de opiniom e pensamento e a importáncia de dispormos de meios de comunicaçom realmente populares. O “debate social” o pesebre Acho que começo a gostar da Cidade da Cultura. Por isso de levar a contrária, que num país como o nosso converte-se numha militáncia de grande valor cívico, como umha prática de higiene social que alguém tem que fazer, trate-se do tema que se trate. Quando o PP conservava a chave da despensa, até há uns meses, nom se podia dizer em público nada contra o mausoleu desenhado por Eisenman. Certo que no Bloco existiam rezeios, mas cuidavam-se muito de manfestá-los em voz muito alta por aquilo de livrar-se da imagem do “nom ao progresso”, nom à autoestrada do Atlántico e todo aquilo. E os intelectuais? Escritores, músicos, arquitectas, ou bem aplaudírom o projecto ou bem calárom a boca. Nem um manifesto “nom-no-meu-nome” figérom circular. Estamos sós, como sempre. @s independentistas sós com mais de cinquenta por cento da populaçom, também contrária às obras. E levamos a contrária, como sempre, sem titubeios nem ambigüidades. Ah, mas já som outros que governam o pesebre, e La Voz de Galicia lança agora (agora!) umha campanha contra a Cidade da Cultura. Campanha: eles dizem-lhe “impulsionar um debate social”. Como o “debate social” que impulsionárom contra o BNG de Vigo e a favor do protonazi Ventura Pérez, ou o que recuperou e reivindicou o Plano Galiza, ou o de desgaste de Lores, ou o do “feísmo”. Óptimo, La Voz pode fazer o que lhe pete para favorecer-se a sim mesma e os seus ingressos institucionais (por “normalizaçom lingüística”, por exemplo), ou para botar umha mao aos seus protegidos, é dizer, a asa cavernícola do PSOE. O escandaloso nom é que o intente. O escandaloso é que o consiga. Que lhe bastem duas ou três capas para que o PSOE e o BNG deixem de menospreciar o Plano Galiza e se virem os seus máximos defensores; que com “impulsionar um debate social” consiga fazer tragar à populaçom e ao nacionalismo institucional (excepto o ecologismo) projectos como o de Reganosa, o AVE, autoestradas, etc. Ou fazer da Cidade da Cultura um escárnio recém descoberto, para o País e para A Corunha… O trágico de todo isto é que revela a incapacidade do movimento popular para marcar a sua própria agenda política, para rachar com a “correcçom política” que estabelece La Voz e que nos diz “o Plano Galiza é bom”, “as infraestruturas rodoviárias som condiçons para o desenvolvimento”, “Reganosa contribuirá ao progresso económico de Trasancos”, e assim sucessivamente. Aceitadas essas verdades, apenas resta a opçom de competir com o PP e o PSOE em gritar “Maís! Mais!”, “Mais rápido!” e assegurar que “Nós fariamo-lo melhor”. Claro, com tal dependência da ideologia oficial resulta difícil propormo-nos objectivos ambiciosos, quando pensamos em temas nos que a cadeia do pensamento único se aperta mais e mais, como a questom nacional. A ver quem se atreve a mencionar a autodeterminaçom diante dum jornalista de La Voz, por exemplo. De todo isto, e sobretodo com o caso espectacular da Cidade da Cultura, desprendem-se duas liçons claras. A primeira, que cumpre desconectar-se dumha vez da “imprensa livre”: ou consolidamos meios de comunicaçom populares ou seguiremos a ser toda a vida marionetas dos de sempre. A segunda, que a maioria desses intelectuais e políticos que agora se botam as maos à cabeça polo desmedido, irracional e esbanjador do mausoleu de Fraga, atendem única e exclusivamente ao dono do pesebre. Cumpre sabé-lo para nom levarmo-nos a engano: essa é a nossa “intelectualidade”. E mentres tanto, nom se passa nada. Nós ao nosso: a a seguir, como dizia o outro, dando gritos em plena sesta cívica. Ugio Caamanho Sam-Tisso, preso independentista galego Navalcarnero-Madrid (Espanha)
 
Domingo 18 de Dezembro na Alameda da capital galega a partir das 12:30 da manhá. É a data, local e hora da mobilizaçom nacional que venhem de acordar umha série de colectivos, associaçons e organizaçons de todo o País em defesa das liberdades democráticas e contra a repressom. A que se projecta como umha importante manifestaçom que recabará todo o tipo de apoios sociais, políticos, culturais e sindicais sae à luz trás o salto qualitativo que supujo a recente detençom de dez militantes da AMI, o assalto a centros sociais e domicílios particulares pola Guardia Civil e a suspensom policial de duas páginas web independentistas. AMI, Ceivar, Sociedade Cultural e Desportiva do Condado (SCD), Agir, PCPG, Bases Democráticas Galegas (BDG), Briga, Centro Social Atreu da Corunha, jos_content da Galiza, Rádio Kalimero, PreSOS, Movimento polos Direitos Cívicos, Grupo Ecologista Erva, NÓS-Unidade Popular, Local Social Revolta de Vigo, portal galizalivre.org, MNG, Siareir@s Galeg@s, JCG, Casa Encantada, Centro Social Henriqueta Outeiro de Compostela, Baiuca Vermelha do Condado, Local Social A Esmorga de Ourense, Local Social O Pichel de Compostela, Colectivo antifascista O Piloto de Lugo, etc. conformam a nómina inicial e ampliável de associaçons, colectivos e entidades que ontem aderiam à celebraçom da citada mobilizaçom de 18 de Dezembro. As entidades participantes da iniciativa acordavam a redacçom dum manifesto público por volta da denúncia do processo regressivo que sofrem as liberdades democráticas no nosso País nos últimos anos, a criminalizaçom de ideias e organizaçons –particularmente, a mocidade independentista- e os ataques institucionais à autoorganizaçom popular em todas as suas formas. Resolviam, aliás, que a convocatória nacional obviasse o protagonismo de siglas e organizaçons, concorrendo todas as participantes sob a denominaçom “Plataforma galega em defesa dos nossos direitos. Paremos a repressom”. Convocatória aberta e ampla A iniciativa posta ontem em andamento vem reformular parcialmente umha outra anterior difundida por diversos sítios web independentistas que, no entanto, nom lograra recabar umha quantidade significativa de apoios e provocara certa confusom. O facto de a adesom à mobilizaçom nacional de 18 de Dezembro continuar aberta até o dia 12 deste mês favorecerá, sem dúvida, o alargamento da já de por sim ampla e plural série de apoios sociais, culturais, sindicais e políticos que aglutina a convocatória. De Ceivar queremos manifestar a nossa satisfacçom por esta iniciativa, que vem responder nom apenas ao salto qualitativo que em matéria de repressom supujo a detençom e criminalizaçom de dez militantes da AMI e o ataque frontal aos locais sociais, mas a um processo muito mais amplo de recurte de liberdades e direitos da cidadania galega. Processo evidente nos periódicos julgamentos de sindicalistas de CIG e CUT, a persecuçom da liberdade de expressom por parte de governos e polícias municipais, a generalizaçom da vídeo-vigiláncia policial dos espaços públicos, a manipulaçom informativa, o emprego da violência policial nos conflitos sociais, a deterioraçom da situaçom nos centros penitenciários, a satanizaçom de ideias e projectos sócio-políticos polos meios, etc. De aqui animamos todo o tipo de entidades a por-se em contacto com as integrantes da Plataforma e somar-se a esta resposta que em chave nacional procura denunciar o progressivo endurecimento da repressom e afirmar que a cidadania galega nom vai agüentar o espólio também dos seus direitos e liberdades.
 
Recevemos casualmente hoje, Dia Internacional contra a Violência de Género, os primeiros “posts” do blogue da presa independentista galega Giana Rodrigues. O diário narra o trecho temporal que vai de 26 de Agosto deste ano até a transferência da feminista galega à prisom de Brieva (Ávila) em 9 de Setembro. A lógica irracional com que todo se desenvolve nas instituiçons penitenciárias do Estado espanhol tem feito com que, até a data, nom tivessemos possibilidade de dar saída à voz e a palavra da patriota galega encarcerada em Espanha. Reproduzimos agora o diário electrónico de Giana Rodrigues a partir de 26 de quando cumpre os primeiros 30 dias de reclusom forçosa a centos de quilómetros da Galiza, e exigimos ao Executivo espanhol que preside Rodriguez Zapatero, mais umha vez e em aplicaçom das próprias leis espanholas e das convençons internacionais de Direito Penitenciário e de Direitos Humanos, a sua imediata repatriaçom e transferência para umha prisom localizada no nosso País. Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005 Começo escrever hoje, polo único motivo de que se cumpre um mês exacto do meu sequestro espanhol. Há umha frase que tenho escuitado por aqui que resume muito concretamente o que som as prisons: a razom termina exactamente onde começa Instituiçons Penitenciárias. É exactamente assim, a burocracia nom tam só é absurda, senom que aqui, muito mais do que fora, é um meio para interromper, incordiar e impedir as nossas possibilidades de agir em liberdade. Horários de Hospital, recontos e mais recontos, comida para cans e as ultrameganecessárias instáncias –coraçom da burocracia- que nunca há. Domingo, 28 de Agosto de 2005 Ontem fomos à piscina de 11:15 da manhá até as 12:45 h. Um dos pouquininhos momentos de distensom da semana –apenas vamos as quartas e sábados-. Saimos do módulo e nos libramos assim do ruido da televisom e das rádios alternando as diferentes cançons do verao. Mas no polidesportivo, que é onde está a piscina, nos temos que enfrentar à visom de dous tremendos nazis que se passeiam com todos os seus privilégios carcerários polo único sítio onde há mulheres ligeiras de roupa de todo o centro. Som o fascista do Atlético de Madrid que matou Aitor Zabaleta num partido desta 62 contra o Atléti de Bilbo e mais um outro skinete com simbologia tatuada, que nom sabemos de certeza porque está “preso”. Os seus méritos pola defesa da Ultraespanha tenhem a sua recompensa traduzida em penas irrisórias e em ser os amos do cárcere. Até o ponto de poder estar no polidesportivo os escassos dias que vamos as mulheres. Há um outro que me pom os pelos de ponta. Está cá por assassinar e desquartizar à “sua” mulher. O seu prémio é para nós um castigo, pior inclusivamente do que a possibilidade de isolamento, ou pensar em ficar presa a metade da nossa vida. Terça-feira, 30 de Agosto de 2005 A semana passada tivemos bastante dança. Ao Ugio, pola contra que a mim, juntárom-no na cela com presos sociais desde que entramos cá. Agüentou quase um mês até que decidimos que se plantava. Justo estava recém chegado ao seu módulo um preso político do IRA e os dous combinárom em que se dobravam juntos na cela. O carcereiro de turno negou-se, com o qual o Ugio se viu obrigado a plantar-se –negar-se a entrar na cela pola noite, prévia instáncia avisando, por suposto…- e acabou com os seus ósos no txopano –nome talegueiro que lhe damos ao módulo de isolamento-. Lá, e depois dum cacheio integral, receveu umha malheira por parte do funcionário de turno, e depois dum dia com a sua noite sem fumar, sem passeios e sem poder fazer mais nada que mirar para as paredes dos escassos dous metros quadrados de chavolo, voltou para o módulo e dobrou-se com o do IRA. Amanhá vamos fazer um protesto conjunto pola devandita malheira que vai consistir num chapeio de 24 horas, isto é, vamo-nos negar a saír da cela em todo o dia, prévia instáncia avisatória, por suposto. A ver como é que remata o conto… Quinta-feira, 1 de Setembro de 2005 Ontem, após o chapeio, levárom-me a mim também para o txopano. Nom é usual umha medida tam repressiva perante um protesto que sendo bastante mediocre ao cárcere nom lhe supom qualquer problema mais do que o exemplo que lhes damos às sociais. Vinhérom procurar por mim à cela um chefe de serviço, umha chefa de segurança e umha moreia de carcereiros. Chantárom-se-me diante tentando que saísse enganando-me como às crianças. “Sal para fuera que tenemos que hablar contigo”. Eu a dous passos deles e dela, mas eu dentro e eles fora. Nego-me e já venhem tod@s adentro a por mim. Quando já estou fora, explico-lhes o motivo do meu protesto entre os seus gritos e impertinências e dizem-me “¡Pues te vas a comer um 74 por lista!”. O setenta e quatro é um artigo de isolamento de castigo. Até três dias podes estar sem qualquer tipo de direito. Ao baixar os dous andares chego à porta do módulo e atopo-me com Ikerne, Nagore, Ixone, Ana, Goizeder, Marta, Josune, Sue, Regina, Arantxa, Aurora, Carmela e Mónica dando-me ánimos e com o punho em alto para que saiba que nom estou só. Muitas presas sociais vitoreárom-me e dérom-me palmadas de ánimo junto com as minhas queridas companheiras políticas. Isso a prisom nom o pode suportar nem consentir. No txopano atopei-me com mais bascas: Maider, Saioa e Ana. Falei com elas pola janela e passárom-me um Gara, papel e caneta para que tivesse que fazer. No pouco tempo que levo presa já tenho umha dívida pendente com o povo basco de por vida. Acolhérom-me sempre com o carinho mais grande e quase como se for umha delas. Também tivem sorte com Mónica e Aurora que, além de ser galegas e militantes do Grapo e o PCE(r), respectivamente, com elas nunca me faltou o meu querido galego nem sobrou umha palavra agarimosa de qualquer. Hoje, após levar dous dias em isolamento, inteiro-me ao saír que me mudam de módulo. Ao 11, onde nom há nengumha presa política. Agora sim que estou sozinha… Sábado, 3 de Setembro de 2005 Hoje voltamos ir à piscina. Foi genial volver atopar-me com todas. Beijos, abraços e como colofom um baptismo evangélico. Umha moreia de ciganas que submergírom nas águas para ficar limpas do pecado original –essa visom tam ultramachista da história da evoluiçom dos textos sagrados. Liberárom-se da Eva que levavam dentro… Mas eu som mais de Lilith, a mulher que se negou à discriminaçom primigénia e foi desterrada. No módulo 11 recebérom-me bem. Achegárom-se-me muitas sociais e oferecérom-me a sua companha, mas boto muito de menos as compas políticas. Sorte que nos podemos ver nas saídas gerais (piscina, ou seja polidesportivo, teatro, etc.). Sempre as terei no meu coraçom… Segunda-feira, 5 de Setembro de 2005 Tenho muitas impressons da minha nova convivência com presas sociais. Há de todo como em toda a parte, mas este módulo é “especialmente especial”. Cá estám as moças que trabalham para a prisom, as que cumprem destinos –trabalham gratuitamente-, as que estudam e as que som boas mozinhas… Ou seja que é muito mais tranquilo, mas também há muitas chivatas. Sobre todo as espanholas que, pola contaminaçom mediática que há contra nós, pretendem mover seus fios para que nos fagam o vazio. Nom lhes funciona porque nos levamos muito bem com as sociais, sobretodo com as de fora do Estado que som a maioria. Mas, em quanto se achegam, começam a chantageiá-las. Por umha parte, chantageia-as a prisom –“Se me diz algo, damos-te permissons e benefícios”, “Se te faz amiga delas, ficas sem trabalho”-. Também as chantageiam as próprias presas –“Já lhes estades dando cancha, já as estades acolhendo”-. As presas alucinam com que mulheres que estám sufrindo o Estado em última instáncia atacam a quem lhes dá resposta ao seu assovalhamento. Nom se entende essa atitude… Quarta-feira, 7 de Setembro de 2005 Já me vou notando mais a gosto. Aproveito que estou mais sozinha para ler e escrever. Rematárom-se-me as intermináveis charlas com as companheiras, mas ganhei em tempo. Hoje a prisom volveu-ma jogar. Nom funcionavam os altofalantes e nom avisárom para saír à piscina. Fiquei sem ver as companheiras com umha xenreira indescriptível, mas há que saber levar a frustraçom já que a paciência cá é imprescindível para levar com humor todas as que nos fam estas mercenárias. É incrível que assumam o seu papel de repressoras até tal ponto, já que umha cousa é ser carcereira –com todo o que isso implica-, mas ser torturadora ou fascista vai muito adentro e é passar umha fronteira desnecessária porque nom vam ganhar menos ou perder o seu “trabalho”. Algum dia será-lhes devolto todo isto… Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005 Hoje cheguei à prisom de Brieva em Ávila. Ontem, após o jantar, enquanto estava na duche, escuito umha voz polo interfone da minha cela que diz “Recoja sus cosas que se va de conducción”. Em quinze minutos e sem quase tempo para dar-me conta tivem que recolher todo como pudem e baixar com os petates sem saber aonde ia. Umha vez abaixo, tangana com as carcereiras. Resulta que tinha um vis familiar pedido para 9 de Setembro às 10:30 horas da manhá, isto é, hoje. Estas fascistas pretendiam que nom avisara a minha família de que nom me iam deixar fazer o vis, que botaram seis horas conduzindo de noite para chegar e voltar por onde vinhérom sem mais explicaçons que “esta ya no está aqui” e sem recever desculpa nengumha. As fascistas das funcionárias nom me deixavam chamar para avisar de que nom vinhessem, que nom podiam fazer o vis… Entom, podedes-vos imaginar: a gritos com elas, tensom para ficar como estava. Por sorte, umha das presas sociais que estava comigo viu tal agóbio que tinha acima que se ofereceu a chamar por mim. Dim-lhe o meu NIS –número de identificaçom na prisom- e o número telefónico de meu pai e avisou ela… Umha outra pequena vitória sobre a prisom. Deveu-lhes foder ver como minha família nom acodia hoje; descubrir que umha outra vez lha jogamos; que, apesar de nom ter mais companheiras presas que as sociais, a nossa situaçom de sequestradas une-nos, seja qual for o motivo desse sequestro. Obrigada, companheiras.
 
A intensidade do operativo repressivo dessatado pola Guardia Civil contra o independentismo o passado 14-N, e as suas formas externas mais anti-democráticas, sensibilizárom nestes dias de forma inabitual amplos sectores da sociedade galega. Da cidade de Vigo remetem-nos hoje umha imagem do partido jogado o passado 20 de Novembro entre as 62s do Celta e o Atlético de Madrid no que, desde as gradas, um importante sector de afeizoadas e afeizoados fizérom sua umha legenda muito comum do trabalho anti-repressivo, despregando umha longa faixa com a frase "Nom aos juízos políticos" o mesmo dia que @s dez independentistas detid@s pola Guardia Civil eram recebid@s na capital galega.
 
Convocadas polo nosso organismo, 50 pessoas em Vigo e 80 em Compostela mobilizavam-se ontem para exprimir o seu rechaço à campanha repressiva contra a AMI, continuada anteontem com a detençom da militante Maria B. F. Como anunciamos, a jovem independentista saia em liberdade com cargos trás 24 horas em maos da Guardia Civil. Em ambas concentraçons, militantes de Ceivar informárom sobre a situaçom da patriota galega e denunciárom o carácter do operativo policial, centrado principalmente na recolhida de informaçom que permita umha repressom mais afinada contra a formaçom juvenil, a criminalizaçom do independentismo como opçom sócio-política global e o espólio das infraestruturas da organizaçom. Aliás, nom faltaria na nossa opiniom o objectivo de criminalizar o trabalho social que desenvolvem centros como A Revolta, O Pichel e A Esmorga nas suas respectivas comarcas. Procuram informaçom Segundo afirmamos em ocasions anteriores, de Ceivar nom olhamos nas graves e excepcionais medidas repressivas em curso nos últimos dias umha tentativa de “ilegalizaçom” da AMI, umha vez que as dimensons da formaçom juvenil, a sua incidência na mocidade galega e o contexto político geral do País fam “desnecessário” em termos repressivos e inclusivamente “desaconselhável” recorrer a medidas extraordinárias: a eficácia repressiva logra-se, hoje, com medidas muito menos excepcionais e sem necessidade de pisar o acelerador da repressom, como pode ocorrer noutros contextos. Fazemos esta análise da óptica de que, tanto a intervençom da Guardia Civil, quanto a da Audiência Nacional, respondem a parámetros políticos e estratégicos previamente definidos, modulam a repressom em funçom destes e, portanto, no caso presente, possuem umha lógica interna desde a óptica dos interesses da Brigada de Informaçom do instituto armado, embora seja evidente que a nível de opiniom pública o dispositivo tem desmascarado o seu carácter puramente político e de perseguiçom de ideias e associaçons, sensibilizando importantes sectores da sociedade galega. Reproduzimos a seguir a brochura informativa difundida ontem por Ceivar trás a posta em liberdade da companheira Maria B. F. NOM MAIS DETENÇONS POLÍTICAS DEFENDER A TERRA NOM É DELITO Ontem, segunda-feira 21, foi detida novamente em Ourense por agentes da Guardia Civil a militante da AMI Maria B. F. A jovem independentista já fora detida no recente operativo do instituto armado que supujo a detençom, conduçom a Madrid e posta em liberdade de dez militantes da AMI no meio dumha impresionante campanha de criminalizaçom mediática executada pola prática totalidade dos jornais, TVs e rádios presentes na Galiza e silenciada no resto do Estado. Umha semana após, Maria B. F. é acusada pola GC de colocar em Outubro de 2005 três artefactos explosivos na maquinária que construia umha mini-central hidroeléctrica em Rubilhós (A Merca). A independentista foi conduzida ao quartel da Guardia Civil em Ourense e ficou detida toda a noite. Hoje foi posta a disposiçom judicial nos julgados de Cela Nova. A GC tomou a vila e o edifício judicial desde primeira hora, despregando um contingente de 30 agentes e muitos outros à paisana. O seu objecto nom foi outro do que criar um clima de “alarme social” que favorecesse, eventualmente, o decreto da prisom preventiva da militante por parte do juíz. Voluntári@s de Ceivar despregárom umha faixa denunciando esta segunda detençom perante os julgados. Trás horas de declaraçom, o juíz decretava a liberdade da independentista galega com um cargo de “danos”, ficando pendente de juízo e obrigada a acodir a assinar cada semana. Valorizaçom política da presente vaga repressiva De Ceivar valorizamos a detençom de Maria B. F. como mais umha peça do operativo despregado pola GC em 14-N e advertimos contra a possibilidade de jos_content detençons, segundo insistem em anunciar os mass media a partir de informaçom policial. A nossa associaçom valoriza que o objectivo prioritário desta vaga repressiva nom é outro que recabar informaçom sobre a AMI e sobre o independentismo (actas de reunions, computadores roubados, agendas, documentos, listas de sóci@s de centros sociais, etc.). Umha informaçom inacessível sem o emprego de métodos próprios dum Estado totalitário, como registos a ponta de pistola, roubo de computadores, assaltos a locais sociais, ameaças veladas de maus tratos por parte da GC, etc. A Guardia Civil, independentemente de que veja deteriorada ainda mais a sua “imagem” e “prestígio”, prioriza agora a recolha de informaçom para conhecer melhor internamente o independentismo e desenhar novos golpes repressivos para o futuro. Além disto, encontramo-nos perante a colocaçom da AMI no alvo policial e, por extensom, do conjunto do MLNG. Procura-se criminalizar e dificultar o trabalho político e social de centos de pessoas deste País que trabalham em chave independentista, desestruturar a construçom de projectos sociais (roubo de material e dinheiro em centros sociais, domicílios e sedes, criminalizaçom de ideias, etc.), cargar de processos repressivos a militantes concret@s e extender ao conjunto da militáncia umha sensaçom de impunidade e de que qualquera pode ser detid@ e acusad@. O colofom e o objectivo político da vaga repressiva é portanto erosionar política, mediática e economicamente o MLNG e situar-nos à defensiva, centrando o nosso trabalho na defesa frente à repressom. De Ceivar chamamos mais umha vez a nom cair nesta armadilha do Estado e manter a coesom e a solidariedade em momentos que, como agora, a repressom política demonstra estar dando um salto qualitativo de consequências que ainda nom podemos prever com exactitude. Convidamos a todas as pessoas realmente democratas e nacionalistas a permanecer atentas perante futuros actos e mobilizaçons que se podam convocar pola nossa parte ou de outras entidades. Ceivar, organismo popular anti-repressivo 22 de Novembro de 2005 www.ceivar.org
 
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