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O Estado espanhol tem-se apontado claramente às teses estadounidenses e británicas de prisionizaçom da pobreza. Sinteticamente, trata-se de abordar o tratamento da exclusom social e o seu alargamento sostido de umha óptica puramente repressiva e penitenciária. Um estudo elaborado pola “Asociación de Cuerpos de la Administración de Instituciones Penitenciarias” (Acaip) apresentado hoje desvelava as consequências desta estratégia no nosso País. Acaip nom se distingue, ao igual que as restantes entidades de defesa corporativa d@s carcereir@s, pola sua preocupaçom polos direitos humanos, mas por umha visom que pom no centro do seu interesse problemas de segurança e gestom interna “eficaz” dos centros penitenciários. Contodo, o seu informe é avondo significativo sobre o estado actual da questom. Diremos em grandes linhas que desde 2000 a populaçom penitenciária na Galiza administrativa medrou em 68%; o número de pres@s “estrangeir@s” –entendendo por tais @s nascid@s fora do Estado- multiplicou-se por onze neste período e a taxa de massificaçom alcança já 45%. Os macrocárceres de Teixeiro e A Lama, construidos a finais do século XX, duplicárom o seu número de pessoas privadas de liberdade desde 2000, seguindo o ronsel dos outros três centros de reclusom da CAG nos que o número de pres@s cresceu 67.92%. A inexistência dum âmbito competencial próprio nesta matéria provoca aliás que os cárceres encravados na CAG sejam utilizados para “aliviar” a massificaçom existente nos demais cárceres do Estado, impossibilitando-se em muitos casos que os presos e presas galegas podam cumprir condenaçom perto do seu local de residência. Segundo Acaip, a populaçom reclusa na CAG aumentou em 1717 pessoas no quinquénio 2000-2005. A evoluiçom centro por centro é significativa do processo: A Lama passou de encerrar 725 pessoas a 1484 (105%) e Teixeiro de 664 a 1417 (114%). A massificaçom é ainda mais grave na contagem global, umha vez que é de 146% e há 1327 pessoas presas mais das que as celas disponíveis para cada preso ou presa dispor dumha cela individual. Massificaçom selvagem Caso paradigmático da situaçom é o cárcere de Pereiro de Aguiar na comarca de Ourense: enquanto está desenhado para “acolher” 274 pessoas, aloja na actualidade 472. O centro penitenciário de Bonge repete a mesma tónica, estando desenhado para alojar 284 pessoas e encontrando-se na actualidade com 424. A Lama e Teixeiro fam o próprio recluindo, respectivamente, 476 e 409 pessoas mais das que, oficialmente, poderiam viver numhas condiçons de habitabilidade mínimas. Globalmente, segundo a Acaip, os cárceres da Galiza administrativa encerram um total de 4245 pessoas, embora a sua capacidade real é de 2918. Tanto Acaip quanto CCOO, afirmam que a massificaçom é a causa de conflitos e situaçons de violência; impossibilita, segundo essas fontes, “um controlo correcto dos presos” e seria a origem do fracasso das “políticas de reinserçom social”. CCOO assegura em tom abertamente xenofobo, por boca do seu representante José Manuel Alves, que o alto contingente de pres@s procedentes de fora do Estado espanhol (Marrocos, Algéria, Colômbia, Portugal, etc.) seria umha das causas desta conflitividade. Apontar como dado significativo ao respeito que a presença de pessoas “nom-espanholas” é de 3494 reclus@s quando em 2000 apenas era de 291. Teixeiro e A Lama situam-se à cabeça deste ranking encontrando-se respectivamente em ambos 570 e 530 presos árabes. “É óbvio que nom podemos por o cartaz de completo”, assegura Mercedes Gallizo A lógica oficial de responder com projectos de novos cárceres ao aumento da exclusom social está claramente fixada nas associaçons corporativas de carcereiros e no Ministério de Interior e Instituiçons Penitenciárias. Os futuros centros penitenciários de Cádiz, Sevilla, Castelló e Madrid som, segundo Mercedes Gallizo, directora geral de Instituiçons Penitenciárias, a resposta do Estado espanhol à extensom da exclusom social e o aumento da imigraçom ilegalizada. Gallizo assegura, apesar do panorama de inumanidade institucionalizada de que é responsável, que “é óbvio que nom podemos por o cartaz de completo e que quando um juíz decide que alguém tem que estar privado de liberdade, o nosso dever é acolhé-lo” –literal-. Os funcionários de prisons abordam a problemática desde umha óptica similar à da alta funcionária. Segundo José Manuel Alves, “na Galiza som necessárias jos_content prisons”.
 
A caracterizaçom oficial da nossa capital como centro administrativo e parque temático para o recreio do turista enfrenta-se continuamente com os fenómenos de autoorganizaçom social existentes na cidade e fundamenta um permanente recurte dos direitos e liberdades da vizinhança. O centro social anarquista inaugurado a passada quinta-feira no número 19 da Rua do Olvido recebia esta manhá a visita da polícia de choque. Dous carros da Polícia Judicial espanhola, umha furgoneta do CNP e dez agentes da “Unidad de Intervención Policial” –conhecidos popularmente como “antidistúrbios”- apresentavam-se esta manhá com umha ordem de identificaçom das pessoas que nesse momento se encontravam no centro social ditada polos julgados locais. Trás apresentar-se com umha maça e ameaçar com o derrubo da porta, os agentes policiais procedérom às identificaçons. Dous agentes entravam no edifício e tomavam a filiaçom a todas as pessoas que se encontravam no imóvel ocupado. As pessoas identificadas fôrom convocados a vindoura quarta-feira para declarar nos julgados no que será, provavelmente, o primeiro passo legal para realizar o desalojamento do imóvel e frustar a enésima okupaçom realizada na capital galega desde diferentes colectivos juvenis.
 
Desde a prisom de Ávila em que se encontra Giana Rodrigues em regime preventivo, recebemos umha nova data de "posts" do diário da presa independentista galega. Sábado, 1 de Outubro de 2005 Esta semana passárom várias cousas interessantes. Umha delas foi umha bomba de ETA numha área industrial que está de lado da prisom. O certo é que nunca estivera tam perto dumha situaçom assim, mas fôrom curiosas as diferentes reacçons. Estavamos já na cela, deviam ser as 22:00 horas mais ou menos quando se sentiu um estrondo bastante forte produzido pola onda expansiva. Parecia como um portaço muito forte cujo som ia fazendo eco polos corredores da prisom. Aginha começamos escuitar os primeiros gritos das presas pola janela e as carcereiras dizendo pola megafonia “Tranquilas, no sabemos lo que pasó pero fue fuera de la prisión”. Em nengum momento me alterei nem nada polo estilo, nom sabia o que fora, mas podia ser qualquer cousa, algo que cai, por exemplo, e fiquei tranquila a fazer o meu e sem mais. Fora escuitei Marijo dizer “Foi umha bombona, que há um depósito aí ao lado”. Ao dia seguinte inteiramo-nos de que se passara. Por suposto era a comidilha do dia. Umhas dizendo que passaram medo –incrível, mas todo produto dos meios de desinformaçom que é ao que se dedicam-, outras fazendo-se ilusom com que podiam por outra nos muros e assim fugir. Bom, opinions de todo o tipo, mas foi umha experiência curiosa. Segunda-feira, 3 de Outubro de 2005 Continuando com o tema do petardo, coincidiu que aos dous dias tivemos a última actuaçom da Mercé. Um grupo de moços de distintos países de América do Sul tocárom cançons dos seus respectivos povos. O certo é que gostei muitíssimo, fôrom os melhores de toda a festividade. Bom, pois lá, atopamo-nos com as compas do vermelho que se traziam umha brincadeira tremenda com umha delas porque o mesmo dia da bomba tivo um vis com sua família que durou mais tempo do normal já que se esquecérom dela dentro do quarto dos vis. Aos mídia nom se lhes ocorre umha outra cousa que comentar ao respeito do petardo que as famílias das presas bascas, depois de vir comunicar com elas, aproveitárom para deixar um presentinho na área industrial de lado da prisom. Isso é economizar tempo e recursos e o demais som tontarias. Bem vemos que os “CSI” espanhóis tenhem umha lucidez e umha clarividência que som a enveja do resto dos estados europeus. Com gente e com investigaçons assim bem nos podemos sentir mais seguras, já que o razonamento é tam atinado que nem meu curmao de cinco anos estaria mais perspicaz. Podedes-vos imaginar o pitorreio com a companheira basca, que resulta que vai ter à família num comando desses itinerantes dos que há tantos por aí… Bom, já todo o mundo sabe como as gasta a mídia, mas acho que aqui levárom-se a palma. Obrigada, “jornalistas”, por manter a populaçom imbecilizada, assim temos mais de quem rir-nos. Quarta-feira, 5 de Outubro de 2005 Esta semana bule-bule de novo. Vai vir um inspector de Instituiçons Penitenciárias e andam de limpeza geral que nom nos deixam viver. As carcereiras e todo o pessoal, nervosíssimos. Que se saquem todo de acima das mesas se nom o tiramos, que se ponham as colchas talegueiras, retirem a roupa das janelas, adecentem as celas, limpem a cozinha, o pátio, as duches…. Todo, que barbaridade. Até elas sacárom a televisom e os sudokus da sua garita (que é o “escritório” onde estám todo o dia). Estám que nom vivem porque contam que há uns anos vinhera umha inspectora que ficou para toda a história de Instituiçons Penitenciárias com o alcume de “La del duro”, já que passava um peso de canto polas juntas dos azulejos para ver se havia merda. Isto nom é o normal, o que ocorre é que chega o inspector, passa meia hora olhando para os módulos, abrem-lhe algumha cela e volta para a casa como se tal cousa, mas a do peso deixou boa fama para as inspecçons do resto da vida neste talego. Já podia vir mais a miudo, a ver se limpam mais. Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005 Pensavades que rematava a dança? Pois nom. Depois da inspecçom ocorreu-se-lhe à Gallizo, directora de Instituiçons Penitenciárias, dar-se um “rule” pola prisom. Bom, pois a continuar com o estrês e as limpezas de arriba para abaixo. Isto nom remata mais. Polo menos as compas do vermelho figérom-lhe passar o apuro de viver umha concentraçom contra a dispersom d@s pres@s polític@s. Marchou botando fumo. Nós nom lhe figemos passar o mau rato, mas eu tropecei-me com ela rodeada de maromos e chefes de serviço. Tivem a sorte de ver como umha par de presas lhe comentavam que a prisom estava massificada e que tinhamos que entrar em duas turmas ao comedor (que tem cabimento para 50 pessoas e somos 120 no nosso módulo), pedindo-lhe um telefone mais e cousas como umha piscina. Ela toda cínica, por suposto, contestava de muito boas maneiras “Tomo nota”. Por suposto, o dia que viu ela figérom algumhas mudanças sobre a marcha, como abrir o polidesportivo pola tarde para que os módulos estivessem valeiros e nom se notasse a massificaçom. Aliás, que visse a quantidade de actividades das que dispomos as presas. Ponhem-me má essas lavadas de cara, mas já sabemos como funcionam estas cousas… Domingo, 9 de Outubro de 2005 A sexta levárom-se Marijo de conduçom a Soto. Que lástima, o certo é que é insuportável, recolher todo numha tarde e ao furgom policial depois dumha noite em Ingressos de Ávila e antes de vários dias de Ingressos em Soto até que te levam a módulo. Em Madrid V peleja para que nom te dobrem com umha presa social e muito provavelmente um plante (negar-te a entrar na cela) e vista a txopano (isolamento). Esse é o panorama que se te apresenta quando te dizem “recoja sus cosas que se va de conducción”. Para mais inri pensar em volver a Soto que é umha prisom aborrecível. A despedida foi bem bonita: todas as presas vitoreando-a e as marroquinas cantando-lhe e gritando-lhe cousas em árabe. A lástima foi que as bascas estavam de chapeio (protesto que consiste em negar-se a saír da cela) e nom se pudérom despedir a gosto. Até a volta, Marijo. Terça-feira, 11 de Outubro de 2005 O dito que reza “Há galeg@s em toda a parte” é bem certo, até nas prisons. Por umha banda em Soto havia boa récua delas: Aurora e Mónica do PCE(r) e o Grapo e aliás estavam a Josefa Charlim –que nom é um bom exemplo de galega- e umha outra moça de Vigo que devia estar por algum tema de drogas. Cá tenho a Iolanda, umha menina corunhesa que está sequestrada pola sua militáncia no PCE(r). É indescriptível a sorte que tenho de poder estar numha prisom espanhola e poder seguir falando com umha moça galega na minha língua e quase como se estiver na casa. Bom, no nosso caso é bastante singelo, já que a nossa língua é falada por milhons de pessoas no mundo, e mentres o Estado espanhol siga sendo assim de racista, as prisons espanholas estarám sempre cheias de brasileiras com as que poder falar em galego. Ficam surprendidíssimas de que umha pessoa com um sotaque tam espanholizado e, supostamente, “espanhola”, fale na sua língua. Sempre me dizem “Vocé fala muito bem o português”. Logo já lhes explico que som umha presa política e nom acreditam que no “Primeiro Mundo” e em pleno século XXI os espanhóis sigam a ter colónias e presas políticas nos seus cárceres. Mas há que estar cá para vivé-lo. Por suposto nom duvidam, umha vez que nos conhecem, que isto nom seja assim. Quinta-feira, 13 de Outubro de 2005 A intervençom das comunicaçons é dessesperante: nom só nos gravam as chamadas e as visitas por loqutório (isso já ocorria fora), senom que também nos traduzem e lem as cartas, e isso nom é o pior, o mais terrível é que nom nos deixam enviar mais de duas à semana. Que agóbio que se acumulem, ter a gente aguardando tua resposta e nom poder fazer nada para avisar, “que nom é deixadez, é impossibilidade”. Ainda por cima, todo o que nos chega ou o que enviamos fica parado mínimo 15 dias no cárcere. Umha vez pasado esse prazo mandam-as a meio de fax à Direcçom Geral de Segurança de instituiçons Penitenciárias onde as traduzem e as lem. Se nom suponhem um “perigo” para a prisom, dam-lhes curso, se sim, ficam retidas. Muitas delas “perdem-nas” com o único objectivo de fazer dano, as mais bonitas ou as que mais ilusom nos podam fazer. Também há algumhas pessoas com as que te boicotam reiteradamente a correspondência; se vem que há alguém pouco conhecido, a quem lhe poda resultar impactante tua carta, nom lha fam chegar ou nom te dam a sua. Sobre todo com gente nova ou duvidosa na sua ideologia. Nom vam permitir que eu seja umha “má influência para ninguém”. Tede sempre presente que quando eu nom resposte a umha carta é porque foi boikotada, e é imprescindível ganhar-lhe esta batalha à prisom, repetide e seguide escrevendo, para que a nossa paciência seja maior do que a sua. Ou senom sempre nos ficará o método de certificá-las. Sábado, 15 de Outubro de 2005 Ando ultimamente a enredar com o árabe. Pedim a umha companheira marroquina que me ensinasse. O certo é que sempre me interessou a ideia, mas nunca tivem umha oportunidade como esta e há que aproveitar mentres podamos. Aí vos vai um VIVA GALIZA LIVRE escrito em alfabeto árabe. Segunda-feira, 17 de Outubro de 2005 As variáveis espaço-tempo que constituem o nosso marco de referência, ou seja o continente da nossa essência vital, som com as que joga principalmente a prisom. O espaço polo evidente de nom ter liberdade para saír de aqui. O que já nom é tam fácil de entender é a questom temporal. A sensaçom que tes de que dentro da prisom tes muito tempo livre desaparece em quanto entras, e eu nom o entendia quando recém chegada as companheiras me comentavam que nom me metesse em muitos enredos que depois me ia agobiar. Mas já sei a que se refirem. O tempo de que dispomos livremente aqui dentro é muito menos do que o de fora, e olhade que eu fora, entre responsabilidades políticas, militáncia em geral e os estudos, nom dispunha de demasiado tempo, mas a diferença reside em que ao serem eu quem o organizava era capaz de aproveitá-lo ao meu parecer. Cá é o cárcere quem te organiza as horas, quando almoças, quando comes e ceias, quando durmes, quando vas à biblioteca, as horas de fazer desportos, as horas para ler, etc. Total que tes possibilidade de dispor de quatro horas ao dia e dá graças. Isso nesta prisom que temos espaço para estar tranqüilas, em Soto podo dizer que nom dispunhamos de mais de umha hora e meia, que era o tempo que nos deixavam ficar na cela depois do jantar. Nom tinhamos nem um espaço para fazer desportos (bom, mais bem sim o havia, o que se passa é que nós nom tinhamos acesso a ele), por nom falar da biblioteca, que estava proibidíssimo pisá-la embora reuníssemos todos os requisitos para poder ir a ela, como estar matriculadas na UNED. Esse era um privilégio de que só dispunham as presas sociais. Cá podemos fazer o que fam o resto, nom tenhem essa animadversom por nós que se respirava em Madrid V. Bom, mas cada cárcere é um mundo à parte e a autonomia que tenhem fai com que estar num ou em outro convirta a tua qualidade de vida numha diferença de 100%. Menos mal que me levárom de Soto. Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005 É curioso o estar cá com a Iolanda. Às vezes surpreendo-me ao ver-me falando com umha pessoa que há uns meses era umha perfeita desconhecida, de gente comum da que sabemos as duas, de lugares, de datas, de mobilizaçons que compartilhamos as duas estando fora e que comentamos agora num lugar completamente estranho e no que nunca pensei me fosse atopar umha galega que, para além de sé-lo, começou de muito novinha a sua andaina política no independentismo corunhês. Muitas vezes ao falar com ela dá-me a sensaçom de estar na Galiza, tomando-me um café tranquilinha com umha colega qualquer, na minha casa ou na sua, mas fai-me sentir um ambiente muito familiar. É evidente que no caso das bascas é sempre assim, porque ao serem tantas quase sempre coincidem mais de umha na mesma prisom, mas o resto temos polo normal vivências diferentes, inclusivamente dentro dos mesmos colectivos, como ocorre com o do GRAPO-PCE(r), que som muitas as pessoas presas, mas situadas num território muito amplo que é todo o Estado espanhol, entom as suas vivências som bem diferentes e as suas procedências também. Podo dizer que é umha sorte para mim ter aqui à Iolanda. É lástima que o Ugio nom viva o mesmo. Sexta-feira, 21 de Outubro de 2005 Hoje levárom-se as três bascas de conduçom a Soto por questons diferentes, já que Amaia marcha para Euskal Herria de testemunha a um juízo e as outras duas vam a algo da Audiência Nazi. O certo é que se nota muito, já que apenas ficamos cá quatro pessoas. Mas é bom afazer-se a esta situaçom porque umha vez que é o juízo e tes que cumprir condenaçom (ou seja, já nom estás preventiva), normalmente te levam a umha outra prisom onde com segurança se nom ficas só, quase, e metem-te num primeiro grau, com o qual apenas tes espaços comuns com os que compartilhar vivências com as companheiras (se as há), um regime carcerário muito mais estrito e com muitos menos direitos. Finalmente vai ser umha bençom estar quatro anos preventiva, já que como estes anos também contam, som quatro anos num regime bastante bom que te sacas do primeiro grau. Domingo, 23 de Outubro de 2005 Há já três meses da minha detençom, boto a vista atrás e dá-me a sensaçom de levar cá toda a vida. As presas temos umha dupla sensaçom de tempo; por umha banda, que se passa muito rapidamente e, por outra, que antes disto nom havia nada. A leitura que fago é que por umha parte nos adaptamos muito facilmente a este novo “ecossistema” e por outra que aqui nm existe o tempo como variável. Esta é umha paréntese na nossa vida, e quando a retomemos, seguiremos com a mesma idade com a que entramos.
 
Continuamos com a publicaçom dos "posts" que nos envia o preso independentista galego Ugio Caamanho, com reflexons sobre a vida em prisom e reflexons político-pessoais. Quarta-feira, 28 de Setembro de 2005 Isto vai ser mais difícil de que pensava. Faz-se impossível manter um ritmo de trabalho e de vida aceitável se cada pouco te estám levando a isolamento, mudando-te de módulo ou de prisom. Desde o mês passado voltei ao “chopano” (já estamos…), transferírom-me ao módulo 5 e depois a Navalcarnero. E a Giana dérom-lhe o mesmo tour, mas primeiro passou polo módulo 11, onde era a única política; vaia semaninha deveu passar a pobre. Bem, polo menos assim conhecim a Gorka, Ieltxu e Andoni, este último um ex membro de Comandos Autónomos Anticapitalistas com quem compartilhei cela dez dias. Boa gente, claro. E os sociais do módulo também, passei boas horas lá. Agora, módulo 2 de Navalcarnero. O péndulo deu umha volta e agora som eu o desafortunado: mentres Giana compartilha módulo com umha cheia de políticas, umha delas galega até, e dispom de cela para sim própria, a mim toca-me apandar com um módulo no que apenas há um outro político (Eduardo Garcia, anarquista), e compartilho cela com comuns. Para dizé-lo todo preferiria voltar a liá-la, ainda sabendo que acabaria por viver permanentemente em isolamento (artigo 75 do Regulamento Penitenciário), mas alguns companheiros comentam-me que melhor nom façamos muito ruído por enquanto, e enfim, cumpre manter a perspectiva e agir conforme os ritmos de fora. Mentres tanto começo recuperar o compás. Chegam as primeiras cartas, escrevo algumhas linhas, preparo os estudos… e principalmente discuto com o Eduardo. Ah, mas nom as típicas e aborrecidas liortas entre anarquistas e nacionalistas, naturalmente. Projectos concretos. A cousa-em-si, numha palavra. Porque resulta que na práticas as coincidências som infinitamente superiores às discrepáncias, e ademais as nossas ideias tenhem muitos pontos em comum. Assim para começar preparamos já dous ou três bosquejos de projectos bem para levar a cabo pessoalmente (ele vai saír, ao máximo, em dous anos), bem para propó-los à gente de fora (no meu caso). Veremos em que dá esta desconcertante aliança. Sexta-feira, 30 de Setembro de 2005 Estes dias nom se vê mais que arame farpado. Sobre os muros da prisom e das sucessivas balizas que nos separam do páramo circundante; acima de balizas semelhantes, nas fronteiras de Ceuta e Melilha para resistir as acometidas dos descamisados do mundo. Nos dous casos servem para o mesmo: para manter a salvo as despensas carregadas de gelados e DVDs, ameaçadas polos pobres de dentro e fora. Para isso, é dizer, para que os ocidentais sigam a gozar de muto mais do que o que lhes corresponde mentres milhons passam fame, e também para seguir dando-lhe a razom ao pessimista de Levi Strauss, que resumiu a nossa época na fórmula “radioactividade, zyclon B e arame farpado”. Mas os presos persistem as tentativas de fuga e os imigrantes nom deixam de buscar métodos para entrar. O resultado, pretos mortos pendurados polo pescoço do arame farpado. A soluçom, segundo o ministro, enviar legionários armados e incrementar o tamanho das balizas. Mas, se essa é a soluçom, entom… qual era o problema? Que seguem entrando, naturalmente, que seguem entrando. Porque o essencial é preservar este paraíso de consummo e opulência, para nele se podam seguir cultivando as magníficas flores da civilizaçom; a democracia, as boas frases sobre os direitos humanos, todo isso. E há quem se surprenda de que, umha vez ultrapassadas as cuitelas de arame, alguns rebentem em explosons de ira e justiça contra este sistema e os seus beneficiários. Com certeza dentro dalgumhas geraçons, quando se recorde ou estude esta época, apenas essas explosons permitirám algum género de absoluçom para nós. Como dizia o outro, Clame um anaco de serra –toxo, herança de lama triste- para esquece-lo arame de espíritos que guia os nossos passos. Quarta-feira, 5 de Outubro de 2005 Ainda nom levo muito tempo dentro e assim é impossível fazer-se umha ideia definitiva da questom, mas até o de agora acho que houvo dias bons e dias normais; maus, propriamente, nenhum. Quero dizer, nenhum parecido com a ideia típica da prisom: angústia, medo, depressom. Mesmo no isolamento e nas “cundas” –transferências de prisom ou aos julgados- experimentei tensom, acaso breves descárregas de adrenalina, mas nada grave, até refrescante havida conta da monotonia quotidiana. Como me escreveu um companheiro, “a felicidade (se existir) está em nom aguardar nada ou quase nada; um soldado está satisfeito quando espaventou o frio, tem roupa enjoita e fuma tranquilamente o seu cigarro”. Pronto, bem sei que o efeito da prisom é acumulativo e os dias maus ham chegar, com certeza. Mas também se irám por onde vírom, e ademais por agora nom toca e podo sentir-me reconfortado com isso. Hoje, por exemplo, foi um dia bom, muito bom, com vários pequenos lujos que me proporcionam a satisfacçom singela do soldado: coincidim com os bascos na escola, permitim que Eduardo me machacasse com a sua disciplina anarco-estalinista no ginástico, tivem cinco minutos de conversa boa com os pais (há chamadas que deixam bom sabor e chamadas que doem porque parecem arrincar-nos novamente do País, mas nom sei de que depende que umha em concreto acabe sendo dum ou doutro tipo. Talvez dos temas, talvez dos estados de ánimo), depois três cartas (até que enfim!), licença para ficar na sala de estudo em lugar do pátio, e… três instáncias com resultado positivo e apenas um “No procede”! A acabar o dia estava tam contente que até respondim as “Buenas noches” do carcereiro. Terça-feira, 11 de Outubro de 2005 Este domingo vinhérom um ou dous autocarros de asturianos para dar-lhe um alegrom a Fernando, um nacionalista asturiano que prendêrom há cousa de um mês por acçons contra sedes de partidos espanhóis. Vaia festa montárom! Em toda a prisom nom se falava de outra cousa. É curioso ver umha mobilizaçom destas desde dentro, depois de participarem nalgumha marcha às cadeias polos do EG. Realmente revolucionam o cárcere e levantam o ánimo de qualquer um. O caso de Fernando é curioso, embora bastante duro. Eduardo e eu levávamos cousa de um mês à sua procura, pois sabiamos que estava em Navalcarnero, mas nom dávamos com ele, nem sequera por meio dos bascos, que estám em quase todos os módulos. Afinal soubemos que nada mais chegar se plantara polos mesmos motivos que eu em Soto: para dispor de cela individual ou compartilhar apenas com outros presos políticos. Só que ele tivo menos sorte: soubem hoje que desde esse dia vive em isolamento (“chopano”, em gíria carcerária). Parece que a directora de Navalcarnero tem mal génio… Contárom-mo os bascos, que passam as fins de semana lá e pudérom falar com ela. Polo menos parece que anda bem de ánimo e decidido a seguir com a peleja. O qual é encomiável, dado que nom tem companheiros asturianos presos, e ademais nom esperou nem a tomar contacto com o cárcere para começar a liá-la. Dá-me inveja e ademais provoca-me remordimentos todo isto. Talvez se eu também me plantasse… Mas a cousa está assim e nom vou mudar de atitude agora. Por umha parte desejaria que renunciasse à reivindicaçom, voltasse ao módulo e começasse a fazer vida normal, porque afinal aqui estamos sempre fora do módulo com cursos ou ginástico, de modo que os políticos andamos sempre juntos e o de compartilhar cela leva-se bastante bem, se um tem sorte com o preso que lhe toque. Mas isso deve-se a puro egoísmo, porque o que quero é conhecê-lo e intercambiar ideias e informaçom com ele. Igual o conheço igualmente porque me acaba de chegar o “parte” polo primeiro “plante” de Soto: dez dias em chopano. Por certo, e pensando no que me teria acontecido a mim de ter mantido a sua atitude: parece que lhe vam aplicar o “artigo 10” do Regulamento Penitenciário e levá-lo a Algeciras, em condiçons de 1º grau. Em suma, duas horas de pátio ao dia, escassisimo trato com outros presos, máxima dureza dos carcereiros. E… umha cela individual para ele só. Quarta-feira, 12 de Outubro de 2005 Já está, pensei, umha outra vez a pôr-nos em ridículo ante todo o mundo. Agora que nem os espanhóis mantenhem aquilo de amosar enormes bandeiras para demonstrar o grande que a tenhem, vai o inefável alcaide da Corunha e toma o relevo, para celebrar o Dia da Raça e de passo fazer frente ao questionamento configuraçom do Estado. Enfim, o 12 de Outubro resumia-se nos telejornais entre a parada militar (para que recordemos quem manda e por que meios) de Madrid e a fanfarronada do Francisco Vázquez. E eu comecei sentir vergonha. Estas cousas (a era Fraga, o caciquismo, estas sobre actuaçons à hora de render pleitesia) podem-se relativizar todo o que se queiram. Sei lá, os meios de comunicaçom, o auto-ódio, a miséria… Mas acho que perder a capacidade de ruborizar-se nom nos serviria mais que para perder também a capacidade de cabrear-nos, e portanto de reagir. De modo que estava já envergonhado, a pensar no País, e também nos presos políticos doutros povos com os que me encontraria pola tarde e aos que teria que dizer qualquer cousa que descarregue um bocado do denigrante da situaçom. E entom aparecem no écram duas companheiras da AMI, com bandeiras da Pátria e gritando “Com Espanha, Nunca Mais!”, e depois abre-se a imagem e há muitos mais, e muitas mais bandeiras e gritos. Telecinco, que nom tratou mal a concentraçom, diz que som quarenta nacionalistas e que nom houvo maior problema. Mas nom creio que Francisco Vázquez opine o mesmo… Surpresas como esta, das que te inteiras pola tevê e sem prévio aviso, podem fazer ver as estrelas a um preso, e fazê-lo passar da vergonha ao orgulho num só fotograma. À tarde pudem presumir, pudem também chamar às companheiras que reconhecim: em realidade sim houvo distúrbios, um detido e quatro feridos. Mas estavam contentes e satisfeitos. E eu, mais que contente, eufórico, porque ademais hoje autorizárom-me oito amigos para que me venham visitar. Comentei-lhe-lo e parece que vam vir já este sábado. Em dias como hoje é difícil recordar que estou preso. Terça-feira, 19 de Outubro de 2005 “(…) Algo que lhe dá umha dimensom muito mais ampla, e também formosa, à nossa luita. Dei-me conta de que somos País, e assim o sentimos. E os assassinos, os ladrons, os sequestradores levárom-me um irmao (…)”. Distinguir um preso político dum preso social é tam fácil como difícil explicar quais som as diferenças. Mas leva tanto tempo como dar umha simples olhadela polo módulo, em seguida dás com os presos políticos, embora nom vistam camisolas com consignas. Deve ter algo que ver com a inclinaçom dos ombros, ou com a expressom dos olhos ou da face… Algo que anuncia aos quatro ventos Eu nom estou preso, sigo no meu país e na minha luita, com os meus companheiros e amigos. Esse ar contrasta com o do resto dos reclusos, verdadeiramente encerrados como animais, alguns selvagens e outros já domesticados, angustiados pola limitaçom dos movimentos e com o seu universo privado reduzido ao tamanho dum pátio de 50x30 metros. Nesses casos os contactos com o exterior apenas servem para certificar a magnitude do que estám a perder, em muitas ocasions melhor nom contactar em absoluto. Mas para um político receber correspondência, telefonar, comunicar ou ter um vis-à-vis significa seguir vivo aí fora: seguir a participar na vida colectiva e pessoal, conhecer o estado da sua dimensom comunal. Em resumo, seguir estando fora. Estas cousas, como digo, som difíceis de explicar a quem nom as entende previamente, ou a quem é incapaz de senti-las. Mas comprová-lo é tam imediato como duas imagens: a primeira, a dum pátio com políticos e sociais, estampa difícil de visualizar para quem nom estivo nunca dentro; a segunda, a mesma mas invertida. É dizer, os companheiros que estám em liberdade e se sentem presos, como nós nos sentimos livres. Essa é a imagem que me desenhou em poucas frases umha irmá numha carta recente, em parte reproduzida acima. Parece impossível fazer perceber esta sensaçom de pertença e de dimensom colectiva da existência à gente mais modelada ao estilo moderno (consumistas, individualistas, egocêntricos,…), desde logo impossível com os presos deste módulo. Alucinam com a data de cartas que recebemos Eduardo e eu, e com que muitas no-las enviem desconhecidos solidários. E alucinam com o sossego ao afrontar condenaçons muito maiores às suas. Mas o curioso é que também o Eduardo alucina um bocado com todo isto. Parece-me que a comunalidade implica em muita maior medida aos movimentos identitários do que aos baseados na questom laboral, classista. E alegro-me de pertencer a um dos primeiros.
 
As urgências impostas pola vaga repressiva iniciada em toda a Galiza o passado 14 de Novembro impediam olhar além das consequências imediatas e, por dizê-lo com outras palavras, ver o bosque do conjunto do operativo policial, mediático e judicial dessatado contra o independentismo. Achegamos um artigo assinado por dous dos detidos na "Operaçom Castinheira" no que se analisam os objectivos e a lógica interna do operativo repressivo por cima da imediatez dos factos, a distorçom mediática dos mesmos e quando o sumário judicial ainda continua baixo secreto. DETENÇOES DO 14 DE NOVEMBRO DE 2005 A redada policial contra a Assembleia da Mocidade Independentista tivo a suficiente releváncia policial, social e política como para que lhe dediquemos um mínimo momento de reflexom. Contamos já com um pouco de perspectiva do sucedido, mas ainda nom podemos ter umha visom afinada e global deste golpe repressivo por duas razoes fundamentais: a primeira é que ainda estamos imersos no vértice do tempo repressivo desta ofensiva; a segunda, é que a justiça espanhola decretou o secreto de sumário, polo que todas as diligências efectuadas (com as suas consideraçoes e particularidades informativas e políticas) som-nos (a detid@s e advogad@s) totalmente desconhecidas. Contemplando estas premissas prévias procedemos a umha análise de urgência que nos ajude a entender este golpe policial nas suas fundamentaçoes básicas, assim como valorizar aqueles aspectos colaterais directamente implicados numha operaçom destas características. É umha obviedade dizê-lo a estas alturas, mas devemos começar por aqui. A ofensiva repressiva vivida foi relevante nom só midiaticamente mas também objectivamente. O termo relevante estabelece-se, naturalmente, em funçom do que somos, das nossas forças e das nossas potencialidades. Tanto quantitativa (número de detidos, quantidade de material intervido, despregamento realizado, meios mobilizados...) quanto qualitativamente (órgao jurisdicional implicado, informaçom acumulada e efeitos psico-sociais difundidos) foi o intento mais sério (que nom equivale automaticamente a sucesso imediato ou diferido) dos últimos 10 anos na Galiza por alcançar umha parte importante, nuclear, do desenvolvimento estratégico do independentismo revolucionário (na sua actual formulaçom político-organizativa e nas suas apostas básicas). Relevante nom quer dizer novidoso. Nom há um novo modelo ou estrategia repressiva contra o independentismo, que contemple umha “repressom política” além da repressom estritamente “técnico-policial”. Nom o há actualmente nem é previsível que o vaia a haver a curto praço. A Assembleia da Mocidade Independentista nem nengumha outra organizaçom independentista galega está na agenda das ilegalizaçoes políticas do Estado espanhol, nem o vai estar, previsivelmente, a curto praço. Cousa bem distinta é que o Estado e/ou os seus agentes mediáticos tonteiem ou enredem com esta possibilidade, buscando, em todo o caso, uns efeitos políticos e sociais determinados. Este aspecto é importante tê-lo presente em momentos nos que a rumorologia, as especulaçoes mais peregrinas e a venda de trapalhadas nos bazares de todo a 100 causam autêntico furor. No que nos afecta a nós, aqui e agora, o actual modelo ou estrategia repressiva continua enquadrando-se dentro do que conhecemos genericamente como repressom estritamente policial, da qual se derivam duas aplicaçoes práticas como som a repressom preventiva (que ainda impera em boa medida) e a repressom de contençom. A repressom preventiva, cujo paradigma mais próximo e actual temo-lo nas redadas maciças efectuadas em distintos países europeus contra supostas redes invisíveis de “terroristas” islámicos, busca adiantar-se, conjurar um perigo potencial, cercar e minar socialmente um determinado movimento e acaparar grandes quantidades de informaçom sobre o adversário ou potencial adversário e os seus círculos sociais. A repressom de contençom, muitas vezes imbricada com a anterior, persegue golpear policialmente os sectores políticos que já desafiam abertamente o monopólio da violência do Estado. Podíamos engadir-lhe a esta repressom policial aquilo tam conchecido de “baixa intensidade”, mas cremos que realmente nom é substancial qualquer acotaçom em quanto à sua graduaçom. Pode ser de baixa intensidade para um Estado punitivo à vez que realmente padecida como de alta voltagem mortal polas nossas organizaçoes e militantes. Ora bem, a ninguém se lhe escapa que nesta ofensiva repressiva há aspectos novos, nalgumha medida surpreendentes, que nom foram desdobrados antes, polo menos desta forma tam atrevida (e nom nos referimos só ao despregamento abrumador de meios repressivos e mediáticos). O novo neste caso radica em que por primeira vez se involucra muito directamente num golpe repressivo (e por um tribunal político ou de excepçom) a umhas siglas (ainda sem ser o objectivo penal último do ataque), a toda umha organizaçom “legal” (“legal” em termos políticos e de actividade pública; em termos jurídicos AMI é umha associaçom “alegal”). Podemos dizer, portanto, que dentro da mesma estrategia ou modelo repressivo policial que vém imperando na Galiza desde 1993, os aparelhos repressivos do Estado espanhol exploram todas as suas potencialidades e virtualidades, esgotando possibilidades e recursos, à vez que modulam e readequam a sua panóplia de intervençoes ante jos_content necessidades. Já sabemos que as distintas receitas repressivas (ainda dentro de umha mesma formulaçom genérica) venhem explicitadas polas distintas necessidades, urgências e mudanças no cenário político-social em jogo. A pergunta, portanto, é lógica: há jos_content necessidades nos aparelhos de segurança do Estado e mudanças no cenário político-social independentista que justifiquem este redobrar de tambores nas cozinhas do Estado repressor espanhol? Sim, há-as. Por isso se levou a cabo esta operaçom e se executou da forma em que se fijo. A chave para entender o sucedido encontra-se no desenvolvimento continuado nos últimos anos (ainda que a pequena escala) da violência defensiva nacionalista e do estado de alerta e intranquilidade que nos apararelhos repressivos do Estado causou a última ofensiva violenta independentista de Julho de 2005, nas vésperas do dia da Pátria. Os aparelhos repressivos do Estado encontram-se com um germe activo violento (com vontade de incidir e de continuidade), parapetado num micro-mundo sócio-político, com ligaçons históricas, relativamente confuso e potencialmente desestabilizador. Os responsáveis policiais valoram que as vias de recadaçom de informaçom através de serviços próprios de informaçom, infiltrados, chivatos, confidentes, colaboradores ocasionais...etc, nom som suficientes, nem todo o qualitativas, globais e selectivas desde o ponto de vista policial e judicial, decidindo implementar jos_content medidas profilácticas combinadas com golpes certeiros de contençom. A procura maciça de informaçom (preventiva e de castigo) converte-se, portanto, numha prioridade ineludível. A estas alturas já sabemos que informaçom é poder, é prevençom, é controlo, é contençom, é inculpaçom, judicializaçom e cárcere, é avantagem sobre o adversário. A recadaçom massiva de informaçom preventiva e punitiva foi a prioridade, o objectivo básico da redada policial contra a Assembleia da Mocidade Independentista. Quando falamos de prioridade e objectivo fundamental, queremos dizer exactamente isto. Portanto é compatível com a simultaneidade doutros objetivos político-ideológicos e sociais (demonizaçom, bloqueio e paralisaçom, esgotamento anti-repressivo, atemorizaçom dos círculos sociais mais próximos e desconfiança dos mais lonjanos) que habitualmente estám presentes neste tipo de macro-processos repressivo-mediáticos, umhas vezes deliberadamente procurados pola estrategia repressiva policial e, outras vezes, simplesmente formando parte das balas autonomizadas dos poderes mediático-sociais. Foi muito generalizada, nos dias posteriores à posta em liberdade dos dez detidos e detidas, a percepçom de “metedura de pata” e de “ridículo judicial e policial”, acrescentada nos factos contrastados de umha resposta social solidária significativa, de umha certa refracçom da populaçom mais directamente em contacto com os locais e vivendas afectadas às chaves psico-sociais programadas neste tipo de processos, umha relativa indigestom manifesta publicamente por meios de comunicaçom, agentes sociais e políticos, da anunciada inibiçom da Audiência Nacional e umha compactaçom (polo menos imediata e nom issenta de contradiçoes nalgun casos) dos sectores políticos agredidos e intimidados. Esta percepçom tém umha parte de verdade, mas nom a devemos confundir com a verdade mesma; devemos admiti-la só como umha parte de um todo mais global. Por umha banda a Guardia Civil nom podia hipotecar o sucesso dumha operaçom desta envergadura (com o engadido deliberado da mobilizaçom importante de meios de comunicaçom) à chiripa de encontrar ou nom encontrar provas inculpatórias directas e concretas nas vivendas e locais intervidos de participaçoes pessoais em acçoes violentas ou otras provas inculpatórias semelhantes. E por outra banda o saqueio dos locais sociais é claro que se afasta da procura de informaçom estritamente punitiva. A prioridade ou objetivo básico do operativo repressivo foi a acumulaçom de informaçom estratégica. Informaçom quantitativo-qualitativa, informaçom prioritariamente preventiva de sondagem profunda do entramado sócio-político e auto-defensivo dos sectores combativos e potencialmente mais desestabilizadores (embora só o seja a um mínimo nível de ordem pública) e informaçom secundariamente punitiva de implicaçom das pessoas detidas em acçoes ou organizaçoes violentas concretas. Avonda com reparar nos fundamentos jurídico-penais do operativo repressivo (polo menos no que está a vista a dia de hoje, pois como já indicamos o sumário continua secreto) para decatar-se de que realmente o sucesso último do operativo policial nom se ía dirimir em termos de número de encarceramentos; embora se estes se produzissem entom a jogada seria mais crível e impactante. As “aparentes” vazas políticas que nos dêrom (“metedura de pata”, “ridículo”, compactaçom e relativo arroupamento social, etc.) som, se se quer, secundárias em quanto que conjunturais, e na medida em que o inimigo, acorde com as prioridades básicas estabelecidas, tem informaçom valiosíssima de controlo para planificar umha repressom selectiva e programada a curto e meio praço para eliminar politica e policialmente o sector que alimenta a estrategia da tensom social e da violência defensiva. Logicamente só cabe umha reflexom deste tipo se visualizamos a globalidade de cenários e tensoes que neste momento se encontram interligados. Se teimamos em olhar unicamente as árvores mais próximas jamais veremos o bosque inteiro. O inimigo é capaz de dar-nos hoje algumha vaza política se com isso pode ganhar, amanhá, a partida; se amanhá pode desactivar contundentemente a ameaça enfrentada. Cremos que sobram muitos comentários explicativos do por que se elegiu à Assembleia da Mocidade Independentista para esta montagem repressiva. Em primeiro lugar AMI oferece-lhe à Guardia Civil umha boa colecçom de pretextos (projecto político-ideológico, ligaçoes históricas, acumulaçom de incidências várias de corte ilegal ou para-legal...) mais ou menos críveis para conformar um pacote inculpatório que motive umha medida repressiva drástica por parte da Audiência Nacional. As detençoes massivas e o saqueio de vivendas e locais na procura de informaçom (aspecto fundamental da operaçom), só era possível com a montagem de um escaparate jurídico-penal (ainda que vago, difuso e demasiado inconcreto como para o seu sucesso penal, aspecto que por isso mesmo nom era umha prioridade global) como o plantejado pola Guardia Civil ante o julgado de instruçom da Audiência Nacional. Este escaparate foi mais que suficiente para motivar a operaçom policial por parte do tribunal especial espanhol. E com isto, os aparelhos repressivos do Estado acediam ao botim desejado. Em segundo lugar, os serviços de informaçom tenhem acotado, com mais ou menos acerto, neste sector político do independentismo e nos espaços sociais nos que se move e dos que se alimenta, o banco no que a sondagem informativa e as redes de arraste de informaçom podiam obter resultados estratégicos relevantes na luita contra a resistência galega. AS SOLIDARIEDADES Merece a pena determo-mos brevemente neste aspecto. Seguramente estamos ante um termo suficientemente polisémico, prenhado de múltiplas interpretaçoes, matizes e esclarecimentos. Provavelmente para a maioria de nós a “autêntica solidariedade”, nom poderia prescindir nunca do elemento essencial da identificaçom e partilhamento do mundo das utopias e compromissos. Mas sabemos que, além da “autêntica solidariedade”, há outras solidariedades, sujeitas, por assim dizê-lo, a parcialidades, oportunidades ou interesses diversos que nem sempre som espúrios. A solidariedade de Segi e a solidariedade de quem pede desde a legitimaçom geral das estruturas de poder causantes da repressom que se informe devidamente às e aos familiares, que se respeitem os direitos e a dignidade dos detidos e detidas e que estes nom sejam julgados na Audiência Nacional, é evidente que som solidariedades de distinto calado e motivaçom mas ambas as duas devem ser respeitadas e ambas as duas som úteis e necessárias. Por isso imos referir-nos à solidariedade como solidariedades, para poder acolher precisamente no seu seio todos os matizes e gradaçoes que se quiser. Assistimos durante e depois das detençoes a umha importante manifestaçom de solidariedades com AMI e com @s detid@s em geral. Quiçá por primeira vez a solidariedade era algo mais que dever e compromisso militante e rompia, embora timidamente, os círculos minoritários das próprias organizaçoes ou colectivos implicados directamente na repressom. Este facto, com a prudência de nom magnificá-lo gratuitamente, tem certa importância política que vai além dos titulares, os oportunismos e as trifulcas políticas (embora também haja um pouco de todo isto). Por isso devemos apreender a “gerir” (embora soe um pouco burocrático) de umha forma politica e socialmente saudável estas solidariedades. De entrada nom podemos filtrar implacavelmente pola máquina da verdade ou da autenticidade (em todo caso seria da “nossa” verdade e da “nossa” autenticidade) todas as solidariedades para seleccionar as espúrias, oportunistas e cínicas das verdadeiras e puras. De fazermo-lo assim provavelmente nom ficássemos mais que com o abraço d@ noss@ companheir@ de faixa. As solidariedades nom tenhem que implicar forçosamente partilhamento de métodos nem de estrategias nem de tácticas, nem sequer de objectivos políticos. As solidariedades, desde as puramente formais, possibilistas, legalistas até as mais políticas e ideológicas som todas importantes porque devem servir para conformar um pequeno muro de contençom social aos excessos, arbitrariedades e tentaçoes das estruturas repressivas do Estado. Isto pode nom ser relevante para quem vive nos bazares de trapalhadas de todo a 100, mas para quem tem que visitar as masmorras da Guardia Civil, quem se joga a vida, a saúde e a dignidade, nom é um aspecto nada banal. Nesta linha seria interessante trabalhar um espaço político e social plural de vigilância, controlo e intervençom rápida anti-repressiva ante futuras embestidas do Estado imperialista espanhol. Questom diferente é o desmascaramento claro de todas aquelas instituiçoes e organizaçoes políticas que activamente afortalam as estruturas e as políticas anti-terroristas repressivas do Estado, as animam e defendem no seu agir diário, fazendo visíveis as suas responsabilidades e contradiçoes. Este é também um labor de higiene política. Antom G. M. e Miguel G. N. fôrom detidos em Compostela e Ourense o passado 14 de Novembro por agentes da GC
 
À espera de configurar umha secçom própria dentro do portal para a publicaçom de blogues e artigos de opiniom d@s independentistas retaliad@s nos centros penitenciários, damos continuidade ao blogue da feminista e patriota galega Giana Rodrigues. Domingo, 11 de Setembro de 2005 As conduçons som um pesadelo. Recolhes rápido, montas os vultos num carrinho e face o módulo de ingressom com umha moreia de presas mais. Umha vez lá encerram-nos numha espécie de sala ampla e a aguardar. Ao cabo dum rato, surpresa!!!, chegam Ikerne e Regina, duas bascas que levavam três semanas em Soto e volviam para Ávila. Abraços, beijos, umha outra vez com umha voz amiga ao meu lado, umha outra vez deixo de estar só. Sobem-nos à cela e eu fico essa noite com Alda, umha brasileira encantadora com a que compartilhei muitas tardes no módulo 12 e essa tarde em Ingressos. Figemo-nos amigas, o certo é que as unions que se fam no cárcere som muito intensas apesar de ser curtas. Ao dia seguinte, cedo, temo-nos que erguer e baixam-nos da cela de novo. Depois do almoço um rato longo aguardando e o cacheio, mandam-nos subir ao furgom policial. Polo menos nom nos ponhem algemas com o qual podemos ir medianamente cómodas nessa espécie de cárcere com rodas. Dentro há cabinas bi-vaga, absolutamente claustrofóbicas com umha janela de 20 centímetros de cumprimento por dez de longo com um vidro e umha reixa por se acaso. À parte de Ikerne e Regina estavam a Nagore e a Arantxa que também andavam de conduçom em Soto (chegavam as quatro juntas), e as fôrom procurar ao módulo à noite para trazé-las a Ávila de novo. Também nos atopamos à Maider, e à Saioa, duas moças que conhecim no txopano que estám com um artigo 10 (primeiro grau preventivo). Todas de aventura nesses minicalabouços para Ávila, agás a Maider que ia para Teixeiro. Umha hora e vinte de conduçom e chegamos à nova prisom. Nada mais chegar impresionou-me a relaçom diferente com que nos tratavam as carcereiras e o pessoal da prisom em geral. A Ikerne e mais a mim metérom-nos juntas numha cela de ingressos e à tarde para o módulo. Dou-me pena despedir-me delas já que iam para o módulo vermelho e eu para o azul, a atopar-me de novo com a Amaia que já conhecera em Madrid V. Mas de certo que nos atoparemos por aqui com todas, é o bom que tem umha prisom tam pequena como esta. Quero fazer umha resenha histórica e recordar com emoçom a todas as pessoas assassinadas, que sofrírom e que sofrem ainda a ditadura de Pinochet no Chile, hoje é um dia especialmente gris para todas e todos eles. Ánimo, chilenas, algum dia faremos justiça! Terça-feira, 13 de Setembro de 2005 Já levo três dias cá e tenho umha moreia de impressons sobre a mudança. Em primeiro lugar tivem que trocar o chip agressivo que trazia de Madrid V para o trato com as carcereiras. Estas som bastante mais amáveis, bom, amáveis já que as de Soto som umhas déspotas mal-educadas, tes que andar aos gritos todo o dia com elas porque te tratam como se fosses um cam sarnoso. Cá há de todo, polo que me comentárom as companheiras, mas a imensa maioria som agradáveis. Nada mais chegar tivem umha pequena tangana com um chefe de serviço porque pretendia que me dobrara na cela. Mas finalmente lhe ganhei a batalha e nom me dobrou. Umha das compas, Carol, marchou para Soto o mesmo dia que cheguei eu, entom fiquei com a sua cela. Está no segundo andar com o qual olhas para o exterior da prisom, é umha passada, as do primeiro andar só vem muros, eu vejo umha entrada, luzes, algum mato, … algo de paisagem, se se lhe pode chamar assim… Quinta-feira, 15 de Setembro de 2005 Tenho umha moreia de companheiras de diferentes colectivos. Estám Amaia, Aritz e Itsaso do colectivo de presas bascas; Iolanda, Maria José e Maria Jesus, do Grapo-PCE(r); Carol, que é anarquista, e mais eu. Esta casualidade, que haja presas de todos os colectivos que existem, nom se dá em qualquer outra prisom. Temos umha sorte imensa já que assim podemos conhecer bastante de primeira mao todas as luitas que se dam no Estado espanhol. De facto decidimos dedicar um dia à semana a falar cada umha do seu movimento. Há que aproveitar as circunstáncias. Sábado, 17 de Setembro de 2005 Ontem tivemos a charla sobre o Grapo e dérom-na a Maria José e a Maria Jesus. Foi muito interessante, mas agradou-me descubrir que sabia mais desta organizaçom do que pensava, nom tanto da sua situaçom actual quanto do seu agir no passado. Nesta prisom –bom, mais bem no nosso módulo porque nos outros nom sucede-, deixam-nos ocupar umha salinha que está num recinto do módulo ao que chamam “área social” na que estamos a maior parte do dia metidas. Nom se usa para outra cousa e okupamo-la nós. Lá dentro fazemos manualidades, lemos, estudamos e é onde damos as charlas. É umha sorte imensa ter esse espaço que nos permete livrar-nos do ruído e dos fumos do módulo todo o dia. Segunda-feira, 19 de Setembro de 2005 Esta semana passada umha companheira basca saiu em liberdade (provisória baixo fiança, mas saiu à rua). Estas cousas dam muito ánimo, já que ver que a gente vai saindo te fai sentir a cada mais perto da rua. Da Galiza, da minha gente, do calor do meu país. É o mais duro da prisom: a incomunicaçom com quem te quere e a quem ti queres. Se nom for por isso quase nom percebia estar num cárcere. Muxus, Nagore, algum dia volveremo-nos atopar. Quarta-feira, 21 de Setembro de 2005 Esta semana estamos de celebraçom talegueira já que o 24 é a festa da Mercé que é a “santa” das presas e dos presos (Minha mae! Há santas para todo!). Há umha série de actos programados para toda a semana. Hoje, por exemplo, houvo um concerto de rock no salom de actos onde vinhérom quatro cinquentons que nos tocárom todas as cançons do verao desde que minha avó era nova até hoje, ou seja, Julio Iglesias, Mocedades, Juanes a a sua maldita “Camisa Negra”, passando por Pasión de Gavilanes (“Quién es ese hombre”) e polas Suprems de Móstoles. Um horror, finalmente parece que quigérom fazer honra ao seu suposto estilo rock e tocárom um par delas de Siniestro Total e algumha que outra mais “canheira”. Polo menos pudemos ver as companheiras do módulo vermelho. Sexta-feira, 23 de Setembro de 2005 Mais actuaçons. A de hoje foi terrível. Fôrom as sociais as que actuárom esta tarde, foi como ter umha regressom infantil aos festivais do colégio onde as moças faziam danças coordenadas entre elas, horríveis, cantavam... Bom, polo menos daquelas também havia algo de teatro e a nengumha se lhe ocorria fazer um play-back ou um streep tease... A volta à infáncia que produz a prisom em mulheres adultas e, inclusivamente, com experiências vitais muito intensas, é algo digno de comentar. Imagino que ao perderem o controlo sobre sim próprias, ao deixarem de lado as suas responsabilidades de mulheres adultas e ao dependerem tam explicitamente de outras pessoas, volves como a um estado de nenez, mas agora com altas doses de submissom. Nom é algo que se perceba constantemente, mas sim em ocasions pontuais como esta. Há que salientar mais cousas desta volta à infáncia: de que forma tam exagerada as mulheres estám educadas para serem objectos sexuais dos homens. Igual de crias nom se nota tanto, mas elas apesar de parecer crianças seguem a ser mulheres, pois podo assegurar que 90% das actuaçons tinham um conteúdo sexual implícito ou explícito, todas as danças, cançons,…. Todo. Salvo as marroquinas e as equatorianas que figérom umha dança típica do seu país (fermosíssimas, por certo), o resto dava mágoa. O tema da submissom também dá para muito, mas já me explaiarei um outro dia, que tem tema o assuntinho. Por certo, hoje há dous meses da minha detençom. Um beijo, Ugio, aguardo que estejas bem, hoje, de “aniversário”. Domingo, 25 de Setembro de 2005 Ontem foi a festividade da Mercé. Dérom-nos de jantar muito bem, langostino, cordeiro, presunto e até um copinho de sidra. Mas estou indignadíssima. O que vos parecer que o dia das presas nos encham o cárcere de fascistas? Pois sim, como escuitades. Pola manhá duas compas bascas fôrom comunicar e nom as deixárom saír da comunicaçom até que o grupo de polícias, políticos e toda a calanha que vos podedes imaginar estivérom a bom recaudo dentro do salom de actos. Eles, as mulheres e descendência, por suposto. A todo isto. que os petiscos que “jovialmente” se tragárom mentres estivérom cá cozinhárom-os as presas. Menuda festividade da Mercé, ou seja, os actores, cúmplices e mercenários que fam real o nosso sequestro venhem festejar “o noss dia”… Vivam as contradiçons! Nom vam festejar…: se nom houver presas nom teriam de que viver. Reciprocamente, que se inteirem, que se nom existisse gentalha assim, também nom estariamos nós cá. O sistema autodestruiria-se e nom precisariamos umha guerra para fazer justiça. Terça-feira, 27 de Setembro de 2005 Ontem fizérom dous meses do meu ingressom em prisom. Lembro esse dia com certa ledícia e certo alívio porque significava a fim dos interrogatórios e da nossa estáncia nos calabouços, tanto da polícia, quanto da Audiência Nazi. A prisom é como liberar umha tonelada de tensom e agóbio. Porfim nos deixavam tranqüilas, em paz. O nosso passo polos calabouços nom foi muito duro, há testemunhas terríveis da gente que se lhe para o coraçom e morre, ou inclusivamente casos de violaçons de um grupo de madeiros a umha detida. Podemos dizer que fomos afortunadas porque nom empregaram a violência física contra nós. Mas sicologicamente sim ficas tocada. Ameaças e interrogatórios durante três dias é impossível que nom te afectem. No meu caso o pior momento foi o registo da casa da minha família. Mas bom, já se passou todo. Quinta-feira, 29 de Setembro de 2005 Ontem tivemos umha das últimas festividades da Mercé. Partido de futbito do módulo vermelho contra o azul. Por suposto ganhárom as nossas, mas o certo é que foi muito divertido. Umha forma marabilhosa de liberar tensom e adrenalina, animando e cantando goles como se estivessemos vendo umha final da Champions League. Som bem boas estas mulheres, o que se perdem os homens nom deixando-as participar no fútebol oficial, mas já sabemos como é o machismo de estúpido….
 
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