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As urgências impostas pola vaga repressiva iniciada em toda a Galiza o passado 14 de Novembro impediam olhar além das consequências imediatas e, por dizê-lo com outras palavras, ver o bosque do conjunto do operativo policial, mediático e judicial dessatado contra o independentismo. Achegamos um artigo assinado por dous dos detidos na "Operaçom Castinheira" no que se analisam os objectivos e a lógica interna do operativo repressivo por cima da imediatez dos factos, a distorçom mediática dos mesmos e quando o sumário judicial ainda continua baixo secreto. DETENÇOES DO 14 DE NOVEMBRO DE 2005 A redada policial contra a Assembleia da Mocidade Independentista tivo a suficiente releváncia policial, social e política como para que lhe dediquemos um mínimo momento de reflexom. Contamos já com um pouco de perspectiva do sucedido, mas ainda nom podemos ter umha visom afinada e global deste golpe repressivo por duas razoes fundamentais: a primeira é que ainda estamos imersos no vértice do tempo repressivo desta ofensiva; a segunda, é que a justiça espanhola decretou o secreto de sumário, polo que todas as diligências efectuadas (com as suas consideraçoes e particularidades informativas e políticas) som-nos (a detid@s e advogad@s) totalmente desconhecidas. Contemplando estas premissas prévias procedemos a umha análise de urgência que nos ajude a entender este golpe policial nas suas fundamentaçoes básicas, assim como valorizar aqueles aspectos colaterais directamente implicados numha operaçom destas características. É umha obviedade dizê-lo a estas alturas, mas devemos começar por aqui. A ofensiva repressiva vivida foi relevante nom só midiaticamente mas também objectivamente. O termo relevante estabelece-se, naturalmente, em funçom do que somos, das nossas forças e das nossas potencialidades. Tanto quantitativa (número de detidos, quantidade de material intervido, despregamento realizado, meios mobilizados...) quanto qualitativamente (órgao jurisdicional implicado, informaçom acumulada e efeitos psico-sociais difundidos) foi o intento mais sério (que nom equivale automaticamente a sucesso imediato ou diferido) dos últimos 10 anos na Galiza por alcançar umha parte importante, nuclear, do desenvolvimento estratégico do independentismo revolucionário (na sua actual formulaçom político-organizativa e nas suas apostas básicas). Relevante nom quer dizer novidoso. Nom há um novo modelo ou estrategia repressiva contra o independentismo, que contemple umha “repressom política” além da repressom estritamente “técnico-policial”. Nom o há actualmente nem é previsível que o vaia a haver a curto praço. A Assembleia da Mocidade Independentista nem nengumha outra organizaçom independentista galega está na agenda das ilegalizaçoes políticas do Estado espanhol, nem o vai estar, previsivelmente, a curto praço. Cousa bem distinta é que o Estado e/ou os seus agentes mediáticos tonteiem ou enredem com esta possibilidade, buscando, em todo o caso, uns efeitos políticos e sociais determinados. Este aspecto é importante tê-lo presente em momentos nos que a rumorologia, as especulaçoes mais peregrinas e a venda de trapalhadas nos bazares de todo a 100 causam autêntico furor. No que nos afecta a nós, aqui e agora, o actual modelo ou estrategia repressiva continua enquadrando-se dentro do que conhecemos genericamente como repressom estritamente policial, da qual se derivam duas aplicaçoes práticas como som a repressom preventiva (que ainda impera em boa medida) e a repressom de contençom. A repressom preventiva, cujo paradigma mais próximo e actual temo-lo nas redadas maciças efectuadas em distintos países europeus contra supostas redes invisíveis de “terroristas” islámicos, busca adiantar-se, conjurar um perigo potencial, cercar e minar socialmente um determinado movimento e acaparar grandes quantidades de informaçom sobre o adversário ou potencial adversário e os seus círculos sociais. A repressom de contençom, muitas vezes imbricada com a anterior, persegue golpear policialmente os sectores políticos que já desafiam abertamente o monopólio da violência do Estado. Podíamos engadir-lhe a esta repressom policial aquilo tam conchecido de “baixa intensidade”, mas cremos que realmente nom é substancial qualquer acotaçom em quanto à sua graduaçom. Pode ser de baixa intensidade para um Estado punitivo à vez que realmente padecida como de alta voltagem mortal polas nossas organizaçoes e militantes. Ora bem, a ninguém se lhe escapa que nesta ofensiva repressiva há aspectos novos, nalgumha medida surpreendentes, que nom foram desdobrados antes, polo menos desta forma tam atrevida (e nom nos referimos só ao despregamento abrumador de meios repressivos e mediáticos). O novo neste caso radica em que por primeira vez se involucra muito directamente num golpe repressivo (e por um tribunal político ou de excepçom) a umhas siglas (ainda sem ser o objectivo penal último do ataque), a toda umha organizaçom “legal” (“legal” em termos políticos e de actividade pública; em termos jurídicos AMI é umha associaçom “alegal”). Podemos dizer, portanto, que dentro da mesma estrategia ou modelo repressivo policial que vém imperando na Galiza desde 1993, os aparelhos repressivos do Estado espanhol exploram todas as suas potencialidades e virtualidades, esgotando possibilidades e recursos, à vez que modulam e readequam a sua panóplia de intervençoes ante jos_content necessidades. Já sabemos que as distintas receitas repressivas (ainda dentro de umha mesma formulaçom genérica) venhem explicitadas polas distintas necessidades, urgências e mudanças no cenário político-social em jogo. A pergunta, portanto, é lógica: há jos_content necessidades nos aparelhos de segurança do Estado e mudanças no cenário político-social independentista que justifiquem este redobrar de tambores nas cozinhas do Estado repressor espanhol? Sim, há-as. Por isso se levou a cabo esta operaçom e se executou da forma em que se fijo. A chave para entender o sucedido encontra-se no desenvolvimento continuado nos últimos anos (ainda que a pequena escala) da violência defensiva nacionalista e do estado de alerta e intranquilidade que nos apararelhos repressivos do Estado causou a última ofensiva violenta independentista de Julho de 2005, nas vésperas do dia da Pátria. Os aparelhos repressivos do Estado encontram-se com um germe activo violento (com vontade de incidir e de continuidade), parapetado num micro-mundo sócio-político, com ligaçons históricas, relativamente confuso e potencialmente desestabilizador. Os responsáveis policiais valoram que as vias de recadaçom de informaçom através de serviços próprios de informaçom, infiltrados, chivatos, confidentes, colaboradores ocasionais...etc, nom som suficientes, nem todo o qualitativas, globais e selectivas desde o ponto de vista policial e judicial, decidindo implementar jos_content medidas profilácticas combinadas com golpes certeiros de contençom. A procura maciça de informaçom (preventiva e de castigo) converte-se, portanto, numha prioridade ineludível. A estas alturas já sabemos que informaçom é poder, é prevençom, é controlo, é contençom, é inculpaçom, judicializaçom e cárcere, é avantagem sobre o adversário. A recadaçom massiva de informaçom preventiva e punitiva foi a prioridade, o objectivo básico da redada policial contra a Assembleia da Mocidade Independentista. Quando falamos de prioridade e objectivo fundamental, queremos dizer exactamente isto. Portanto é compatível com a simultaneidade doutros objetivos político-ideológicos e sociais (demonizaçom, bloqueio e paralisaçom, esgotamento anti-repressivo, atemorizaçom dos círculos sociais mais próximos e desconfiança dos mais lonjanos) que habitualmente estám presentes neste tipo de macro-processos repressivo-mediáticos, umhas vezes deliberadamente procurados pola estrategia repressiva policial e, outras vezes, simplesmente formando parte das balas autonomizadas dos poderes mediático-sociais. Foi muito generalizada, nos dias posteriores à posta em liberdade dos dez detidos e detidas, a percepçom de “metedura de pata” e de “ridículo judicial e policial”, acrescentada nos factos contrastados de umha resposta social solidária significativa, de umha certa refracçom da populaçom mais directamente em contacto com os locais e vivendas afectadas às chaves psico-sociais programadas neste tipo de processos, umha relativa indigestom manifesta publicamente por meios de comunicaçom, agentes sociais e políticos, da anunciada inibiçom da Audiência Nacional e umha compactaçom (polo menos imediata e nom issenta de contradiçoes nalgun casos) dos sectores políticos agredidos e intimidados. Esta percepçom tém umha parte de verdade, mas nom a devemos confundir com a verdade mesma; devemos admiti-la só como umha parte de um todo mais global. Por umha banda a Guardia Civil nom podia hipotecar o sucesso dumha operaçom desta envergadura (com o engadido deliberado da mobilizaçom importante de meios de comunicaçom) à chiripa de encontrar ou nom encontrar provas inculpatórias directas e concretas nas vivendas e locais intervidos de participaçoes pessoais em acçoes violentas ou otras provas inculpatórias semelhantes. E por outra banda o saqueio dos locais sociais é claro que se afasta da procura de informaçom estritamente punitiva. A prioridade ou objetivo básico do operativo repressivo foi a acumulaçom de informaçom estratégica. Informaçom quantitativo-qualitativa, informaçom prioritariamente preventiva de sondagem profunda do entramado sócio-político e auto-defensivo dos sectores combativos e potencialmente mais desestabilizadores (embora só o seja a um mínimo nível de ordem pública) e informaçom secundariamente punitiva de implicaçom das pessoas detidas em acçoes ou organizaçoes violentas concretas. Avonda com reparar nos fundamentos jurídico-penais do operativo repressivo (polo menos no que está a vista a dia de hoje, pois como já indicamos o sumário continua secreto) para decatar-se de que realmente o sucesso último do operativo policial nom se ía dirimir em termos de número de encarceramentos; embora se estes se produzissem entom a jogada seria mais crível e impactante. As “aparentes” vazas políticas que nos dêrom (“metedura de pata”, “ridículo”, compactaçom e relativo arroupamento social, etc.) som, se se quer, secundárias em quanto que conjunturais, e na medida em que o inimigo, acorde com as prioridades básicas estabelecidas, tem informaçom valiosíssima de controlo para planificar umha repressom selectiva e programada a curto e meio praço para eliminar politica e policialmente o sector que alimenta a estrategia da tensom social e da violência defensiva. Logicamente só cabe umha reflexom deste tipo se visualizamos a globalidade de cenários e tensoes que neste momento se encontram interligados. Se teimamos em olhar unicamente as árvores mais próximas jamais veremos o bosque inteiro. O inimigo é capaz de dar-nos hoje algumha vaza política se com isso pode ganhar, amanhá, a partida; se amanhá pode desactivar contundentemente a ameaça enfrentada. Cremos que sobram muitos comentários explicativos do por que se elegiu à Assembleia da Mocidade Independentista para esta montagem repressiva. Em primeiro lugar AMI oferece-lhe à Guardia Civil umha boa colecçom de pretextos (projecto político-ideológico, ligaçoes históricas, acumulaçom de incidências várias de corte ilegal ou para-legal...) mais ou menos críveis para conformar um pacote inculpatório que motive umha medida repressiva drástica por parte da Audiência Nacional. As detençoes massivas e o saqueio de vivendas e locais na procura de informaçom (aspecto fundamental da operaçom), só era possível com a montagem de um escaparate jurídico-penal (ainda que vago, difuso e demasiado inconcreto como para o seu sucesso penal, aspecto que por isso mesmo nom era umha prioridade global) como o plantejado pola Guardia Civil ante o julgado de instruçom da Audiência Nacional. Este escaparate foi mais que suficiente para motivar a operaçom policial por parte do tribunal especial espanhol. E com isto, os aparelhos repressivos do Estado acediam ao botim desejado. Em segundo lugar, os serviços de informaçom tenhem acotado, com mais ou menos acerto, neste sector político do independentismo e nos espaços sociais nos que se move e dos que se alimenta, o banco no que a sondagem informativa e as redes de arraste de informaçom podiam obter resultados estratégicos relevantes na luita contra a resistência galega. AS SOLIDARIEDADES Merece a pena determo-mos brevemente neste aspecto. Seguramente estamos ante um termo suficientemente polisémico, prenhado de múltiplas interpretaçoes, matizes e esclarecimentos. Provavelmente para a maioria de nós a “autêntica solidariedade”, nom poderia prescindir nunca do elemento essencial da identificaçom e partilhamento do mundo das utopias e compromissos. Mas sabemos que, além da “autêntica solidariedade”, há outras solidariedades, sujeitas, por assim dizê-lo, a parcialidades, oportunidades ou interesses diversos que nem sempre som espúrios. A solidariedade de Segi e a solidariedade de quem pede desde a legitimaçom geral das estruturas de poder causantes da repressom que se informe devidamente às e aos familiares, que se respeitem os direitos e a dignidade dos detidos e detidas e que estes nom sejam julgados na Audiência Nacional, é evidente que som solidariedades de distinto calado e motivaçom mas ambas as duas devem ser respeitadas e ambas as duas som úteis e necessárias. Por isso imos referir-nos à solidariedade como solidariedades, para poder acolher precisamente no seu seio todos os matizes e gradaçoes que se quiser. Assistimos durante e depois das detençoes a umha importante manifestaçom de solidariedades com AMI e com @s detid@s em geral. Quiçá por primeira vez a solidariedade era algo mais que dever e compromisso militante e rompia, embora timidamente, os círculos minoritários das próprias organizaçoes ou colectivos implicados directamente na repressom. Este facto, com a prudência de nom magnificá-lo gratuitamente, tem certa importância política que vai além dos titulares, os oportunismos e as trifulcas políticas (embora também haja um pouco de todo isto). Por isso devemos apreender a “gerir” (embora soe um pouco burocrático) de umha forma politica e socialmente saudável estas solidariedades. De entrada nom podemos filtrar implacavelmente pola máquina da verdade ou da autenticidade (em todo caso seria da “nossa” verdade e da “nossa” autenticidade) todas as solidariedades para seleccionar as espúrias, oportunistas e cínicas das verdadeiras e puras. De fazermo-lo assim provavelmente nom ficássemos mais que com o abraço d@ noss@ companheir@ de faixa. As solidariedades nom tenhem que implicar forçosamente partilhamento de métodos nem de estrategias nem de tácticas, nem sequer de objectivos políticos. As solidariedades, desde as puramente formais, possibilistas, legalistas até as mais políticas e ideológicas som todas importantes porque devem servir para conformar um pequeno muro de contençom social aos excessos, arbitrariedades e tentaçoes das estruturas repressivas do Estado. Isto pode nom ser relevante para quem vive nos bazares de trapalhadas de todo a 100, mas para quem tem que visitar as masmorras da Guardia Civil, quem se joga a vida, a saúde e a dignidade, nom é um aspecto nada banal. Nesta linha seria interessante trabalhar um espaço político e social plural de vigilância, controlo e intervençom rápida anti-repressiva ante futuras embestidas do Estado imperialista espanhol. Questom diferente é o desmascaramento claro de todas aquelas instituiçoes e organizaçoes políticas que activamente afortalam as estruturas e as políticas anti-terroristas repressivas do Estado, as animam e defendem no seu agir diário, fazendo visíveis as suas responsabilidades e contradiçoes. Este é também um labor de higiene política. Antom G. M. e Miguel G. N. fôrom detidos em Compostela e Ourense o passado 14 de Novembro por agentes da GC
 
À espera de configurar umha secçom própria dentro do portal para a publicaçom de blogues e artigos de opiniom d@s independentistas retaliad@s nos centros penitenciários, damos continuidade ao blogue da feminista e patriota galega Giana Rodrigues. Domingo, 11 de Setembro de 2005 As conduçons som um pesadelo. Recolhes rápido, montas os vultos num carrinho e face o módulo de ingressom com umha moreia de presas mais. Umha vez lá encerram-nos numha espécie de sala ampla e a aguardar. Ao cabo dum rato, surpresa!!!, chegam Ikerne e Regina, duas bascas que levavam três semanas em Soto e volviam para Ávila. Abraços, beijos, umha outra vez com umha voz amiga ao meu lado, umha outra vez deixo de estar só. Sobem-nos à cela e eu fico essa noite com Alda, umha brasileira encantadora com a que compartilhei muitas tardes no módulo 12 e essa tarde em Ingressos. Figemo-nos amigas, o certo é que as unions que se fam no cárcere som muito intensas apesar de ser curtas. Ao dia seguinte, cedo, temo-nos que erguer e baixam-nos da cela de novo. Depois do almoço um rato longo aguardando e o cacheio, mandam-nos subir ao furgom policial. Polo menos nom nos ponhem algemas com o qual podemos ir medianamente cómodas nessa espécie de cárcere com rodas. Dentro há cabinas bi-vaga, absolutamente claustrofóbicas com umha janela de 20 centímetros de cumprimento por dez de longo com um vidro e umha reixa por se acaso. À parte de Ikerne e Regina estavam a Nagore e a Arantxa que também andavam de conduçom em Soto (chegavam as quatro juntas), e as fôrom procurar ao módulo à noite para trazé-las a Ávila de novo. Também nos atopamos à Maider, e à Saioa, duas moças que conhecim no txopano que estám com um artigo 10 (primeiro grau preventivo). Todas de aventura nesses minicalabouços para Ávila, agás a Maider que ia para Teixeiro. Umha hora e vinte de conduçom e chegamos à nova prisom. Nada mais chegar impresionou-me a relaçom diferente com que nos tratavam as carcereiras e o pessoal da prisom em geral. A Ikerne e mais a mim metérom-nos juntas numha cela de ingressos e à tarde para o módulo. Dou-me pena despedir-me delas já que iam para o módulo vermelho e eu para o azul, a atopar-me de novo com a Amaia que já conhecera em Madrid V. Mas de certo que nos atoparemos por aqui com todas, é o bom que tem umha prisom tam pequena como esta. Quero fazer umha resenha histórica e recordar com emoçom a todas as pessoas assassinadas, que sofrírom e que sofrem ainda a ditadura de Pinochet no Chile, hoje é um dia especialmente gris para todas e todos eles. Ánimo, chilenas, algum dia faremos justiça! Terça-feira, 13 de Setembro de 2005 Já levo três dias cá e tenho umha moreia de impressons sobre a mudança. Em primeiro lugar tivem que trocar o chip agressivo que trazia de Madrid V para o trato com as carcereiras. Estas som bastante mais amáveis, bom, amáveis já que as de Soto som umhas déspotas mal-educadas, tes que andar aos gritos todo o dia com elas porque te tratam como se fosses um cam sarnoso. Cá há de todo, polo que me comentárom as companheiras, mas a imensa maioria som agradáveis. Nada mais chegar tivem umha pequena tangana com um chefe de serviço porque pretendia que me dobrara na cela. Mas finalmente lhe ganhei a batalha e nom me dobrou. Umha das compas, Carol, marchou para Soto o mesmo dia que cheguei eu, entom fiquei com a sua cela. Está no segundo andar com o qual olhas para o exterior da prisom, é umha passada, as do primeiro andar só vem muros, eu vejo umha entrada, luzes, algum mato, … algo de paisagem, se se lhe pode chamar assim… Quinta-feira, 15 de Setembro de 2005 Tenho umha moreia de companheiras de diferentes colectivos. Estám Amaia, Aritz e Itsaso do colectivo de presas bascas; Iolanda, Maria José e Maria Jesus, do Grapo-PCE(r); Carol, que é anarquista, e mais eu. Esta casualidade, que haja presas de todos os colectivos que existem, nom se dá em qualquer outra prisom. Temos umha sorte imensa já que assim podemos conhecer bastante de primeira mao todas as luitas que se dam no Estado espanhol. De facto decidimos dedicar um dia à semana a falar cada umha do seu movimento. Há que aproveitar as circunstáncias. Sábado, 17 de Setembro de 2005 Ontem tivemos a charla sobre o Grapo e dérom-na a Maria José e a Maria Jesus. Foi muito interessante, mas agradou-me descubrir que sabia mais desta organizaçom do que pensava, nom tanto da sua situaçom actual quanto do seu agir no passado. Nesta prisom –bom, mais bem no nosso módulo porque nos outros nom sucede-, deixam-nos ocupar umha salinha que está num recinto do módulo ao que chamam “área social” na que estamos a maior parte do dia metidas. Nom se usa para outra cousa e okupamo-la nós. Lá dentro fazemos manualidades, lemos, estudamos e é onde damos as charlas. É umha sorte imensa ter esse espaço que nos permete livrar-nos do ruído e dos fumos do módulo todo o dia. Segunda-feira, 19 de Setembro de 2005 Esta semana passada umha companheira basca saiu em liberdade (provisória baixo fiança, mas saiu à rua). Estas cousas dam muito ánimo, já que ver que a gente vai saindo te fai sentir a cada mais perto da rua. Da Galiza, da minha gente, do calor do meu país. É o mais duro da prisom: a incomunicaçom com quem te quere e a quem ti queres. Se nom for por isso quase nom percebia estar num cárcere. Muxus, Nagore, algum dia volveremo-nos atopar. Quarta-feira, 21 de Setembro de 2005 Esta semana estamos de celebraçom talegueira já que o 24 é a festa da Mercé que é a “santa” das presas e dos presos (Minha mae! Há santas para todo!). Há umha série de actos programados para toda a semana. Hoje, por exemplo, houvo um concerto de rock no salom de actos onde vinhérom quatro cinquentons que nos tocárom todas as cançons do verao desde que minha avó era nova até hoje, ou seja, Julio Iglesias, Mocedades, Juanes a a sua maldita “Camisa Negra”, passando por Pasión de Gavilanes (“Quién es ese hombre”) e polas Suprems de Móstoles. Um horror, finalmente parece que quigérom fazer honra ao seu suposto estilo rock e tocárom um par delas de Siniestro Total e algumha que outra mais “canheira”. Polo menos pudemos ver as companheiras do módulo vermelho. Sexta-feira, 23 de Setembro de 2005 Mais actuaçons. A de hoje foi terrível. Fôrom as sociais as que actuárom esta tarde, foi como ter umha regressom infantil aos festivais do colégio onde as moças faziam danças coordenadas entre elas, horríveis, cantavam... Bom, polo menos daquelas também havia algo de teatro e a nengumha se lhe ocorria fazer um play-back ou um streep tease... A volta à infáncia que produz a prisom em mulheres adultas e, inclusivamente, com experiências vitais muito intensas, é algo digno de comentar. Imagino que ao perderem o controlo sobre sim próprias, ao deixarem de lado as suas responsabilidades de mulheres adultas e ao dependerem tam explicitamente de outras pessoas, volves como a um estado de nenez, mas agora com altas doses de submissom. Nom é algo que se perceba constantemente, mas sim em ocasions pontuais como esta. Há que salientar mais cousas desta volta à infáncia: de que forma tam exagerada as mulheres estám educadas para serem objectos sexuais dos homens. Igual de crias nom se nota tanto, mas elas apesar de parecer crianças seguem a ser mulheres, pois podo assegurar que 90% das actuaçons tinham um conteúdo sexual implícito ou explícito, todas as danças, cançons,…. Todo. Salvo as marroquinas e as equatorianas que figérom umha dança típica do seu país (fermosíssimas, por certo), o resto dava mágoa. O tema da submissom também dá para muito, mas já me explaiarei um outro dia, que tem tema o assuntinho. Por certo, hoje há dous meses da minha detençom. Um beijo, Ugio, aguardo que estejas bem, hoje, de “aniversário”. Domingo, 25 de Setembro de 2005 Ontem foi a festividade da Mercé. Dérom-nos de jantar muito bem, langostino, cordeiro, presunto e até um copinho de sidra. Mas estou indignadíssima. O que vos parecer que o dia das presas nos encham o cárcere de fascistas? Pois sim, como escuitades. Pola manhá duas compas bascas fôrom comunicar e nom as deixárom saír da comunicaçom até que o grupo de polícias, políticos e toda a calanha que vos podedes imaginar estivérom a bom recaudo dentro do salom de actos. Eles, as mulheres e descendência, por suposto. A todo isto. que os petiscos que “jovialmente” se tragárom mentres estivérom cá cozinhárom-os as presas. Menuda festividade da Mercé, ou seja, os actores, cúmplices e mercenários que fam real o nosso sequestro venhem festejar “o noss dia”… Vivam as contradiçons! Nom vam festejar…: se nom houver presas nom teriam de que viver. Reciprocamente, que se inteirem, que se nom existisse gentalha assim, também nom estariamos nós cá. O sistema autodestruiria-se e nom precisariamos umha guerra para fazer justiça. Terça-feira, 27 de Setembro de 2005 Ontem fizérom dous meses do meu ingressom em prisom. Lembro esse dia com certa ledícia e certo alívio porque significava a fim dos interrogatórios e da nossa estáncia nos calabouços, tanto da polícia, quanto da Audiência Nazi. A prisom é como liberar umha tonelada de tensom e agóbio. Porfim nos deixavam tranqüilas, em paz. O nosso passo polos calabouços nom foi muito duro, há testemunhas terríveis da gente que se lhe para o coraçom e morre, ou inclusivamente casos de violaçons de um grupo de madeiros a umha detida. Podemos dizer que fomos afortunadas porque nom empregaram a violência física contra nós. Mas sicologicamente sim ficas tocada. Ameaças e interrogatórios durante três dias é impossível que nom te afectem. No meu caso o pior momento foi o registo da casa da minha família. Mas bom, já se passou todo. Quinta-feira, 29 de Setembro de 2005 Ontem tivemos umha das últimas festividades da Mercé. Partido de futbito do módulo vermelho contra o azul. Por suposto ganhárom as nossas, mas o certo é que foi muito divertido. Umha forma marabilhosa de liberar tensom e adrenalina, animando e cantando goles como se estivessemos vendo umha final da Champions League. Som bem boas estas mulheres, o que se perdem os homens nom deixando-as participar no fútebol oficial, mas já sabemos como é o machismo de estúpido….
 
O bipartido PSOE-BNG tem demonstrado em mais de umha ocasiom o seu interesse na configuraçom dum corpo policial próprio para o âmbito da CAG. Segundo informaçom de agências publicada hoje, a unidade da Polícia espanhola adscrita à administraçom autonómica passaria de ter 350 e 500 agentes para primeiros de 2006. O dado foi anunciado polo vazquista e titular de Presidência Méndez Romeu (PSOE) que assegurou que este é um passo relavante face a criaçom da Polícia Autonómica. “Com este incremento já estariamos em condiçons óptimas para abordar o novo marco legal”, afirmou Méndez. O alto funcionário apontou aliás que “a segurança pública na Galiza está magnificamente garantida pola Guardia Civil e a Polícia” espanhola, mas seria necessário o novo corpo para “aqueles serviços que a experiência destes anos demonstrou que funcionariam melhor sob dependência autonómica”. Sobre a posiçom da futura Polícia Autonómica no desenho policial da CAG, Méndez Romeu assinalou que desempenhará as suas funçons “dentro da estrita coordenaçom com as forças e corpos de segurança do Estado”. O titular de Presidência assistia ontem na capital galega à entrega de seis turismos, quatro todo-terrenos e quatro monovolumes à unidade da Polícia espanhola adscrita às instituiçons da CAG através dum investimento de 340.000 euros.
 
Damos hoje saída a um artigo de opiniom redigido e enviado polo preso independentista galego Ugio Caamanho, recluido na prisom de Navalcarnero (Madrid) a centos de quilómetros da Galiza. O breve texto aborda a capacidade da mídia para gerar estados de opiniom e pensamento e a importáncia de dispormos de meios de comunicaçom realmente populares. O “debate social” o pesebre Acho que começo a gostar da Cidade da Cultura. Por isso de levar a contrária, que num país como o nosso converte-se numha militáncia de grande valor cívico, como umha prática de higiene social que alguém tem que fazer, trate-se do tema que se trate. Quando o PP conservava a chave da despensa, até há uns meses, nom se podia dizer em público nada contra o mausoleu desenhado por Eisenman. Certo que no Bloco existiam rezeios, mas cuidavam-se muito de manfestá-los em voz muito alta por aquilo de livrar-se da imagem do “nom ao progresso”, nom à autoestrada do Atlántico e todo aquilo. E os intelectuais? Escritores, músicos, arquitectas, ou bem aplaudírom o projecto ou bem calárom a boca. Nem um manifesto “nom-no-meu-nome” figérom circular. Estamos sós, como sempre. @s independentistas sós com mais de cinquenta por cento da populaçom, também contrária às obras. E levamos a contrária, como sempre, sem titubeios nem ambigüidades. Ah, mas já som outros que governam o pesebre, e La Voz de Galicia lança agora (agora!) umha campanha contra a Cidade da Cultura. Campanha: eles dizem-lhe “impulsionar um debate social”. Como o “debate social” que impulsionárom contra o BNG de Vigo e a favor do protonazi Ventura Pérez, ou o que recuperou e reivindicou o Plano Galiza, ou o de desgaste de Lores, ou o do “feísmo”. Óptimo, La Voz pode fazer o que lhe pete para favorecer-se a sim mesma e os seus ingressos institucionais (por “normalizaçom lingüística”, por exemplo), ou para botar umha mao aos seus protegidos, é dizer, a asa cavernícola do PSOE. O escandaloso nom é que o intente. O escandaloso é que o consiga. Que lhe bastem duas ou três capas para que o PSOE e o BNG deixem de menospreciar o Plano Galiza e se virem os seus máximos defensores; que com “impulsionar um debate social” consiga fazer tragar à populaçom e ao nacionalismo institucional (excepto o ecologismo) projectos como o de Reganosa, o AVE, autoestradas, etc. Ou fazer da Cidade da Cultura um escárnio recém descoberto, para o País e para A Corunha… O trágico de todo isto é que revela a incapacidade do movimento popular para marcar a sua própria agenda política, para rachar com a “correcçom política” que estabelece La Voz e que nos diz “o Plano Galiza é bom”, “as infraestruturas rodoviárias som condiçons para o desenvolvimento”, “Reganosa contribuirá ao progresso económico de Trasancos”, e assim sucessivamente. Aceitadas essas verdades, apenas resta a opçom de competir com o PP e o PSOE em gritar “Maís! Mais!”, “Mais rápido!” e assegurar que “Nós fariamo-lo melhor”. Claro, com tal dependência da ideologia oficial resulta difícil propormo-nos objectivos ambiciosos, quando pensamos em temas nos que a cadeia do pensamento único se aperta mais e mais, como a questom nacional. A ver quem se atreve a mencionar a autodeterminaçom diante dum jornalista de La Voz, por exemplo. De todo isto, e sobretodo com o caso espectacular da Cidade da Cultura, desprendem-se duas liçons claras. A primeira, que cumpre desconectar-se dumha vez da “imprensa livre”: ou consolidamos meios de comunicaçom populares ou seguiremos a ser toda a vida marionetas dos de sempre. A segunda, que a maioria desses intelectuais e políticos que agora se botam as maos à cabeça polo desmedido, irracional e esbanjador do mausoleu de Fraga, atendem única e exclusivamente ao dono do pesebre. Cumpre sabé-lo para nom levarmo-nos a engano: essa é a nossa “intelectualidade”. E mentres tanto, nom se passa nada. Nós ao nosso: a a seguir, como dizia o outro, dando gritos em plena sesta cívica. Ugio Caamanho Sam-Tisso, preso independentista galego Navalcarnero-Madrid (Espanha)
 
Domingo 18 de Dezembro na Alameda da capital galega a partir das 12:30 da manhá. É a data, local e hora da mobilizaçom nacional que venhem de acordar umha série de colectivos, associaçons e organizaçons de todo o País em defesa das liberdades democráticas e contra a repressom. A que se projecta como umha importante manifestaçom que recabará todo o tipo de apoios sociais, políticos, culturais e sindicais sae à luz trás o salto qualitativo que supujo a recente detençom de dez militantes da AMI, o assalto a centros sociais e domicílios particulares pola Guardia Civil e a suspensom policial de duas páginas web independentistas. AMI, Ceivar, Sociedade Cultural e Desportiva do Condado (SCD), Agir, PCPG, Bases Democráticas Galegas (BDG), Briga, Centro Social Atreu da Corunha, jos_content da Galiza, Rádio Kalimero, PreSOS, Movimento polos Direitos Cívicos, Grupo Ecologista Erva, NÓS-Unidade Popular, Local Social Revolta de Vigo, portal galizalivre.org, MNG, Siareir@s Galeg@s, JCG, Casa Encantada, Centro Social Henriqueta Outeiro de Compostela, Baiuca Vermelha do Condado, Local Social A Esmorga de Ourense, Local Social O Pichel de Compostela, Colectivo antifascista O Piloto de Lugo, etc. conformam a nómina inicial e ampliável de associaçons, colectivos e entidades que ontem aderiam à celebraçom da citada mobilizaçom de 18 de Dezembro. As entidades participantes da iniciativa acordavam a redacçom dum manifesto público por volta da denúncia do processo regressivo que sofrem as liberdades democráticas no nosso País nos últimos anos, a criminalizaçom de ideias e organizaçons –particularmente, a mocidade independentista- e os ataques institucionais à autoorganizaçom popular em todas as suas formas. Resolviam, aliás, que a convocatória nacional obviasse o protagonismo de siglas e organizaçons, concorrendo todas as participantes sob a denominaçom “Plataforma galega em defesa dos nossos direitos. Paremos a repressom”. Convocatória aberta e ampla A iniciativa posta ontem em andamento vem reformular parcialmente umha outra anterior difundida por diversos sítios web independentistas que, no entanto, nom lograra recabar umha quantidade significativa de apoios e provocara certa confusom. O facto de a adesom à mobilizaçom nacional de 18 de Dezembro continuar aberta até o dia 12 deste mês favorecerá, sem dúvida, o alargamento da já de por sim ampla e plural série de apoios sociais, culturais, sindicais e políticos que aglutina a convocatória. De Ceivar queremos manifestar a nossa satisfacçom por esta iniciativa, que vem responder nom apenas ao salto qualitativo que em matéria de repressom supujo a detençom e criminalizaçom de dez militantes da AMI e o ataque frontal aos locais sociais, mas a um processo muito mais amplo de recurte de liberdades e direitos da cidadania galega. Processo evidente nos periódicos julgamentos de sindicalistas de CIG e CUT, a persecuçom da liberdade de expressom por parte de governos e polícias municipais, a generalizaçom da vídeo-vigiláncia policial dos espaços públicos, a manipulaçom informativa, o emprego da violência policial nos conflitos sociais, a deterioraçom da situaçom nos centros penitenciários, a satanizaçom de ideias e projectos sócio-políticos polos meios, etc. De aqui animamos todo o tipo de entidades a por-se em contacto com as integrantes da Plataforma e somar-se a esta resposta que em chave nacional procura denunciar o progressivo endurecimento da repressom e afirmar que a cidadania galega nom vai agüentar o espólio também dos seus direitos e liberdades.
 
Recevemos casualmente hoje, Dia Internacional contra a Violência de Género, os primeiros “posts” do blogue da presa independentista galega Giana Rodrigues. O diário narra o trecho temporal que vai de 26 de Agosto deste ano até a transferência da feminista galega à prisom de Brieva (Ávila) em 9 de Setembro. A lógica irracional com que todo se desenvolve nas instituiçons penitenciárias do Estado espanhol tem feito com que, até a data, nom tivessemos possibilidade de dar saída à voz e a palavra da patriota galega encarcerada em Espanha. Reproduzimos agora o diário electrónico de Giana Rodrigues a partir de 26 de quando cumpre os primeiros 30 dias de reclusom forçosa a centos de quilómetros da Galiza, e exigimos ao Executivo espanhol que preside Rodriguez Zapatero, mais umha vez e em aplicaçom das próprias leis espanholas e das convençons internacionais de Direito Penitenciário e de Direitos Humanos, a sua imediata repatriaçom e transferência para umha prisom localizada no nosso País. Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005 Começo escrever hoje, polo único motivo de que se cumpre um mês exacto do meu sequestro espanhol. Há umha frase que tenho escuitado por aqui que resume muito concretamente o que som as prisons: a razom termina exactamente onde começa Instituiçons Penitenciárias. É exactamente assim, a burocracia nom tam só é absurda, senom que aqui, muito mais do que fora, é um meio para interromper, incordiar e impedir as nossas possibilidades de agir em liberdade. Horários de Hospital, recontos e mais recontos, comida para cans e as ultrameganecessárias instáncias –coraçom da burocracia- que nunca há. Domingo, 28 de Agosto de 2005 Ontem fomos à piscina de 11:15 da manhá até as 12:45 h. Um dos pouquininhos momentos de distensom da semana –apenas vamos as quartas e sábados-. Saimos do módulo e nos libramos assim do ruido da televisom e das rádios alternando as diferentes cançons do verao. Mas no polidesportivo, que é onde está a piscina, nos temos que enfrentar à visom de dous tremendos nazis que se passeiam com todos os seus privilégios carcerários polo único sítio onde há mulheres ligeiras de roupa de todo o centro. Som o fascista do Atlético de Madrid que matou Aitor Zabaleta num partido desta 62 contra o Atléti de Bilbo e mais um outro skinete com simbologia tatuada, que nom sabemos de certeza porque está “preso”. Os seus méritos pola defesa da Ultraespanha tenhem a sua recompensa traduzida em penas irrisórias e em ser os amos do cárcere. Até o ponto de poder estar no polidesportivo os escassos dias que vamos as mulheres. Há um outro que me pom os pelos de ponta. Está cá por assassinar e desquartizar à “sua” mulher. O seu prémio é para nós um castigo, pior inclusivamente do que a possibilidade de isolamento, ou pensar em ficar presa a metade da nossa vida. Terça-feira, 30 de Agosto de 2005 A semana passada tivemos bastante dança. Ao Ugio, pola contra que a mim, juntárom-no na cela com presos sociais desde que entramos cá. Agüentou quase um mês até que decidimos que se plantava. Justo estava recém chegado ao seu módulo um preso político do IRA e os dous combinárom em que se dobravam juntos na cela. O carcereiro de turno negou-se, com o qual o Ugio se viu obrigado a plantar-se –negar-se a entrar na cela pola noite, prévia instáncia avisando, por suposto…- e acabou com os seus ósos no txopano –nome talegueiro que lhe damos ao módulo de isolamento-. Lá, e depois dum cacheio integral, receveu umha malheira por parte do funcionário de turno, e depois dum dia com a sua noite sem fumar, sem passeios e sem poder fazer mais nada que mirar para as paredes dos escassos dous metros quadrados de chavolo, voltou para o módulo e dobrou-se com o do IRA. Amanhá vamos fazer um protesto conjunto pola devandita malheira que vai consistir num chapeio de 24 horas, isto é, vamo-nos negar a saír da cela em todo o dia, prévia instáncia avisatória, por suposto. A ver como é que remata o conto… Quinta-feira, 1 de Setembro de 2005 Ontem, após o chapeio, levárom-me a mim também para o txopano. Nom é usual umha medida tam repressiva perante um protesto que sendo bastante mediocre ao cárcere nom lhe supom qualquer problema mais do que o exemplo que lhes damos às sociais. Vinhérom procurar por mim à cela um chefe de serviço, umha chefa de segurança e umha moreia de carcereiros. Chantárom-se-me diante tentando que saísse enganando-me como às crianças. “Sal para fuera que tenemos que hablar contigo”. Eu a dous passos deles e dela, mas eu dentro e eles fora. Nego-me e já venhem tod@s adentro a por mim. Quando já estou fora, explico-lhes o motivo do meu protesto entre os seus gritos e impertinências e dizem-me “¡Pues te vas a comer um 74 por lista!”. O setenta e quatro é um artigo de isolamento de castigo. Até três dias podes estar sem qualquer tipo de direito. Ao baixar os dous andares chego à porta do módulo e atopo-me com Ikerne, Nagore, Ixone, Ana, Goizeder, Marta, Josune, Sue, Regina, Arantxa, Aurora, Carmela e Mónica dando-me ánimos e com o punho em alto para que saiba que nom estou só. Muitas presas sociais vitoreárom-me e dérom-me palmadas de ánimo junto com as minhas queridas companheiras políticas. Isso a prisom nom o pode suportar nem consentir. No txopano atopei-me com mais bascas: Maider, Saioa e Ana. Falei com elas pola janela e passárom-me um Gara, papel e caneta para que tivesse que fazer. No pouco tempo que levo presa já tenho umha dívida pendente com o povo basco de por vida. Acolhérom-me sempre com o carinho mais grande e quase como se for umha delas. Também tivem sorte com Mónica e Aurora que, além de ser galegas e militantes do Grapo e o PCE(r), respectivamente, com elas nunca me faltou o meu querido galego nem sobrou umha palavra agarimosa de qualquer. Hoje, após levar dous dias em isolamento, inteiro-me ao saír que me mudam de módulo. Ao 11, onde nom há nengumha presa política. Agora sim que estou sozinha… Sábado, 3 de Setembro de 2005 Hoje voltamos ir à piscina. Foi genial volver atopar-me com todas. Beijos, abraços e como colofom um baptismo evangélico. Umha moreia de ciganas que submergírom nas águas para ficar limpas do pecado original –essa visom tam ultramachista da história da evoluiçom dos textos sagrados. Liberárom-se da Eva que levavam dentro… Mas eu som mais de Lilith, a mulher que se negou à discriminaçom primigénia e foi desterrada. No módulo 11 recebérom-me bem. Achegárom-se-me muitas sociais e oferecérom-me a sua companha, mas boto muito de menos as compas políticas. Sorte que nos podemos ver nas saídas gerais (piscina, ou seja polidesportivo, teatro, etc.). Sempre as terei no meu coraçom… Segunda-feira, 5 de Setembro de 2005 Tenho muitas impressons da minha nova convivência com presas sociais. Há de todo como em toda a parte, mas este módulo é “especialmente especial”. Cá estám as moças que trabalham para a prisom, as que cumprem destinos –trabalham gratuitamente-, as que estudam e as que som boas mozinhas… Ou seja que é muito mais tranquilo, mas também há muitas chivatas. Sobre todo as espanholas que, pola contaminaçom mediática que há contra nós, pretendem mover seus fios para que nos fagam o vazio. Nom lhes funciona porque nos levamos muito bem com as sociais, sobretodo com as de fora do Estado que som a maioria. Mas, em quanto se achegam, começam a chantageiá-las. Por umha parte, chantageia-as a prisom –“Se me diz algo, damos-te permissons e benefícios”, “Se te faz amiga delas, ficas sem trabalho”-. Também as chantageiam as próprias presas –“Já lhes estades dando cancha, já as estades acolhendo”-. As presas alucinam com que mulheres que estám sufrindo o Estado em última instáncia atacam a quem lhes dá resposta ao seu assovalhamento. Nom se entende essa atitude… Quarta-feira, 7 de Setembro de 2005 Já me vou notando mais a gosto. Aproveito que estou mais sozinha para ler e escrever. Rematárom-se-me as intermináveis charlas com as companheiras, mas ganhei em tempo. Hoje a prisom volveu-ma jogar. Nom funcionavam os altofalantes e nom avisárom para saír à piscina. Fiquei sem ver as companheiras com umha xenreira indescriptível, mas há que saber levar a frustraçom já que a paciência cá é imprescindível para levar com humor todas as que nos fam estas mercenárias. É incrível que assumam o seu papel de repressoras até tal ponto, já que umha cousa é ser carcereira –com todo o que isso implica-, mas ser torturadora ou fascista vai muito adentro e é passar umha fronteira desnecessária porque nom vam ganhar menos ou perder o seu “trabalho”. Algum dia será-lhes devolto todo isto… Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005 Hoje cheguei à prisom de Brieva em Ávila. Ontem, após o jantar, enquanto estava na duche, escuito umha voz polo interfone da minha cela que diz “Recoja sus cosas que se va de conducción”. Em quinze minutos e sem quase tempo para dar-me conta tivem que recolher todo como pudem e baixar com os petates sem saber aonde ia. Umha vez abaixo, tangana com as carcereiras. Resulta que tinha um vis familiar pedido para 9 de Setembro às 10:30 horas da manhá, isto é, hoje. Estas fascistas pretendiam que nom avisara a minha família de que nom me iam deixar fazer o vis, que botaram seis horas conduzindo de noite para chegar e voltar por onde vinhérom sem mais explicaçons que “esta ya no está aqui” e sem recever desculpa nengumha. As fascistas das funcionárias nom me deixavam chamar para avisar de que nom vinhessem, que nom podiam fazer o vis… Entom, podedes-vos imaginar: a gritos com elas, tensom para ficar como estava. Por sorte, umha das presas sociais que estava comigo viu tal agóbio que tinha acima que se ofereceu a chamar por mim. Dim-lhe o meu NIS –número de identificaçom na prisom- e o número telefónico de meu pai e avisou ela… Umha outra pequena vitória sobre a prisom. Deveu-lhes foder ver como minha família nom acodia hoje; descubrir que umha outra vez lha jogamos; que, apesar de nom ter mais companheiras presas que as sociais, a nossa situaçom de sequestradas une-nos, seja qual for o motivo desse sequestro. Obrigada, companheiras.
 
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