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A Uniom Europeia vem de dar um novo passo avante no processo de construçom do estado policial europeu. O Parlamento multinacional aprovava ontem a directiva de retençom de dados de chamadas telefónicas e correios electrónicos apoiando-se na coarctada da 'luita anti-terrorista'. Privacidade e confidencialidade das comunicaçons som passado também em termos jurídico-legais. A aprovaçom da directiva citada implica que os estados poderám reter durante prazos que vam de seis meses a dous anos todos os dados referentes a comunicaçons telefónicas e electrónicas. Embora o texto ao que dou o visto bom a câmara da Uniom esclarece que o acesso a estes dados unicamente se poderá fazer através de ordem judicial, tal declaraçom fica em papel molhado, umha vez que Europol –a polícia da UE- dispom de absoluta liberdade de movimentos e nom está obrigada a dar conta das fontes das suas informaçons, segundo esclarece o seu próprio organigrama de funcionamento. Este dado implica, portanto, que também as polícias estatais –particularmente, a espanhola e a Guardia Civil, emborcadas durante anos na construçom da Europa Policial- poderám aceder a esta informaçom. A privacidade e a confidencialidade das comunicaçons recebem assim um golpe no plano jurídico-legal por parte dos estados constituidos e resolve-se a polémica interestatal que, como informavamos o passado 9 de Setembro, nom se situava por volta do carácter inalienável dos direitos, mas sobre os prazos de armazenagem das chamadas e correios e sobre quem –estados, empresas telecom ou cidadá(n)s- sufragaria o custo da medida. Quem dum ponto de vista ideológico defendem o carácter ‘garantista’ e ‘democrático’ dos estados da UE na cena internacional, confrontam-se mais umha vez com a crua realidade: o objectivo da presidência británica, apoiado polo ministro espanhol de Interior e finalmente conseguido, suporá umha revisom da Carta Europeia de Direitos Humanos e de toda a legislaçom que a Corte de Estrasburgo tem ditado como órgao garantista da sua aplicaçom. Europa nom é garantia qualquer para os direitos fundamentais. ‘Antiterrorismo’: a coarctada para os estados vulnerar os direitos básicos Segundo afirmava o ministro inglês de Interior Charles Clarke em Setembro, a convençom assinada em 1950 supunha “um freio para umha luita antiterrorista eficaz”. Clarke demonstrava assim o carácter acessório que os estados atribuem às liberdades fundamentais dos e das cidadás. O Executivo de Rodríguez Zapatero também manifestara claramente por boca do homólogo espanhol de Clarke, José Antonio Alonso, que a supressom da confidencialidade das comunicaçons “é vital para previr atentados terroristas”. A própria definiçom que os estados adoptárom sobre o que é ‘terrorismo’ é a medida prévia e complementar da anterior no plano legal, porquanto deixa a porta aberta a medidas de excepçom sobre pessoas e colectividades que, de posiçons políticas e ideológicas independentistas, comunistas ou anarquistas, proclamem a necessidade dumha mudança do actual estado de cousas e actuem em consequência. Tanto a plasmaçom jurídico-legal da citada definiçom, quanto o reconhecimento de que a privacidade das comunicaçons é passado, também no mundo das leis, ponhem de manifesto para quem olhar a realidade sem prejuízos e preconceitos ideológicos a gravíssima regressom que @s cidadá(n)s da UE estamos a experimentar a respeito dos nossos direitos e liberdades formalmente reconhecidos.
 
A quatro dias da mobilizaçom nacional 'Em defesa dos nossos direitos. Paremos a repressom', membros da Plataforma Galega contra a Repressom davam umha rolda de imprensa no centro social O Pichel de Compostela. Apontamos a seguir a nota de imprensa enviada à totalidade de meios de difusom operativos na Galiza e na que os 45 colectivos e associaçons que apoiam a mobilizaçom nacional explicam as razons da iniciativa. Nota de imprensa da Plataforma Galega contra a repressom. Manifestaçom nacional domingo 18 de Dezembro às 12:30 em Compostela Em defesa dos nossos direitos Paremos a repressom A constante acossa e perseguiçom, próprias dum estado profundamente antidemocrático, a que estám submetidos os movimentos sociais, políticos e sindicais na Galiza acadárom nos últimos tempos níveis alarmantes. Mostra disto som as ondas represivas da Guardia Civil contra a juventude galega organizada, concretamente as operaçons ‘Cacharrón’ contra Briga e ‘Castiñeira’ contra a AMI, esta última posta em andamento com o apoio da Audiência Nacional e no marco da qual fôrom detidos/as 10 independentistas e assaltados, além das moradas dos detidos/as, os centros sociais da Gentalha do Pichel, A Esmorga e A Revolta, roubando informaçom interna da organizaçom juvenil atacada, as suas infraestruturas e os recursos económicos das suas e dos seus militantes, além de paralisar dous webs independentistas. Ante estes graves factos manifestamos, - Este salto cualitativo afecta-nos a todos e todas, já que instaura um antes e um depois, um perigoso precedente após o qual qualquer organizaçom, plataforma, associaçom ou agrupaçom pode ser considerada nom grata, pode ser declarada asociaçom ilícita em funçom de interesses particulares. - A criminalizaçom e perseguiçom dumha determinada organizaçom ou colectivo pola mera razom de pretender mudar a actual ordem de cousas nom só é umha mostra de autoritarismo político, mas é um grave atentado aos nossos direitos políticos e colectivos, umha mutilaçom irreparável da liberdade de expressom e associaçom que nom pode ser permitida. - Esta nova onda repressiva pom em evidência os graves déficits democráticos do Estado espanhol, onde as ideias dissidentes som perseguidas com impunidade, e o papel do PSOE do talante como continuador das políticas de constantes recurtes das liberdades e dos direitos colectivos, iniciadas nos oito anos de governo do Partido Popular. Por todo isto 44 organizaçons políticas e sociais da Galiza, constituídas na Plataforma Galega contra a Repressom convocamos umha manifestaçom nacional o vindouro domingo 18 de Dezembro às 12:30 com saída na Alameda de Compostela e remate na Praça das Pratarias. Fazemos um chamamento a dar umha resposta como País, coesionada e sem fisuras, por cima das siglas e dos matices ideológicos e políticos, a quem quer impor a lei do siléncio e impedir a autoorganizaçom da nossa sociedade a todos os níveis. Galiza, em 15 de Dezembro de 2005
 
Efectivos da Polícia espanhola e municipal identificárom a passada noite várias pessoas vinculadas à Plataforma Galega contra a Repressom. As perseguiçons e retençom d@s activistas polo casco urbano da capital galega fôrom acompanhadas mais umha vez de ‘ameaças’ por parte dos agentes de por as colagens de cartazes em maos dos julgados e abrir novos processos judiciais. Mais umha vez produz-se a acçom combinada de agentes espanhóis à paisana e polícias locais, encarregando-se os primeiros da localizaçom de pessoas que exercem a liberdade de expressom e os segundos de tomar nota da documentaçom d@s retid@s. Estas identificaçons som se calhar mais irregulares porquanto o acto cuja publicitaçom se persegue –manifestaçom nacional contra a repressom de 18-D- está comunicado segundo as normas estabelecidas na ‘Delegación del Gobierno’ na Galiza. Os seguimentos e intervençons telefónicas de que temos contáncia fôrom objecto durante estes dias diversas pessoas ligadas à mobilizaçom de domingo próximo ponhem de relevo quais as funçons reais da Polícia espanhola e local, qual a funçom dos seus ‘convénios de colaboraçom’ e qual o estado real dumha ‘democracia’ como a espanhola onde o mais mínimo activismo social e político é objecto de investigaçom policial. Por parte de Ceivar anunciamos a nossa determinaçom de nom renunciar a nengum espaço de comunicaçom social e denúncia por importante que seja a pressom policial e judicial sobre as pessoas que exercem a liberdade de expressom.
 
A ponto de encerrar-se o prazo para recabar adesons, 45 colectivos sociais e organizaçons de todo o País venhem de exprimir a sua adesom á mobilizaçom de 18-D em defesa dos nossos direitos e contra a repressom. Segundo vimos informando, a mobilizaçom convocada para o vindouro domingo 18 de Dezembro é convocada pola ‘Plataforma Galega contra a repressom’ e nela participam todas as associaçons e entidades que acordárom assinar o seu apoio ao manifesto publicado neste mesma página e inclusivamente algumha que nom. A manifestaçom pretende ser umha importante resposta nacional ao processo regressivo em que se encontra o exercício dos direitos e liberdades fundamentais da cidadania galega e, particularmente, à vaga repressiva desencadeiada o passado 14 de Novembro com a detençom e posta em liberdade de dez militantes independentistas. De Ceivar chamamos todas as pessoas, colectivos e associaçons implicadas na presente convocatória a procurar umha participaçom activa e maciça da sociedade galega na manifestaçom de 18-D. A listagem de entidades que até ao momento apoiárom a mobilizaçom nacional é a seguinte: Assembleia da Mocidade Independentista (AMI) Adiante (Mocidade Revolucionaria Galega) Siareir@s Galeg@s Briga Comités Abertos de Estudantes (CAE) Agir Xuventude Comunista Galega (XCG) Bases Democráticas Galegas (BDG) Rádio Kalimero Portal galizalivre.org Jornal jos_content da Galiza Movimento polos Direitos Civis (MpDC) Ceivar, organismo popular anti-repressivo PreSOS-Galiza Socorro Rojo Internacional (SRI) Local Social O Pichel (Compostela) Centro Social Henriqueta Outeiro (Compostela) Sociedade Cultural e Desportiva do Condado (SCD) Assembleia Aberta do L. S. Baiuca Vermelha (O Condado) Local Social A Revira (Ponte Vedra) Associaçom Cultural A Fouce de Ouro (Vale de Amaía) Local Social A Esmorga (Ourense) Local Social Revolta (Vigo) Asociación Cultural Caleidoskópio (Vigo) Centro Social Atreu (A Corunha) Casa Encantada Burla Negra Redes Escarlata Fundaçom Artábria Treme a Terra Maribolheras Precárias Mulheres Nacionalistas Galegas (MNG) Mulheres Transgredindo Grupo ambientalista Erva Colectivo ambientalista Oureol Grupo musical Skárnio Colectivo antifascista 'O Piloto' (Lugo) Lobos Vermellos Galiza Cineclube Compostela Cosal Galiza Partido Comunista do Povo Galego (PCPG) Frente Popular Galega (FPG) Partido Revolucionario dos Traballadores (PRT) NÓS-Unidade Popular Primeira Linha
 
O trabalho informativo de Ceivar na rede vai-se fazendo progressivamente um pequeno oco no panorama da comunicaçom alternativa na Galiza. A tendência crescente em número de visitantes distintos, visitas e páginas lidas crescia mais umha vez o passado mês de Novembro multiplicando-se por três. Se em Outubro fôrom 1084 computadores diferentes os que visitárom o web do organismo anti-repressivo, a cifra expandia-se até os 3294 o mês de Novembro, triplicando o número de visitantes diferentes ao portal. Aliás, passava-se também de 11328 a 32330 páginas visitadas nos últimos 30 dias. O dado vem confirmar umha modesta mas constante trajectória de crescimento e aumento da referencialidade da nossa informaçom. Sem dúvida há que ter em conta dous factos ‘extraordinários’ para explicar este salto qualitativo: a vaga repressiva lançada sobre o independentismo o passado 14 de Novembro e o papel jogado nos média por Ceivar como ‘voz d@s detid@s’ e na rua como motor das mobilizaçons convocadas em distintas localidades. Provavelmente num segundo plano, situa-se também a positiva acolhida com que fôrom recebidos os blogues elaborados pol@s pres@s independentistas galeg@s que, proximamente, colocaremos num apartado específico do portal separado do Noticiário da Repressom. Além de agradecer os milhares de pessoas que fam possível a socializaçom e maior difusom de www.ceivar.org, de Ceivar queremos afirmar a nossa intençom de irmos caminhando progressivamente face um portal que ofereza informaçom anti-repressiva diária, umha maior especializaçom dos conteúdos e umha série de serviços imprescindíveis para o trabalho contra-informativo como a possibilidade de envio de informaçom desde o próprio sítio web.
 
Continuamos com a ediçom do blogue que nos envia desde Ávila a presa independentista galega Giana Rodrigues, dispersada ao centro penitenciário de Brieva a mais de 400 quilómetros do seu local de residência e o seu País. Terça-feira, 25 de Outubro de 2005 Esta semana está a ser bastante rara. Por umha parte, levárom-se a Soto as três bascas que compartilham vivências com nós; por outra, à Iolanda acabam de dar-lhe a data do seu juízo (já leva mais de três anos preventiva e se aos quatro nom a julgam, à rua; por suposto essa possibilidade nom existe). Além de todo isto, a umha compa do Grapo, Marijo, acabam de meter-lhe um primeiro grau e levárom-na para Gasteiz. Foi umha surpresa bem desagradável já que a levárom há um mês para Soto de conduçom e já nom voltou mais. Ainda por cima, está lá sozinha já que por culpa da dispersom nom há mais presas políticas nesse cárcere. Nom descansam no seu intento de fazer dano. Quinta-feira, 27 de Outubro de 2005 Hoje recebim correio. Duas cartas que me fizérom muitíssima ilusom (bom, como sempre). Umha dumha compa de Ceivar e umha outra, a que mais me surpreendeu, dum home de Zaragoza, reformado já, que se escreve com presas políticas e presos políticos desde já há bastantes anos. Começou ao receber da sua filha um panfleto com os endereços dalgumhas pres@s do Grapo e PCE(r) numha marcha contra a base militar de Rota. A partir daí já estivo num juízo no Estado francês contra pres@s deste colectivo, visita um preso político galego do mesmo e escreve-se habitualmente com muitos outros. Sabe de mim por um anarquista que está com o Ugio em Navalcarnero e, olha, já se pujo em contacto. É o primeiro espanhol que me escreve solidarizando-se com a minha situaçom, e o certo é que me deu que pensar. Sábado, 29 de Outubro de 2005 Hoje chegou Itsaso, umha das compas que estava em Soto. Tremenda surpresa já que nom a aguardavamos. Umha semaninha só em Soto nom está nada mal. O certo é que cada vez que algumha tem que voltar para esse “cárcere de extermínio” é como um baixom terrível, as condiçons lá som muito más para nós, tenhem-nos em quarentena e nom nos permetem fazer nada do que oferta a prisom. De facto esta semana chegárom-me dous presentes de Soto para que nom me esqueza que segue estando aí: dous partes, um polo chape que figemos o Ugio e mais eu pola sua paliça e outro por mandar umha carta ao director denunciando que às mulheres de Madrid V nom se nos abriam as duches do pátio, com o que tinhamos que fazer desporto e ficar sujas até voltar à cela. A carta estava pragada de retranca de princípio a final, e entendérom com ela que nom lhes tenho respeito nem às carcereiras nem à instituiçom. Nom é muito complicado deduzir algo assim, nom é preciso baseiar-se em carta nengumha: é evidente que estar cá nom é umha decisom minha, isto é umha imposiçom e cada quem elege a que, ou a quem, deve respeito. Eu respeito o meu povo e quem luita por ele; era o que me faltava sentir respeito pola repressom em última instáncia do Estado espanhol e das suas instituiçons. Segunda-feira, 31 de Outubro de 2005 Hoje é um dia triste. Inteiramo-nos ontem de que se suicidou numha prisom espanhola um companheiro basco. Em si a história é bastante truculenta, mas cada quem vive esta situaçom da forma em que melhor pode. Quero render-lhe a minha homenagem pessoal a José Ángel Alzuguren Perurena, ‘Kotto’, e a todas as pessoas que estám a sofrer a sua perda. Em toda guerra há baixas nos dous bandos enfrentados, mas quem decide caír por própria decisom é evidente que tem que estar ao limite. Nom se pode descrever com palavras o valeiro que sentimos perante umha nova assim, mais umha vez o Estado espanhol acaba dalgumha forma com umha pessoa que entrega a sua vida a defender o que é justo. Objectivamente, existe a justiça, e nom emana nem de Instituiçons nem do poder, emana do povo e é o povo o único sujeito capaz de administrá-la. Nom há “interesses económicos” na justiça popular, e quem o ponha em dúvida nom merece formar parte desse colectivo. O POVO É QUEM MAIS ORDENA. Hoje mais do que nunca quero gritar, quero alçar o meu dedo acusador contra quem extorciona e mata as inocentes. ESTADO ESPANHOL ASSASSINO. Até sempre, GUDARI. Quarta-feira, 2 de Novembro de 2005 Dentro destes quatro muros sempre há momentos de alegria. Um deles constituem-no as cartas que recevemos. É como voltar à Galiza durante uns minutos que é o tempo que tardas em le-la, em embobar-te com as suas palavras e rele-la, por se ficou algo no tinteiro. Como diz o Teto (comentou-me um colega numha destas cartas), “a correspondência no cárcere é umha forma de roubar tempo à prisom”. É isso e muito mais, é umha charla eterna com as pessoas que queres ou que botas em falta, é umha forma de exprimir-te que em muitos casos nom consegues com as palavras, bom, é umha ilusom nova cada dia. Também o som as visitas, e eu tivem a primeira com umha colega esta fim-de-semana passada. Tivo que viajar toda a noite desde Lisboa para poder falar comigo detrás dum vidro durante quarenta minutos, mas foi algo mágico, indescriptível emocionalmente e terrível ter a umha pessoa que queres diante tua sem poder abraçá-la e sentir seu calor, mas em pouco tempo poderemo-nos dar a tam ansiada aperta. A dispersom é algo cruel e quase inumano e esse é o único motivo da sua existência: queimar e fazer dano tanto às presas quanto às suas famílias e amizades, que se joguem a vida cada fim-de-semana por visitas curtíssimas, com a responsabilidade acima nossa do perigo e dos riscos que significa que quem te quere te venha ver. O Estado espanhol é o que causa terror real na vida de tanta gente, som uns terroristas porque quem tem o valor de enfrentar-se a ele nom só expom a sua vida, mas também a da gente que lhe rodeia, e essa responsabilidade é demasiado pesada. É terrorista porque usa o nosso trabalho e a nossa produçom como povo trabalhador para pisar-nos, porque nos mata e nos vende ao melhor postor sem sentir a mais mínima dor. Sodes uns terroristas e utilizades todos os meios para convencer o mundo de que as terroristas somos nós, e isso converte-vos em mais terroristas se é possível. Mas algum dia faremos que virem as tornas, e cada quem deverá assumir as suas responsabilidades. Só aguardo poder viver para vé-lo. Sexta-feira, 4 de Novembro de 2005 ‘En Madrid no hay playa, vaya, vaya’. Esta semana andivérom de debates no parlamento espanhol sobre o Estatut e a frase de começo escuitei-lha a um poente de ERC. O certo é que me fijo pensar. Maldita desgraça a das colónias do Império espanhol que vivemos baixo o jugo dum país historicamente acomplexado. Geograficamente atopa-se num deserto, sem quase saída ao mar e historicamente nunca fôrom nada até que começárom a expandir-se polo Atlântico e a e a enredar com a cruzada do catolicismo. Sempre envejosos de Portugal e do resto dos estados europeus. Catalunha polo Mediterráneo, controlando a rota comercial até Turquia. Galiza e Portugal polo Atlântico, e estes últimos com a que ia bordeando toda África até as Índias. Muçulmanos no sul peninsular em muito estreita relaçom com o norte de África, e no norte, astures, bascons e “gente bárbara”. Bem sei que é um resumo demasiado simples, e que abrange diferentes épocas históricas quase chegando ao Antigo Regime, mas é o resumo do que para mim foi sempre o seu complexo, rodeiados de povos em pleno esplendor e Castilla convertida num deserto polas suas próprias maos. Em que se traduz todo isto agora? No seu desprezo polo resto. Nom eram ninguém e apoderárom-se de quase todo e nos tempos que correm, que Madrid nom tenha praia, segue-lhes resultando insuportável. Como pode ser a capital de Espanha sem praia? Ou lhe construem umha, ou a traem a Madrid como de facto fizérom. Autovia Madrid-València, numhas duas horas estám na praia. Ou inclusivamente Madrid-Galiza, se nos apuramos em quatro horas achegam-se às nossas praias. Mas depois ti atreve-te a viajar de Ponte Vedra à Marinha, a ver quanto tardas, seguro que menos do que tardam os madrilenos em chegarem a Ponte Vedra. E eu pergunto-me, será “Madrid sem praia” o motivo das nossas infraestruturas coloniais? Quiçá em parte, mas som muitos mais, igual nos saía melhor fazer umha colecta. Que se fagam umha praia e igual assim nos deixam viver tranquilas. De todas formas nom há problema, porque embora nom nos deixem, antes ou depois, viveremos tranquilas, já seremos quem de conseguí-lo. Domingo, 6 de Novembro de 2005 Ontem vimos a lua pendurada de Vénus. Foi realmente fermoso, inclusivamente a umha das presas lhe fijo recordar o seu país (tinha saudade do Brasil) e rendeu-lhe homenagem com olhos humedecidos. Acho que foi umha maneira de dar o Ongi etorri a Anitz, que chegou de Soto, da cunda que a levara há duas semanas. Nom é algo usual ver algo assim, nom porque nom esteja, mas é porque nos fecham o pátio em quanto obscurece porque senom as câmaras nom gravam. Ontem ficou aberto e pudemos desfrutar do prazer de caminhar baixo as estrelas com este frio seco que há cá, que nom te cala os ósos e que é tam saudável. É o pior que levamos no inverno, que nos fechem o pátio tam cedo, já que quando mais se desfruta dele é polas noites, nom há quase ninguém (porque as sociais apenas resistem o frio), e há umha calma indescriptível. Ontem Vénus estava radiante acima dumha lua pequeninha que recém começava a crescer, semelhava tal qual que estava pendurada por um fio invisível, foi realmente magico ver algo assim, inclusivamente mais do que o famoso eclipse. Já vedes que a natureza e o cosmos mostram-se fermosos para toda a Humanidade, independentemente donde sejas ou onde estejas. As presas também podemos desfrutá-lo e é algo que nunca nos vam poder roubar.
 
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