INTRODUÇOM
Corresponde
o organismo popular anti-repressivo, como umha outra das suas
funçons, a análise e seguimento do particular panorama repressivo
que deve afrontar o nosso povo nas suas luitas quotidianas e
no seu processo de emancipaçom. Nom por qualquer afám teoricista
ou de retórica para minorias, mas pola necessidade de conhecermos,
com o máximo rigor e objectividade possíveis, um sistema repressivo
que deveremos combater e nalgumha medida neutralizar em
cada momento histórico.
Diremos,
de entrada, que pouco ou quase nada é o que há desenvolvido
neste campo: o trabalho anti-repressivo actual move-se no terreno
forçoso da imediatez, da resposta mecánica -quando tal é possível-
os golpes dum inimigo hoje consideravelmente superior. Umha
prática em si própria já dificultosa, se a valorizarmos à luz
dos recursos materiais, económicos e humanos a disposiçom desse
trabalho anti-repressivo. Mas nom podemos constranger-nos no
imediatismo e na visom de curto prazo. A utilidade real da nossa
intervençom virá dada em grande medida pola capacidade de captarmos
o fenómeno repressivo no seu conjunto, analisar as suas estrategias,
repercussons, debilidades e contradiçons, e abordá-lo em consequência.
É por isto
que, com a modéstia que demandam os primeiros passos deste processo
de autoorganizaçom, mas também com a firmeza necessária para
sacar este adiante, iniciamos o citado labor de análise e seguimento.
O que vem é umha compilaçom de intervençons repressivas de que
fôrom objecto organizaçons, colectivos sociais em conflito,
militantes e o conjunto do nosso povo ao longo do primeiro semestre
de 2003. De certeza nom teremos recolhido a totalidade de sucessos.
Em cada comarca do país haverá quem puder achegar a este informe
exercícios de coacçom política e social, instituicional ou parainstituicional,
que este trabalho nom incorpore. Nem que dizer tem a infinidade
de microrepressons quotidianas e invisíveis que agem
sobre o corpo social galego, ou os elementos repressivos surdos
que, como o diário adoutrinamento mediático ou a maciça chantagem
do mercado laboral, condicionam com eficácia máxima os comportamentos
sociopolíticos do país.
Com todo,
si achegamos um primeiro material orientativo sobre o estado
da questom: um diagnóstico geral e forçosamente parcial em muitos
aspectos sobre factos e tendências fortes que se desenvolvem
ante os olhos do observador ou observadora, e que podem supor
um primeiro chanço para umha análise mais madurecida e o arbítrio
de estrategias acaidas de resposta.
Desta primeira
aproximaçom, marcada conjunturalmente polo desenvolvimento da
catástrofe nacional desencadenada polo naufrágio do Prestige,
e pola resposta popular à política belicista da administraçom
espanhola, som várias as ideias-força que poderiamos extrazer:
1ª Estamos
imers@s num processo planificado de regressom generalizada quanto
a direitos e liberdades fundamentais da mao dos actuais gestores
do poder estatal espanhol. Com as limitaçons que resultam visíveis,
o nosso informe dá umha medida desse processo. A fervença de
reformas legislativas em matéria penal e penitenciária que,
desde primeiros de ano, pom em marcha o Executivo espanhol é
indicativa do retrocesso que vivemos quanto à qualidade democrática
do regime espanhol: agudiza-se a repressom
sobre os efeitos socioeconómicos mais perversos da dependência
colonial. Acoutam-se ainda mais as margens de actuaçom para
a dissidência política da mao de legislaçons específicas que
tornam papel molhado direitos formalmente reconhecidos como
o de associaçom, reuniom, livre expressom ou manifestaçom. Finalmente,
aprofunda-se a via punitiva contra organizaçons, movimentos
e pessoas que agem politicamente contra o vigente estado de
cousas.
2ª Assistimos
a um reforço material e simbólico do aparato repressivo. Reforço
que se concreta nos projectos de alargamento dos quadros de
pessoal policial, equipamentos, emprego das novas tecnologias
da informaçom no controlo social e a injecçom maciça e permanente
da doutrina da segurança cidadá. Ideologia fundamental
para compreender, quando menos parcialmente, certos processos
de atomizaçom social e de compactaçom em torno a um poder forte
altamente fascistizado e legitimado para a repressom sociopolítica.
3ª Atreveriamo-nos
a sinalar, à luz dos dados recolhidos, a existência dum outro
processo de cessom de competências repressivas face abaixo
-entidades autonómicas e concelhos especialmente-, sem se perder
em qualquer caso a centralidade directiva do poder estatal na
estrategia repressiva. No mesmo sentido caberia apontar a crescente
implicaçom de forças políticas instituicionais qualificadas
como progressistas na acçom repressiva.
4ª A beligeráncia
repressiva contra os movimentos populares foi também outra constante
ao longo do semestre analisado. Desde a criminalizaçom da mocidade
até a petiçom de condenas de prisom para colectivos sociais
que, nas suas luitas, enfrontárom com todos os meios ao seu
alcanço as problemáticas que lhes afectam, som multidom os processos
repressivos que tenhem como alvo o povo autoorganizado.
É preciso
apontar neste apartado um dado que, apesar de conjuntural, nom
deixa de ser significativo: a aberta reacçom autoritária do
poder político contra a permanente mobilizaçom social que viveu
o país durante estes meses. O emprego da força policial e a
manipulaçom mediática foi umha constante frente à política parainstitucional
neste período.
5ª O independentismo
político em todas as suas expressons continua a ser objectivo
sistemático de controlo e repressom. Umha estrategia de desgaste
permanente que combina a manipulaçom e criminalizaçom informativa,
a pressom policial sobre entornos militantes, a supressom da
liberdade de expressom, a repressom económica e esporádicas
actuaçons exemplarizantes. Testemunha desta estrategia
som as dúzias de pessoas de ideologia independentista que ao
longo do território nacional estám imersas em processos judiciais
ou administrativos.
Valham as
anteriores notas para enquadrar minimamente o presente informe
anti-repressivo. Trataremos em sucessivas ediçons de melhorar
a sua confecçom e conteúdos, contando com a colaboraçom de todas
as pessoas interessadas na dinamizaçom dum trabalho anti-repressivo
à altura das necessidades que nos marcam os tempos na Galiza.
ceivar@ceivar.org
INFORME SOBRE REPRESSOM NA GALIZA
Primeiro semestre de 2003
CRONOLOGIA
BÁSICA DE INTERVENÇONS E PROJECTOS REPRESSIVOS
3 de Janeiro
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O primeiro Consejo de Ministros de 2003 aprova o
anteprojecto de reformas legais que endurece o cumplimento
de condenas por terrorismo. O Governo espanhol aposta
pola recuperaçom fáctica da cadeia perpétua dentro da nova
legislaçom penal. As mudanças legislativas em curso
afectarám o Código Penal, a Ley General Penitenciaria,
a Ley de Enjuiciamiento Criminal e a Ley del Poder
Judicial.
Segundo o titular do Ministerio de Justicia, o opusdeista
José María Michavila, as reformas tenhem por objecto reforçar
o “efeito dissuassório” das condenas e activar “um novo instrumento”
complementário de medidas como a tipificaçom legal de toda
forma de violência política baixo o epígrafe terrorismo,
a aprovaçom da euroordem para a entrega de refugiad@s polític@s,
a nova legislaçom sobre partidos e as medidas sobre segurança
de concelheir@s, corporaçons municipais e repressom de intervençons nom regulamentadas
em plenos municipais, todas aprovadas recentemente.
O anteprojecto de reformas legais aprovado fixa o tempo
máximo de prisom para militantes de organizaçons armadas em
40 anos, que cumplirám de forma “íntegra e efectiva”. Poderá-se
aceder a benefícios penitenciários -reduçom de condena- se
existir “arrependimento activo”, figura que, entre outras
exigências, implica a colaboraçom com as autoridades espanholas
por parte d@ arrependid@ e a entrega a estas de informaçom
sobre a própria organizaçom e a sua militáncia. Com todo,
qualquer processo de reduçom de condena fará-se apartir da
condena total estipulada -em casos de centos ou miles de anos-
com o que, na prática, se elimina a denominada política
de reinserçom social com a que o Governo espanhol tratara
no passado de desestruturar as organizaçons armadas revolucionárias.
À imposiçom fáctica da cadeia perpétua, engade-se agora
que @s condenad@s a mais de 5 anos por resistência armada
“sem delito de sangue” nom poderám aceder ao terceiro grau
penitenciário até cumplir um período de segurança que
será metade da condena imposta. Acorda-se, por último, a paralisaçom
de toda excarceraçom de terroristas que seja recorrida
polo Fiscal e a centralizaçom de todas as medidas que
afectarem à vida penitenciária dos presos e presas políticas
num único julgado de vigiláncia dependente da Audiencia
Nacional.
O PSOE, por boca do seu Secretário de Liberdades Públicas
Juan Fernando López Aguilar encenará nos próximos dias “divergências”
de matiz com o anteprojecto proposto polo PP por volta da
necessidade de manter a via da reinserçom social para
@s militantes pres@s.
5 de Janeiro
30 pessoas do Observatório para a Defesa dos direitos e
liberdades ESCULCA concentram-se
na entrada do edifício da Presidência da Xunta para
exigir “limpeza democrática”.
Denúnciam deste
modo a actuaçom dos profissionais da política no desenvolvimento
da catástrofe nacional, ao tempo que exigem “informaçom veraz
e sem censuras”. Vítor Vaqueiro, portavoz provissório do colectivo,
anúncia que Esculca prevé finalizar o seu período constituinte
em Fevereiro e eleger a primeira directiva estável da
associaçom cidadá.
6 de Janeiro
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O Chefe do Estado espanhol avala publicamente as reformas legislativas
aprovadas o dia 3 polo Consejo de Ministros para endurecer
a situaçom penitenciária de militantes e colaborador@s de
organizaçons armadas. No discurso
realizado durante a celebraçom da Páscoa Militar no Palacio
de Oriente, Juan Carlos I de Borbón y Borbón advogou ante
mais de 200 altos mandos de Defensa, soldados, guardias
civiles e militares dos três exércitos espanhóis por utilizar
“todos os meios” na luita contra o terrorismo.
O alegato realizado polo monarca espanhol, a meio dum clima
de extensom da tipificaçom de terrorismo a quase qualquer
actividade política contrária ao quadro constituicional, e
a menos dumha semana da aprovaçom da cadeia perpétua fáctica
polo Consejo de Ministros, supom o definitivo visto
bom da Monarquia espanhola às reformas penais em curso.
José María Aznar anúncia “umha ofensiva total” contra a
pequena delinquência. O presidente espanhol declara o despregamento dumha
iniciativa global “contra a insegurança e os delinquentes”
e asegura que esta nova política “já está em andamento”. A
ofensiva concretará-se no plano legal no endurecimento das
condiçons para o acesso à liberdade provissória, a possibilidade
do encarceramento “por reincidência” e a expulsom imediata
dàqueles trabalhadores ou trabalhadoras imigradas que atentem
contra a propriedade privada.
10 de Janeiro
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Governo espanhol aprova a reforma que impom a prisom preventiva
automática para delinquentes com reincidência. Introduzem-se
a este respeito novas reformas na Ley de Enjuiciamiento
Criminal. O titular de Justicia José María Michavila
explica que o anteprojecto “está cargado de sentido comum”
e “muito bem pensado”, para além de contar com o apoio de
94% d@s deputad@s do Parlamento espanhol. Michavila indica,
a respeito dum previsível aumento do número de pessoas presas,
que “se o número destas deve aumentar, farám-se os centros
penitenciários pertinentes”.
Ángel Acebes, Ministro de Interior e pessoa próxima
à organizaçom fundamentalista Legionarios de Cristo,
anuncia na véspera que o seu departamento negócia com Hacienda
a construçom de sete novos macrocárceres. O conjunto de
medidas legislativas vem inscrito no Pacto por la Justicia
que venhem de asinar PP e PSOE.
13 de Janeiro
José María Aznar anúncia um endurecimento das condenas para
as faltas e delitos menores. A comissom de
quatro faltas passa a ser considerada como delito
com o qual se agravam as sançons penais imponhíveis e situa-se
a “habitualidade” como um dos eixos sobre os que se desprega
a reforma penal. Além disso, a repressom da pequena delinquência
cometida por trabalhador@s estrangeir@s ilegais pode ser punida
em diante com a expulsom do território estatal.
O despregamento dosificado dumha bateria de reformas em
matéria penal, com o discurso da segurança cidadá como
trasfundo, e com umha impresionante cobertura mediática e
publicitária, é umha constante ao longo do mês de Janeiro.
A meio da crítica situaçom que se vive na Galiza, como consequência
das limitaçons competenciais e da gestom incompetente do naufrágio
do Prestige, as autoridades espanholas tratarám de deslocar
o centro da atençom informativa para as políticas de segurança
cidadá.
14 de Janeiro
O informe anual de Human Rights Watch sobre a situaçom
dos direitos humanos a nível internacional denúncia as condiçons
infrahumanas de detençom d@s imigrantes ilegais no Estado
espanhol. HRW incide
em que, “apesar das repetidas críticas do Comité Europeio
para a Prevençom da Tortura e do Comité da ONU contra a Tortura”,
a situaçom nos centros de detençom espanhóis segue a ser “muito
deficiente”
Antonio Pillado, Conselheiro de Justiça e Interior da Xunta
da Galiza, destaca o “importante papel” que estám chamadas
a jogar as Polícias locais na luita contra a pequena delinquência.
Durante a abertura
do curso académico 2003 da Academia Galega de Segurança, o
titular galego de Interior afirmou a necessidade dumha “maior
e mais diversificada preparaçom” das Polícias locais face
o aperfeizoamento das suas funçons “no conjunto de corpos
e forças de segurança do Estado”.
15 de Janeiro
O Estado espanhol pom em funcionamento Eurodac, um novo
sistema europeio de comprovaçom de pegadas dactilares para
demandantes de asilo político. Segundo o Ministerio de Interior, Eurodac estará
agrupado na Unidade Central, ubicada em Luxemburgo, e contará
com umha base de dados informatizada que permitirá identificar
se umha pessoa demandante de asilo fizo este trámite previamente
noutro Estado da UE. A notícia desta nova medida para acrescentar
o controlo social sobre as e os cidadáns da Uniom Europeia
e, particularmente, sobre @s extracomunitári@s, vem
rodeada de louvanças às “garantias” que oferece o novo sistema
e à “inviolabilidade dos dados” que acumula.
16 de Janeiro
Ampliaçom do quadro de pessoal da Polícia espanhola. Segundo
a planificaçom realizada por Interior, 12825 pessoas
incorporarám-se ao Cuerpo Nacional de Policía de 2003
a 2007 no quadro do Plan Integral contra la Delincuencia.
A situaçom socioeconómica derivada da dependência colonial
que padece a Galiza provocará que umha parte percentualmente
importante desse contingente de força repressiva seja originário
do nosso país e, com toda provabilidade, empregado para praticar
a repressom fora do nosso território nacional.
Para acelerar o ritmo de incorporaçom dos novos polícias
Interior vem de reduzir o período de preparaçom dos
agentes num terço da sua duraçom. Nom se conhece que parte
do contingente global será destinado ao nosso país.
17 de Janeiro
Consejo de Ministros aprova
as medidas legais do “Plano contra a delinquência” publicitadas
nos meios de difusom nas semanas prévias. Recolhem-se neste informe, nos dias anteriores,
algumhas das fundamentais em matéria de controlo social e
repressom política.
20 de Janeiro
Corrupçom na Guardia Civil na Galiza. O imputado
num macrojuízo por prostituiçom e proprietário do Clube A
Fonte Arturo G. S. declara durante o seu processo que “um
sargento da Guardia Civil dissera-me meses antes da
redada que se lhe entregava 1500 euros poderia viver tranquilo”.
As acusaçons de práticas corruptas contra agentes do corpo
repressivo serám umha constante neste semestre e som indicativas
do carácter estrutural, e nom apenas casual ou esporádico,
que define esta prática. Aqui apenas resenharemos algumhas
das que alcançárom o conhecimento público.
24 de Janeiro
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Corunha amanece ocupada por antidisturbios espanhóis. As Unidades de Intervención Policial (UIP), popularmente
conhecidas como antidisturbios, tomam na manhá de 24
de Janeiro os principais acessos à cidade de Corunha. Mais
dum centenar de agentes ocuparám também a Praça de Maria Pita.
O objectivo do despregamento policial é impedir a proximidade
ao Consejo de Ministros da protesta de mais de 5000
pessoas convocadas por Nunca Mais para exigir responsabilidades
políticas pola catástrofe que vive o país. As sucessivas intervençons
dos corpos repressivos saldárom-se com várias cidadás e cidadáns
contusionados.
26 de Janeiro
As Unidades de Intervención Policial tomam o Paço
de Congressos da capital galega. A celebraçom dumha convençom de
cargos municipais do Partido Popular na capital da
Galiza, com presença do presidente do Governo espanhol, é
motivo para um novo despregamento da UIP. 800 manifestantes
mobilizad@s por Nunca Mais som fisicamente rodead@s polos
efectivos policiais produzindo-se várias agressons e a retençom
dalgumhas das pessoas mobilizadas.
27 de Janeiro
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Polícias espanhóis retiram à força umha faixa reivindicativa
do lugar do Pajonal (Compostela). Quatro agentes
policiais efectivam a
ordem ditada polo titular do Julgado nº2 de Compostela o ultraconservador
Javier Míguez Poza, e retiram as faixas instaladas pola família
Costoia em que denúnciam a “usurpaçom de terrenos vizinhais”
na construçom dumha gasolineira.
29 de Janeiro
O Movimento polos Direitos Cívicos entrega o seu informe
anual ao Fiscal Jefe da Galiza e os sindicatos. A associaçom
composta por Galiza Nova, CIG-Mocidade e os CAF dá conta no
seu informe das denúncias e queijas apresentadas pola mesma
a respeito de actuaçons policiais em manifestaçons e protestas.
Criticam igualmente as reformas legislativas introduzidas
no Estatuto de los Trabajadores e a Ley Orgánica
de Partidos Políticos, assi como a política governamental
de intoxicaçom informativa desenvolvida sobre a catástrofe
nacional que vive a Galiza.
31 de Janeiro
O Governo municipal de Ames aplica as directrizes do Plano
contra a Delinquência do Governo espanhol. O pleno do Concelho
aprova o reforço do quadro da Polícia local e demanda de Madrid
a ampliaçom do número de guardias civiles alistados
no quartel do Milhadoiro. A iniciativa parte de J. M. Astray,
alcalde do Partido Popular em Ames desde o franquismo.
FEVEREIRO DE 2003
3 de Fevereiro
Concelho de Ourense persegue a liberdade de expresom. Dous activistas
da Plataforma Nunca Mais som identificados e denunciados por
colar cartazes da plataforma cidadá. O Governo municipal imporá-lhes
por esta actividade umha sançom administrativa de 30 euros
a cada um.
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Ángel Acebes aposta por acrescentar o número de casas quartel
da Guardia Civil. O Governo espanhol nom baralha
qualquer proposta de reduçom de efectivos e ámbito de despregamento
do instituto militar, senom que “para atalhar a delinquência”
prevé acrescentar o número de instalaçons do mesmo. O Ministro
de Interior Ángel Acebes asegura que esta é “umha aposta
permanente” do Executivo que representa, o qual declara que
“a melhora da segurança está intimamente vinculada à presença
da Guardia Civil”. Na actualidade o Estado espanhol
dispom de 2300 casas quartel que albergam 38400 vivendas de
agentes deste corpo repressivo. O orçamento do instituto armado
alcança oficialmente a quantidade de 51 milions de euros anuais.
Ocupaçom policial do casco histórico da capital galega.
Dúzias
de carrinhas policiais e agentes da Unidad de Intervención
Policial ocupam desde primeiras horas da manhá as principais
ruas e praças da zona velha compostelana, limitando a liberdade
de circulaçom da vizinhança e procedendo a identificaçom das
pessoas que resultam suspeitosas ante a visita do Chefe
do Estado espanhol à Fundación Torrente Ballester.
20 independentistas que conseguiram concentrar-se para manifestar
o seu rechaço à visita real som cercad@s por agentes da UIP.
Vári@s resultam identificad@s.
4 de Fevereiro
BNG demanda mais efeitivos policiais para “controlar a movida
nocturna” em Ordes. Ramiro Recouso, portavoz nacionalista
na corporaçom municipal ordense, anúncia que a sua formaçom
considera “chave” acrescentar os efectivos da Polícia local
e solicitar reforços como alternativas para evitar os incidentes
que gera na sua opiniom a massiva presença na vila de centos
de moços e moças durante as fins-de-semana. Recouso acusa
o alcalde Teodóssio Martino de “incapacidade” para “por freio
à situaçom”.
5 de Fevereiro
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Interior convoca 800 praças
de carcereiros ante a prevista enjurrada de pessoas presas
que derivará das reformas penais e penitenciárias. 25% da oferta pública de emprego
para 2003 irá destinada à Dirección General de Instituciones
Penitenciarias (DGIP). Esta oferta vem acompanhada dum
crédito de 130.6 milions de euros que Hacienda traslada
a Interior para a construçom de quatro novos macrocárceres.
A DGIP dispom actualmente dum quadro de 20000 carcereiros
e umha populaçom penitenciária de 45075 pessoas
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Polícias espanhóis agredem em Ourense os tractoristas da
Límia participantes numha mobilizaçom em defesa do sector
da pataca. O Subdelegado
del Gobierno espanhol em Ourense Rosendo Fernández resolve
as reivindicaçons dos pataqueiros da Límia com umha brutal
carga policial que ocasiona vários contusionados, duas pessoas
feridas nas extremidades inferiores que devem ser trasladadas
ao hospital e a detençom de José Manuel Puga, secretário provincial
do Sindicato Labrego Galego, que resultará também agredido
em Comisaría e permanecerá em maos dos antidisturbios
durante várias horas.
A intervençom repressiva desenvolvida por 5 carrinhas policiais
e mais de 20 agentes contra os produtores de pataca produz-se
a 6 qm. de Ourense, pondo fim de modo violento à tentativa
dos labregos de alcançar a cidade e aparcar indefinidamente
ali os seus veículos para acelerar umha saída à crise que
vive o sector. Além disso, e aplicando idênticos métodos que
a Guardia Civil no seu ámbito de intervençom, os antidisturbios
tomam as matrículas dos tractores e pedem a documentaçom os
agricultores. A maior parte deles nega-se a cumplir com esta
obriga legal.
O colapso da N-525, agora em demanda da liberdade sem cargos
para o sindicalista do SLG, durará até meia-noite, hora à
que este é libertado. Alcaldes do PP de Sandiás, Rairiz de
Veiga, Trasmiras, Sarreaus e outras vilas afectadas polo conflito
despraçam-se até o lugar dos factos. Xaquin Rodríguez, regedor
de Rairiz de Veiga, declarará que esta “é umha situaçom alucinante
em pleno século XXI que reflite um retrocesso das liberdades”.
6 de Fevereiro
Fai-se pública a suposta “inoperatividade” das câmaras de
videovigiláncia que a Polícia espanhola tem instaladas no
casco histórico da capital galega. Segundo informaçons aparecidas no diário La Voz
de Galicia, estas câmaras carecem do permisso preceptivo
da Delegación del Gobierno espanhol na Galiza. Simultaneamente
à apariçom desta notícia, dous vizinhos que fizeram umha petiçom
ao Governo local para conhecer o conteúdo das fitas gravadas
polas videocâmaras recebem a resposta de que as gravaçons
“borram-se quase de imediato”.
8 de Fevereiro
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60 manifestantes convocad@s por Nunca Mais em Lugo resultam
agredidos por polícias espanhóis e escoltas de Mariano Rajoy
quando exigiam responsabilidades pola catástrofe do Prestige. O transcurso
dum acto convocado polo Partido Popular em Lugo é boicotado
por manifestantes mobilizad@s por Nunca Mais. O local do PP
é objecto dum vertido de chapapote. Perante a impossibilidade
para conter as pessoas que protestam frente a Mariano Rajoy,
vários escoltas deste desenfundam armas de fogo e agredem
brutalmente um dos manifestantes. Junto aos polícias espanhóis
despregados chegarám com posterioridade efeitivos da Guardia
Civil e a Polícia Autonómica. A mobilizaçom realizada
e os incidentes que dela resultam som motivo dumha
campanha mediática local para reforçar a presença da Polícia
espanhola na localidade dos 116 efeitivos de que dispom na
actualidade aos 175 “necessários”.
9 de Fevereiro
Criminalizaçom da mocidade em Boiro e Ordes. Forças
da Guardia Civil espanhola e a Polícia local tomam
o Campo da Feira de Ordes, lugar de reuniom de centos de moços
e moças durante as fins-de-semana. O diário ultraconservador
El Correo Gallego demanda através dos seus correspondentes
Suso Souto e Mónica González “maior presença policial” na
vila de Boiro para o controlo da mocidade.
10 de Fevereiro
Novas tecnologias e controlo social. A Agencia
de Protección de Datos pom em questom o projecto de tarjeta
sanitária individual que pretende por em andamento o Ministerio
de Sanidad no conjunto do Estado e que foi apresentado
em 13 de Janeiro os conselheiros de sanidade das Comunidades
Autónomas. José Luis Piñar, presidente da entidade, asegura
que o projecto manifesta “problemas, e nom poucos, do ponto
de vista da protecçom dos dados” e considera necessário esclarecer
“que dados conterám as tarjetas, como se utilizarám e que
pessoas estarám facultadas para aceder os mesmos”. J. L. Piñar
questiona que a informaçom armazenada nas tarjetas tenha um
uso “estritamente sanitário ou de outro tipo”. O alto grau
de interrelaçom existente entre os distintos organismos estatais
e o actual nível de informatizaçom administrativa convidam
a pensar que o projecto de Sanidad suporá umha maior
imiscussom estatal na privacidade dos e das cidadás.
11 de Fevereiro
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Relevo de mandos à frente da Polícia Autonómica. Manuel
Bouzas Canosa é nomeado comisario da Polícia Autonómica
em substituiçom de Jaime Iglesias que se reintegrará à Polícia
espanhola na vila de Ponte-Vedra. Bouzas Canosa fora Comisario
Jefe de Seguridad Ciudadana em Corunha, participando na
implantaçom do Programa Policía 2000.
A Junta de Fiscales de Sala tacha de “ilegal” a reforma
governamental que regula que a comissom de quatro faltas
no prazo dum ano será considerada como delito. Indicam que este
aspecto pontual da reforma penal “iria contra a presunçom
de inocência”, dando o visto bom o resto das medidas governamentais.
13 de Fevereiro
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Policializaçom da capital galega. 25 novos
polícias espanhóis incorporarám-se proximamente à Comisaría
compostelana, actualmente com 183 efeitivos. O alcalde
Sánchez Bugallo aproveita a ocasiom para aparecer em diversos
meios reinvindicando um quadro de 240 agentes. O Concelho demanda
também a permanência na cidade da Unidad de Intervención
Policial (UIP) -os antidisturbios-, recentemente
despraçada a Compostela para cubrir diversos actos oficiais.
Quanto a Polícia local, o quadro deste corpo repressivo alcançará
em breve a cifra de 188 agentes, embora o Governo local demanda
a quantidade de 230.
A hiperpresença de agentes de polícia na capital
galega nom deriva da existência dumha elevada conflitividade
social ou política: as próprias autoridades municipais e policiais
coincidem sem excepçom em qualificar o núcleo urbano como
“seguro” em termos policiais, mas alegam o intangível conceito
da insegurança subjectiva para justificar a permanente
policializaçom dos espaços sociais e actividades que se desenvolvem
na cidade. Nesta mesma direcçom, o Governo municipal asinará
um convénio com a Subdelegación del Gobierno para a
colaboraçom entre a Polícia local e a espanhola no marco dum
acordo asinado recentemente entre o Governo espanhol e a Federación
Española de Municipios y Provincias (FEMP).
14 de Fevereiro
O Consejo de Ministros aprova a reforma legal que
permitirá os juízes encarcerar @s autor@s da denominada pequena
delinquência. A medida
supom a generalizaçom da aplicaçom da prisom preventiva para
os delitos de menor quantia. A própria Fiscalía
General del Estado alerta sobre a possível ilegalidade
das mudanças promovidas polo Executivo.
16 de Fevereiro
A Guardia Civil interpom denúncia contra os pataqueiros
da Límia. Apesar de nom atopar-se presente na carga
policial realizada contra os pataqueiros o dia 5 (ver informaçom),
quando estes demandavam ajudas para o sector,
a Guardia Civil interpom denúncia contra os
agricultores por curtar o tránsito de forma ilegal. Incumplem-se
assi as promesas de ausência de repressárias exprimidas no
seu momento polo Subdelegado del Gobierno em Ourense
Rosendo Fernández.
La
Voz de Galicia e a “insegurança
cidadá” na Galiza. Em domingo -jornada em que o diário do
Grupo Voz alcança o seu máximo número de leitores e leitoras
(mais de 140000 jornais vendidos)- e no marco da campanha
governamental arredor do discurso do delito e a promoçom
da insegurança cidadá, o jornal La Voz de Galicia
apresenta umha extensa reportagem com o objectivo perceptível
de magnificar os índices de delitividade e dar fundamento
informativo à demanda Más Seguridad, promovida tanto
desde a direita quanto desde a esquerda instituicional.
Asegura La Voz de Galicia que estes índices se teriam
acrescentado na Galiza rural mais do duplo do que a meia estatal.
Para além da conjunturalidade do dado e o seu escaso relevo
percentual, a informaçom serve para dar voz a Asociación
de Simpatizantes de la Guardia Civil, entidade composta
por membros em activo do corpo militar, que relaciona o reponte
delitivo com a “deficiente asignaçom de recursos” a
umhas áreas em que vive 60% da populaçom da CAG. A letra pequena
da mesma reportagem indica, com todo, um dado muito significativo
quanto à campanha estatal Más Seguridad: a CAG tem
uns índices de delinquência que estám 20 pontos percentuais por debaixo da meia estatal.
Distintos meios de difusom anúnciam que a Academia Galega
de Segurança formou em 112 cursos 3700 polícias no último
ano. A entidade
policial insiste na necessidade de homogeneizar as actuaçons
das Polícias locais e intervir na formaçom de outros corpos.
Privatizaçom da segurança cidadá. A vigiláncia
policial continua escalando postos entre os sectores económicos
mais lucrativos. Seguindo a estrategia privatizadora, Interior
vem de entregar a maos privadas a protecçom dos edifícios
das Jefaturas de Tráfico. O desembolso do Ministerio
espanhol para pagamentos a empresas privadas de segurança
medrou um 82.24% desde 1996 com a chegada do PP ao Governo.
17 de Fevereiro
O Ministro de Justicia José María Michavila reafirma
a validez das reformas do Código Penal que impulsiona
o Governo espanhol. Frente as discrepáncias de matiz que surgem em diversas
instáncias do Estado a respeito das reformas em curso, o representante
do Governo fai umha defesa encerrada das mesmas e asegura
que “a polícia nom pode estar soa na luita contra o delito”.
18 de Fevereiro
Adoutrinamento instituicional da infáncia na adesom aos
corpos repressivos. Dúzias de nen@s do Colégio “Compañía de
María” som despraçad@s às dependências da Polícia local compostelana
para indoutriná-los na ideologia da segurança cidadá.
A iniciativa parte do Departamento de Educaçom do Concelho
em colaboraçom com a Dirección General de Tráfico,
entidade directamente dependente do Ministerio de Interior.
19 de Fevereiro
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Repressom das protestas populares contra a catástrofe do
Prestige. O julgado nº 7 de Ponte-Vedra abre diligências “por injúrias
à autoridade” contra umha moça que insultou Fraga Iribarne
quando este saia dumha reuniom do PP provincial.
21 de Fevereiro
Militantes de NÓS-Unidade Popular de Trasancos identificados
por realizar um mural político. Bruno Lopes,
Paulo Rico e Maurício Castro som denunciados “por danos ao
património” pola Polícia espanhola trás realizarem um mural
independentista.
23 de Fevereiro
O Grupo Parlamentar do BNG no Hórreo exige à Xunta
partidas orçamentárias para a posta em andamento dos juízos
rápidos. Fora
desta petiçom técnica realizada polo deputado Alberte
Rodríguez Feixoo, a formaçom nacionalista nom questiona a
filosofia política dumha reforma que doravante dará um peso
excepcional aos corpos policiais no desenvolvimento dos processos
judiciais.
24 de Fevereiro
Criminalizaçom da mocidade ordense. Campanha
em diversos meios de difusom comarcais demandando umha maior
presença policial na vila de Ordes “para controlar a movida
juvenil”. As informaçons magnificam de modo interessado
factos delitivos marginais para gerar umha alarma social
que revirta tanto na estigmatizaçom da mocidade -drogadiçom,
desordens, etc.- , quanto na compactaçom social em torno as
forças repressivas e a demanda de mais efectivos policiais.
Mais polícia espanhola para a capital galega. Ao fio
da polémica aberta há algumhas semanas sobre a suposta falta
de efeitivos policiais na capital da Galiza, o Ministerio
de Interior convoca 27 novas praças e anúncia que incorporará
à Comunidade Autónoma Galega 254 agentes mais a engadir aos
2070 já existentes.
O juíz do Julgado nº 7 de Ponte-Vedra arquiva as diligências
abertas contra umha moça que insultara Fraga Iribarne.
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Novas dotaçons para a Polícia espanhola. O Ministro
de Interior Ángel Acebes inaugura em Madrid 1073 carros
de camuflagem para a Polícia espanhola.
Colaboraçom cidadá com os corpos policiais. Umha
nova legislaçom de ámbito autonómico impom @s proprietári@s
de locais hostaleiros a obriga de chamar a Polícia quando
detectarem ruido nas proximidades dos seus locais.
25 de Fevereiro
Vizinh@s contra a Guardia Civil. Vizinh@s
de Santa Comba denúnciam “por vejaçons” o sargento da Guardia
Civil da vila José Lino Lemos Rosende e organizam umha
recolha de sinaturas para o despraçamento deste número.
Numerosos vizinhos e vizinhas alegam ter sido objecto dos
excessos do denunciado.
26 de Fevereiro
Controlo cidadám por videocâmaras. O Governo
municipal de Ribeira contratará à empresa Fichet para instalar
câmaras policiais em diversas ruas e praças da vila do Barbança.
A colocaçom dos objectivos realizará-se em dous meses.
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Sabotagem instituicional de iniciativas de autoorganizaçom
social em Corunha. O Governo municipal corunhês precinta
temporariamente o local da Associaçom Cultural “Mil Luas”,
centro social libertário onde até o momento se desenvolviam
regularmente actividades socioculturais. A razom oficial da
claussura é a necessidade de o local social reformar-se para
adequar-se a normativa municipal sobre ruidos, trás a denúncia
realizada contra a associaçom por um juíz residente no bairro.
Várias pessoas denúnciam a intervençom do Concelho.
28 de Fevereiro
Repressom policial em Ourense. Dous moços resultam
identificados, detidos e denunciados quando realizavam umha
pintada antifascista na Ponte do Milénio. Estám à espera de
processo judicial.
MARÇO DE 2003
3 de Março
Concelhos contra a liberdade de expressom. O Governo
municipal de Santa Comba decide contratar os serviços dum
grafólogo para averiguar a autoria de diversas pintadas aparecidas
na vila com as legendas PP caciques e Parajó RIP
-em alusom a Toja Parajó, alcalde da vila-. Xosé Manuel
Vila, concelheiro nacionalista na corporaçom jalheira, qualificou
a realizaçom das pintadas de acto de “covardia política de
quem nom tem valor de dar a cara”.
Juízo em Madrid contra independentista galego. O processo
a celebrar hoje contra o ex militante do Exército Guerrilheiro
do Povo Galego Ceive Manuel Quintáns Lopes é suspendido pola
incomparecência de vários advogados da acusaçom particular.
O patriota galego enfrenta-se a umha petiçom de 82 anos de
cárcere pola sua presunta participaçom numha acçom desenvolvida
em 2 de Fevereiro de 1989 polo EGPGC em Irijoa. O número
da Guarda Civil Benedicto García Ruzo resultara
morto como consequência deste operativo. Acusa-se além disso
Quintáns Lopes de “integraçom em banda armada, detençom ilegal,
atentado, assassinato frustrado e assassinato consumado”.
O independentista galego fora excarcerado em 1993 trás quatro
anos de prisom sem ser-lhe realizado o juízo, aproveitando
esta circunstáncia para exilar-se no estrangeiro. Em Julho
de 1998 foi detido polas Forças Aéreas Mexicanas, permanecendo
quatro anos em prisons dáquel país e sendo extraditado em
2002.
6 de Março
Parlamento espanhol avala quase por unanimidade a cadeia
perpétua fáctica proposta polo Executivo do PP. Com mais de 90%
dos votos afirmativos, o Congresso espanhol aprovava a reforma
da legislaçom penitenciária que eleva de 30 para 40 anos a
máxima pena por delitos de “terrorismo” e endurece
as condiçons para o acesso ao terceiro grau penitenciário
para @s militantes ou colaborador@s de organizaçons revolucionárias.
Foi rechaçada a totalidade das emendas ao Projecto de Lei
para o cumplimento íntegro e efectivo das condenas. Carlos
Aymerich, deputado do BNG na câmara espanhola, tachou a medida
de “cadeia perpétua encuberta”.
Oscurantismo no processo de instalaçom de câmaras policiais
nas ruas da capital galega. O Movimento polos Direitos Cívicos
denúncia a negativa do Governo municipal e da Delegación
del Gobierno a informar sobre os permissos para a instalaçom
de câmaras de videovigiláncia na rua. O Valedor do Pobo
também afirma a impossibilidade de aceder ao citado material.
650 sinaturas contra a Guardia Civil. Vizinh@s
de Santa Comba recolhem 650 sinaturas como denuncia dos abusos
do chefe do posto da GC na vila, José Lino Lemos Rosende.
Com as sinaturas é apresentado no Concelho um dosier sobre
as atitudes do citado número. Umha brochura anónima
distribuida massivamente por Santa Comba caracteriza Lemos
Rosende como “um vaqueiro” a circular pola vila.
8 de Março
Reorganizaçom das instalaçons da Guardia Civil por
Interior. O Ministerio de Interior procederá à realizaçom
dum Plano Renove imobiliário da GC consistente na venda
das instalaçons obsoletas do instituto armado para custeiar
a melhora de outras que Interior considera estratégicas.
Dentro do plano de reorganizaçom aponta-se a necessidade de
melhora das 38400 vivendas de que actualmente dispom a Guardia
Civil . Com este objectivo, os orçamentos para o corpo
militar serám acrescentados num 11.86% para 2003.
12 de Março
Criminalizaçom da mocidade em Melide. Benedito
Álvares, concelheiro nacionalista na corporaçom municipal
de Melide, demanda “mais polícia, particularmente às noites”
como mecanismo de controlo da movida juvenil. A incorporaçom
do nacionalismo instituicionalista às denominadas políticas
de segurança é a cada mais umha realidade, já nom apenas a
nível de acordos instituicionais globais, mais desde os próprios
governos municipais.
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A Guardia Civil espanhola implicada em torturas. O Tribunal
de Direitos Humanos de Estrasburgo vem de admitir a trámite
15 denúncias de tortura contra a Guardia Civil apresentadas
por independentistas cataláns em 1992. O Tribunal considera
que há indícios de que o Estado espanhol violou o artigo 3
da Carta dos Direitos Humanos que proibe o emprego da tortura.
O Tribunal Constitucional contra o direito de livre
associaçom política. O Tribunal Constitucional avala
com o apoio de doze magistrados a Ley Orgánica de Partidos
Políticos. A nova legislaçom sobre o direito de associaçom
permite por fora do jogo político instituicional e social
aquelas opçons que fagam um questionamento explícito do actual
quadro jurídico-político. Na Galiza, as diversas organizaçons
e entidades que conformam o independentismo nacional seriam
potencialmente as primeiras acredoras a ser objecto de aplicaçom
da lei.
13 de Março
O Estado espanhol é denunciado na UE por torturas e tratos
degradantes. O Comité para a Prevençom da Tortura e
dos Tratos Inhumanos e Degradantes do Conselho de Europa afirma
que as pessoas detidas no Estado espanhol estám desprotegidas
contra a prática instituicional da tortura. O informe apresentado
polo Comité alega que “o quadro legal nom oferece os detidos
um sistema eficaz de garantias contra os mal-tratos””. Denúnciam
também a imposiçom das 120 horas de detençom incomunicada
em casos de terrorismo, sem que a pessoa detida tenha
direito a eleger advogad@ e médic@ forense e baixo o desconhecimento
das acusaçons que se lhe realizam.
Este novo informe soma-se a outros já apresentados pola
ONU e por Amnesty International em que se acusa o Estado
espanhol da prática instituicionalizada da tortura como meio
de extracçom de confessons. Para evitar estas práticas, AI
propom entre outras medidas a gravaçom dos interrogatórios.
José Manuel Sánchez Forner, Secretário Geral do Sindicato
Unificado de Policía (SUP)
asegurou com todo que “99% das denúncias de mal-tratos som
falsas”.
14 de Março
Inícia-se um processo judicial contra 12 vizinhos da Arouça
que participaram na luita contra os depósitos de hidrocarburos
do Ferraço em 2000. Pedem-se para todos mais de 55 anos de
cárcere. Hoje
fai-se pública a petiçom do fiscal contra vários vizinhos
da comarca da Arouça que, em 18 de Janeiro de 2000, participaram
na mobilizaçom contra os depósitos do porto do Ferraço em
Vila Garcia. A convocatória fora realizada pola Plataforma
para a Defesa da Ria e reunira na altura 800 pessoas de toda
a comarca. Segundo o informe do fiscal, @s manifestantes dividiram-se
em três grupos de 250 pessoas que se dirigiram a colapsar
as três principais saídas da vila, curtando o tránsito rodado
com barricadas de contentores ardendo e outros elementos de
mobiliário urbano. @s manifestantes deixaram incomunicada
Vila Garcia durante várias horas, produzindo-se diversos enfrontamentos
entre @s vizinh@s e dezenas de antidisturbios despraçados
à vila para repremer as protestas.
Como consequência da intervençom policial resultaram contusionadas
dúzias de pessoas e praticaram-se 12 detençons: um vizinho
de Vila Garcia, 3 de Rianjo, 4 da Ilha de Arouça e 4 de Boiro,
Vila Nova, Vila Longa e Cambados.
Mais de 3 anos depois dos factos, o Ministerio Público
realiza a abertura do processo contra as doze pessoas detidas.
Afirma a fiscalia que as actuaçons dos detidos “som legalmente
constitutivas dum delito de desordens públicas em concurso
com um delito de danos”, e considera um agravante “que três
deles levassem o rosto cuberto com passamontanhas”. Acusa-se
também a 11 dos processados dum “delito de atentado contra
a autoridade” e ao duodécimo dum “delito de resistência”.
As petiçons som de condena de 5 anos e meio de cárcere por “desordens públicas”, “danos
com agravante de disfraz” e “atentado” para dous dos processados.
Para um terceiro vizinho pede-se umha condena idêntica com
a engádega de 10 meses “por resistência”. Os restantes nove
encausados enfrentam-se a penas de 4 anos e meio de prisom
por “desordens”, “danos” e “atentado”. Um total de 55 anos
e 4 meses de privaçom de liberdade conformam a petiçom da
fiscalia, à que há que engadir o pagamento dumha sançom económica
de 16083 euros em conceito de “indenizaçom” ao Concelho de
Vila Garcia -instituiçom que se persona como acusaçom no processo
contra os 12 vizinhos- e o pagamento das custas judiciais.
Os julgamentos poderiam iniciar-se o vindeiro mês de Setembro.
16 de Março
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Constitue-se na capital da Galiza o organismo popular anti-repressivo
Ceivar. Com a presença d@s membros da Comissom
Gestora para a criaçom do organismo anti-repressivo nacional
constitue-se formalmente Ceivar. A nova estrutura focará a
sua intervençom para a denúncia da repressom política sobre
o povo galego e a cobertura jurídico-legal das e dos militantes
que sejam objecto da mesma. O organismo dota-se dumha estrutura
assemblear de comités comarcais coordenados através dumha
Mesa Nacional. Entre os objectivos imediatos aponta a formalizaçom
dumha Equipa Jurídica e a centralizaçom da gestom dos processos
repressivos em que estám imersas dezenas de independentistas
galeg@s.
17 de Março
O Tribunal Supremo espanhol aplica por primeira vez
a Ley Orgánica de Partidos Politicos. Por unanimidade,
os 16 juízes que componhem a sala do Tribunal Supremo
aprovavam a primeira ilegalizaçom dum partido político no
Estado espanhol desde 1975. Do consenso judicial alcançado
no TS para a ilegalizaçom de Batasuna informa nom só
a citada unanimidade, mas o facto de que apenas tenham sido
necessários 4 dos 20 dias preceptivos para ditar a resoluçom.
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Repressom da liberdade de expressom no ensino polas autoridades
autonómicas. A Xunta da CAG inícia a retirada
de propaganda em denúncia da maré negra e do começo da guerra
imperialista contra o povo iraquiano nos colégios e licéus
de todo o país. Alega esta administraçom que “nom se pode
utilizar (sic) um centro com fins políticos” e continua na
linha da instruçom emitida o dia 12 sobre publicidade e propaganda
nos centros educativos. Esta normativa dita que os tabueiros
de anúncios dos centros só podem ser utilizados “para fins
próprios do serviço público docente” e que é ilegal qualquer
tipo de propaganda ou publicidade sobre “questons alheias”.
Engade além disso a proibiçom de os centros se manifestar,
“em votaçons ou referendos”, sobre as citadas questons.
18 de Março
Repressom económica contra a AMI. Os membros
do Conselho Nacional da AMI Júlio Soares, Miguel Garcia e
Ugio Caamanho som condenados polo Julgado de Instruçom nº
1 da capital galega a pagar 540 euros em conceito de sançom
por realizarem um mural político no bairro da Trisca e 120
em conceito de “indenizaçom” ao Governo local. A sentença
advirte que, em caso de nom poderem pagar as quantidades e
em ausência de bens embargáveis, procederá-se ao arresto dos
processados.
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Concelhos e liberdade de informaçom. O Governo
municipal compostelano vem de colocar a instáncias da Concelharia
de Meio Ambiente que dirige o nacionalista Néstor Rego Candamil
20 painéis para fixaçom de cartazes. Rego Candamil asegura
que com esta medida “compatibiliza-se a liberdade de expressom
com a limpeza urbana”, mas a ordenança local que proibe o
emprego de todo tipo de suporte informativo no termo municipal
fica intacta. Além disso os painéis instalam-se em lugares
de pouca ou nula visibilidade. Diversos colectivos sociais
e políticos -particularmente independentistas- denunciarám
nos próximos dias o que consideram umha lavagem de cara
por parte das autoridades municipais que nom resolve a questom
de fundo.
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Rebeliom nos centros educativos da Galiza. A reacçom
a esta nova demonstraçom do talante fascista do PP nom se
fai esperar. Licéus de todo o país convocam claustros extraordinários
para rechaçar os ditames de Educaçom, afirmando que a normativa
“caiu como um maçaço”. Sindicatos e assembleias de estudantes
exigem a sua retirada e convidam a que se ignore. A Assembleia
de Professores de Ensino Secundário de Lugo pede a imediata
demissom do Conselheiro e do Director Geral de Centros. Professor@s
de distintos licéus aseguram que a Inspecçom está obrigando
a retirar bandeiras de Nunca Mais em diversos centros de ensino.
O sindicato do ramo da CIG denúncia que “o comunicado coarta
a liberdade de expressom e atenta contra os direitos fundamentais
de professores e alunos”.
Enquanto, Celso Currás advertirá da possibilidade de @s
director@s dos centros educativos ser expedientad@s no caso
de nom cumplir a normativa. A deputada do BNG Tareixa Novo
tachará de “fascista” o titular de Educaçom.
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Subdelegación del Gobierno espanhol
em Corunha defende brutal carga policial. A máxima representaçom
do Governo espanhol na provincia de Corunha declara
que a Polícia espanhola empregou a “força mínima imprescindível”
para disolver a concentraçom que o passado 3 de Dezembro denunciava
ante o parlamento autonómico a passividade das autoridades
ante a catástrofe nacional desencadenada polo naufrágio do
Prestige. A versom oficial oculta no entanto o facto
de que as pessoas agredidas fôrom-no unilateralmente por parte
do corpo repressivo, dando-se casos de assanhamento com militantes
destacad@s polo seu compromisso público. Várias pessoas resultaram
contusionadas, ingressando oito ao Hospital Policlínico como
resultado da agressom. Essas mesmas pessoas estám pendentes
de juízo por “atentado contra a autoridade”, ao ser facilitada
polo citado hospital a informaçom sobre os ingressados aos
antidisturbios.
20 de Março
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Fraga Iribarne retoma práticas dos seus tempos de Ministro
de Información franquista. O presidente do Governo autonómico Fraga
Iribarne declara-se “contra a violaçom das consciências dos
estudantes galegos”. Socialmente acurraladas nos momentos
álgidos da crise nacional, as autoridades autonómicas reagirám
em coerência com comportamentos próprios da sua natureza fascista
com a criaçom de irreais inimigos externos que reagrupem a
populaçom (batasunizaçom da Galiza), a criminalizaçom
de toda resposta social (reduçom desta a formas menores de
violência política) e o emprego da repressom contra a protesta
popular massiva, considerada polo titular da presidência da
Xunta como “toda essa merda com a que querem untar
o país”.
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Detençons em Ourense. Umha mobilizaçom
juvenil contra a guerra imperialista convocada em Ourense
remata na Praça Maior da cidade. Produze-se o lançamento de
pedras e ovos contra o edifício do Concelho governado polo
Partido Popular e enfrentamentos com as Fuerzas
de Seguridad del Estado. Um carro da Polícia local é volcado
pol@s manifestantes no seu propósito de defender-se da agressom
desta. 4 moços resultam detidos. Dous serám conduzidos a Comisaría
e ficarám à espera de juízo por “atentado contra agente da
autoridade” e rotura das cristaleiras do Concelho.
Reforço dos julgados ante a aplicaçom da justiça rápida. O Consejo General del Poder Judicial (CGPJ) solicita
dos Ministerios de Justicia e Interior o reforço
de 50 julgados de Instruçom, Primeira Instáncia e do Penal
para asumir os juízos rápidos e a enjurrada de processos
que derivará das reformas governamentais em matéria penal.
Empresários com a Guardia Civil. Um grupo
de empresários da vila de Santa Comba solidariza-se com o
sargento do instituto armado José Lino Lemos Rosende, suspendido
cautelarmente das suas funçons. O chefe do posto da GC em
Santa Comba fora denunciado num dosier elaborado ao efeito pola sua agressividade
e prepotência por parte dos vizinhos e vizinhas da vila. Foram
recolhidas 650 sinaturas exigindo a sua separaçom da responsabilidade.
21 de Março
Nove vizinh@s de Lugo som imputad@s judicialmente por protestar
frente a Mariano Rajoy. O Julgado nº 3 de Lugo toma declaraçom
as nove pessoas identificadas em 8 de Fevereiro numha protesta
contra o responsável da catástrofe nacional Mariano Rajoy.
@s manifestantes dificultaram a participaçom do vicepresidente
espanhol num acto do seu partido em Lugo, resultando um deles
ferido na cabeça por escoltas do político.
A Guardia Civil pratica o controlo político da cidadania.
30 pessoas som identificadas arbitrariamente em Rois por
números da GC quando participavam numha concentraçom
para denunciar a implicaçom do Governo espanhol na guerra
imperialista contra o povo iraquiano. Desconhece-se até o
momento que destas identificaçons tenha derivado qualquer
processo judicial.
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Resposta social à circular repressiva enviada pola Conselharia
de Educaçom. 25 professor@s de Lugo queimam publicamente
ante um edifício da Xunta a circular enviada pola Conselharia
de Educaçom a todos os colégios e licéus da CAG proibindo
a colocaçom de informaçom sobre a catástrofe nacional e a
denúncia do massacre em curso contra o povo iraquiano. Pedem
também a demissom de Celso Currás e do Director Geral de Centros.
Associaçons de pais e maes, estudantis, sindicatos e movimentos
de renovaçom pedagógica constituem-se em plataforma para levar
adiante acçons conjuntas contra a circular de Educaçom. A
Assembleia de Directores de Licéus de Lugo declara-se em favor
da insubmissom activa à reforma.
Importante sentença ditada polo Tribunal Supremo
a respeito do direito à própria imagem dos corpos repressivos.
O Tribunal
Supremo avala a publicaçom dumha fotografia na que se
pode reconhecer um polícia local de serviço participando no
desalojamento dum local em Madrid. Explica a citada sentença
que “o direito à própria imagem cede em favor do direito à
informaçom veraz e livre quando a parte gráfica da crónica
se referir a umha pessoa exercitando cargo público, se capta
num lugar público e com ocasiom de acto público”.
22 de Março
Quatro pessoas contusionadas por antidisturbios em
Ourense quando protestavam ante Álvarez Cascos. Umha concentraçom
popular convocada por Nunca Mais em Santa Cruz de Arrabaldo
remata em brutal carga policial. @s concentrad@s pretendiam
denunciar a presença dum dos máximos responsáveis da crise
do Prestige, o Ministro Álvarez Cascos, implicado na
decisom de alonjar o petroleiro da costa e presente agora
numha Convención Provincial do PP. Após vários enfrentamentos
verbais entre os corpos repressivos e @s manifestantes, os
primeiros cargarám provocando várias pessoas contusionadas.
Celso Currás exige “que nom se faga política” nos centros
de ensino. “Nunca tivo a Conselharia intençom de medidas coercitivas
ou sancionadoras”, declara o titular de Educaçom em Arteixo
trás comprovar a reacçom social provocada pola sua tentativa
de suprimir a liberdade de expressom. Menos conciliador, Fraga
Iribarne realiza umha ameaça velada ao movimento popular em
chave tipicamente fascista: “Aqui já sabem, porque passou
em 1977, que se se ponhem bobos e nom presumimos de matons,
nada disso, que um home só fai correr 300 quando se saca a
chaqueta”, em alusom à sua prática pessoal de enfrontar-se
fisicamente com militantes de esquerda em mitins da extinta
Alianza Popular.
24 de Março
Manifestantes contra a catástrofe nacional rodead@s por
antidisturbios. Seguindo
a tónica das últimas semanas, 800 pessoas mobilizadas para
denunciar as responsabilidades das autoridades espanholas
e autonómicas no desenvolvimento da crise nacional som cercadas
pola Unidad de Intervención Policial. A concentraçom
realiza-se na Praça do Obradoiro da capital galega ante a
reuniom de vários parlamentários europeios com o presidente
da Xunta Fraga Iribarne. Som lançados ao chao alguns
dos valados de contençom instalados ao efeito.
25 de Março
Governos municipais e Guardia Civil. O Governo
local de Santa Comba colaborará activamente com a Guardia
Civil espanhola no processo de construçom da nova
casa quartel para o corpo militar. A contribuiçom consistirá
na entrega de terrenos municipais em Marlám para um projecto
que se prevé rematado no praço de 3 meses. Além disso, o Concelho
abonará 10% do orçamento para a casa-quartel com cargo aos
fundos municipais. O acordo plenário realiza-se num momento
de denúncia vizinhal das atitudes e actividades do sargento
da GC José Lino Lemos Rosende.
Persecuçom política na Xunta. Um trabalhador
da administraçom autonómica de Lugo é objecto da abertura
dum expediente disciplinário por parte da Conselharia de Meio
Ambiente por portar um autocolante de Nunca Mais no carro
oficial de que é condutor. O sindicato nacionalista CIG solidariza-se
activamente com o repressariado.
26 de Março
CGPJ certifica a reforma penal do Governo espanhol. O Consejo
General del Poder Judicial vem de dar o seu aval por 12
votos frente a 4 às reformas introduzidas polo Executivo espanhol
em 150 artigos do Código Penal vigente.
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A Xunta liga dum modo reducionista a mobilizaçom
estudantil ao independentismo para abordar a sua criminalizaçom.
Celso
Currás aparece em todos os meios de difusom audiovisuais e
escritos mostrando um cartaz da Assembleia da Mocidade Independentista
em que a AMI qualifica de “genocidas” vários dirigentes do
PP. A reapariçom da AMI nos média, quando é umha organizaçom
sistematicamente vetada por estes, tem por objectivo agitar
o perigo radical que justifique a repressom social,
jurídica e policial que se desenvolve na Galiza.
27 de Março
Declaraçom instituicional em tom fascista e endurecimento
da resposta popular à crise num clima de maior repressom.
Fraga
Iribarne apresenta umha declaraçom instituicional da Xunta
da CAG na que se afirma que a mobilizaçom de massas que
vive o país resposta à “estrategia da crispaçom permanente
de quem se achantam detrás de qualquer faixa”. A instituiçom
regional advirte contra a participaçom política à margem
do “debate construtivo das instituiçons” e asegura que o nosso
país vive um “processo de batasunizaçom”:
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Para apoiar o discurso de Fraga Iribarne, o PP estatal denunciará
a resposta popular contra os responsáveis da crise materializada
nas tentativas de rebentar actos em Vila Garcia, Noia,
Lugo ou Ribadúmia e nos ataques às sedes desse partido em
Lugo, Ferrol, Corunha, Ourense e Compostela
28 de Março
Professora fascista presiona contra a liberdade de expressom
num licéu compostelano. A docente de História de 1º de
Bacharelato do licéu Rosalia de Castro, Sra. García-Rodeja,
nega-se a impartir aulas enquanto nom sejam retirados os cartazes
que denúnciam os responsáveis da catástrofe nacional e do
início da guerra imperialista. A atitude da docente nom será
objecto de qualquer censura por parte da Inspecçom da Conselharia
de Educaçom, enquanto esta está a abrir investigaçons e expedientes
disciplinares a professor@s que denúnciam a normativa repressiva
da Conselharia.
O Tribunal Supremo espanhol aprova a primeira ilegalizaçom
dum partido independentista desde 1975 “para proteger a democracia”. O facto nom ocorre na Galiza, mas é muito significativo
a respeito das dimensons da cruzada que o nacionalismo
espanhol está a despregar contra os nacionalismos subestatais
como o galego. A recentemente aprovada Ley Orgánica de
Partidos Políticos dota o Estado espanhol do fundamento
penal necessário para perseguir legalmente toda alternativa
política que questionar o quadro constituicional e fazê-lo
quando as autoridades considerarem preciso. Por enésima vez,
confirma-se a inexistência dumha real separaçom de poderes
no Estado espanhol e a submissom do legislativo e judicial
à unidade de mando político-militar.
Juízes desacreditam a política de imigraçom do Partido
Popular. O Tribunal Supremo emite hoje umha sentença que anula
e declara ilegais parte dos 11 artigos chaves do regulamento
que desenvolve a Ley de Extranjería 8/2000. A resoluçom
quebra os 3 eixos basilares da política de imigraçom do PP,
quais som o internamento das pessoas indocumentadas,
a proibiçom dos reagrupamentos familiares consecutivos e a
extradiçom dos e das sem-papéis polo Governo espanhol.
30 de Março
Operaçom imobiliária da Guardia Civil na Galiza.
O instituto
militar está a vender no nosso país parte das suas instalaçons
consideradas obsoletas para proceder à reforma das existentes
e construir outras novas. Com este objectivo, Interior sacou a subastaçom desde 1999 as velhas casas
quartel de Ribadéu, Padrenda, Caldelas de Tui, Mera (Oleiros)
e Monte Porreiro e Carvalheira (estas duas últimas em Ponte-Vedra).
A operaçom imobiliária teria-lhe reportado oficialmente ao
Ministerio de Interior a quantidade de 2.4 milions
de euros a investir na modernizaçom dos imóveis existentes
e para financiar construçom de 4 novas casas quartel
no nosso pais.
Segundo os planos de Interior, as provincias
de Lugo e Ourense serám as principais beneficiadas
com os investimentos previstos. Concretamente, os projectos
em andamento som a reforma da casa quartel de Viveiro e a
construçom dumha Comisaría da Polícia espanhola na
mesma vila, a construçom dumha nova casa quartel da GC e dum
edifício para a Comandancia do mesmo corpo em Ponte-Vedra
e o início da redacçom do projecto dum novo quartel para Moanha
e a rehabilitaçom do já existente em Valga, trás o convénio
alcançado entre o governo municipal e Interior.
Como nota de interesse apontar que nom fica aqui a iniciativa
de miltarizaçom das comarcas rurais do país. A Xunta da CAG vem de subscrever em Setembro
um convénio com Interior para a melhora das dependências
da Guardia Civil em Cúrtis, Melide, As Pontes, Padrom,
Compostela, Arteixo, Vilalva, Ourense-Santa Marinha, Viana
do Bolo, Forcarei, Gondomar, Ponte-Areias, A Guarda, Caldas
de Reis e Marim. O acordo implicará por parte da Xunta
um investimento de 263129 euros -50% do total-.
Por sua banda Interior financiará obras nos quarteis
de Boiro, Carvalho, Ortigueira, Lugo, Sober, Seoane do Courel,
Bande, Verim, O Carvalhinho, Ogrobe, Salva-Terra, Sam Amaro-Vigo,
Baiona, Cúntis e Sam-Genjo. As reformas no conjunto das instalaçons
realizarám-se baixo o binómio segurança e habitabilidade.
A Xunta da CAG cofinanciará a construçom de muros,
a adquisiçom de equipas de raios X, espelhos de inspecçom
de baixos de veículos, perturbadores de frequência, circuitos
fechados de TV e impermeabilizaçom de fachadas.
31 de Março
Interior em favor das “repatriaçons
massivas”. A meio
dum processo de reformas da conhecida como Ley de Extranjería,
o Ministro de Interior e home próximo à organizaçom
fundamentalista Legionarios de Cristo no Executivo
espanhol Ángel Acebes asegura que continuarám as “repatriaçons
massivas de imigrantes” que
nom tenham a sua documentaçom em regra.
ABRIL DE 2003
2 de Abril
Próxima posta em andamento do sistema dos juízos rápidos. A aplicaçom do novo procedimento abrangerá 70% das causas
que actualmente gestionam os julgados e começará a utilizar-se
o próximo 28 de Abril. Simultaneamente à medida articulará-se
um novo sistema informático que conectará directamente as
esquadras policiais e as casas quartel com os julgados de
guarda. É de sinalar como dado da maior importáncia o facto
de que a nova modalidade judicial implica um maior peso do
trabalho policial no processo, constrangendo-se portanto os
mecanismos garantistas existentes com anterioridade à reforma.
Espanha internacionaliza a repressom política. José
María Michavila, Ministro de Justicia espanhol e home
próximo à secta Opus Dei no Executivo do Estado, asegura que
França e Alemanha venhem de apoiar a proposta espanhola para
a inclussom de Batasuna na lista de organizaçons terroristas
da Uniom Europeia.
3 de Abril
Legalizaçom do emprego de aerosois paralisantes por parte
da Guardia Civil. O corpo repressivo de obediência militar
vem de autorizar os seus números o emprego de aerosois
paralisantes em casos de detençom e resistência. Os efeitos
tóxicos destes aerosois produzem agitaçom, forte dor no peito
e possíveis ataques de pánico polos sintomas de abafamento
que derivam do seu uso. A exposiçom da pele e as mucosas ao
produto pulverizado gera eritemas e sensaçom de queimadura
que precisarám posterior reconhecimento médico.
Contraofensiva do Partido Popular contra a ampla
mobilizaçom social que se está a dar na Galiza. O Secretario Nacional do PP Javier Arenas denúncia
publicamente 22 acçons de resposta contra sedes e dirigentes
do Partido Popular realizadas nas últimas semanas.
Demandam colaboraçom cidadá com os corpos repressivos. Através
do seu secretário geral José Freire, o Sindicato Unificado
de Policía (SUP) pede “o apoio de sociedade” para acrescentar
a presença policial nas ruas dos núcleos urbanos. José Freire
insta as associaçons de vizinh@s a “que se manifestem e solicitem
segurança, porque assi estarám solicitando e desfrutando de
liberdade”.
4 de Abril
Insubmissom generalizada à politica repressiva de Educaçom. Colégios e licéus de todo o país manifestam-se em contra
da circular enviada pola Conselharia de Educaçom que impom
a censura por motivos políticos nos centros de ensino. As
directoras e directores de liceus da provincia de Ponte-Vedra
exigem rectificaçons públicas e responsabilidades políticas.
Novas tecnologias e digitalizaçom do bilhete de identidade. O Consejo de Ministros aprova o anteprojecto de
lei para a regulaçom da sinatura electrónica, considerado
passo prévio para a criaçom do bilhete de identidade digital.
A sinatura electrónica é um bloco de dados anexável a qualquer
mensagem ou documento enviado por Internet. Permite comprovar
quem é o remitente da informaçom e se esta tem sido interceptada
ou manipulada durante a transmissom. A nova lei dará-lhe a
mesma validade que à sinatura manuscrita e sentará as bases
para o futuro documento de identidade digitalizado.
5 de Abril
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Intensa campanha mediática para a criminalizaçom do MLNG. Trás
os ataques simultáneos realizados em diversos pontos da Galiza
contra sedes do PP e da Xunta, é desatada umha importante
campanha que tem por objecto atribuir dum modo gratuito a
realizaçom dos operativos ao conjunto do independentismo.
Siglas de organizaçons políticas e sociais cujo acesso aos
meios de difusom é habitualmente vetado, aparecem agora com
profussom em todos os meios vinculando-as com a autoria dos
factos. Em nome da Executiva Nacional do BNG, e tomando parte
activamente em favor dumha intervençom de tipo policial, Anjo
Quintana demanda a detençom dos autores. George Bush e Silvio
Berlusconi também se mostram “contrários à violência”, denúnciam
as acçons de resposta realizadas na Galiza e “solidarizam-se”
com o Governo de José María Aznar.
José María Aznar incorpora-se à satanizaçom pública do independentismo
galego. Entre multidom de bandeiras espanholas
e perante 10000 seguidores e seguidoras, o presidente do Executivo
espanhol José María Aznar volve atribuir na capital galega
a responsabilidade material das acçons do passado dia 4 de
Abril aos radicales gallegos, termo com que representantes
políticos e mass média soem referir-se pejorativamente ao
nacionalismo extraparlamentar na Galiza. O presidente espanhol
anúncia medidas repressivas contra o citado movimento sociopolítico.
6 de Abril
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Atacam com bombas incendiárias umha acampada contra a guerra
imperialista em Ponte-Vedra. Duas tendas instaladas na acampada
organizada pola Plataforma contra a Guerra de Ponte-Vedra
resultam incendiadas na madrugada sem produzir-se danos pessoais
dado que nesse momento estavam desocupadas. A resposta da
Polícia espanhola é proceder à identificaçom das pessoas acampadas.
O Subdelegado del Gobierno espanhol em Ponte-Vedra
Millán Mon tira importáncia ao atentado e asegura que dele
nom derivará qualquer investigaçom. PP e PSOE óbviam condenar
os factos violentos.
Agressom policial contra o Padre Silva em Ourense. A Polícia
local ourensana agride o Padre Silva trás negar-se este a
abandonar o lugar onde se estava manifestando contra a guerra
no Iraque. O crego é introduzido numha carrinha policial onde
malham nele. É posto em liberdade depois de ser denunciado
por “atentado contra agente da autoridade”.
7 de Abril
Corrupçom na Polícia espanhola em Compostela. Um polícia
espanhol que denunciara por falsificaçom das estatísticas
de delinquência o seu superior o Comisario Jefe
Felisindo Plaza tem agora umha petiçom de prisom contra a
sua pessoa.
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Processo em Madrid contra o independentista galego Manuel
Quintáns. Celebra-se finalmente o processo político contra o independentista
galego e ex militante do EGPGC Manuel Quintáns Lopes com 10
anos de retrasso e 8 de cárcere já cumplidos entre México
e o Estado espanhol (ver informaçom na crónica correspondente
ao dia 3 de Março). O Fiscal da Audiencia Nacional Javier
Balaguer pedirá nas conclussons a agravante de “aleivosia”
na defunçom dum número da Guardia Civil e as
feridas de que foi objecto outro. A petiçom fiscal será de
72 anos de condena e 420708 euros de indenizaçom.
O portavoz da Coordenadora Galega pola Paz reivindica a
detençom de independentistas. Na ediçom de 7 de Abril de La Voz
de Galicia, o portavoz da Coordenadora Galega pola Paz
Manuel Dios declara-se “indignado”
pola falta de identificaçons e detençons de manifestantes
que, na mobilizaçom nacional desenvolvida o dia anterior na
capital da Galiza contra o massacre do povo iraquiano, atacaram
umha cabina da transnacional Telefonica, empresa implicada
na campanha bélica. Asegura Manuel Dios que est@s manifestantes
tinham como objectivo “rebentar a mobilizaçom” e decide que
tais actuaçons “nom colhem” no movimento contra a Guerra.
Em termos parecidos -magnificaçom de sucessos menores de
violência política, facilmente enquadráveis na lógica da resposta
popular à intervençom militar-, exprime-se o Conselheiro da
Presidência. Jaime Pita declara que “na Galiza alguns temos
já que começar a resistir a pressom diária da violência de
coacçom ambiental”. Por sua parte, o portavoz nacional do
BNG Xosé Manuel Beiras afirma que “é impossível que alguns
manifestantes nom perdam a paciência” e engade que “nom há
mais violência que a do poder”.
8 de Abril
Segundo dia de juízo contra o independentista galego Manuel
Quintáns. A advogada defensora Doris Benegas reitera que o processado
nom foi o autor material dos disparos e solicita para este
a livre absoluçom. Apontar como dado relevante que todos os
guerrilheiros e guerrilheiras que participárom no operativo
de Irijoa em 2 de Fevereiro de 1989 foram acussados e acussadas
da autoria material dos factos julgados e sentenciad@s em
consequência, sem ter-se estabelecido um autor ou autora material
individual dos mesmos. O juízo fica visto para sentença.
9 de Abril
Conselharia de Educaçom obstina-se na defesa da prática
da censura. Através do seu titular Celso Currás, a Conselharia de Educaçom
declara que “nom é legal fazer política nos liceus, venha
donde venha” privando quando menos verbalmente à populaçom
jovem dum direito formalmente recolhido na Constituiçom espanhola
como é a participaçom na vida social e política. A autoria
da circular de 12 de Março despraça-se agora para o
Director Geral de Centros.
Progressiva incorporaçom de rostos conhecidos da intelligentsia
nacionalista à desqualificaçom pública do independentismo. À parte
das múltiples cartas e declaraçons aparecidas nas últimas
semanas da pruma de reconhecidos representantes da intelligentsia
nacionalista (Suso de Toro, Manuel Veiga, Carlos Santiago,
etc.), descartando a alternativa autodeterminista e defendendo
o quadro autonómico em plena crise nacional, outros decidírom-se
a ir mais longe: Xosé Manuel Sarille publica no semanário
nacionalista A Nosa Terra um artigo de opiniom que nom deixa
lugar a dúvidas sobre a posiçom política desta intelectualidade a respeito da questom nacional galega.
O Poder Judicial espanhol contrata um assessor de imagem
“para variar a histórica opiniom negativa dos cidadáns sobre
este poder”. O Consejo
General del Poder Judicial cria a praça de assessor de
imagem da Justiça, cargo unipessoal cujo titular cobrará a
nómina de 71000 euros brutos anuais -quantidade equivalente
ao salário anual dum Ministro (73400 euros)-. O cargo
será de confiança do presidente do CGPJ e designado por este.
A sua missom é o desenho de campanhas institucionais e de
publicidade para mudar a opiniom dos cidadáns e as cidadás
sobre a instituiçom. A criaçom da praça acorda-se por 16 votos
afirmativos frente a 5, declarando os críticos da medida a
“frivolidade que é contratar serviços de imagem, próprios
de jogos de mercado”.
10 de Abril
Consenso majoritário em matéria repressiva no Congresso
espanhol. A câmara espanhola aprova sem incorporaçom de emendas e
com os apoios de CiU e CC o Projecto de Lei de Segurança elaborado
polo PP. Som rechaçadas as seis emendas apresentadas à totalidade
do projecto de José María Michavila. Como novidades de importáncia
o projecto incorpora a generalizaçom do uso da prisom preventiva,
a expulsom imediata de imigrantes que tenham realizado actos
de pequena delinquência e a tipificaçom como delito
da comissom de quatro faltas no prazo dum ano.
Brutal
carga policial contra estudantes na capital galega. Os agredidos e agredidas denunciavam na Praça do Obradoiro
a suspensom dum concerto organizado por Agir por parte das
autoridades municipais. O motivo alegado para esta actuaçom
foi o suposto “carácter proetarra” dum dos grupos musicais.
Como resultado da intervençom dos polícias municipais várias
pessoas resultam contusionadas. A moça Giana Gomes deve ingressar
no Hospital Policlínico com umha importante contusom craneal
e hemorrágia. Apresentará denúncia contra os agentes policiais.
Pola sua banda, o alcalde de Compostela convida a emprender
acçons legais contra as pessoas agredidas. Asegura o regedor
municipal que existe “um grupo reduzido de pessoas que qualquer
dia nos vai dar um problema sério; som 20 dum grupo radical
sindicalista e 40 do nacionalismo radical”. Também o Seminário
Galego de Educaçom para a Paz se situará ao aveiro do discurso
oficial, condenando “as actuaçons de grupos minoritários”
na mesma linha que Sánchez Bugallo. Pola sua banda, o nacionalista
Néstor Rego Candamil obviou denunciar a agressom policial
e hospitalizaçom da vizinha Giana Gomes, abstraendo-se da
situaçom real e rechaçando qualquer acto violento “venha de
onde venha”.
Duas independentistas detidas. Eva Rei e Ângelo
Rodrigues, militantes de NÓS-Unidade Popular, som detidos
por efectivos da Polícia espanhola em Compostela quando se
dirigiam à sua casa. Na Comisaría de Rodrigo de Padrom
notifica-se-lhes sem maiores concreçons que estám detidos
“por desordens públicas” e que poderám declarar nas dependências
policiais em torno às 01:00 da madrugada do dia 11. NÓS-Unidade
Popular despregará umha extensa campanha de denúncia das detençons
e em demanda da liberdade dos 2 militantes. Como produto da
mesma duas pessoas serám identificadas por agentes da Polícia
local e processadas “por atentado contra o património”.
12 de Abril
La
Voz de Galicia pom no ponto
de mira policial várias siglas independentistas. O correspondente
de LVG na capital galega Nacho Mirás asina em sábado 12 de
Abril umha muito inexacta
e manipulada reportagem na que, fundamentando-se em
fontes policiais e sem contrastar a sua informaçom com as
organizaçons interessadas, estabelece umha relaçom tam directa
como gratuita entre organizaçons como AMI, Agir ou NÓS-Unidade
Popular e a sequência de acçons violentas e sabotagens havidas
em toda a Galiza entre 2001 e 2003. Nengumha prova é apresentada
em favor da tese defendida, mas a tentativa política de criminalizaçom
de organizaçons e pessoas é evidente.
15 de Abril
Acossa policial contra um independentista compostelano menor
de idade. O moço de 17 anos Eduardo Vigo, militante de NÓS-Unidade
Popular, recebe a visita dum carro patrulha da Polícia espanhola
no seu domicílio familiar com umha notificaçom para que se
compareza em Comisaría a realizar gestons nesse mesmo
dia. Apresentado nas dependências policiais, Vigo é informado
de que se lhe vai aplicar a Ley de Menores, trás o
qual é fotografado e se lhe realiza a ficha policial ordinária.
Trás rechaçar fazer declaraçons nas dependências da Polícia
espanhola será citado polo Julgado de Menores de Corunha.
Eduardo Vigo é imputado por agentes espanhóis de paisano
nos incidentes ocorridos numha mobilizaçom antibelicista o
dia 6. Ceivar denúncia a ”preocupante escalada na criminalizaçom
do independentismo que se está a viver nas últimas semanas”
e a tentativa policial de presionar a família do detido.
Continua a persecuçom política nos centros de ensino. A Inspecçom
da Conselharia de Educaçom abre umha investigaçom contra o
professor Rafael Sánchez do liceu Afonso X O Sábio de Cambre.
O motivo da mesma é terem distribuido entre os alunos e alunas
informaçom tirada do portal independentista www.galizalivre.org
sobre a greve geral no ensino convocada em 20 de Março. A
Subdelegación del Gobierno responsabilizará-se da abertura
dum expediente disciplinar.
Polícias municipais procedem ao desalojamento dumha acampada
contra a Guerra imperialista em Lugo. Seguindo as directrizes
do alcalde Orozco Clemente (PSOE), efectivos da Polícia local
desalojam as pessoas acampadas na Praça Maior de Lugo contra
a intervençom militar no Iraque. Nom se produzem maiores incidentes.
18 de Abril
Vizinho de Ponte-Areias é detido por tratar de rachar o
escudo preconstituicional de vidro do Concelho. Efectivos municipais
detenhem o agora processado “por danos contra bem público”.
Pendente de juízo.
19 de Abril
Dous independentistas da Plataforma pola retirada do monumento
a Franco em Ponte-Areias som processados. A acusaçom de
“resistência” a identificar-se é a origem dum novo juízo.
Pede-se arresto de fim-de-semana.
Petiçom de 2 anos de prisom para 3 filiados da CIG em Trasancos. Paulo Rico, Maurício Castro e Ismael Pico som acusados
de “destroço de mobiliário urbano” pola suposta colocaçom
de silicona nas portas de vários centros de trabalho de Ferrol
durante a Greve Geral de 15 de Junho de 2001. A petiçom fiscal
é de 2 anos de prisom para cada um e umha sançom económica
de vários miles de euros. Estám pendentes de juízo.
20 de Abril
Assanhamento contra os direitos dos presos e presas políticas.
O Partido Popular começa formalmente umha negociaçom
com o PSOE para realizar as mudanças legais necessárias que
impedam @s pres@s políticos realizar estudos universitários nas Universidades do país de origem. Garante-se
assi, entre outras questons, a supressom dos direitos lingüísticos
e culturais destas pessoas.
AVT erige-se em entidade censora na Galiza. A Asociación
de Víctimas del Terrorismo e o diário ultraconservador
El Correo Gallego lançam durante vários dias umha campanha
de imprensa destinada a exigir das autoridades municipais
compostelanas a suspensom dum concerto organizado por Agir.
Acusam um dos grupos musicais contratados -Sociedad Alcohólica-
de “simpatizar com ETA” apesar de que o grupo basco se tem
desmarcado da luita armada em múltiples ocasions.
21 de Abril
Junta Eleitoral Central contra a liberdade de expressom.
A JEC
obriga o Concelho de Ponte-Vedra a retirar a faixa com a legenda
Nunca Mais que desde há meses pendura do edifício municipal
“por terem carácter político”. A ordem responde à queija emitida
ante a JEC pola candidata do PP ao concelho pontevedrês Teresa
Pedrosa.
22 de Abril
Suspende-se em Ponte-Vedra o juízo contra o militante de
NÓS-Unidade Popular Álvaro Franco Silva. Detido num piquete
durante a Greve Geral de 20 de Junho de 2002, Franco Silva
fora agredido brutalmente por vários agentes policiais e detido
posteriormente. Está acusado dum “delito de desordens” e “lesons”,
ficando o processo aberto para 16 de Setembro.
Suspendido o concerto organizado por Agir em Compostela. O Gerente
do Multiusos da capital galega Santiago Cuadrado cede definitivamente
às pressons exercidas por El Correo Gallego e a Asociación
de Víctimas del Terrorismo. A concessom das instalaçons
para o acto fica suspendida.
23 de Abril
A Plataforma pola defesa do ensino público fai campanha
contra a normativa de Educaçom. Recolhem 4000 sinaturas nos centros de
ensino da Galiza contra a circular enviada pola Conselharia
de Educaçom. Vári@s professor@s procedem à queima pública
da normativa.
24 de Abril
Realiza-se em Vila de Cruzes o concerto de Agir proibido
polo Governo municipal de Compostela. A organizaçom estudantil Agir
despraça o festival que tinha programado realizar na capital
galega para o Campo da Festa de Grês (Vila de Cruzes), esquivando
desta maneira a proibiçom instituicional. Organizam-se autocarros
para despraçar a gente interessada em assistir.
25 de Abril
Petiçom de condena de prisom para um sindicalista da CIG
em Trasancos. O sindicalista da central nacionalista Suso Lopes Pintos
recebe umha petiçom fiscal de 2 anos e meio de prisom, e outra de 3 anos a cargo dos serviços jurídicos
da Xunta da CAG que se apresenta como acusaçom. Acusa-se-lhe
de “atentado contra agente da autoridade”. O processo aberto
tem a sua origem no conflito laboral iniciado polas mariscadoras
de Mugardos para expulsar da confraria a presidenta da mesma.
No desenvolvimento do mesmo produziram-se enfrontamentos entre
as trabalhadoras e agentes da Polícia autonómica que apresenta
denúncia contra o sindicalista.
28 de Abril
Ataques à liberdade de expressom. A Subdelegación
del Gobierno abre um expediente
com ameaça de multa de 300 a 600 euros contra o secretário
de CGT em Ponte-Vedra Miguel Cunha. O Subdelegado Millán
Mon acusa-o de repartir brochuras ofensivas contra relevantes
membros do Partido Popular numha manifestaçom realizada
o 10 de Abril. Um menor de idade poderia atopar-se na mesma
situaçom.
29 de Abril
Inícia-se a implantaçom do sistema de juízos rápidos
na Galiza. Com um dia de retrasso a respeito do resto do Estado espanhol,
começa no nosso país a aplicaçom do novo processo judicial
polo que se iniciará nos julgados de guarda a tramitaçom de
60% das faltas e delitos no praço de 24 horas.
Repressom contra a AMI. O militante da
Assembleia da Mocidade Independentista Davide Loimil é chamado
a declarar acusado de “insultos” e “ameaças” a agentes da
Unidad de Intervención Policial . Os factos teriam
ocorrido em 1 de Abril quando umha concentraçom contra a guerra
imperialista convocada diante do Barkleys Bank da capital
galega resultou proibida polos antidisturbios. Os agentes
procedérom a identificaçom das pessoas ali presentes abrindo-se
três processos judiciais.
Repressom judicial contra a língua galega. A administraçom
espanhola de Justiça abre um expediente disciplinário à advogada
compostelana Isabel Castillo a raiz da apresentaçom dumha
demanda de divórcio em língua galega por parte desta. Os factos
remontam-se a 19 de Fevereiro, quando a juíza de Muros María
Mercedes Martín dita umha providência em que devolve o texto
e dá 10 dias de prazo para que se apresente em espanhol, advertindo
que de nom fazê-lo remeteria este ao organismo competente
para a sua traduçom. Produz-se um cruzamento de demanda de
expedientes sancionadores entre a advogada e a juíza espanholista.
O procurador Pedro-Antonio Lestón define a iniciativa de María
Mercedes Martín como “aberraçom” e “burla ao direito mais
elementar dum povo: usar a sua própria língua”.
MAIO DE 2003
1 de Maio
A policia municipal agrede sindicalistas na celebraçom do
1º de Maio. À final do percorrido da manifestaçom com que o sindicato
CNT celebrou a jornada, queima-se um boneco de cartom que
representa a figura do presidente do Governo espanhol. Nesse
momento a polícia municipal intenta deter um filiado acusando-o
de fazer umha pintada durante o percorrido da manifestaçom.
Ao impedi-lo o resto militantes que estavam na praça som espancad@s.
Apresenta-se no Julgado de Compostela umha denúncia por agressom
contra dous policias, achegando o número de placa de um deles
e umha foto do outro. Neste momento estam à espera do juízo.
Segundo fontes do sindicato, nos dias prévios ao 1º de Maio
o alcalde da cidade Sánchez Bugallo pedira à polícia “tolerância
zero” com os anarcosindicalistas e o nacionalismo radical.
O Subdelegado del Gobierno em Lugo José Antonio Labrada
intenta expulsar umha mulher prostituída alegando que nom
tinha meios lícitos de vida. A decisom da Subdelegación del Gobierno foi
rejeitada polo Tribunal Supremo, já que considerar
o exercício da prostituiçom como actividade ilícita com a
intençom de aplicar umha expulsom constitue umha “vulneraçom
da Constituçom espanhola por inaplicaçom do artigo 24.2 da
mesma”.
2 de Maio
O Governo espanhol modifica em Consejo de Ministros
a Ley General Penitenciaria para controlar os exames
d@s pres@s polític@s e as universidades onde se matriculam. A lei implica
que @s pres@s só podam estudar
naquelas universidades públicas que subscreveram convénios
com o Ministerio de Interior e a Dirección General
Penitenciaria. Com esta reforma dificultará-se a concessom
de títulos, assim como o feito de as pessoas presas poder
cumprimentar os seus exames e a posterior qualificaçom dos
mesmos.
6 de Maio
O Concelho de Corunha aposta pola instalaçom massiva de
videovigiláncia na cidade. O Governo municipal corunhês decide instalar
70 novas videocâmaras policiais nas ruas e praças da cidade.
O fornecimento das mesmas encargará-se à empresa Interdata
e virám-se engadir às 29 oficialmente instaladas e aos centos
que controlam bancos, instituiçons e empresas privadas varrendo
áreas significativas do espaço público. A medida suporá a
violaçom da privacidade e a intimidade da cidadania e a imposiçom
dum sistema de vigiláncia policial sobre todos os actos e
mobilizaçons populares que se desenvolvam na cidade.
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Importante peso espanhol no desenho de políticas repressivas
a nível mundial. Às diversas iniciativas que o Executivo
espanhol está a promover a nível internacional em matéria
de controlo policial e repressom política, José María Aznar
engade a proposta de criaçom
pola ONU dumha listagem geral e unificada de grupos
terroristas. Igualmente propom incluir nos denominados
Programas de Cooperaçom financiamento para a luita
contra a subversom política interna nos países receitores.
Celebram-se em Compostela os primeiros juízos rápidos.
8 de Maio
A Associaçom Casa Encantada recebe a ordem de desalojamento. As dezasseis organizaçons e colectivos que conformam A
Casa Encantada recebem um prazo de dez dias para abandonar
o prédio no que levam trabalhando doze anos. De nom cumprir-se
esse prazo procederia-se a um desalojamento pola força.
O Congresso dos Deputados aprova umha reforma do Estatuto
Orgânico del Ministerio Fiscal que permite ao PP desfazer-se
de fiscais chefe que nom som
afins. A nova
lei que limita a duraçom das chefaturas fiscais -até agora
eram vitalícias- a um máximo de cinco anos foi aprovada com
os votos do PP, CiU e Coalición Canaria. Quando a norma
entre em vigor produzirá-se a cessaçom de arredor de 30 fiscais
chefe que levam exercendo mais de cinco anos. Com este limite
o PP consegue destituir vários fiscais de perfil
progressista, que se mostraram críticos com o Fiscal
General del Estado e a política do Governo espanhol e
que participaram no processamento de dous ministros, um secretário
de Estado e vários altos cargos de empresas privatizadas.
Evidentemente a lei está feita à medida do PP e reserva ao
Fiscal General del Estado a decisom de renovar no cargo
a quem considerar oportuno. A nova lei nom estabelece nengum
prazo para o cargo de Fiscal General del Estado, que
é nomeado polo Governo espanhol e só será substituído quando
ao executivo lhe convir. Os grupos da oposiçom instituicional,
associaçons de profissionais da carreira fiscal e o próprio
Consejo Fiscal propuseram estabelecer um prazo para
o mandato do da Fiscalía General del Estado, assim
como que a lei taxara as causas polas que poderia ser cessado,
mas o PP fixo ouvidos surdos às propostas.
Luz verde à criaçom do Juzgado Central de Vigilancia
Penitenciaria. O pleno do Senado espanhol aprovou a constituiçom
do citado julgado dentro da Audiencia Nacional. A medida
vem supor a desapariçom fáctica das competências dos julgados
de vigiláncia provinciais e a centralizaçom do tratamento
penitenciário d@s pres@s polític@s num único julgado baixo
controlo político directo.
11 de Maio
Os responsáveis políticos da catástrofe nacional vitimizam-se
e denúnciam toda acçom de contestaçom. Fernando Rodríguez
Corcoba, candidato do PP à alcaldia de Corunha, denúncia ante
a esquadra da Polícia espanhola um noveno ataque à oficina
eleitoral do Partido Popular na cidade. Sem apresentar
prova qualquer declara a existência dum “grupo radical organizado”
que estaria detrás da sequência de acçons. O PP de Betanços
denúncia também ataques contra cabinas telefónicas que publicitavam
o partido.
13 de Maio
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Antidisturbios reivindicam umha
maior margem de manobra na realizaçom das suas funçons. Exigem
umha lei que regule o uso da violência policial nas suas intervençons
e queijam-se de depender de “decisons políticas”. As centrais
policiais exigem a regulamentaçom da actuaçom das Unidades
de Intervención Policial e que se detalhe quando se pode
fazer uso da “força legítima”. Neste sentido proponhem que
a violência se aplique em manifestaçons ilegais que nom aceitem
a canalizaçom policial, quando se fizer apologia do terrorismo
ou se danem bens públicos ou privados e quando @s manifestantes
utilizem à sua vez a violência. O SUP, sindicato majoritário
entre os antidisturbios, considera que a regulamentaçom
proposta daria a estes “o abeiro do que nestes momentos carecem”.
O SUP denúncia também a “insuficiência” do plus mensal de
210 euros (35000 ptas. aproximadamente) que cobram os membros
deste corpo especializado na disoluçom de manifestaçons, asegurando
que é umha das unidades onde se registam mais casos de depressom
e estrés.
A Polícia espanhola vota. 61500 polícias
espanhóis estám convocados hoje para eleger os seus representantes
no Consejo de Policía.
14 de Maio
Corrupçom nos corpos repressivos. O número
da Guardia Civil de Ponte-Cesso Marcos A. G. é detido
como presunto autor dum delito de estafa trás timar a quantidade
de 100000 euros a um vizinho da vila.
PP, BNG e PSOE a favor de mais polícia. Num debate
eleitoral radiado os representantes dos três partidos instituicionais
coincidem em qualificar a capital galega como “cidade segura”,
mas demandam mais efectivos policiais. Apostam por combater
a “sensaçom subjectiva” de insegurança.
15 de Maio
Manifestaçom pola liberdade de expressom em Ponte-Vedra.
300 pessoas
convocadas polo sindicato CGT e com o apoio de NÓS-Unidade
Popular manifestam-se em Ponte-Vedra em defesa da liberdade
de expressom. Os factos imediatos que impulsionam a iniciativa
som a imposiçom dumha multa administrativa contra vári@s moç@s
militantes de Agir acusad@s de lançar ovos contra a Subdelegación
del Gobierno e a sançom de entre 300 e 600 euros imposta
a Miguel Acunha, secretário de CGT em Ponte-Vedra, por repartir
brochuras em que se tacha de “assassinos” vários dirigentes
do Partido Popular (ver 28 de Abril).
16 de Maio
O Ministerio de Interior restringe a entrada de imigrantes
com a ameaça da delinquência. O Ministro
de Interior Ángel Acebes anunciou que o Congresso de Deputados
espanhol está tramitando umha normativa para que @s imigrantes
que cometam algum delito sejam imediatamente expulsados do
estado espanhol e nom podam entrar em nengum país europeu
num prazo de dez anos. Num discurso propriamente ultradireitista
o Ministro justificou a medida ligando a imigraçom com a delinquência.
Mentres, as associaçons de imigrantes e direitos humanos reclamam
um plano sério de integraçom para a populaçom imigrante.
19 de Maio
O Governo espanhol inícia umha nova reforma da Ley de
Extranjería. A escasas 48 horas das eleiçons municipais, o Executivo
espanhol aprovará umha terceira reforma da Ley de Extranjería.
As mudanças legais inscrevem-se no endurecimento dos controlos
sobre a imigraçom ilegal, o reforço dos procedimentos de expulsom
e a imposiçom de novas obrigas os transportistas.
O Consejo de Ministros eleva a rango de lei os 13
artigos do regulamento que desenvolvia a Ley de Extranjería
anulados polo Tribunal Supremo em 28 de Março. Além disso,
o Consejo de Ministros incorporará também as últimas
directivas europeias nesta matéria, tais como o “reconhecimento
mútuo de resoluçons de expulsom”. A consequência imediata
desta medida é que qualquer imigrante detid@ que tenha umha
ordem de expulsom pendente em qualquer estado da EU será repatriado
sem trámite ao seu país de origem.
O anúncio das novas medidas foi realizado por J. M. Aznar
no Seminário sobre Seguridad, Libertad y Justicia en la
UE. O presidente espanhol asegurou que “a reforma manterá
integramente os direitos dos estrangeiros”.
20 de Maio
Instituiçons espanholas perseguem exercício da liberdade
de expressom. A Junta Eleitoral Central considera que as legendas
Nunca Mais e Nom à Guerra tenhem “conotaçons
políticas” e reclama unilateralmente a sua retirada dos colégios
eleitorais.
21 de Maio
Agressom policial contra o ecologista Anjo Moure. O militante
ecologista Anjo Moure é agredido por vários guardias civiles
e polícias espanhóis quando pretende exibir um cartaz com
a legenda Nom às armas ao passo do carro oficial de
Fraga Iribarne. Os factos ocorrem em Chantada minutos antes
da inauguraçom dum infantário. Moure atopa-se subido a um
muro com umha carauta de porco e o cartaz com a citada legenda
que exibiria ao passo do carro oficial. Rodeado por agentes
dos dous corpos repressivos, é lançado ao chao dumha altura
de 1.50 m. para logo ser reduzido por efectivos da GC e Polícia
espahola, que o detenhem e introduzem num carro da Guardia
Civil. Anjo Moure é posto em liberdade a primeira hora
da noite. Terá que afrontar umha acusaçom de “atentado contra
agente da autoridade” num juízo rápido.
22 de Maio
A Polícia espanhola ataca manifestantes contra o PP em Vigo.
A intervençom do corpo repressivo contra manifestantes que
se concentravam frente um acto eleitoral do PP no Pavilhom
das Travesas salda-se com várias pessoas identificadas e 7
detidas. Umha das que fôrom conduzidas a Comisaría
é agredida e posta a disposiçom médica trás 3 horas de detençom,
passando logo a noite nas dependências policiais e sendo insultada
em reiteradas ocasions. Outro dos manifestantes detidos é
acusado “por atentado contra agente da autoridade” e fica
à espera de juízo.
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Começam os processos judiciais contra os marinheiros do
Morraço. Os sindicalistas do Morraço Manuel Camaño (CUT), Xosé Lois
Diaz (CIG) e Xabier Aboi (CIG) comparecem ante o juíz da Sala
2ª do Penal de Ponte-Vedra acusados dum delito de “desordens
públicas” e “danos” protagonizados por 200 marinheiros encarapuçados
do banco canário-sariano no verám de 1995. O fiscal pede condena
de 3 anos de cárcere para Camaño e Aboi e de 2 anos e 4 meses
para Díaz. Quanto a responsabilidade civil, o fiscal reparte
entre os 3 sindicalistas os danos reclamados por Autopistas
del Atlántico, Banco de Galicia e o Estado espanhol.
Demandam-se respectivamente 24000, 30000 e 6000 euros. No
sumário só se incluem 6 das 30 mobilizaçons realizadas no
verám de 1995, tais como os curtes do tránsito na A-9 e o
Alto da Portela, a ocupaçom dumha sucursal de Caixagalicia
ou o ataque contra um veículo da Guardia Civil. Como
prova da participaçom dos sindicalistas nos factos resenhados,
a acusaçom apresenta a presença destes nas imediaçons do lugar
dos incidentes antes e depois dos sucessos e o suposto transporte
de emascarados nos carros particulares dos processados.
As mobilizaçons marinheiras de 1995 exigiam ao Governo espanhol
“firmeza” nas negociaçons pesqueiras com Marrocos e a mantença
dos postos de trabalho. Os marinheiros mobilizaram-se na altura
frente a Juan Carlos I em Marim, curtaram as ruas de Vigo
-mais de doze detidos- e sequestraram em 31 de Maio o Catamarán
entre Vigo e Cangas do Morraço. Foi esta última acçom
que decantou a deserçom dos sindicatos espanholistas UGT e
CCOO da luita dos marinheiros.
Nengum destes factos figura no actual sumário, como tampouco
nom está o assalto a El Corte Inglés e a expropriaçom
de alimentos, a queima de pneumáticos na pista de descolamento
de Peinador e de troncos na via férrea de Porrinho, Arcade
e Portas. Também está pendente de processo judicial a ocupaçom
do buque Northern Horizon no que a Comisária de Pesca Emma
Bonino ia embarcar em helicóptero para seguir a costeira do
bonito. A CIG qualifica o processo como “campanha repressiva
do PP” contra os marinheiros do Morraço.
26 de Maio
60 antidisturbios da Polícia autonómica executam
umha ilegalidade urbanística em Ourense. As excavadoras
da promotora Xestur invadem terrenos de Bemposta com o apoio
de 60 antidisturbios. A entrada de Xestur em Bemposta,
com o apoio logístico da Polícia autonómica, contraria umha
resoluçom judicial que impedia a Xunta ocupar estes
terrenos.
27 de Maio
O Julgado do Contencioso-administrativo de Compostela paralisa
a ordem de derrubo da Casa Encantada. O Concelho de
Compostela dera um prazo de dez dias rematado em 19 de Maio
para o desalojamento e demoliçom do prédio. A Associaçom Casa
Encantada tinha solicitada com anterioridade a paralisaçom
do derrubo enquanto o Julgado nom se pronunciara sobre um
recurso apresentado contra o plano urbanístico para a zona,
já que o prédio está catalogado como um Bem Cultural e portanto
protegido.
28 de Maio
A Associaçom Casa
Encantada pede que nom se execute a ordem de desalojamento
ante a paralisaçom da demoliçom.
A associaçom estima que a resoluçom e sentença definitiva
do Contencioso-administrativo apresentado contra o projecto
urbanístico para a zona pode tardar dous anos. Sendo assim
e de produzir-se o desalojamento de todos jeitos, o prédio
ficaria vazio e sem usar, mas nom poderia ser derrubado. A
isto há que adicionar que dezasseis colectivos ficariam na
rua estando ainda por decidir o futuro do prédio. Um membro
da Casa Encantada asegurou que esta se converteria “num absoluto
monumento ao absurdo”. A associaçom solicita que o concelho
sente a negociar para resolver a situaçom das organizaçons
que conformam o projecto, já que é responsabilidade do Governo
municipal dar espaço às actividades sociais e culturais que
desenvolvem na cidade.
JUNHO DE 2003
3 de Junho
Suspende-se o ingresso em prisom dos independentistas Eva
Rei e André Seoane. A escasas 72 horas para o seu encarceramento
no macrocárcere de Teixeiro, e por um suposto “erro administrativo”,
é revogada a sentença ditada por Leonor Castro Calvo que condenava
o moço e a moça compostelanos a 36 horas de prisom em regime
de isolamento. A pena fora imposta pola suposta realizaçom
de pintadas com a legenda Freedom for Galiza por parte
da Polícia local.
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Pedem 14 anos de prisom para os seis vizinhos de Santa Luzia
(Compostela) que reivindicavam segurança vial na sua parróquia
em 1998. Simón
Márquez, Augusto Gómez, Roberto Mallo, Jaime Beiroa, José
Moreira e Jesús Montoiro serám processados os dias 8, 9, 10
e 11 de Julho na Sala Compostela da Audiência. O Fiscal considera-os
autores de 3 delitos de “atentado contra agente da
autoridade”, “lesons” e “desordens públicas” e reclama para
cada um 14 anos de prisom e umha indenizaçom de 126000 euros
para o polícia espanhol Luis Gómez, supostamente atacado polos
processados durante as intervençons da força pública na citada
parróquia. A construçom do vial subterráneo entre Pinheiro
e Bornais exigida pol@s vizinh@s na altura de 1998 continua
5 anos depois pendente de execuçom por parte das autoridades.
Várias pessoas tenhem morto acidentadas neste período de tempo
como consequência da desídia instituicional.
4 de Junho
Múltiplas mostras de solidariedade com os vizinhos de Santa
Luzia. A petiçom de cárcere para os seis vizinhos da parróquia
compostelana acusados de atacar um polícia espanhol na luita
vizinhal de 1998 em demanda de segurança vial activa a solidariedade
popular. Inícia-se umha recolha de sinaturas exigindo a absoluçom
dos acusados, aos que @s promotores da mesma consideram “inocentes
dos delitos que se lhe imputam”. O texto entregado a asinar
aponta que “ante a falta de provas concluintes e a necessidade
de procurar culpáveis, procedeu-se a detençom destes vizinhos
como cabeças de turco”.
A Federaçom de Associaçons de Vizinh@s do Rural (FERUSA)
de Compostela, NÓS-Unidade Popular, Ceivar e @s concelheir@s
do BNG na corporaçom municipal solidarizárom-se com as pessoas
repressariadas.
5 de Junho
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Arsenio Fernández de Mesa, Delegado del Gobierno
na Galiza e rosto da versom oficial nos primeiros dias da
crise do Prestige, será
ascendido a Director General de la Guardia Civil, segundo
fontes próximas ao Partido Popular. Fernández
de Mesa abandonaria assi, depois de 3 anos, o seu cargo actual
para substituir a Santiago Valdivielso à frente do instituto
militar espanhol. Fontes ligadas o PP indicárom que “sobre
a identidade do novo Delegado del Gobierno nom há nada
decidido, porque o cámbio nom vai ser amanhá”. Diversos meios
manejam a hipótese de Francisco Villar García-Moreno, chefe
do gabinete de Mariano Rajoy na presidência do Governo espanhol,
como muito provável substituto.
Ligado na sua juventude a grupos de extrema direita como
os temíveis Guerrilleros de Cristo Rey, Fernández de
Mesa fizo-se famoso como Delegado del Gobierno durante
a gestom da crise do Prestige, sendo o rosto visível da versom
oficial durante os primeiros dias da crise. Está imputado no sumário aberto pola catástrofe
nacional desencadenada em 13 de Novembro. Conhecido na Galiza
pola sua inclinaçom às soluçons de violência no tratamento
dos conflitos sociais, e por um sintomático rechaço a todos
os signos de identidade nacional do país no que foi Delegado
del Gobierno, os seus coterráneos em Trasancos destacam
da sua personalidade o talante expeditivo e a sua muito limitada
capacidade intelectual. Com este curriculum, Fernández de
Mesa ascenderá agora às mais altas responsabilidades na Segurança
do Estado.
6 de Junho
O Consejo de Ministros potenciará as Polícias locais.
O Executivo vem de
aprovar um projecto de lei para a modernizaçom dos governos
locais. Entre outras medidas acordadas, o citado projecto
de lei implementa umha maior participaçom das Polícias locais
em tarefas de segurança cidadá e umha maior coordenaçom
com as FSE, assi como a autorizaçom para exercer funçons de
polícia judicial quando o Governo espanhol delimite o ámbito
de actuaçom dos agentes locais.
Francisco Villar García-Moreno, provável substituto de Fernández
de Mesa à frente da Delegación del Gobierno na Galiza. Francisco
Villar García-Moreno perfila-se como o principal substituto
do actual Delegado del Gobierno na Galiza quando este
abandonar o seu actual posto. Nacido em Madrid em 1948, García-Moreno
é considerado um home de Rajoy, baixo cuja protecçom
desenvolveu na capital espanhola várias responsabilidades
como Secretario de Estado para las Administraciones Públicas
ou Secretario de Estado para el Deporte. Desde 2000
é director de gabinete do vicepresidente. Em mentideiros políticos,
considera-se o nomeamento de García-Moreno como um reforçamento
das posiçons de Mariano Rajoy sobre as instituiçons autonómicas
galegas e o PP na Galiza.
7 de Junho
5 membros da Plataforma cidadá pola retirada do monumento
a Franco som agredid@s e detid@s no Condado por guardias
civiles. Os membros
da Plataforma atopam-se recolhendo sinaturas contra a simbologia
fascista quando som abordad@s brutalmente polos agentes. Após
ser increpad@s e espancad@s polos efectivos da GC e polícias
locais, @s detid@s som conduzid@s ao quartel do primeiro corpo
repressivo. A origem da agressom parez estar na exibiçom no
posto de recolha de sinaturas dum cartaz onde o rosto da alcaldesa
em funçons Nava Castro está substituido polo de Francisco
Franco. Umha das pessoas fica à espera de juízo acusada de
“tentativa de agressom” ao tenente da Guardia Civil.
Este e um dos números fôrom denunciados pola sua brutal
actuaçom.
8 de Junho
Militantes de NÓS-Unidade Popular de Trasancos som absoltos
num juízo “por danos ao património”. Jaime Mosquera
e Bruno Lopes foram denunciados por um inspector da Polícia
espanhola por realizaçom dum mural político. Trás o processo
saem absoltos. A sentença obriga os agentes policiais a restituir
aos dous militantes a pintura requisada no seu momento.
10 de Junho
Penas de prisom para sindicalistas da CIG em Lugo. A fiscalia
solicita 8 anos de prisom contra 3 sindicalistas lugueses
da central nacionalista “por atentado contra agente da autoridade”.
Os factos pendentes de juízo teriam ocorrido durante o desenvolvimento
da Greve Geral convocada na Galiza em 20 de Junho de 2002
contra a última reforma laboral.
O Sindicato Unificado de Policía (SUP) questiona
as críticas que por toda a parte surgem contra a intervençom
da Polícia espanhola em Santa Luzia e os processos contra
6 vizinhos. Ante a
proximidade dos juízos de seis vizinhos de Compostela que
poderiam ser ingressados em prisom (ver 3 de Junho), o SUP
é a única voz que sai em defesa dos antidisturbios
implicados no processo. Asegura a associaçom policial que “cumplem
escrupulosamente o mandado constituicional de “velar pola
segurança e a liberdade de todos os cidadáns” e considera
“umha grave irresponsabilidade por parte dos representantes
políticos” as críticas ao exercício da violência policial.
O SUP indica às associaçons vizinais solidarizadas com os
repressariados que, “num estado de direito”, a defesa das
liberdades de todos e todas exige às vezes este tipo de intervençons
11 de Junho
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Um trabalhador africano acusa quatro agentes do Cuerpo
Nacional de Policía de Vigo de dar-lhe umha malheira. O mecánico
naval residente em Vigo Camile Codjo Kpondehou denúncia quatro
polícias espanhóis por dar-lhe em 4 de Junho umha malheira
que lhe provocou a rotura do óso do pulso da mao esquerda.
O caso produz-se a escasos dous anos depois de que a Audiencia
Provincial condenasse 4 polícias locais de Vigo pola detençom
ilegal do imigrante Mamadou Kane.
Filiado da CIG, Codjo Kpondehou acusou os polícias
de insultá-lo com termos racistas enquanto o detinham. O sindicato
nacionalista agirá como acusaçom particular contra os agentes
agressores.
17 de Junho
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Desalojada por ordem judicial a Fundaçom Casa Encantada.
Os 16
colectivos sociais e culturais que tinham a sua sede desde
há mais de 12 anos na rua Castrom d’Ouro, 15 som desalojados
por ordem judicial. Mais de 200 vizinh@s concentram-se frente
ao imóvel em solidariedade com as associaçons e pessoas desalojadas.
Um discreto dispositivo da
Unidad de Intervención Policial desprega-se nos arredores
do edifício desalojado “em previsom de incidentes”. A previsível
demoliçom do imóvel que serviu de ponto de encontro para múltiplas
iniciativas socioculturais dará passo a um projecto especulativo
de vivendas de lujo e aparcamentos privados.
@s desalojad@s despraçam-se em manifestaçom até a sede do
Governo municipal ao berro de “Um desalojamento, outra ocupaçom”.
Auguram-lhe também “quatro anos duros” ao regedor local e
afirmam que “nom se vai esquecer que 16 colectivos fôrom hoje
despojados do seu direito a ter um local social”.
19 de Junho
Interior nega o direito
de asilo a 97% das pessoas que o solicitam. Para além da retórica
oficial dos direitos humanos e a solidariedade, as estatísticas
som indicativas da política real. O Ministerio de Interior
espanhol negou em 2002 o estatuto de asilad@ a 97.1% das 6023
pessoas solicitantes de refúgio que alegárom fugir de perseguiçons
políticas, religiosas ou étnicas. Várias associaçons de ajuda
@s refugiad@s consideram que o Governo espanhol fai umha das
interrpretaçons mais restritivas da Convençom de Genevra.
21 de Junho
Diversos informes oficiais sinalam a pertença à Guardia
Civil espanhola como factor de risco
na apariçon de desordens mentais. Segundo um informe
elaborado polo Ministerio de Interior, 191 números
do instituto armado suicidárom-se
entre 1991 e 2001. O dado implica umha taxa de suicídios de
27 agentes por cada 100000 habitantes, quando a taxa média
civil no Estado espanhol é de 8.6.
Interior admite que as baixas médicas por motivos
sicológicos afectam cada ano 9.66% do quadro de pessoal do
corpo repressivo e que, segundo as últimas estatísticas, os
problemas sicológicos originam 50% das baixas na Guardia
Civil. A Dirección General de la Guardia Civil
manifesta também a sua preocupaçom polos altos índices de
suicídios e baixas sicológicas que se produzem entre os 73000
guardias civiles espanhóis. A máxima autoridade do
corpo, o director Santiago López Valdivielso, decidiu criar
um serviço de atençom sicológica na instituiçom formado por
55 especialistas. Estatísticas oficiais indicam que, entre
1994 e 2001, o número de baixas sicológicas no corpo repressivo
tem-se multiplicado quase por 8: de 227 a 1780 agentes desequilibrados
mentalmente.
Segundo a Unión Profesional de Guardias Civiles (UPGC),
na actualidade há 3500 números de baixa por depressom
ou estrés. Em dous anos, @s sicólog@s fizérom avaliaçons sobre
a saúde mental de 2681 agentes e 952 familiares destes e levárom
a cabo 6236 horas de terapia.
23 de Junho
11 pessoas som retidas e conduzidas a Comisaría por
manifestar-se contra a presença do rei espanhol na Galiza.
Onze independentistas
de NÓS-Unidade Popular concentrad@s na Praça das Pratarias
da capital galega para manifestar-se contra a visita do Chefe
do Estado ao nosso país som cercad@s polos antidisturbios.
Trás umha primeira identificaçom d@s manifestantes, est@s
som conduzid@s a dependências policiais entre insultos, patadas
e ameaças. Ali ficam retidos durante mais de umha hora “para
umha segunda identificaçom”. Durante a estáncia em Comisaría
um dos militantes de NÓS-Unidade Popular é agredido polos
polícias, enquanto @s restantes som provocad@s com frases
como !A ver dónde está vuestro país de mierda! A escasos
dias dos sucessos, as 11 pessoas retidas receberám várias
cartas da Subdelegación del Gobierno nas que se lhes
impom umha sançom económica total de 800 euros.
PRESOS instalará
postos de assessoramento jurídico no casco histórico compostelano.
A associaçom
de solidariedade com @s pres@s sociais PRESOS continuará as
suas actividades trás o seu desalojamento da Casa Encantada
junto a outras 15 organizaçons e colectivos. PRESOS fai público
que sacará a sua assessoria jurídica gratuita à rua para atender
as demandas dos seus associados e associadas.
24 de Junho
Juízo contra dous independentistas por colar cartazes denunciando
umha detençom. Henar Caveiro e Carlos Morais som processados
“por colar cartazes” o dia 11 de Abril nos que denunciava
a detençom de dous militantes de NÓS-UP por parte da Polícia
espanhola. O emprego de cartazes, brochuras, faixas, murais
e megafonia móvel está proibido por umha ordenança municipal
em todo o termo municipal compostelano.
O Executivo espanhol fai umha aposta estratégica pola Guardia
Civil. O Ministro de Interior Ángel Acebes declara que
o modelo actual de GuardIa Civil, o seu carácter militar
e o despregamento territorial através de casas-quartel é “absolutamente
compatível com a modernizaçom”
do corpo repressivo.
25 de Junho
Preparam um novo passaporte comunitário que armazenará num
microchip dados biométricos do portador ou portadora. Este é
um dos acordos da recente cimeira de Salónica. O novo documento
incluirá a digitalizaçom das pegadas dactilares e o escaneado
do íris ocular, dous riscos pessoais e intransferíveis que
ficarám recolhidos em suporte informático. O novo passaporte
estará em funcionamento em 2004 nos estados membros da UE
polo que os sócios comunitários deverám acelerar a aprovaçom
das disposiçons legislativas necessárias.
A Comissom Europeia estuda também redesenhar os visados
d@s cidadáns extracomunitários que chegam à UE. Actualmente
está em processo de criaçom um banco de dados que armazenará
as identidades d@s solicitantes e titulares de visados. O
sistema informático estará a disposiçom de todos os estados
membros para “freiar”, desta maneira, @s imigrantes que trasladam
a sua petiçom de visado a outro estado depois de ser-lhe denegada
esta em qualquer outro da Uniom.
26 de Junho
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O polícia Xesús Palmou Lorenzo (Rodeiro, 1949) toma possessom
como Conselheiro de Justiça. O também Secretário
Geral do PP na CAG Xesús Palmou Lorenzo releva Antonio Pillado
à frente da Conselharia de Justiça e Interior, da que já fora
titular em 1996 e 1999. Advogado e polícia, o novo conselheiro
fora membro da corporaçom municipal da Estrada em 1987 e entrou
no parlamento autonómico em 1989. Na actualidade é considerado
um home de Madrid no aparato do PP na Galiza.
O Congresso espanhol aprova o uso extensivo da prisom preventiva
contra a pequena delinquência. O Congresso aprova
duas reformas legais que provocarám umha enjurrada de pessoas
presas face uns cárceres actualmente já massificados. Com
os votos de PP, CiU e CC a câmara espanhola dá via livre à
reforma da Ley de Enjuiciamiento Criminal para que
@s delinquentes habituais ingressem em prisom antes
do juízo. A reforma porá-se em andamento definitivamente depois
do verám, trás a sua aprovaçom polo Senado e suporá o encarceramento
imediato d@s autor@s de delitos sancionados com menos
de 3 anos de condena carcerária.
27 de Junho
Condenado a 72 anos de prisom o militante independentista
galego e ex guerrilheiro Manuel Quintáns Lopes. A Audiencia
Nacional espanhola condena o ex militante do Exército
Guerrilheiro do Povo Galego Ceive (EGPGC) a 72 anos de prisom
e umha indenizaçom de 480000 euros pola sua participaçom no
operativo desenvolvido polo EG em Irijoa em 2 de Fevereiro
de 1989. Familiares e companheir@s do preso político galego
tivérom conhecimento da sentença através dos meios de difusom.
Mais informaçom sobre este processo nos dias 3 de Março e
7 de Abril deste informe semestral.