8 de Março de 2008

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

1ªPARTE Até agora as chamadas telefónicas funcionavam assim: tu escolhes até dez números de pessoas entre as que tenhem autorizaçom para visitar-te, acreditas mediante factura que o telefone pertence à pessoa , e eles catastram os números num sistema informático que governa as cabinas telefónicas da prisom. Cada vez que queres falar com algum familiar ou amigo tens que introduzir o teu número de preso na cabina, com o qual accedes à tua “conta” que permite oito telefonemas de cinco minutos por semana aos números cadastrados. Nom há hipótese, naturalmente, de receber chamadas, apenas de realiza-las. Anteontem entregarom-nos um papel aos presos políticos anunciando-nos a nova ocorrência de Mercedes Gallizo encaminhada a “favorecer a reinserçom social das pessoas presas”, ou como seja que diz a constituiçom deles: desde agora excluem-se da listagem todos os telefonemas que nom pertençam a familiares directos. Nom se aduz nengum motivo concreto, como os socorridos “motivos de segurança” nem nada do género: é assim de pronto. Um suporia, e acertaria possivelmente, que se trata dumha nova vingança contra a esquerda abertzale, embora esto aconteceu antes - justo o dia antes - de que liquidassem ao socialista aquele de Arrasate, mas é dificil sustentar essa opiniom quando durante todo o ano de cessar-fogo nom houvo um só gesto de relaxaçom na vida carcerária, ao contrário, começarom a apertar um pouco antes deste e nom deixárom de fazê-lo até hoje. Os governos do PSOE dirigem as prisons com umha sanha mesmo superior à dos governos do PP, e especializam-se neste tipo de maldades rebuscadas que denotam graves doenças mentais e nos políticos que as pergenham e nos funcionários que as aplicam. Quase desejaria que amanhá ganhasse o PP: estes arruinam-te a base de compridas condenaçons, mas depois deixam-te aí atirado no pátio sem vir meter-che o dedo no olho cada dia. Ao menos é o que dim os bascos deste módulo que já conhecêrom uns puocos governos desde que entrárom na cadeia. A que malnascid@ se lhe pode ocorrer a interdiçom de falar com amig@s? Porque há que dizer que o sistema telefónico, para além de controlar os números a que chamas, ocupa-se de gravar as conversaçons dos que temos intervidas as comunicaçons, com o qual um eventual risco de transmitir consignas ou informaçons evapora-se. Querem simplesmente isolar-nos da sociedade, que já agora é antónimo exacto da cacarejada “reinserçom na sociedade”. Lembro-me que em Cáceres já aplicavam este critério, e lembro-me que eu conseguira evitá-lo ameaçando o director com denunciá-lo ao julgado e com liá-la parda, até ser o único preso que podia telefonar amig@s. Mas alí a ideia fora umha demência privada do director, e agora adquiriu carta de natureza grazas a Gallizo. Nom há soluçom. Por enquanto ficaremos os quatro sem poder falar mais que com os pais, e nom há que descartar que logo nos proibam até receber visitas ou escrever cartas a outras pessoas. Isto vamo-lo pelejar e provavelmente o perdamos, mas se com isso querem realmente cortar-nos os laços com as amigas e companheiros, entom equivocam-se como levam décadas equivocando-se connosco. Pior para nós, mas nom seremos os únicos a pagar polos seus equívocos

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