8 de Março de 2008
2ª PARTE Devemos ser cuidadosos na linguagem. As luitas na Modernidade plantejam-se como umha qüestom de Direito (direito de autodeterminaçom), embora nom o sejam. @s luitadores/as julgam afrontar um conflito exprimível em termos jurídicos, quando na realidade som dous universos que colisionam e se aniquilam até a desapariçom ou o equilíbrio respeitoso, até a assimilaçom ou a coexistência. Mas um universo fala na linguagem do outro porque nom conhece a sua própria, e isso nom o impede de exprimir os seus anseios e identificar os seus inimigos. Onde é que esta o problema? Há algo a ganhar substituindo as palavras da modernidade – liberdade de direitos , democracia, igualdade, … – por outras mais acordes do substrato que sustenta a luita? Pom-te no caso dos movimentos indigenistas ou religiosos: que sentido teria que começassem a explicar-se em termos de “sociedade produtora de mercadorias”, “espectáculo”, “acçom constituinte”, etc? Como os nacionalismos agem de facto minando o espectáculo e constituindo à sua margem, mas explicam-se com as palavras da sua época e do seu país. Para que iamos nós seguir outro caminho? O nacionalismo tem duas linguagens paralelas: a moderna, porque esta empapado contra a sociedade contra a que pugna, e a própria, que porém nom é a que nós empregamos nas nossas discusons mas outra, tam particular e circunstancial como a zapatista, por exemplo. Pátria Terra, devanceir@s, vontade de ser, cousas assim. Explico-me? A ver. Tu lembras-te quando algumhas companheiras adquirírom alguns conhecimentos de antropologia feminista? Bem, é interessante e útil saber isso, as raizes antropológicas da sociedade, as explicaçons teóricas do que acontece, todo isso ajuda a reconhecer os problemas e a procurar soluçons. Mas o discurso dumha comissom da mulher dumha organizaçom juvenil nom pode ser umha liçom de antropologia. Os seus panfletos, as suas roldas de imprensa, os seus mítins, … tenhem que ser feministas, isto é, umha defesa da mulher desde umhas posiçons que resultam do papel que se lhe atribui na comunidade que se constrói. O contrário é inútil e ridículo, próximo ao delírio dos grupos de extrema-esquerda de linguagem críptica, ou as bandas de rock autónomas que cantam letras sobre as verdades nómadas, a economia libidinal e a mitopoiese. Temos que ser cudados@s com a linguagem. As mudanças ao nível que falamos som perigosas e cumpre prepará-las com precisom de cirurgiao, porque se trata nom, quiçá, do motivo polo que luita a malta, mas sim em todo caso das palavras com que designa tal motivo. Um pequeno erro e, com a confusom, alguns podem perdê-lo de vista. A liberdade, a Pátria, os ancestros, Allah, a raça preta ou o catolicismo, som só palavras. Mas “há que ter cuidado com as palavras, porque as palavras som as “cousas”, como dizia o outro, exagernado um pouco. Atençom: a maioria de luitadores/as que dominam e manoseiam análises como as nossas; vem passar as luitas que as suas ideias promovem (constituintes) ao seu carom e nem sequera se dam conta. A maioria dos nossos irmaos e irmás que sim luitam, nem conhecem nem se identificam com tais teorias metapolíticas, nem falta que fai. @s galeg@s pecamos de com freqüência de ideologistas e palavreir@s. Eu nom creio que nestes momentos vaiamos por esse caminho, estou contente com o que se faz e com como se verbaliza, mas o perigo esta aí, tu que opinas? Maos à obra.
