3 de Maio de 2008
Palavras dum socialista inglês do século XIX: (…) É nesse sentido que eu me declaro inimigo da civilizaçom; nom, umha vez, que isto é umha confissom, eu tenho que reconhecer que a minha motivaçom especial como Socialista é o ódio à civilizaçom. O meu ideal de umha nova Sociedade nom seria concretizado a nom ser que essa Sociedade destruísse a civilizaçom, (…). Portanto, o meu ideal de Sociedade do futuro é, em primeiro lugar, a liberdade e o exercício da vontade individual, que a civilizaçom ignora ou cuja existência chega a negar; a libertaçom da dependência servil, nom de outros homens e mulheres, mas antes de sistemas artifiviais criados para poupar aos homens trabalho vigoroso e responsabilidade ; e para que esta vontade seja forte em nós, eu reclamo primeiro que todo umha vida animal livre e sem constrangimentos: reclamo a absoluta extinçom do ascetismo. Se sentimos umha véstia de degradaçom que seja quando experimentamos amor, ou alegria, ou fome, ou sede revelamo-nos maus animais, e portanto homens e mulheres infelizes. E vós sabedes que a civilizaçom nos leva efectivamente a sentir embaraço relativamente a todos estes sentimentos e actos; e que, tanto quanto pode, nos pede para os camuflar-nos, encorajando-nos, se possível, a pedir a outr@s que os façam por nós. Parece-me, de facto, que a civilizaçom pode quase ser definida como um sistema organizado para asegurar o exercício delegado das energias humanas em favor de umha minoria de privilegiad@s. Todavia, a par com esta exigeência da extinçom do ascetismo vem umha outra exigência: a extinçom do luxo. Parece-vos um apradoxo? Nom devia parecer. O que é que causou este luxo senom umha insatifacçom doentia relativamente às alegrias simples da maravilhosa Terra? O que é isto senom umha distoçom da beleza natural das cousas. Transformada numha perversa fealdade para satisfacçom do apetite já saciado de um homem que esta a deixa de ser homem - um homem que nom trabalha, e nom pode descansar? Queredes que vos diga o que causou o luxo na Europa moderna? Cobriu os alegres e verdes campos com casebres e escrav@s, exterminou as flores e árvores com gases venenosos e transformou os rios em esgotos, ao ponto de, em grandes extensons da Gram-Bretanha, o povo ter esquezido o aspecto dum campoou de umha flor; a sua ideia de beleza é agora um palácio de gin empestado polo cheiro a gas, ou teatro vulgar e espalhafatoso. (…) E todo isto para quê? Para se pintarem bons quadros, para se contruirem belos edifícios, para se escreverem bons poemas? Qual quê! Isso é um produto de outras eras, anteriores ao luxo e a civilizaçom. O luxo prefere clubes em Pall Mall, estofados como se se destinassem a delicadas senhoras inválidas, mas onde volumosos homens de suíças se recostam num ambiente tam absurdamente efeminado que até os lacaios de calçons de pelúcia que os servem som melhores homens do que eles (sic). E nom preciso de ir mais longe: um clube fastuoso é o exemplo acabado do luxo. Como vedes, eu insisto na qüestom do luxo - que é efectivamente, o inimigo assumido do prazer - porque nom quero que, nem mesmo temporariamente, @s trabalhadores/as vejam algo desejável nom clube elegante (…). Chamava-se William Morris.
