Arquivo do mês de Agosto, 2008

Sábado, 2 de Agosto de 2008

Sábado, 2 de Agosto, 2008

Jose Manuel Sanches

Jose Manuel Sanches

Esta é a segunda malheira que impingem ao Sánti desde que entrárom no cárcere, sete meses atrás. Nom sei se vos fazedes umha ideia de que supom umha malheira no caldeiro: estás enterrado num edifício imenso em que cada muro, cada porta, cada norma e cada uniformado se inclinam sobre ti para te bater, tu cais ao chao protegendo como podes a cabeça e encaixas os golpes de toda essa infraestrutura afegante e depois, quando finalizam, continuas rodeado por ela, atossigado por ela, sabendo que permanecerás sob esse assédio cada minuto dos próximos anos. Fazedes-vos umha ideia? As malheiras carcerárias nom acabam mais. Existe um único lenitivo para elas: repartir o sofrimento entre muitos, de forma que toque a pouco para cada um e, assim, poder suportá-lo. Nom exagero. Se quando estás sendo apaleado, ou depois quando che cai a opressom como um recordo contínuo da malheira e da ameaça de se repetir, sabes que noutros lugares há companheiros a sofrer por ti, a protestar e a devolver os golpes, entom abre-se umha fissura pola que entra a luz e disolve-se o cerco da prisom. As machucaduras continuam a doer, mas a malheira cessa. Já sanarám as feridas; tu sais fortalecido. A falta de outras soluçons mais expeditivas, os presos independentistas botamos sobre os nossos ombros as malheiras de cada um realizando um jejum simultáneo de vinte e quatro horas, que é ao mesmo tempo umha forma de protesto habitual nos cárceres. O de ontem foi, portanto, o nosso segundo jejum. Eis a aritmética dos colectivos resistentes: compartilhar a dor divide-a em anacos pequenos, compartilhar as alegrias multiplica-as até o júbilo. Nós somos quatro, que é um número cativo para repartir qualquer cousa, incluida umha malheira. Nom fai falta nengumha que a cifra aumente, e melhor seria que se reduzisse outra vez, mas assim as cousas, nom nos vem nada mal umha ajudinha para sobrelevar estas cárregas. De ontem nom me chegárom notícias, mas na primeira malheira, um ou dous meses atrás, bastantes de vós saístes à rua em concentraçons e outros actos para vos somardes a este “rancho” que às vezes nos toca comer, ao igual que o 24 de Julho gritastes por Compostela estas e outras verdades. A todos os que participastes, sabei que, sejades ouvidos ou nom pola gente e polos meios de comunicaçom, a vossa acçom cumpriu e cumpre o seu objectivo: graças a vós suportamos estas agressons e todo o que venha, sem perder o ánimo nem o sorriso. Obrigados a todos, e como sempre especialmente aos irmaos e irmás de Ceivar, tam vivos e tam cumpridores. E aos que nom participastes, por preguiça ou por reticências a siglas e linhas políticas ou por medo a saír na foto ou por qualquer misséria do estilo… que caralho acontece convosco? O que tenhem que fazer a um independentista para que vos deixedes de memezes e saiades à rua meia hora? Curtar-lhe um braço? Arrincar-lhe a pele a tiras?