Arquivo do mês de Maio, 2008

25 de Maio de 2008

Domingo, 25 de Maio, 2008

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

(…) Cada um que leve o caldeiro como queira, isso por descontado. Porém, há umha verdade paradoxal mas mui evidente em que vale a pena reparar: o aborrecimento nom é umha doença que cure o entretenimento, ao contrário, é causado precisamente por ele. Umha vinheta de El Roto questionava: se vivemos na sociedade do espectáculo … porque é todo tam aborrecido? Estou por dizer que o sentimento do tédio tem umha vida tam curta quanto a sociedade do entretenimento e nom creio exagerar. Quando vivemos pendentes de construir a nossa conciênciacom as mercadorias audiovisuais que oferta o mercado conseguimos anular o fluxo discursivo interno- aquilo qe merece realmente o nome de conciência e noutra época se chamou alma ou espírito, substituíndo-o pola espectaçom. Mas a mercadoria, todas as mercadorias e também as audiovisuais , som decepcionantes por natureza: sedutoras e decepcionantes enfim, e assim ad nauseam, ou até o vómito. Isto é, até o aborrecimento. Este mecanismo trabalha igual com o consumo televisivo do que com a compra da roupa, o turismo ou as relaçons pessoais-se fôrom mercantilizadas, como é norma hoje-. Pois bem, quando o consumidor -espectador nom encontra mercadorias suficientemente atraíntes, e portanto se abre um baleiro na sua consciência, em lugar de vir à tona umha forma de consciência autónoma o que surge é o aborrecimento. (more…)

3 de Maio de 2008

Sábado, 3 de Maio, 2008

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

Palavras dum socialista inglês do século XIX: (…) É nesse sentido que eu me declaro inimigo da civilizaçom; nom, umha vez, que isto é umha confissom, eu tenho que reconhecer que a minha motivaçom especial como Socialista é o ódio à civilizaçom. O meu ideal de umha nova Sociedade nom seria concretizado a nom ser que essa Sociedade destruísse a civilizaçom, (…). Portanto, o meu ideal de Sociedade do futuro é, em primeiro lugar, a liberdade e o exercício da vontade individual, que a civilizaçom ignora ou cuja existência chega a negar; a libertaçom da dependência servil, nom de outros homens e mulheres, mas antes de sistemas artifiviais criados para poupar aos homens trabalho vigoroso e responsabilidade ; e para que esta vontade seja forte em nós, eu reclamo primeiro que todo umha vida animal livre e sem constrangimentos: reclamo a absoluta extinçom do ascetismo. Se sentimos umha véstia de degradaçom que seja quando experimentamos amor, ou alegria, ou fome, ou sede revelamo-nos maus animais, e portanto homens e mulheres infelizes. E vós sabedes que a civilizaçom nos leva efectivamente a sentir embaraço relativamente a todos estes sentimentos e actos; e que, tanto quanto pode, nos pede para os camuflar-nos, encorajando-nos, se possível, a pedir a outr@s que os façam por nós. (more…)

3 de Maio de 2008

Sábado, 3 de Maio, 2008

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

Escoitei que há por aí quem qualifica as nossas ideias de “post-marxismo anarquizante”. Esta mui bem! Já sei que vai com bastante cachondeio, mas a quem se lhe ocorresse a expressom há que dizer-lhe:”Bem feito algo já vas entendendo!” Algo, eh. Um pouco. Umha porçom mais bem pequena, mas já é algumha cousa. A quem se lhe caem os aneis por ficar à margem da ortodoxia marxista? Nem por isso nem por buscar e encontrar teses úteis noutras escolas de pensamento, entre elas as anarquistas. E há que acrescentar que, umha vez privad@s das virtudes místicas daquela “ciência marxista-leninista”, postos a fuchicar entre as opinions e propostas mais prosaicas, a verdade é que encontramos mais ferramentas acaídas à nossa luita em editoriais libertárias do que no refritos de pratos velhos que se consumem nos templos da pureza ideológica. É isto um sacrilégio? Bem nós também nom professamos nengumha fé por esta religiom. Ora, a questom nom é tam singela. Se um ou umha quer justificar ou recusar umha etiqueta nom chega com apelar ao seu índice de leituras, nem às palavras mais empregadas no seu discurso, ao menos se um ou umha leva a sério as etiquetas, e nom vejo porque nom vamos fazê-lo. Nom me refiro à de post-marxistas anarquizantes, que é brincadeira, mas à de verdade, à que resume a possiçom política e teórica do independentismo a que eu pertenço. Qual é? Marxistas? Anarquistas? Autónomos? Situacionistas, libertári@s, comunitaristas? (more…)