25 de Maio de 2008
Domingo, 25 de Maio, 2008
(…) Cada um que leve o caldeiro como queira, isso por descontado. Porém, há umha verdade paradoxal mas mui evidente em que vale a pena reparar: o aborrecimento nom é umha doença que cure o entretenimento, ao contrário, é causado precisamente por ele. Umha vinheta de El Roto questionava: se vivemos na sociedade do espectáculo … porque é todo tam aborrecido? Estou por dizer que o sentimento do tédio tem umha vida tam curta quanto a sociedade do entretenimento e nom creio exagerar. Quando vivemos pendentes de construir a nossa conciênciacom as mercadorias audiovisuais que oferta o mercado conseguimos anular o fluxo discursivo interno- aquilo qe merece realmente o nome de conciência e noutra época se chamou alma ou espírito, substituíndo-o pola espectaçom. Mas a mercadoria, todas as mercadorias e também as audiovisuais , som decepcionantes por natureza: sedutoras e decepcionantes enfim, e assim ad nauseam, ou até o vómito. Isto é, até o aborrecimento. Este mecanismo trabalha igual com o consumo televisivo do que com a compra da roupa, o turismo ou as relaçons pessoais-se fôrom mercantilizadas, como é norma hoje-. Pois bem, quando o consumidor -espectador nom encontra mercadorias suficientemente atraíntes, e portanto se abre um baleiro na sua consciência, em lugar de vir à tona umha forma de consciência autónoma o que surge é o aborrecimento. (more…)
