Arquivo do mês de Janeiro, 2008

26 de Janeiro de 2008

Sábado, 26 de Janeiro, 2008

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

É curioso como o independentismo catalám leva quase sempre um ritmo paralelo ao nosso ao menos desde os anos oitenta. Agora mesmo vivem um momento com muitissimas semelhanças, embora também diferenças essenciais. Nom trato de fazer nengumha equivalência nem sequera me encontro mui cómodo falando dum tema tam concreto quando levamos fora uns quantos anos e perdemos um pouco de perspectiva, mas, com as devidas reservas, sim me atrevo a assinalar as semilitudes entre a qüestom da organizaçom política nos Países Cataláns e na Galiza. Se o imperativo de aprender das experiências de outros povos é algo mais que palavrada, eis umha ocasiom esplêndida para aplicá-la. Como nós @s cataláns carecem de umha organizaçom política única desde finais de 80, existindo na actualidade vários partidos bem como umha organizaçom juvenil com forte papel político. Tendo-se embarcado desde fins de ´90 em vários processos unitários frustrados, nestes momentos nom esta aberta nengumha via para a constituiçom dessa força política, de facto entre a militáncia predomina o cansácio e o fastio para esse tema. (more…)

Sábado, 19 de Janeiro do 2008

Sábado, 19 de Janeiro, 2008

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

Todo depende da perspectiva. Algo que nos parece clarísimo, que ao nosso ver nom admite mais que umha interpretaçom, porém doutro ponto de vista pode parecer justo o contrário, há que sabê-lo para podermos conviver. Quando os espanhóis falam em “tolerância” referem-se a isso: há que comprender que do seu ponto de vista as cousas som diferentes a como nós as vemos. Por ejemplo, durante o ano passado viegei muito polas prisons espanholas, em excursons curtas de menos de um mês, e depois voltara aquí, ao fim do mundo. Cada vez que voltas a Puerto passas umha noite ao módulo de ingressos, onde te cacheiam, te assustam e te revisam todas as pertenças. Numha das últimas vezes ocupárom-se desses mesteres dous carcereiros tagarelas que, depois de me obrigar a tirar toda a roupa e volta a vestir, ciscârom sobre o colchom o conteúdo das sacas, começárom a abrir todas os petos, a revisar as cartas, a palpar cada prenda de roupa. E mentres tanto, falavam comigo, com ár de superioridade e displicência, como era inevitável numha situaçom assim. “Assim que tu és galego, nom”, “e vós também nom queredes ser espanhóis?”, cousas assim. Com poucas palavras, mas eu desde a esquina tinha que responder, nom estava o forno para bolos, “queremos seguir sendo o que somos, e ponto”, e um deles, “pois nom se está assim tam mal em Espanha”. (more…)

Sabado, 12 de Janeiro do 2008

Sábado, 12 de Janeiro, 2008

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

Passa mais dum ano que nom escrevo. Nas prisons nom acontecem muitas cousas, as essenciais vam por dentro e os dias, quando um os recolhe, os coloca sobre a mesa e os examina, parecem lánguidos, amorfos. Perante á carência de “eventos”, o mais concreto que se pode assinalar para marcar a passagem do tempo som bagatelas: esta semana fixem desporto três dias, quarta-feira escrevim umha carta, ontem vim tal filme. Olhas para o dia e nom o distingues do anterior, de qualquer um da semana passada, de um mês atrás, do ano que se foi, e essa é a sensaçom de interrupçom do tempo: o relógio parou e tu ficache atrapado entre as suas agulhas, num presente contínuo que fecha as quatro paredes do módulo com o último ferrolho. Nom podes sair deste espaço, nom podes sair deste tempo. Nom é certo, como sensaçom sim: nom há nada que fazer, ás vezes atrapa-te. Nom me queixo, essa é a sensaçom da prisom -e do exilio, acrescentaria o outro-, eu estou prisioneiro, e nom escapo á minha realidade, excepto que escape efectivamente. Por enquanto conheço este mundo e as suas sensaçons, e nom me creio infeliz por isso. (more…)