Arquivo do mês de Abril, 2006

Sábado 29 de Abril de 2006

Sábado, 29 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

A Cárol já voltou. Ontem, na boa por suposto, porque pudo ver o companheiro e o resto dos compas de causa. Ainda que apenas nada, porque iam algemadas e nom pudérom nem dar-se um abraço. E ainda por cima, ao haver pacto, o julgamento apenas durou umha sessom bem curtinha, suficiente que parecesse algo, e volta para Soto. Que lástima, vem-se tam raramente, e quando podem, nem dous minutos. Polo menos estivo com as moças de Soto, que como houvo muitos movimentos, pois há algumhas que já nom estám, e outras que possivelmente já nom continuem lá quando volte ir. Agora vai ser tudo incertezas. Vam pedir que as levem a Catalunha; o mais provável é que nom haja nengum problema. Também tem que pedir que a juntem com o companheiro na mesma prisom, para poderem ver-se mais que nada. Mas as cundas para Catalunha som cada muito tempo, já que a Generalitat tem competências em matéria de prisons, com o qual as prisons catalás e as do resto do estado som levadas instituiçons diferentes. Por isso há poucos traslados de prisons espanholas a catalás. Terá que ir para Soto, e depois, umha vez lá, ficará esperando um mês, mais ou menos, para colher a cunda catalá. Depois, o destino dirá. Mas enquanto passe todo esse tempo vai viver com a tensom de “nom sei onde vou estar amanhá”.

28 de Abril de 2006, Sexta-feira

Sexta-feira, 28 de Abril, 2006

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

Um outro trecho magnífico do <i>enfant terrible das letras ianques</i>: “Isto é que acontece quando umhas gentes nom elegem nada para amar por cima de cada um si mesmo. Uns USA que dariam a vida (e a dos seus filhos) polo chamado Entretenimento (Enterteinment), por este filme. Que morreriam pola possibilidade de que os alimentasem com colheraditas desta morte de prazer, nas suas cômodas moradas, a sós, sem se moverem. (…) Pode esperar um país assim sobreviver muito tempo? (…) E muito menos exercitar o seu domínio sobre outras naçons com outras gentes? E se estas outras gentes ainda sabem o que é escolher? E morreriam por algo mais grande? E sacrificariam a cômoda mansom, a mulher amada, as suas pernas, a sua vida até, por algo mais que os próprios desejos sentimentais? E nom alegrariam morrer apenas de prazer?”

Quinta 27 de Abril de 2006

Quinta-feira, 27 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Seguindo com a possível Guerra Suja. A que vem que agora de repente detenham um moço que já estivo preso, que do único que peca é de ser jovem, basco, e de defender os seus direitos colectivos? Se sacarem da manga uns bonos estúpidos, que em todo caso seriam um problema tanto para quem os venda como para quem os queira comprar, que nom tenhem jeito nengum, e ainda por cima conseguem “demonstrar” a suposta relaçom entre a mocidade basca organizada com a luita armada, detendo justo a esse moço e nom a outro. As coincidências nom existem. Agora o coitado vai papar cinco dias na esquadra, recebendo mais hóstias que um neno tonto, para que logo se chateie todo o pessoal se houver umha reposta. Estamos loucas ou quê? Se isto nom é guerra suja que venha deus e o veja. Ainda por cima, resulta que ponhem um petardo no negócio de um tipo de UPN em Nafarroa. Em Nafarroa, onde os meios silenciam sempre qualquer acto de resistência basca. E justo agora que a direita Espanhola anda advertindo que “Navarra nom vai ser alvo de nogociaçons”. Nom é demasiada coincidência? Demasiada. (more…)

26 de Abril de 2006, Quarta-feira

Quarta-feira, 26 de Abril, 2006

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

Tal dia como hoje, há dez anos, apresentávamos a assembleia compostelá da AMI, artelhada uns meses antes por um grupo de garotos imberbes com muita vontade e escassas noçons de política prática. Umha década nom basta para jusificar nostalgias polos tempos idos, que aliás eram, ao todo, muito mais árduos do que os presentes, mas sim dá para olhar atrás por um instante e avaliar os nossos primeiros dez anos de luita. O que teríamos conjecturado, se as urgências da política e da juventude nos permitissem especulaçons desse teor? Provavelmente algo parecido com isto, mas muito mais rápido, em todos os campos, incluído o penitenciário. Se na altura nos disseram que íamos cumprir os vinte-e-quatro anos na rua igual nos parecia estranho, dada a vida que aguarda aos revolucionários de qualquer país, a vida que nós dávamos por certa e à que nos entregamos com alegria e impaciência. As cousas caminham vagarosas mas sem descanso e na boa direcçom, quer dizer, na que combina a construçom com o combate, com todos os avatares que isto conleva. Algum dia divertiremo-nos elaborando um balanço de todo o recebido e contribuído polo grupo inicial da AMI-Compostela: quantos paus impingidos polos antidistúrbios (muitos), quantos infligidos aos antidistúrbios (pouquíssimos), quantos juízos, quantas manifestaçons, quantas páginas de textos escritas, quantas reunions produtivas (muitas) e quantas gastas em projectos disparatados, desnecessários ou até nocivos (muitas mais, acaso)… Haverá que saldar também os dias de cadeia com os dias de “extremas liberdades”, como diria o outro. E o que obteremos dessa contabilidade? A “boa vida”, com certeça, é dizer, com um aceitável nível de criatividade, compromisso, acçom comunal e algumha realizaçom prática perdurável. Isso, e três letras que continuam a lavoura e que colheitárom a maior parte do melhor que está a acontecer no movimento popular, mal que lhe pese à polícia e à Audiência Nacional: AMI. Dez anos e os que faltam por vir.

Terça 25 de Abril do 2006

Terça-feira, 25 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Tudo indica que volta a Guerra Suja contra Euskal Herria. É evidente que há muitos interesses contra o facto de se resolver o conflito. Mas é tam descarado que nom tenho palavras. Que se cartas, que se petardos,… E ainda por cima o Otegui outra vez ao talego. Parece que buscam à desesperada jogar a despistar. Provocam, provocam, mas como resistir friamente as hóstias com que continuam batendo? Aliás, por mais que digam estes espanhóis -que tanto repetem o mesmo que afinal o acabas interiorizando- que ETA é toda a Esquerda Abertxale, nom é assim. Nom devemos esquecer que em Euskal Herria existe um movimento auto-organizativo muito forte, que está já quase assimilado como forma cultural de autodefesa (que grande razom tenhem). E que se se der o caso que um empresário se passasse, estilo a Volkswagen, e a liam parada para defender os seus dereitos, pois é o mais normal. A eles e a elas, o cessar-fogo nom lhes vai resolver os problemas se ficarem na rua. Igual que passa com a mocidade. ETA pode fazer a trégua que veja oportuno, mas se o emprego continua a ser precário, as jovens vam ter que foder-se e apandar até que se resolva o conflito? Era o que mais faltava. Que o povo basco continue a ter muito claro quais som os seus direitos. Nom se pode confundir com a ilusom tremenda que tenhem posta na superaçom do conflito, ainda que haja pessoas que queiram confundir. Já agora, umha saudaçom agarimosa a todas as portugesas, que hoje estarám rememorando a Revoluçom dos Cravos. Tendes razom, O POVO É QUEM MAIS ORDENA. FASCISMO NUNCA MAIS.

24 de Abril de 2006, Segunda-feira

Segunda-feira, 24 de Abril, 2006

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

Polo geral acham-se mais ideias perspicazes nos romances do que nos ensaios, nas intuiçons dos artistas do que no rigor dos intelectuais, com freqüência um rigor “mortis”. Da mesma maneira que o outro dia mencionava a cita de Benet e com ela ficavam expostas com claridade boa parte das fatigas do abstruso Delleuze, que formulou a definiçom “o homem é umha máquina desejante”, da mesma maneira muitos outros romancistas, poetas, dramaturgos ou cineastas acertam com a expressom justa dumha idéia original, nom raro adiantando-se aos filósofos e sempre exprimindo-a de forma mais singela e empolgante. Por isso é tam importante ler, e ler sem fanatismos, a eito. Isto aparece no livro “A brincadeira infinita”, do norte-americano David Foster Wallace. Obra por certo tam divertida que dela saírom alguns dos melhores textos da revista A Esmorga. “(…) o Estado nom é umha equipa nem um código, mas umha espécie de torpe intersecçom de desejos e medos, onde o único consenso público que deve respeitar um garoto é a primacia reconhecida de perseguir sem mais esta ideia plana e curta de miras da felicidade pessoal”. Bem se percebe que estes “desejos” nom têm em comum com os de Benet nada sendo o nome, é claro.

Domingo 23 de Abril do 2006

Domingo, 23 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Já sabemos que foi da Cárol. Afinal 7 anos para todas. Já podemos respirar tranquilas, houvo pacto entre a defesa e a acusaçom, por iso foi todo tam rápido. Já havia boatos de que podiam andar em conversas, a petiçom fiscal era tam exagerada que ninguém podia imaginar algo assim nem nos seus piores pesadelos. O único que figérom foi somar tudo polo que as acusavam. Se um coquetel molotov, som, creio que 17 anos o que pedem, soma e segue. Para além de estarem em tentativas de inventar-se umha banda armada, que também som um magote de anos por organizaçom. E como esta gente estivo sob seguimento durante bastante tempo, que é o de sempre, tentariam meter-lhe todo o que se passou na Catalunha e parte do extrangeiro nos últimos dez anos. Nom me espanta que tivessem umha petiçom fiscal desse calibre. Outra cousa é que depois o demonstrem, que com todo circo que é a justiça espanhola, que é a escola de actrizes e actores melhor que há, depois, que sempre saia bem é bem diferente. Aliás, nom sei que rendabilidade política lhe pode tirar o Estado espanhol a inventar umha nova organizaçom armada. Imaginade o estado europeu com mais guerrilhas de toda a Uniom, seria bastante contra-produzente, nom é? É bastante melhor, deixá-los dentro o tempo suficiente, para que ao sair voltem a pensar se estám dispostas a voltar. E se finalmente o estám, que se apanhem os políticos do futuro, e que busquem como solucioná-lo, que em quatro anos e meio, a saber como está o panorama político.

Sexta 21 de Abril do 2006

Sexta-feira, 21 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Se o da Cárol nos parecia estrambótico, olhade o de Rafa, que é o seu companheiro, nom só da vida, mas também de causa. Levam-no de cunda, e ele pensado que era para um julgamento rasca que tem por ameaçar supostamente uns carcereiros. E nom, ao chegar lá, avisam-no que nom, que é polo julgamento gordo. Se nom o vejo, nom o creio. Isto é de revista do coraçom do pouco sério que é. Nom som conscientes do estrés que produz tudo isto? Que tu estás normal, imersa na rotina talegueira, e de súbito chamam-te dizendo que ligues cagando hóstias à tua mai, para logo que te dêem a data do julgamento para dous dias, e acto seguido te comentem assim como quem nom quer a cousa que recolhas dous anos e meio de vida dentro para ir-te numhas horas com umha cunda especial para ti. É um pesadelo.

20/04/2006, Quinta-feira

Quinta-feira, 20 de Abril, 2006

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

Os norte-americanos avisam que som capazes de invadir Irám se este país nom renuncia à energia nuclear. Dizem que o mundo seria perigosíssimo com um país dirigido por doidos que possuíssem a bomba atómica. Ante essa hipótese dizem que está justificada a violência, para defender-se desse perigo. Ainda que, a verdade, ninguém pense que estejam tam tolos como para chegar a usá-la. Como em Hiroshima. Como em Nagasaki. Como os norte-americanos, que justificam a violência para evitar que um país empregue a bomba atómica…

Quarta 19 de Abril de 2006

Quarta-feira, 19 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Hoje a Cárol soubo que tinha data de julgamento para dentro… DE DOUS DIAS. Como pode ser? Levas presa dous anos e meio e nem te informam de quando vai ser o teu juízo? E com umha petiçom fiscal de 160 anos? Que pouca vergonha. Pois de casualidade. A mai chamou urgentemente à prisom, pedindo que a avisassem de que passava algo gordo, para que a chamasse. A menina, claro, toda assustada, para que te avisem assim é que nom pode ser nada bom. Chama e passa a sabê-lo. É incrível, o “talego” nom sabia nada. A questom é que as presas preventivas temos direito a que nos acheguem com um mês de antecedência a umha prisom perto da Audiência Nacional, para poder preparar o julgamento com os advogados ou advogadas. No caso das mulheres Costuma ser ou Soto ou Meco. Pois a cárcere, a dous dias do juízo, toma conhecimento de que tinham que mandar a Cárol a Soto dous dias antes, e porque chama a mae, senom já estou vendo o panorama. Chega o dia em questom, a moça nom aparece e ponhem-na em busca e captura, que ainda que pareça brincadeira, já tem acontecido, gente que está em prisom, em busca e captura pola própria inaptidom da instituiçom. E pensades que lhes dá vergonha? Nada, eles tam dignos. Pois mais ou menos à hora que ela o soube, chamam-na polos altofalantes para dizer-lhe: “Recolha que se vai de conducçom”. Umha “cunda” especial para ela a Soto. Pois o advogado pode, se quer suspender o julgamento, sem tempo a prepará-lo, imagina.