Arquivo do mês de Março, 2006

Quinta 30 de Março do 2006

Quinta-feira, 30 de Março, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Parece ser que Cuba e Venezuela já tenhem um aliado mais para enfrentar-se ao modelo económico imperialista dos EUA. Pareceu-me incrível a pouca vergonha da COPE, chamando o Evo Morales polo telefone, fazendo-se passar por ZP, para burlar-se dele! Que prepotência, que nojo, como podem ter semelhante rostro?. Que nojentos. Semelhante falta de respeito nom tem nome. <i>”Somos os masters do universo, e vós, povo trabalhador, tendes que estar ao nosso serviço”</i>, nom lhes dará vergonha, criar umha crise na política exterior do Estado imperialista que tanto adoram só por prepotência. Mas agora os países de América do Sul que se enfrentam aos imperialistas já tenhem o suficiente peso para plantejar umha alternativa que pode pôr em perigo os interesses norte-americanos, e como isto continue assim cada vez vam passá-lo pior. É sorte que os EUA estejam agora mesmo metidos em demasiados “saraos”, como para plantejar-se novas guerras com América do Sul. Mas é evidente que se nom fosse por isso, logo estavam montando um novo golpe de Estado como o que tentárom na Venezuela. Mas tempo ao tempo, assim que mudem o governo e se lhes relaxem um pouco as cousas já começarám o ataque.

29/03/2006, Quarta-feira

Quarta-feira, 29 de Março, 2006

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

Há bem dias que nom escrevo, e nom por falta de acontecimentos que consignar. A maioria já se sabem e agora basta com menciona-los: cessar-fogo de ETA, aniversário da invasom do Iraque e as maravilhosas declaraçons de Chávez ao respeito (”Mister Danger”, e todo o demais), a nova revolta francesa contra o contrato-lixo… Já falaremos disso noutro momento. Hoje direi apenas que escrevo novamente desde chopano, quer dizer desde o módulo de isolamento, só que esta vez nom é como as demais anteriores porque agora estou para ficar. Mínimo três meses, depois já se verá. E bem, plantei-me outra vez. Como em Soto e polo mesmo, para que nom me “dobrem” com presos sociais, por isso e mais porque além de compartilhar cela com um social o resto do entorno, era já demasiado lúgubre como para continuar aturando-o. De maneira que a quarta-feira passada avisei no SS, via instáncia, de que queria umha cela individual; a quinta-feira voltou o preso assignado à minha cela, que estava ingressado no hospital, e ao nom ter resposta do SS avisei ao carcereiro da garita: esta noite nom me vou chapar. E essa noite mandárom-me a isolamento. (more…)

Terça 28 de Março do 2006

Terça-feira, 28 de Março, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Ando contentíssima com o que está a acontecer em América do Sul. Refiro-me ao trunfo do Evo Morales na Bolívia, o primeiro indígena que ganha umhas eleiçons na história deste continente, o que nos diz muito da fiabilidade da representatividade popular que tenhem os políticos das democracias burguesas. Um home humilde todo ele, com esse sorriso franco, com esse olhar de trabalhador empedernido, que se passa os protocolos por onde eu te diga, e ao qual ninguém lhe ve por cima do hombro. Sempre sentim grande admiraçom polos povos sulamericanos, gente com a resistência como forma de cultura, que leva séculos comendo a lama que imperialistas de todo a galáxia lhes botam em cima, e que umha e outra vez se erguem com a maior dignidade do mundo. Soportárom o fio da espada Espanhola, e nom conseguírom extingui-las, nom tivérom tanta sorte as vizinhas nativas de Norte américa, que umha trás outra fôrom sendo assassinadas a sangue frio para roubar-lhes as terras. Mas contudo, aí estám, tantos séculos depois dando mostras de superaçom ao resto do planeta. Impondes-nos modelos económicos, sistemas de governo, idiomas e até formas de vestir e de relacionar-nos, e ainda assim, e com as poucas possibilidades de eleiçom que nos permitides, damos-vos nos dentes, agora, “a chorar a Cangas”.

Domingo 26 de Março de 2006

Domingo, 26 de Março, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Já se começam a ver algumhas mudanças. É rápido mais positivo. Nestes últimos dias já deixárom sair igual 9 pessoas, mais ou menos, imagino que seria porque tinham que sair, mas é algo mais para animar a euforia colectiva. A grande alegria é que o passado 23 deixárom livre a Ana, a companheira de um dos assassinados por Instituiçons Penitanciárias nom há nem um mês. Alegro-me imenso, porque estar presa e com todo esse peso às costas podia rematar com a sua cordura. Polo menos estar rodeada da sua gente vai permitir-lhe um outro ponto de vista da situaçom, e incluso, igual com tempo de por meio sentir-se um pouco melhor. Muxu pilo bat Anintxu, muito ánimo de parte do “povo galego”. Bom, como nom ganhamos para sustos e emoçons nestes últimos tempos, parece que a rotina talegueira nos está abandonando pouco a pouco, mas que alegria. Parece que a ultra-dereita está moderando o seu discurso no que diz respeito ao conflito basco, debe ser que se topárom com as orelhas do lobo, e ver que a paz parece ir para diante, equanto eles descaradissimamente a tentam romper, é algo que pode ser pouco positivo para as futuras eleiçons. (more…)

Sexta 24 de Março do 2006

Sexta-feira, 24 de Março, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Hoje é o grande dia, começa o cessar-fogo famoso. Por suposto, do que falam nos telejornais é do que lhes interessa, que se os empresários, o turismo, e sacam imagens de políticos do PNB ou do PS-E fazendo bríndis, enquanto o PP caga na marela pola sua maldita sorte, “com o bem que estavamos com o do Estatut, dizendo que o PSOE se cargava Apanha e agora isto”, erre que erre com que nom há que ter ilussons, que se até que ETA nom entregue as armas isto nom significa nada, que nom pode haver rendabilidade política. Estamos loucos ou quê? Parece que o que nos aguarda agora é um muito de boicote da extrema direita, e quiçá nos venha um pouco de gerra suja para botar abaixo a superaçom do conflito. Tantos anos de luita, tanta dor e sufrimento por ambas partes, tantas tentativas para conseguir a paz, e nada, parece que estes espanhóis sem guerrilhas nom sabem fazer política. Como farám noutros estados europeus para ganhar eleiçons, sem combatentes profundamente organiçadas? Tirarám mais do racismo relacionado com a imigraçom ou de cousas similares como arma arrojadiça, ou inventarám conflitos inexistentes? Nom sei, mas podiam buscar outras áreas de confrontaçom e deixar-nos a nós

Quarta 22 de março do 2006

Quarta-feira, 22 de Março, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Hoje quase nos dá algo. De manhá saiu na televisom a imagem de três encapuçadas com chapela, anunciando que ETA declara um cessar-fogo permanente a partir da sexta 24 de Março à noite, para dar um passo na superaçom do conflito em Euskal Herria. As carcereiras passárom diante da tv todo o dia, e nós brincando, hóstias nos aguardam uns dias de monográfico nos meios, de cuidado, há que ir preparando-se. Mas com umha sensaçom rara no corpo, que se passará a partir de agora? Os média por suposto fazendo análises absurdas, que se é umha mulher a que fala, que se fala em espanhol, que que quererá dizer tudo isto, “tum tutututum, tum tutututum”, parece que redobram os tambores do mistério, estes analistas políticos experimentados fam as suas cábalas sobre a importáncia dos pequenos detalhes, “e nom falam de trégua!”. Todos com a Irlanda na cabeça, e alguns babejando pola rendabilidade política que lhe vam tirar, enquanto outros se tiram dos cabelos por estar na oposiçom. O circo de sempre sai aos ecráns.

Segunda 20 de Março do 2006

Segunda-feira, 20 de Março, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Hoje umha nova aventura com outra charla. Estivo cá Lídia Falcom, umha feminista de toda a vida, com 70 anos em cima do lombo, como podedes imaginar, nom ia haver lista que me impedisse acudir. De manhá vimos a gaga, fazendo as suas artimanhas de sempre e apontando a gente sem dizê-lo muito em alto, e nom porque fosse vir a imprensa, senom porque a estas alturas já se pujo de moda a maldita listagem e nom há maneira. Mas fomos falar com ela, pujemo-la verde e asinha se inventou umha outra escusa do tipo de, “nom, e que prioriçamos que vaia a gente da escola para que assim aprendam o importante que é a formaçom”. Mas bom, nós, ao estar matriculadas na UNED, seria raro que tivéssemos que acudir à escola para assistir as charlas. Depois de muito insistir, as que estavamos lá falando com ela, apontou-nos. Saímos à tarde à biblioteca para escuitar a Lídia Falcom, e por fim sem problemas. Pois chegou a mulher, estava estupenda por certo. A casualidade de que a companheira que vinha comigo a conhecia da rua, de algumha mobilizaçom estilo 8 de Março ou 1 de Maio, mas passaram já tantos anos que quase nom se lembravam a umha da outra. (more…)

18/03/2006, Sábado

Sábado, 18 de Março, 2006

Ugio Caamanho

Ugio Caamanho

Acabam-me de dizer que agora sim, que já está apalavrado, que -até que enfim!- a segunda-feira já assinamos o contrato que nos vai permitir abrir em breve o centro social d´A Fouce de Ouro, a associaçom cultural da minha pátria pequena. Trabalho nos custou, e mais ainda nos custará desde já, mas o Vale da Amaía incorpora-se ao movimento dos centros sociais com um novo espaço libertado em Bertamiráns. Agora vem o melhor de todo, por muito que também o mais laborioso: há que pôr de pernas para arriba Ames e Briom. Maos à obra!

Sábado 18 de Março do 2006

Sábado, 18 de Março, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Hoje voltou a Iolanda. Por fim, depois dum juízo interminável (começara a finais de Dezembro do ano passado), está de novo cá. Como dixo ela nada mais chegar, “parece que nom me fum nunca“, e realmente é assim, é quase a presa mais velha do módulo (e nom em idade precisamente) senom no tempo que leva cá, e já está completamente afeita aos ritmos desta prisom. Veu contente de ver às companheiras que fazia muitíssimo que nom via, e com multidom de anedotas para contar, com o tempo já nos irá pondo ao dia. Nós sabíamos dela cada certo tempo, incluso um dia, quando começou a juízo, vimo-la de lado na televisom uns segundinhos, mas como o tempo se passa voando, parece que foi ontem quando foi embora. Bem-vinda de novo, moça.

Quinta 16 de Março do 2006

Quinta-feira, 16 de Março, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Esquecim de contar, a respeito do Saramago, duas cousas. A primeira que tanta história para nom deixar-nos sair, e total, que ao fim a imprensa nom pudo entrar ao evento, já que o homem dixo que nom queria cámaras, que era umha charla para as presas sem mais sucesso, e que se entravam os meios pirava-se, o qual me produz um prazer interior sem limites. O outro é ao respeito da companheira, tinha como muito 40 anos (se nom tinha menos), que com os 84 que tem o Saramago, nom pudem mais que pensar em Cela e Marina Castanho. Nom era igual, era umha moça muito mais normal, sem tanto paripé, e bastante mais agradável, canária, por certo, mas seguia sendo a imagem da luita do homem pudente contra o passo dos anos por cima dele. E nom vos confundades, nom estou em contra do amor inter-generacional, mas nom deixa de ser um paradoxo que ele já estivesse vivendo a crise dos quarenta quando ela olhava por primeira vez o mundo.