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	<description>Blogue d@s pres@s independentistas galeg@s.</description>
	<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 12:57:46 +0000</pubDate>
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		<title>Sábado, 2 de Agosto de 2008</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Aug 2008 11:00:23 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Jose Manuel Sanches]]></category>

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Esta é a segunda malheira que impingem ao Sánti desde que entrárom no cárcere, sete meses atrás. Nom sei se vos fazedes umha ideia de que supom umha malheira no caldeiro: estás enterrado num edifício imenso em que cada muro, cada porta, cada norma e cada uniformado se inclinam sobre ti para te bater, tu [...]]]></description>
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<p><div id="attachment_8" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/jose_manuel_sanches.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-8" title="jose_manuel_sanches" src="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/jose_manuel_sanches-150x150.jpg" alt="Jose Manuel Sanches " width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Jose Manuel Sanches </p></div></p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;">Esta é a segunda malheira que impingem ao Sánti desde que entrárom no cárcere, sete meses atrás. Nom sei se vos fazedes umha ideia de que supom umha malheira no caldeiro: estás enterrado num edifício imenso em que cada muro, cada porta, cada norma e cada uniformado se inclinam sobre ti para te bater, tu cais ao chao protegendo como podes a cabeça e encaixas os golpes de toda essa infraestrutura afegante e depois, quando finalizam, continuas rodeado por ela, atossigado por ela, sabendo que permanecerás sob esse assédio cada minuto dos próximos anos. Fazedes-vos umha ideia? As malheiras carcerárias nom acabam mais. Existe um único lenitivo para elas: repartir o sofrimento entre muitos, de forma que toque a pouco para cada um e, assim, poder suportá-lo. Nom exagero. Se quando estás sendo apaleado, ou depois quando che cai a opressom como um recordo contínuo da malheira e da ameaça de se repetir, sabes que noutros lugares há companheiros a sofrer por ti, a protestar e a devolver os golpes, entom abre-se umha fissura pola que entra a luz e disolve-se o cerco da prisom. As machucaduras continuam a doer, mas a malheira cessa. Já sanarám as feridas; tu sais fortalecido. A falta de outras soluçons mais expeditivas, os presos independentistas botamos sobre os nossos ombros as malheiras de cada um realizando um jejum simultáneo de vinte e quatro horas, que é ao mesmo tempo umha forma de protesto habitual nos cárceres. O de ontem foi, portanto, o nosso segundo jejum. Eis a aritmética dos colectivos resistentes: compartilhar a dor divide-a em anacos pequenos, compartilhar as alegrias multiplica-as até o júbilo. Nós somos quatro, que é um número cativo para repartir qualquer cousa, incluida umha malheira. Nom fai falta nengumha que a cifra aumente, e melhor seria que se reduzisse outra vez, mas assim as cousas, nom nos vem nada mal umha ajudinha para sobrelevar estas cárregas. De ontem nom me chegárom notícias, mas na primeira malheira, um ou dous meses atrás, bastantes de vós saístes à rua em concentraçons e outros actos para vos somardes a este “rancho” que às vezes nos toca comer, ao igual que o 24 de Julho gritastes por Compostela estas e outras verdades. A todos os que participastes, sabei que, sejades ouvidos ou nom pola gente e polos meios de comunicaçom, a vossa acçom cumpriu e cumpre o seu objectivo: graças a vós suportamos estas agressons e todo o que venha, sem perder o ánimo nem o sorriso. Obrigados a todos, e como sempre especialmente aos irmaos e irmás de Ceivar, tam vivos e tam cumpridores. E aos que nom participastes, por preguiça ou por reticências a siglas e linhas políticas ou por medo a saír na foto ou por qualquer misséria do estilo&#8230; que caralho acontece convosco? O que tenhem que fazer a um independentista para que vos deixedes de memezes e saiades à rua meia hora? Curtar-lhe um braço? Arrincar-lhe a pele a tiras?</span></p>
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		<title>Sábado, 15 de Junho de 2008</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Jun 2008 10:52:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ugio Caamanho]]></category>

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Puerto I tem muitas singularidades a respeito do resto de prisons de Espanha. A maioria, más, nom em vao é o penal mais temido por qualquer preso. A comida, por exemplo, é a pior de quantas conhecim por aí adiante, e conhecim comidas más de verdade. Esta é má com avarícia. Contam que nem sempre [...]]]></description>
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<p><div id="attachment_27" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-27" title="ugio" src="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio-150x150.jpg" alt="Ugio Caamanho" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Ugio Caamanho</p></div></p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;">Puerto I tem muitas singularidades a respeito do resto de prisons de Espanha. A maioria, más, nom em vao é o penal mais temido por qualquer preso. A comida, por exemplo, é a pior de quantas conhecim por aí adiante, e conhecim comidas más de verdade. Esta é má com avarícia. Contam que nem sempre foi assim: tempos atrás Puerto I tinha cozinha própria onde trabalhavam presos desta prisom, e os que o conhecêrom afiançam que se comia melhor que nengures; um dia, porém, umha das facas foi empregue por um par de presos para degolar outro –e depois passeárom polo pátio com a cabeça na mao- e a direcçom fechou a cozinha. Trancorrêrom cerca de vinte anos, e desde entom comemos o que nos enviam da prisom de Puerto II, que está justo ao lado de Puerto I. Nom sabemos se em Puerto II, que é de segundo grau, comem o mesmo que nos enviam, supomos que sim. Ao menos, digo eu que o comerám quente. Como em toda a parte, dam-nos dous pratos e sobremesa. “Pratos”, logicamente, é umha forma de falar, porque nas prisons come-se em bandejas e com talheres de plástico. O primeiro prato pode ser sopa de batatas –só de batatas-, favas cruas, lentilhas –o prato mais saboroso da semana- ou, como hoje, aros de lulas fritas. O segundo massa fria, um bife anao sem mais companhia que o pam, “pescaíto frito” ou umhas fatias dum embutido apestoso que nom deve ter nem nome, sucedáneo dum sucedáneo da mortadela. De sobremesa, fruta ou lácteos. A maioria dos dias a malta fica com fome, e isso faz-se duro especialmente às noites dado que jantamos às sete e meia, muitas horas antes de deitarmo-nos. Quem tem dinheiro, que somos algo menos da metade dos oitenta presos do módulo, janta por segunda vez na cela: com o pao de jantar e umha lata de atum, engana-se o estómago até a manhá seguinte. Talvez como compensaçom, o demandadeiro funciona melhor que em nengumha das prisons polas que passei. </span><span id="more-16"></span><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;">Umha vez por semana pode-se comprar fruta e verdura, bastantes produtos de supermercado, ervas e espécies, inclusive doces como chocolates e gelatinas. Os políticos aproveitamos isto a fundo, e assim completamos a dieta com pratos colectivos, alguns até mui refinados. Saladas, ovos recheios, cuscus, vários tipos de molhos, tortas caseiras&#8230; andamos mesmo a experimentar com gelados, agora que chega o calor. Baixamos os ingredientes, colocamo-nos arredor de um par de mesas e pomo-nos a cozinhar com as poucas e rudimentares ferramentas de que dispomos; enchemos uns poucos pratos –estes sim, embora de plástico- com o resultado e com embutidos e conservas do economato, e aí celebramos as nossas comilonas, mais e melhor surtidas quando coincidem aniversários. O dia em que um saia livre, que toca a começos do ano que vem, o banquete promete ser pantagruélico. A confrontar umha cousa com outra, a péssima dieta carcerária com a possibilidade de comprar por demandadeiro, o balanço sai positivo para os que cobramos pecúlio. Os que nom, os chamados “indigentes”, passam-nas putas em  Puerto I, também por causa da comida. Quando pensam em ir-se embora a outra prisom, pensam nas condiçons de vida, na agressividade dos macacos, na hipótese de permissons e terceiros graus, na distáncia das famílias&#8230; mas recordam especialmente a comida.</span></p>
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		<title>7 de Junho de 2008</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jun 2008 09:03:24 +0000</pubDate>
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<p><div id="attachment_27" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-27" title="ugio" src="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio-150x150.jpg" alt="Ugio Caamanho" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Ugio Caamanho</p></div></p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;">Sabado, Junho de 2008. A noite caiu há umha hora, os presos levamos fechados nas celas desde as oito da tarde. Se aparto a vista da mesa&#8230; “O urbanismo é a realizaçom moderna da tarefa ininterrompida que salvaguarda o poder de classe: o mantenemento da atomizaçom d@s trabalhadoras que as condiçons urbanas de producçom tinham reagrupado perigosamente. A luita constante que deveu &#8230;” &#8230; os meus olhos dam no pátio, umha escuridade atravessada por focos amarelos coma rodeada polos quatro lados polas paredes das celas com a que abrem as suas janelas ao espaço comum como a um pátio interior. Em cada cela um só preso, e distingo &#8230; “&#8230; soster-se contra todos os aspectos desta possibilidade de se reunirem encontra no urbanismo o seu campo privilegiado. O esforço de todos os poderes estabelecidos desde a Revoluçom Francesa para acrescentar os meios de manter a ordem na rua culminará enfim na supressom da rua. ‘Com os meios de comunicaçom de massas que eliminam as grandes distáncias o isolamento da populaçom demonstrou ser um modo de controlo muito mais eficaz’, constata Lewis Munford, em A cidade através da história. </span><span id="more-24"></span><span style="font-size: 12pt; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;">Mas o movimento geral do isolamento que é &#8230;”. &#8230; na galeria de enfrente as actividades a que se dedica cada um: os bascos, como eu tenhem o flexo acceso e inclinam-se sobre as mesas, dous ou três comuns dormem já, o resto deixam ver o resplandor intermitente dos televisores. De tanto em tanto dous ou três presos conversam de janela a janela. Estam ponhendo Titanic na Segunda, diz um. Na segunda, pergunta o outro. Na segunda de Andaluzia. Um terceiro intervém pedindo um cabo &#8230; “&#8230; o urbanismo deve também conter umha reintegraçom controlada dos trabalhadores e trabahadoras segundo as necessidades planificáveis da produçom e o consumo. A integraçom no sistema deve recuperar os indivíduos entanto que indivíduos isolados em conjunto: tanto as fábricas &#8230;”. &#8230; de antena para o seu televisor, alguém que tem um a mais fai-lho chegar passando-o de mao em mao, janela a janela. Dam as onze da noite, os macacos apagam-nos as luzes das celas e as conversas de pátio esmorecem. Ergo-me, debruço-me á janela: como ficou silencioso o módulo a estas horas. Escuitam-se só levemente algúns televisores com o volume mais alto e, de vez em quando, o ruido do walki-talki do sentinela na garita. Com tanto sossego e tanta escuridade, se nom fosse polos &#8230; “&#8230; quanto as casas de cultura, as vilas de veraneio quanto as “grandes urbanizaçons”, estám especialmente organizados para os fins desta pseudo-colectividade que acompanha também o individuo isolado na célula familiar: o emprego generalizado de receptores da mensagem espectacular faz com que o seu isolamento se encontre povoado de imagens dominantes, imagens que somente por este isolamento adquirem o seu pleno poder”. &#8230; focos que nos apontam para nos delatar se tentamos evadir-nos, descobririamos que nos cobre um céu empedrado de estrelas. Mas no cárcere nunca se vem as estrelas, nom sabiades isso? Só com esforço se consegue localizar Vénus, se tanto ou algum outro astro especialmente luminoso. Parece-vos que estou construindo umha metáfora carcerária para a vida em geral? Nom sei, vós veredes a que vos soa todo isto. Eu afianço-vos que a descriçom é realista, e se encaixa com os raciocínios intercalados daquele francês, pois &#8230; pior para tod@s. Ora, há que lembrar-se bem da sua advertência, que é também umha professom de fé na espécie humana “imagens que somente por este isolamento adquirem o seu pleno poder”. Amanhá será outro dia. Quiça com algo de imaginaçom, localice a estrela polar.</span></p>
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		<title>25 de Maio de 2008</title>
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		<pubDate>Sun, 25 May 2008 08:56:10 +0000</pubDate>
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<p><div id="attachment_27" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-27" title="ugio" src="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio-150x150.jpg" alt="Ugio Caamanho" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Ugio Caamanho</p></div></p>
<p>(&#8230;) Cada um que leve o caldeiro como queira, isso por descontado. Porém, há umha verdade paradoxal mas mui evidente em que vale a pena reparar: o aborrecimento nom é umha doença que cure o entretenimento, ao contrário, é causado precisamente por ele. Umha vinheta de El Roto questionava: se vivemos na sociedade do espectáculo &#8230; porque é todo tam aborrecido? Estou por dizer que o sentimento do tédio tem umha vida tam curta quanto a sociedade do entretenimento e nom creio exagerar. Quando vivemos pendentes de construir a nossa conciênciacom as mercadorias audiovisuais que oferta o mercado conseguimos anular o fluxo discursivo interno- aquilo qe merece realmente o nome de conciência e noutra época se chamou alma ou espírito, substituíndo-o pola espectaçom. Mas a mercadoria, todas as mercadorias e também as audiovisuais , som decepcionantes por natureza: sedutoras e decepcionantes enfim, e assim ad nauseam, ou até o vómito. Isto é, até o aborrecimento. Este mecanismo trabalha igual com o consumo televisivo do que com a compra da roupa, o turismo ou as relaçons pessoais-se fôrom mercantilizadas, como é norma hoje-. Pois bem, quando o consumidor -espectador nom encontra mercadorias suficientemente atraíntes, e portanto se abre um baleiro na sua consciência, em lugar de vir à tona umha forma de consciência autónoma o que surge é o aborrecimento.<span id="more-36"></span> O vazio espiritual do espectador sem espectáculo, por assi dizer. A televisom, a rádio, até a música- esses iPods incrustados nas orelhas todo o santo dia-, em peral. Entertainment, som a causa básica do aborrecimento, noma sua soluçom. Já nos alertavam no Maio francês: &#8221; Companheiros! Aborrecer-se é contrarrevolucionário! (&#8230;) (&#8230;) Um socialista inglês do século XIX comentava o costume macizamente difundido de ler a imprensa diária: &#8220;algumhas pessoas consideram este hábito de consumo de jornais o primeiro passo para a educaçom. Bem! O segundo passo será, digo eu, o fim deste hábito&#8221; Cada vez covenço-me mais do carácter tóxico desta adicçom moderna e da necessidade de nos substraermos dela para preservar umha visom sosega, crítica e cabal do País e do mundo. Nem só porque as notícias nos vêm mediadas em quase todos os casos polo inimigo: especialmente porque o su formato converte a realidade e a história numha sucessom de &#8220;notícias&#8221;, que é o nome que adoptam aquelas partes do real ao serem assumidas e metabolizadas polo espectáculo. Umha notícia nom é simplesmente um fragmento de informaçom: é umha mercadoria, e a atitude do lector, ouvinte ou televidente perante ela é umha transposiçom da atitude do consumidor perante qualquer mercadoria , com os seus mesmos vícios e tristezas: a ansiedade por adquiri-las, a insatiscacçom posterior, a exigência de novidades que apaguem o fastio sempre renovado, e também o alheamento perante algo que nos é oferecido já completo, sem margen para a nossa participaçom. Assistir assim ao curso da História é tam pernicioso como ficar enganchado ao consumo diário de um tóxico, e nom temos porque resignar-nos a tal cousa. Da mesma maneira que nos convén, por dignidade e por cordura, evitar o consumo compulsivo de fundos de ecrá para o telemóvel, haveria que apartar-se todo o possível do fluxo de notícias. Nom, lógicamente, da informaçom: há que saber em  que País se vive. Mas já se dixo que &#8220;informaçom&#8221; e &#8220;notícia&#8221; som cousas mui distintas.</p>
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		<title>3 de Maio de 2008</title>
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		<pubDate>Sat, 03 May 2008 08:55:56 +0000</pubDate>
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Palavras dum socialista inglês do século XIX: (&#8230;) É nesse sentido que eu me declaro inimigo da civilizaçom; nom, umha vez, que isto é umha confissom, eu tenho que reconhecer que a minha motivaçom especial como Socialista é o ódio à civilizaçom. O meu ideal de umha nova Sociedade nom seria concretizado a nom [...]]]></description>
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<p><div id="attachment_27" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-27" title="ugio" src="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio-150x150.jpg" alt="Ugio Caamanho" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Ugio Caamanho</p></div></p>
<p>Palavras dum socialista inglês do século XIX: (&#8230;) É nesse sentido que eu me declaro inimigo da civilizaçom; nom, umha vez, que isto é umha confissom, eu tenho que reconhecer que a minha motivaçom especial como Socialista é o ódio à civilizaçom. O meu ideal de umha nova Sociedade nom seria concretizado a nom ser que essa Sociedade destruísse a civilizaçom, (&#8230;). Portanto, o meu ideal de Sociedade do futuro é, em primeiro lugar, a liberdade e o exercício da vontade individual, que a civilizaçom ignora ou cuja existência chega a negar; a libertaçom da dependência servil, nom de outros homens e mulheres, mas antes de sistemas artifiviais criados para poupar aos homens trabalho vigoroso e responsabilidade ; e para que esta vontade seja forte em nós, eu reclamo primeiro que todo umha vida animal livre e sem constrangimentos: reclamo a absoluta extinçom do ascetismo. Se sentimos umha véstia de degradaçom que seja quando experimentamos amor, ou alegria, ou fome, ou sede revelamo-nos maus animais, e portanto homens e mulheres infelizes. E vós sabedes que a civilizaçom nos leva efectivamente a sentir embaraço relativamente a todos estes sentimentos e actos; e que, tanto quanto pode, nos pede para os camuflar-nos, encorajando-nos, se possível, a pedir a outr@s que os façam por nós. <span id="more-41"></span>Parece-me, de facto, que a civilizaçom pode quase ser definida como um sistema organizado para asegurar o exercício delegado das energias humanas em favor de umha minoria de privilegiad@s. Todavia, a par com esta exigeência da extinçom do ascetismo vem umha outra exigência: a extinçom do luxo. Parece-vos um apradoxo? Nom devia parecer. O que é que causou este luxo senom umha insatifacçom doentia relativamente às alegrias simples da maravilhosa Terra? O que é isto senom umha distoçom da beleza natural das cousas. Transformada numha perversa fealdade para satisfacçom do apetite já saciado de um homem que esta a deixa de ser homem - um homem que nom trabalha, e nom pode descansar? Queredes que vos diga o que causou o luxo na Europa moderna? Cobriu os alegres e verdes campos com casebres e escrav@s, exterminou as flores e árvores com gases venenosos e transformou os rios em esgotos, ao ponto de, em grandes extensons da Gram-Bretanha, o povo ter esquezido o aspecto dum campoou de umha flor; a sua ideia de beleza é agora um palácio de gin empestado polo cheiro a gas, ou teatro vulgar e espalhafatoso. (&#8230;) E todo isto para quê? Para se pintarem bons quadros, para se contruirem belos edifícios, para se escreverem bons poemas? Qual quê! Isso é um produto de outras eras, anteriores ao luxo e a civilizaçom. O luxo prefere clubes em Pall Mall, estofados como se se destinassem a delicadas senhoras inválidas, mas onde volumosos homens de suíças se recostam num ambiente tam absurdamente efeminado que até os lacaios de calçons de pelúcia que os servem som melhores homens do que eles (sic). E nom preciso de ir mais longe: um clube fastuoso é o exemplo acabado do luxo. Como vedes, eu insisto na qüestom do luxo - que é efectivamente, o inimigo assumido do prazer - porque nom quero que, nem mesmo temporariamente, @s trabalhadores/as vejam algo desejável nom clube elegante (&#8230;). Chamava-se William Morris.</p>
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		<title>3 de Maio de 2008</title>
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		<pubDate>Sat, 03 May 2008 08:52:30 +0000</pubDate>
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Escoitei que há por aí quem qualifica as nossas ideias de &#8220;post-marxismo anarquizante&#8221;. Esta mui bem! Já sei que vai com bastante cachondeio, mas a quem se lhe ocorresse a expressom há que dizer-lhe:&#8221;Bem feito algo já vas entendendo!&#8221; Algo, eh. Um pouco. Umha porçom mais bem pequena, mas já é algumha cousa. A quem [...]]]></description>
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<p><div id="attachment_27" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-27" title="ugio" src="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio-150x150.jpg" alt="Ugio Caamanho" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Ugio Caamanho</p></div></p>
<p>Escoitei que há por aí quem qualifica as nossas ideias de &#8220;post-marxismo anarquizante&#8221;. Esta mui bem! Já sei que vai com bastante cachondeio, mas a quem se lhe ocorresse a expressom há que dizer-lhe:&#8221;Bem feito algo já vas entendendo!&#8221; Algo, eh. Um pouco. Umha porçom mais bem pequena, mas já é algumha cousa. A quem se lhe caem os aneis por ficar à margem da ortodoxia marxista? Nem por isso nem por buscar e encontrar teses úteis noutras escolas de pensamento, entre elas as anarquistas. E há que acrescentar que, umha vez privad@s das virtudes místicas daquela &#8220;ciência marxista-leninista&#8221;, postos a fuchicar entre as opinions e propostas mais prosaicas, a verdade é que encontramos mais ferramentas acaídas à nossa luita em editoriais libertárias do que no refritos de pratos velhos que se consumem nos templos da pureza ideológica. É isto um sacrilégio? Bem nós também nom professamos nengumha fé por esta religiom. Ora, a questom nom é tam singela. Se um ou umha quer justificar ou recusar umha etiqueta nom chega com apelar ao seu índice de leituras, nem às palavras mais empregadas no seu discurso, ao menos se um ou umha leva a sério as etiquetas, e nom vejo porque nom vamos fazê-lo. Nom me refiro à de post-marxistas anarquizantes, que é brincadeira, mas à de verdade, à que resume a possiçom política e teórica do independentismo a que eu pertenço. Qual é? Marxistas? Anarquistas? Autónomos? Situacionistas, libertári@s, comunitaristas? <span id="more-47"></span>Como digo, nom refugimos as contribuiçons de nengumha escola, e de todas elas aprendemos algo. Mas a qual pertencemos? Toda a nossa vida, e nom apenas a dimensom política, vem marcada por duas pulsons incontroláveis que nos brotam das entranhas. A primeira é ódio à sociedade de comerciantes e carceréiros que o estado espanhol leva séculos impondo na Galiza; o ódio a sua mercantilizaçom da Terra e das pessoas, ao seu individualismo feroz que arruína todos os laços comunitários, à sua ética do sucesso económico e vantagismo a ultrança, à sua destruiçom do nosso território, à sua urbanizaçom do campo e a costa e às suas cidades horrendas e inabitáveis, aos seus ídolos laicos em forma de bugigangas tecnológicas e de marketing, à sua política falsificada, ao seu Estado omnipresente que se impom com pistoleiros, torturadores, exércitos e prisons, ao seu sistema económico que nos obriga a entregar a nossa vida para produzir mercadorias supérfluas ou até nocivas embrutecendo-nos ao mesmo tempo, à sua aculturizaçom e ao seu idioma dominante, ao seu lezer manufacturado pronto para consumir e aos seus subornos de dinheiro para comprar o lixo que oferece, poder para dominar aos vizinhos e vizinhas e fama para inflar os egos danados por tanta insensatez. A segunda é o amor ao nosso Povo, nom apenas aos galegos e galegas de hoje, também nom exclusivamente às devanceiras e descendentes; também e especialmente, as maneiras como este povo, quer dizer nós, nos arranjamos para lidar com as asperezas da vida, da natureza e do poder estabelecido, à relaçom que conseqüentemente estabelecemos com a Terra e entre nós, às fórmulas de resistência que ensaiamos no passado e no presente, às margens de poder autónomo que constituimos e defendemos, aos sonhos e palavras que esse conflito vai generando, enraizadas nas etapas prévias e vivíssimas nas brigas actuais, aos modelos de organizaçom económica, política e social, semelhantes no seu colectivismo e igualitarismo ao do resto dos povos dominados do mundo, que por meio de nós existirom, existem e existirám apesar dos esporços de Espanha. É precisa umha etiqueta para nos resumir? Nesse caso, podemos reconhecer que somos, na plenitude do sentido&#8230; nacionalistas. Depois de tantas excursons polo exotismo universalista, @s galeg@s, como tantas vezes, a cumprir o trajecto arredor de si.</p>
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		<title>29 de Abril de 2008</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Apr 2008 08:50:48 +0000</pubDate>
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As brigas som as segundas, mas também podem cair em domingo. Isto é assim porque os cartons de débito com que se fam as compras carregam-se as terças, de maneira que domingo e segunda a malta está sem um peso, sem tabaco e sem hipótese de comprar drogas. O ambiente vai-se electrificando até que [...]]]></description>
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<p><div id="attachment_27" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-27" title="ugio" src="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio-150x150.jpg" alt="Ugio Caamanho" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Ugio Caamanho</p></div></p>
<p>As brigas som as segundas, mas também podem cair em domingo. Isto é assim porque os cartons de débito com que se fam as compras carregam-se as terças, de maneira que domingo e segunda a malta está sem um peso, sem tabaco e sem hipótese de comprar drogas. O ambiente vai-se electrificando até que condensa num ou dous enfrentamentos, e depois sossega até a terça, em que nom costuma haver liortas. Em Puerto I as cousas funcionam doutra maneira do que nas prisons anteriores em que estivem, porque isto é primeiro grau e o tipo de presos que se encontra é diferente. Para que che apliquem primeiro grau tes que ter-te metido nalgum lio gordo antes, e mais ou menos a distribuiçom é equitativa entre os que brigárom com outro preso e os que brigárom com um carcereiro. Há bastantes neste último grupo, curiosamente. Do primeiro grupo há que dizer que umha simples liorta entre dous presos nom conduz ao primeiro grau: é preciso que seja mesmo grave, com uso de pinchos e risco de morte. Entom, o grosso dos meus companheiros de pátio estám aqui por terem surrado duramente alguém, preso ou carcereiro. O resto som políticos, que caem aqui porque sim, como lhe passa à Giana, ou fuguistas, que também há alguns. Portanto, os enfrentamentos neste pátio som diferentes aos de Cáceres, por exemplo: som mais comuns e mais violentos. <span id="more-50"></span>Assim e todo as brigas estám bastante reguladas por leis nom escritas, nom pensedes que isto é a selva. Vejamos. As brigas som lícitas. Se dous querem resolver um problema a castanhaços, nengum preso se interporá, embora poda convencer um deles de que desista. As brigas só competem aos presos. Os carcereiros nom podem ser chamados em nengum caso, por nengum preso. Daí que se realizem na casa de banho, que é o único espaço fora da visom da garita, até o ponto de que a expressom de desafio, como a bofetada com a luva doutra época, é &#8220;Tira pa&#8217;l tigre&#8221;; tigre é a casa da banho, claro. Mais se há feridos, pode-se acudir à enfermaria mas nom reconhecer ter-se pelejado, e muito menos contra quem. Se ficárom assuntos pendentes arranjarám-se sem a participaçom de funcionários. Mais: o resto dos presos que nom brigam devem comportar-se de maneira que nom se levantem suspeitas entre os carcereiros do que está a acontecer no tigre, assim que nada de corros nem mirons, ao revés, há que continuar fazendo o que se fazia com toda naturalidade. Há mais regras, mas nom som tam estritas, e dependem do caso. Nom atacar vários contra um, deter-se logo que o outro caia, etc. Por exemplo, há uns meses vários presos preparárom umha cilada contra um violador, que saiu rebentado do módulo e nom voltou a aparecer por aqui. A princípios deste mês de Março deixárom torto a um bom rapaz porque lhe chantárom o pincho no olho em lugar de dirigi-lo ao pescoço ou ao tórax, como é normal. As brigas desencadeiam-se quase sempre por dinheiro ou por drogas, directa ou indirectamente. Entom, os políticos nunca brigamos? Pois nom exactamente. Às vezes sim nos vemos envoltos e nom é o primeiro que acaba no tigre resolvendo problemas. Eu nom me vim na situaçom nem vim nengum basco, mas várias vezes estivemos perto e parece ser que Sánti e José Manuel sim chegárom a esse ponto em Meco.</p>
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		<title>26 da Abril de 2008</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Apr 2008 08:45:34 +0000</pubDate>
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Entre os presos a relaçom é cordial, mas nom há irmandade. Diz-se que noutro tempo era doutra maneira, que se compartilhavam as causas e se defendiam uns aos outros. Pode que seja saudade dos tempos idos, ou pode ser que os ventos soplam para o individualismo em toda parte. Nom sei antes, mas agora [...]]]></description>
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<p><div id="attachment_27" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-27" title="ugio" src="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio-150x150.jpg" alt="Ugio Caamanho" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Ugio Caamanho</p></div></p>
<p>Entre os presos a relaçom é cordial, mas nom há irmandade. Diz-se que noutro tempo era doutra maneira, que se compartilhavam as causas e se defendiam uns aos outros. Pode que seja saudade dos tempos idos, ou pode ser que os ventos soplam para o individualismo em toda parte. Nom sei antes, mas agora se os carcereiros saíssem um dia se pugessem a maltratar um preso, ninguém sairia na sua defesa. Falo dos presos sociais, naturalmente. De todas as maneiras a relaçom é cordial e isso agradece-se, cria um ambiente relaxado onde se pode estar à vontade, longe da ideia habitual de tantos filmes: nom se vive com tensom, nom se respira violência e medo. O que mais chama a atençom é a mistura de raças e religions, que nom formam grupos compactos e muito menos bandas, ao revés, se olhas para o pátio vés aqui, um árabe, um brasileiro, um espanhol e um gitano a jogar o parchis, mais lá um preto a passear com um romeno e dando voltas em círculo, um basco corre parelho a um lituano. Depois a malta agrega-se por identidades, mas só para ocupar umha mesa ou um canto do módulo, para terem, por assim dizer, umha base. E está o canto dos mussulmanos, o dos bascos, o dos canários e o dos gitanos, cada um com a sua zona de pátio, as suas mesas e as cadeiras com umha marca para reconhecé-las. Cada um tem a sua base, mas nom passa muito tempo nela. Entre os grupos que encontras rindo, compartindo umhas cervejas sem álcool ou jogando a cartas, xadrez, parchis ou dominó, o mais normal é distinguir várias nacionalidades. Inclusive quando há brigas, tam comuns, é sempre assunto individual, nom racial. Polo mesmo motivo, nom existem os &#8220;chefes&#8221; ou, como se lhes chamava quando sim havia, &#8220;kies&#8221;. <span id="more-55"></span>Parece mentira até donde chega esta cordialidade, estes bons modos dos presos. Por exemplo, cá neste módulo há vários islamitas de Marrocos, Síria, Paquistám e amazigs. Alguns estám condenados ou acusados por participar no 11 de Setembro, outros por enviar ajuda a um grupo curdo de resistência iraquiana, &#8230; Neste mesmo módulo há um inglês jovenzinho que conta com sair logo do cárcere, e pretende alistar-se no exército británico para ir voluntário ao Afeganistám, porque afirma que do que ele goste é de guerra. Pronto, pois este inglês, que é um gajo simpatiquíssimo e de trato amável, leva-se estupendamente com os islamitas e cada dia joga xadrez com o paquistanês. Nom é impossível que de aqui a dez anos se encontrem em Tora  Bora e tentem desmembrar-se mutuamente, mas de momento estam presos em Puerto I e portam-se como bons companheiros. Eu conhecim um ex-militar británico que figera trabalhos nom mui claros em Irlanda do Norte, e passei bons momentos brincando com ele. Sei duns bascos que nom se levavam mal com um fascista italiano e com um picoleto arrestado por atracar bancos. Nom proponho todo isto como modelo de nada, olho. A prisom tem umhas regras e vale a pena segui-las se um quer poupar problemas desnecessários. Esta cortesia é um pouco chocante para todos, suponho que para quem nom se faz umha ideia de como se convive nos cárceres deve ser mais contraditória ainda, e a verdade é que nem sequera me proponho defendê-la ou justificá-la. Mas neste blogue às vezes descrevo como se vive cá dentro, e nom quero passar por alto as contradiçons. E as relaçons com os carcereiros? Nas prisons de segundo grau, especialmente nos módulos de preventivos, a hipocrisia também trabalha e mantem-se certo colegueio superficial e abertamente servil, chama-se-lhes de &#8220;Dom&#8221; e rim-se as suas graças. Isto claro, os presos sociais. O tratamento é sempre de você, em geral nos dous sentidos. De todas as maneiras o contacto é escasso, cada bando tem os seus espaços e só coincidem em momentos concretos. Cá em Puerto, como somos presos conflitivos, nom há colegueio que valha. Se nos encontramos num corredor, ora nos ignoramos atravesando-nos com a olhada como se fôssemos invissíveis, ora cruzamos umha fria olhada de ódio</p>
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		<title>19 de Abril de 2008</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Apr 2008 08:40:15 +0000</pubDate>
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<p><div id="attachment_27" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-27" title="ugio" src="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio-150x150.jpg" alt="Ugio Caamanho" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Ugio Caamanho</p></div></p>
<p>Contra o que parecem crer os nossos inimigos e também @s amig@s que nom compreendem movimentos como o nosso, o nacionalismo nom se propom restituir nengum paraiso perdido séculos atrás. Nom conheço nengum/ha galega que aspire a impor os foros, por exemplo, ou o poder feudal da igreja, ou as levas militares. Mas o mundo anterior ao capitalismo ficou sumido nas tebras pola ideologia oficial deste, como se todo fosse barbárie e obscuridade, mentres a modernidade polo contrário, tem que ser encomiada como a época das luzes, da liberdade e do benestar. Pois, bem, da mesma maneira que o presente merece críticos mais severos, o nosso passado deve ser julgado com mais justiça. Só assim, a contra -luz, se distingue o sensentido da vida que levamos e a possibilidade doutros mundos. Como digo, é um exercício de contraste, nom umha proposta de restauraçom do feudalismo. Agora, dirá-se, vivemos com mais comodidade. Talvez, mas há que explicar qual ideia de confort anima a sensaçom de que estar apinhad@s em pisos minúsculos dentro de blocos de prédios horríveis, passar horas encerrad@s em cápsulas motorizadas ruidossísimas e trabalhar em ambientes perigosos e aborrecidos, etc., é preferível a viver numha aldeia seguindo as lavouras conforme as estaçons. Objectará-se que vivemos mais tempo e com melhor saúde. <span id="more-57"></span>É certo que morrem menos mulheres de parto, mas muitas mais em accidentes de tránsito, por exemplo. Todos os descobrimentos de medicina nom evitárom que doenças derivadas do modo de viva que levamos afectem a prática totalidade d@s galeg@s:nom só pola recem criada necessidade de transporte e as suas consequências (accidentes, poluiçom, etc.), também polos ofícios arriscados ou mecánicos (doenças laborais, atrofias, estres, etc.), polo sedentarismo (obesidade, doenças coronárias, etc.) e até poa pura insensatez desta forma de vida (a primeira causa de visitas médicas é a depressom). Somos capaces de combater com penicilina as doenças d@s noss@s devencer@s; lástima que o custo fosse pôr em circulaçom mil causas novas de enfermidade e padecimentos. Dispomos, ainda assim, de mais e melhor comida, para nós acabou a fame. Que comemos mais nom o vou negar, e eis os dados que assinalam a obesidade como a principal ameaça à saúde pública do nosso País. Que nos alimentamos melhor é outra cousa vistos os hábitos culinários actuais, baseados nos produtos pre-cozinhados, na comida rápida e na indústria agroalimentar. Se hoje já nom pode um saber o que é que está a ingerir em lugar leite, tomates ou frango, do que pode estar certo, é de que foi adulterado genetica, biológica ou quimicamente nalgum momento do pro cesso de produçom. Ora, nom se nom se negará que na actualidade sabemos ler e escrever, e temos acesso à cultura. Sabemos ler e escrever, o que nom signifique que a maioria de nós leamos nem escrevamos, oferece-se-nos grandes obras de arte - esculturas, pinturas, romances, músicas,&#8230; - que alguns freqüêntam e talvez saibam apreciar. Porém a quota de ineptitude que adquiriu a nossa geraçom nos trabalhos manuais mais singelos, em qualquer tipo de expressom artítica, ou verval, inclusive a diminuiçom drástica do número de palavras que utiliçamos a diário, situam-nos sem dúvida como a mais inculta e torpe da história. Contar um conto, entoar umha cantiga, modelar qualquer figura com barro ou madeira, eram formas de expressom e criaçom ao alcanço de qualquer menin@, mentres hoje apenas uns poucos especialistas som capazes outenhem a vontade de imitá-los, no mais dos casos com magros resultados (mas isto é apenas a minha opiniom). Ah, mas entom nom havia liberdade. Levo toda a vida perguntando-me</p>
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		<title>8 de Março de 2008</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Mar 2008 08:38:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ugio Caamanho]]></category>

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<p><div id="attachment_27" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-27" title="ugio" src="http://www.ceivar.org/blop/wp-content/uploads/2008/10/ugio-150x150.jpg" alt="Ugio Caamanho" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Ugio Caamanho</p></div></p>
<p>1ªPARTE Até agora as chamadas telefónicas funcionavam assim: tu escolhes até dez números de pessoas entre as que tenhem autorizaçom para visitar-te, acreditas mediante factura que o telefone pertence à pessoa , e eles catastram os números num sistema informático que governa as cabinas telefónicas da prisom. Cada vez que queres falar com algum familiar ou amigo tens que introduzir o teu número de preso na cabina, com o qual accedes à tua &#8220;conta&#8221; que permite oito telefonemas de cinco minutos por semana aos números cadastrados. Nom há hipótese, naturalmente, de receber chamadas, apenas de realiza-las. Anteontem entregarom-nos um papel aos presos políticos anunciando-nos a nova ocorrência de Mercedes Gallizo encaminhada a &#8220;favorecer a reinserçom social das pessoas presas&#8221;, ou como seja que diz a constituiçom deles: desde agora excluem-se da listagem todos os telefonemas que nom pertençam a familiares directos. Nom se aduz nengum motivo concreto, como os socorridos &#8220;motivos de segurança&#8221; nem nada do género: é assim de pronto. Um suporia, e acertaria possivelmente, que se trata dumha nova vingança contra a esquerda abertzale, embora esto aconteceu antes - justo o dia antes - de que liquidassem ao socialista aquele de Arrasate, mas é dificil sustentar essa opiniom quando durante todo o ano de cessar-fogo nom houvo um só gesto de relaxaçom na vida carcerária, ao contrário, começarom a apertar um pouco antes deste e nom deixárom de fazê-lo até hoje.<span id="more-67"></span> Os governos do PSOE dirigem as prisons com umha sanha mesmo superior à dos governos do PP, e especializam-se neste tipo de maldades rebuscadas que denotam graves doenças mentais e nos políticos que as pergenham e nos funcionários que as aplicam. Quase desejaria que amanhá ganhasse o PP: estes arruinam-te a base de compridas condenaçons, mas depois deixam-te aí atirado no pátio sem vir meter-che o dedo no olho cada dia. Ao menos é o que dim os bascos deste módulo que já conhecêrom uns puocos governos desde que entrárom na cadeia. A que malnascid@ se lhe pode ocorrer a interdiçom de falar com amig@s? Porque há que dizer que o sistema telefónico, para além de controlar os números a que chamas, ocupa-se de gravar as conversaçons dos que temos intervidas as comunicaçons, com o qual um eventual risco de transmitir consignas ou informaçons evapora-se. Querem simplesmente isolar-nos da sociedade, que já agora é antónimo exacto da cacarejada &#8220;reinserçom na sociedade&#8221;. Lembro-me que em Cáceres já aplicavam este critério, e lembro-me que eu conseguira evitá-lo ameaçando o director com denunciá-lo ao julgado e com liá-la parda, até ser o único preso que podia telefonar amig@s. Mas alí a ideia fora umha demência privada do director, e agora adquiriu carta de natureza grazas a Gallizo. Nom há soluçom. Por enquanto ficaremos os quatro sem poder falar mais que com os pais, e nom há que descartar que logo nos proibam até receber visitas ou escrever cartas a outras pessoas. Isto vamo-lo pelejar e provavelmente o perdamos, mas se com isso querem realmente cortar-nos os laços com as amigas e companheiros, entom equivocam-se como levam décadas equivocando-se connosco. Pior para nós, mas nom seremos os únicos a pagar polos seus equívocos</p>
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