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Segunda 1 de Maio de 2006

Segunda-feira, 1 de Maio, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Hoje acordei com umha nova que me deixou amarrada à cama. Evo Morales anunciou a nacionalizaçom do petróleo e o gás Bolivianos para devolver o usufruto dos recursos naturais de Bolívia ao povo. A todo isto, em Repsol estám que trinam porque é umha das principais empresas multinacionais dedicadas ao espólio boliviano. Para mais maravilha, vários directivos de Repsol estám em busca e captura por roubar gás e por destruir populaçons indígenas no seu próprio benefício. Vou ficar com um sorriso todo o dia, realmente assim, sim que se pode dizer que o povo celebra o Primeiro de Maio dezentemente, polo menos o boliviano. Entre o exército chantado nas áreas de exploraçom petrolífera e os governos dos estados ocidentais subindo-se polas paredes, topamos a um homem de aspecto humilde, com cara de indígena e famoso por um jersei de raias, que o único que fai é cumprir o que prometera eleitoralmente. O que me parece escandaloso som as declaraçons dos políticos espanhóis, que “a ver que medidas de pressom tomamos”. Quem sodes vós! quem sodes ou quem pensades que sodes. (more…)

Sábado 29 de Abril de 2006

Sábado, 29 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

A Cárol já voltou. Ontem, na boa por suposto, porque pudo ver o companheiro e o resto dos compas de causa. Ainda que apenas nada, porque iam algemadas e nom pudérom nem dar-se um abraço. E ainda por cima, ao haver pacto, o julgamento apenas durou umha sessom bem curtinha, suficiente que parecesse algo, e volta para Soto. Que lástima, vem-se tam raramente, e quando podem, nem dous minutos. Polo menos estivo com as moças de Soto, que como houvo muitos movimentos, pois há algumhas que já nom estám, e outras que possivelmente já nom continuem lá quando volte ir. Agora vai ser tudo incertezas. Vam pedir que as levem a Catalunha; o mais provável é que nom haja nengum problema. Também tem que pedir que a juntem com o companheiro na mesma prisom, para poderem ver-se mais que nada. Mas as cundas para Catalunha som cada muito tempo, já que a Generalitat tem competências em matéria de prisons, com o qual as prisons catalás e as do resto do estado som levadas instituiçons diferentes. Por isso há poucos traslados de prisons espanholas a catalás. Terá que ir para Soto, e depois, umha vez lá, ficará esperando um mês, mais ou menos, para colher a cunda catalá. Depois, o destino dirá. Mas enquanto passe todo esse tempo vai viver com a tensom de “nom sei onde vou estar amanhá”.

Quinta 27 de Abril de 2006

Quinta-feira, 27 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Seguindo com a possível Guerra Suja. A que vem que agora de repente detenham um moço que já estivo preso, que do único que peca é de ser jovem, basco, e de defender os seus direitos colectivos? Se sacarem da manga uns bonos estúpidos, que em todo caso seriam um problema tanto para quem os venda como para quem os queira comprar, que nom tenhem jeito nengum, e ainda por cima conseguem “demonstrar” a suposta relaçom entre a mocidade basca organizada com a luita armada, detendo justo a esse moço e nom a outro. As coincidências nom existem. Agora o coitado vai papar cinco dias na esquadra, recebendo mais hóstias que um neno tonto, para que logo se chateie todo o pessoal se houver umha reposta. Estamos loucas ou quê? Se isto nom é guerra suja que venha deus e o veja. Ainda por cima, resulta que ponhem um petardo no negócio de um tipo de UPN em Nafarroa. Em Nafarroa, onde os meios silenciam sempre qualquer acto de resistência basca. E justo agora que a direita Espanhola anda advertindo que “Navarra nom vai ser alvo de nogociaçons”. Nom é demasiada coincidência? Demasiada. (more…)

Terça 25 de Abril do 2006

Terça-feira, 25 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Tudo indica que volta a Guerra Suja contra Euskal Herria. É evidente que há muitos interesses contra o facto de se resolver o conflito. Mas é tam descarado que nom tenho palavras. Que se cartas, que se petardos,… E ainda por cima o Otegui outra vez ao talego. Parece que buscam à desesperada jogar a despistar. Provocam, provocam, mas como resistir friamente as hóstias com que continuam batendo? Aliás, por mais que digam estes espanhóis -que tanto repetem o mesmo que afinal o acabas interiorizando- que ETA é toda a Esquerda Abertxale, nom é assim. Nom devemos esquecer que em Euskal Herria existe um movimento auto-organizativo muito forte, que está já quase assimilado como forma cultural de autodefesa (que grande razom tenhem). E que se se der o caso que um empresário se passasse, estilo a Volkswagen, e a liam parada para defender os seus dereitos, pois é o mais normal. A eles e a elas, o cessar-fogo nom lhes vai resolver os problemas se ficarem na rua. Igual que passa com a mocidade. ETA pode fazer a trégua que veja oportuno, mas se o emprego continua a ser precário, as jovens vam ter que foder-se e apandar até que se resolva o conflito? Era o que mais faltava. Que o povo basco continue a ter muito claro quais som os seus direitos. Nom se pode confundir com a ilusom tremenda que tenhem posta na superaçom do conflito, ainda que haja pessoas que queiram confundir. Já agora, umha saudaçom agarimosa a todas as portugesas, que hoje estarám rememorando a Revoluçom dos Cravos. Tendes razom, O POVO É QUEM MAIS ORDENA. FASCISMO NUNCA MAIS.

Domingo 23 de Abril do 2006

Domingo, 23 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Já sabemos que foi da Cárol. Afinal 7 anos para todas. Já podemos respirar tranquilas, houvo pacto entre a defesa e a acusaçom, por iso foi todo tam rápido. Já havia boatos de que podiam andar em conversas, a petiçom fiscal era tam exagerada que ninguém podia imaginar algo assim nem nos seus piores pesadelos. O único que figérom foi somar tudo polo que as acusavam. Se um coquetel molotov, som, creio que 17 anos o que pedem, soma e segue. Para além de estarem em tentativas de inventar-se umha banda armada, que também som um magote de anos por organizaçom. E como esta gente estivo sob seguimento durante bastante tempo, que é o de sempre, tentariam meter-lhe todo o que se passou na Catalunha e parte do extrangeiro nos últimos dez anos. Nom me espanta que tivessem umha petiçom fiscal desse calibre. Outra cousa é que depois o demonstrem, que com todo circo que é a justiça espanhola, que é a escola de actrizes e actores melhor que há, depois, que sempre saia bem é bem diferente. Aliás, nom sei que rendabilidade política lhe pode tirar o Estado espanhol a inventar umha nova organizaçom armada. Imaginade o estado europeu com mais guerrilhas de toda a Uniom, seria bastante contra-produzente, nom é? É bastante melhor, deixá-los dentro o tempo suficiente, para que ao sair voltem a pensar se estám dispostas a voltar. E se finalmente o estám, que se apanhem os políticos do futuro, e que busquem como solucioná-lo, que em quatro anos e meio, a saber como está o panorama político.

Sexta 21 de Abril do 2006

Sexta-feira, 21 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Se o da Cárol nos parecia estrambótico, olhade o de Rafa, que é o seu companheiro, nom só da vida, mas também de causa. Levam-no de cunda, e ele pensado que era para um julgamento rasca que tem por ameaçar supostamente uns carcereiros. E nom, ao chegar lá, avisam-no que nom, que é polo julgamento gordo. Se nom o vejo, nom o creio. Isto é de revista do coraçom do pouco sério que é. Nom som conscientes do estrés que produz tudo isto? Que tu estás normal, imersa na rotina talegueira, e de súbito chamam-te dizendo que ligues cagando hóstias à tua mai, para logo que te dêem a data do julgamento para dous dias, e acto seguido te comentem assim como quem nom quer a cousa que recolhas dous anos e meio de vida dentro para ir-te numhas horas com umha cunda especial para ti. É um pesadelo.

Quarta 19 de Abril de 2006

Quarta-feira, 19 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Hoje a Cárol soubo que tinha data de julgamento para dentro… DE DOUS DIAS. Como pode ser? Levas presa dous anos e meio e nem te informam de quando vai ser o teu juízo? E com umha petiçom fiscal de 160 anos? Que pouca vergonha. Pois de casualidade. A mai chamou urgentemente à prisom, pedindo que a avisassem de que passava algo gordo, para que a chamasse. A menina, claro, toda assustada, para que te avisem assim é que nom pode ser nada bom. Chama e passa a sabê-lo. É incrível, o “talego” nom sabia nada. A questom é que as presas preventivas temos direito a que nos acheguem com um mês de antecedência a umha prisom perto da Audiência Nacional, para poder preparar o julgamento com os advogados ou advogadas. No caso das mulheres Costuma ser ou Soto ou Meco. Pois a cárcere, a dous dias do juízo, toma conhecimento de que tinham que mandar a Cárol a Soto dous dias antes, e porque chama a mae, senom já estou vendo o panorama. Chega o dia em questom, a moça nom aparece e ponhem-na em busca e captura, que ainda que pareça brincadeira, já tem acontecido, gente que está em prisom, em busca e captura pola própria inaptidom da instituiçom. E pensades que lhes dá vergonha? Nada, eles tam dignos. Pois mais ou menos à hora que ela o soube, chamam-na polos altofalantes para dizer-lhe: “Recolha que se vai de conducçom”. Umha “cunda” especial para ela a Soto. Pois o advogado pode, se quer suspender o julgamento, sem tempo a prepará-lo, imagina.

Segunda 17 de Abril de 2006

Segunda-feira, 17 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Hoje voltei a sair ao dentista. Esta vez para quitar-me o dente em questom. Mas foi bastante melhor que a anterior. Saim com outra presa que se tinha que colocar umha dentadura postiça, e lá fomos as duas. Nom tivem tanto despregue repressivo como a outra vez e o que é melhor, já me preocupei de nom levar nengumha camisola reivindicativa para nom dar-lhes pé a atopar-me com mais galegos-fachas. Prefiro viver na ignoráncia, vamos. Pois umha vez lá, na clínica Santa Teresa, o dentista pediu aos polícias que me quitassem as algemas, que me iam fazer umha intervençom cirúrgica, e se me desse um “yu-yu” nom podia estar algemada. O melhor de tudo é que depois da intervençom nom me volatárom a algemar, e deu-se a situaçom, curiosa por certo, de a outra presa ir com as algemas e eu com as maos livres. Ela dizia-me, “nom acredito, tu, que es a perigosa, tam tranquila, e eu atada, estes devem estar confundidos”. Mas que passada, andar pola rua com as maos livres. Bem é certo que me levavam amarrada polo braço, mas se me passou a tentaçom tantas vezes pola cabeça…, tantas, que os quatro passos que dei da porta da clínica até ao furgom se me figérom intermináveis. Mas estes nom se buscam a ruína, quer dizer, que lhes preocupa menos meter-me quatro tiros que ver-se num sarilho desse calibre, de todas formas só se tinham que invertar um filme de ciência ficçom. Já os estou imaginando… que se tentou roubar-nos a pistola, que se houvo umha briga… aliás, quem lhes ia pedir explicaçons por matar umha “terrorista”? Ninguém. Ainda lhes davam umha placa polo mérito ao valor. Mas estou bem certa que outra oportunidade assim nom a vou ter nunca mais.

Sábado 15 de Abril de 2006

Sábado, 15 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Por fim, hoje é dia de festa, está chovendo. É maravilhosa, a chúvia em geral. Produz umha trsistura ver a sequia que rodeia o cárcere. A chuva (se se lhe pode chamar assim) é boa sobretudo para nós, ganhamos em nível de vida. Como cá nom estám afeitas, quando caem quatro pingas, ninguém sai ao pátio. Entom respira-se umha tranquilidade incomparável, nom se escuita um ruido e as presas ficam todo o tempo possível nas celas como coelhinhas nas tocas. A água limpa o ambiente, permite-nos respirar fundo à espera de que passem outros dous meses até que volte a chover. A lástima é que ao que mais cheira é a concreto molhado, mais que nada pola pouca herva que há fora. Estou contente sobretudo polas coitadas ovelhas e vacas que pastam do outro lado dos muros, seguro que elas mais que ninguém o vam a agradecer abondo.

Quinta 13 de Abril de 2006

Quinta-feira, 13 de Abril, 2006

Giana Gomes

Giana Gomes

Mas se continuamos com o tema de há dous dias. Temos milhares de evidências do nosso alto grau de colonizaçom. O auto-ódio. Em que cabeça colhe que umha cultura que leva mais de mil anos falando umha língua própria sem complexos, de repente se avergonhe dela? E nom só da língua, senom mesmo da sua forma de vida, de relaçons e de convivência com o meio. Como é possível, que num país onde levamos séculos tendo umhas formas de vida colectivas, agora de repente, cada quem olhe por si, sem importar-lhe o que sufra a vizinha. Que a gente renuncie a educar as suas crianças na língua em que fôrom educadas elas, porquê? Penso que tem que ver, todo esse refraneiro popular espanhol que fala das galegas como se fôssemos animais (igual que das portuguesas, nom nos esquençamos), que ridiculariza a nossa língua, que imita o nosso sotaque (muito mal por certo) cada vez que querem imitar a um subnormal (e nom me estou metendo com os subnormais). Que levam séculos utilizando as nossas maos e o nosso lombo para cultivar as suas secas terras, ou para limpar as suas sujas moradas, e que por suposto invadem o nosso imaginário colectivo de tópicos estúpidos onde eles som os mais listos do planeta. (more…)