Sábado, 15 de Junho de 2008
Domingo, 15 de Junho, 2008Puerto I tem muitas singularidades a respeito do resto de prisons de Espanha. A maioria, más, nom em vao é o penal mais temido por qualquer preso. A comida, por exemplo, é a pior de quantas conhecim por aí adiante, e conhecim comidas más de verdade. Esta é má com avarícia. Contam que nem sempre foi assim: tempos atrás Puerto I tinha cozinha própria onde trabalhavam presos desta prisom, e os que o conhecêrom afiançam que se comia melhor que nengures; um dia, porém, umha das facas foi empregue por um par de presos para degolar outro –e depois passeárom polo pátio com a cabeça na mao- e a direcçom fechou a cozinha. Trancorrêrom cerca de vinte anos, e desde entom comemos o que nos enviam da prisom de Puerto II, que está justo ao lado de Puerto I. Nom sabemos se em Puerto II, que é de segundo grau, comem o mesmo que nos enviam, supomos que sim. Ao menos, digo eu que o comerám quente. Como em toda a parte, dam-nos dous pratos e sobremesa. “Pratos”, logicamente, é umha forma de falar, porque nas prisons come-se em bandejas e com talheres de plástico. O primeiro prato pode ser sopa de batatas –só de batatas-, favas cruas, lentilhas –o prato mais saboroso da semana- ou, como hoje, aros de lulas fritas. O segundo massa fria, um bife anao sem mais companhia que o pam, “pescaíto frito” ou umhas fatias dum embutido apestoso que nom deve ter nem nome, sucedáneo dum sucedáneo da mortadela. De sobremesa, fruta ou lácteos. A maioria dos dias a malta fica com fome, e isso faz-se duro especialmente às noites dado que jantamos às sete e meia, muitas horas antes de deitarmo-nos. Quem tem dinheiro, que somos algo menos da metade dos oitenta presos do módulo, janta por segunda vez na cela: com o pao de jantar e umha lata de atum, engana-se o estómago até a manhá seguinte. Talvez como compensaçom, o demandadeiro funciona melhor que em nengumha das prisons polas que passei. (more…)
